Familiares dos quatro mortos afirmam que PM cometeu chacina

Na madrugada de domingo (13),  o policial militar Andersen Zanuni dos Santos, que estava fora do horário de serviço, assassinou a tiros quatro homens, moradores da Vila Estrutural, no bairro Morro Santana, zona leste de Porto Alegre.

As quatro vítimas, Alexsander Terra Moraes, 26 anos, Cristiano Lucena Terra, 38 anos, Christian Lucena Terra, 33 anos, e Alisson Corrêa Silva, 28 anos, pertenciam a mesma família.  Cristiano e Christian são irmãos, Alexsander é sobrinho deles e Alisson, primo. Cristiano trabalhava como servente de pedreiro, Christian era vendedor, Alisson, estudante universitário e Alessander era instalador de janela.

Na última sexta-feira (18), familiares e amigos das quatro vítimas protestaram pedindo justiça. Dezenas de pessoas se concentraram em frente à delegacia da Brigada Militar da Av. Protásio Alves e seguiram em caminhada pela Av. Manoel Elias até a frente da pizzaria onde o policial militar de folga cometeu o crime.

Assista abaixo o vídeo produzido de forma colaborativa entre o Repórter Popular, Deriva Jornalismo e Coletivo Catarse:

Entenda o caso

O policial Andersen Zanuni dos Santos admitiu a autoria dos disparos e alegou que agiu em legítima defesa. A sua versão a respeito dos fatos é de que teria saído de uma festa em Alvorada e, às 5h da manhã, chegou nas ruas da Vila Estrutural, no bairro Morro Santana. Segundo o advogado do policial, ele teria ido até a casa da ex-namorada na madrugada de domingo, e vendo que ela não estava, foi até a outra casa, que seria de uma amiga. Anderson entrou na casa onde estava ocorrendo uma confraternização. De acordo com a família, eles não conheciam o policial, que teria chegado à residência na madrugada, se identificando como policial e pedindo para que baixassem o volume do som. Na saída, teria agredido uma das mulheres e, depois disso, o grupo com quatro homens, a sobrinha e a esposa de um deles teria reagido e ido atrás do policial, que correu até uma pizzaria e se escondeu no banheiro.

Imagens de câmeras de segurança mostram o policial sacando a arma e atirando em quatro homens que estavam desarmados. A defesa do PM alega ‘legítima defesa’. A Brigada Militar abriu processo interno e conforme a Polícia Civil, que investiga o caso, nenhuma arma foi encontrada junto com as quatro vítimas.

“Não foi legítima defesa, foi chacina”, a família contesta a versão de legítima defesa apresentada pelo policial e pede justiça. Em entrevista, o policial disse que não se arrepende e que pretende voltar à corporação e seguir a vida normalmente.

Foto destacada: Alass Derivas

Chacina na Zona Leste (18-06-2021) Foto Alass Derivas

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