Misturados: Richard Serraria

Depois de uma pausa de quase um mês por conta da piora drástica da pandemia, a produção do Misturados – projeto contemplado no edital da da Secretaria Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul nº 09/2020 da Lei Aldir Blanc – seguiu a articulação que vinha fazendo com nossa equipe para retomar as filmagens. O terceiro artista a ser registrado para o Misturados seria Richard Serraria. Poeta, músico, e que tambérm está na equipe de roteiro do projeto, Serraria já era conhecido da equipe, principalmente de Marcelo, pela relação de mais de uma década de parceria com o Coletivo Catarse.

Saímos em direção à Zona Sul de Porto Alegre no dia 19 de março para gravar na casa do artista. No caminho, fomos admirando os tons de outono que a cidade começava a ganhar, principalmente com as paineiras exibindo suas flores rosas. Chegando na casa de Richard, repassamos o roteiro juntos e optamos por começar com a saída pela zona sul, passando por pontos significativos para o poeta e músico.

A primeira parada foi na praia de Ipanema, local em que Serraria tocou um pouco do Sopapinho – ou Oba Kekerê, Rei Pequeno, como definiu o Mestre José Batista – e tamborim na beira do Guaíba. Tendo participado da equipe de produção do Grande Tambor, o artista foi fortemente influenciado por mestres e mestras do extremo sul do estado que resgataram o tambor afro riograndense nas primeiras décadas do século XXI.

Partindo de um local de extrema relevância para as tradições de matriz africana na capital e no estado – já que a praia de Ipanema sedia anualmente a maior festa de Oxum da América Latina – Richard fez ressoar toques e conhecimentos recebidos de Mestre Batista, Giba Giba, Mestra Sirley Amaro, Dona Maria, José Batista e tantos outros guardiões e guardiãs do sopapo.

Fortalecidos pelos toques do instrumento ancestral, seguimos mais ao sul em direção a Serraria, bairro que marcou o início da vida do artista, e por isso foi adotado como nome. A pedido de Richard, dedicamos uma atenção especial às placas de ruas e bairros, já que os nomes dos locais na cidade representam uma das fontes de inspiração que atravessam sua obra. Na entrada da Vila dos Sargentos, o quartel (3º B Com Ex) que esteve em Bento Gonçalves até 1975 e depois se instalou na entrada da Vila dos Sargentos. Ou foi a Vila que veio depois do Quartel?

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Depois o caminho foi de volta à Vila Nova e lá dos altos da Rua Lídia Sperb, batemos um papo sobre sopapo, sobre poesia, sobre Alabê Ôni, Bataclan FC, Sopaporiki. Enfim, percorremos algumas das inúmeras trajetórias que foram ou estão sendo traçadas pelo artista, sempre inquieto em articular e criar atalhos entre todos esses caminhos.

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Já ao final da tarde foi a vez do Drone do Gabão fazer sua arte. Primeiro com tomadas muito bacanas da Vila, dos altos da casa do Serraria, até mesmo do Campo do Piriquito, mítico gramado que viu nascer o talento futebolístico de Ronaldinho Gaúcho. Mas foi aí que deu problema, quando o aparelho perdeu contato com a base! Com o Drone acima da linha das nuvens e se recusando a obedecer os comandos do operador, e equipe passou momentos de tensão imaginando o que aconteceria quando a bateria do aparelho terminasse. Vale dizer que o Campo do Piriquito está localizado à beira da Avenida João Passuelo, e era horário de pico! Sairam Gabão e Marcelo ladeira abaixo, feito loucos, para conseguir interceptar o Drone antes que algo de pior pudesse acontecer! No final tudo certo, com a nave pousando de forma suave no centro do campo e sendo resgatada…

 

Fotos: Billy Valdez
Texto: Bruno Pedrotti e Marcelo Cougo.

 

 

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