Diante da mineração de Candiota.

A vinha bebe, na terra, o brinde que virá
as oliveiras a sutileza do sumo
as sementes, a mais secreta fartura
eles não sabem

como não sabem os rios em sua antiga limpidez
os pássaros e as perdizes
a grama e os bois em cabal mansidão

mas sabem os ventos
eles carregam o suspiro das florestas mortas
os metais pesados e a acidez letal
é de carvão a noite que cai sobre a região e sua luz

cega de vida
tensa de clamor :
o que entregaremos aos nossos filhos?
e aos filhos de nossos filhos?

senão um lugar órfão de beleza
e harmonia
e do mais sagrado:
órfão de sua própria alma ? Seu destino?

Poema: Elvira de Macedo Nascimento.
Fotos: Luís Gustavo Ruwer.

Um comentário em “Diante da mineração de Candiota.

  • 28/05/2021 em 12:19
    Permalink

    Parabéns , lindo poema.

    Resposta

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