3J – Multidão retoma as ruas de Porto Alegre contra Bolsonaro

Na tarde de sábado, dia 3 de julho, foi realizado mais um ato contra o presidente. Em Porto Alegre, o número de manifestantes foi tão grande que lotou a frente da Prefeitura, do Mercado Público e ruas próximas, como a avenida Borges de Medeiros. Os organizadores do evento estimaram até 50 mil participantes exigindo a saída de Bolsonaro.O chefe do executivo foi novamente acusado de genocídio. Para as massas presentes, Bolsonaro seria o responsável pelo elevado número de mortes por covid no Brasil, já que o presidente teria se omitido e inclusive agido contra as medidas de combate à pandemia. “às mais de 520 mil vítimas, nenhum minuto de silêncio”, inflamou o carro de som.

De fato, a tarde foi de gritos, cantos e toques de luta e indignação. “Fora Bolsonaro” e “Bolsonaro Genocida” ecoaram pelo centro da cidade. Grupos de percussão preencheram o ambiente e cadenciaram a caminhada com os diversos ritmos das culturas populares. Capoeiristas lembraram do ícone Zumbi dos Palmares e reforçaram sua influência na luta por direitos dos quilombos urbanos da cidade: “Eu Vi, eu vi, no Quilombo eu vi Zumbi”, cantaram os angoleiros da Áfricanamente e do Quilombo dos Machado.

Além da denuncia do número de mortos, defesa do SUS e da Vacina, pressão pela abertura do processo de impeachment do presidente e retorno do auxílio emergencial, somaram se também pautas de combate aos desmanches socioambientais capitaneados pelo governo federal e implementados por seus apoiadores no estado e no município.

Os ataques aos funcionários públicos e demais trabalhadores foram repudiados, bem como a reforma da previdência. Indígenas, quilombolas e apoiadores reforçaram o grito de “Não ao Marco Temporal”. Ambientalistas denunciaram as políticas contra o ambiente e lembraram da aprovação em nível estadual de agrotóxicos sem registro nos países de origem. Movimentos LGBTQI + rechaçaram o governador Eduardo Leite como um homossexual a serviço de um governo homofóbico.

Por volta das 16h foi iniciada a caminhada. Apesar do número grande de pessoas, os manifestantes se posicionavam com distanciamento uns dos outros. Vale reforçar também que a imensa maioria das pessoas participantes usava máscara.

Da prefeitura, a marcha seguiu pela avenida Mauá em direção ao Gasômetro, continuou pela avenida Loureiro da Silva até chegar ao Largo Zumbi dos Palmares, local em que foi feito o encerramento do ato com batucadas e intervenções lembrando os mortos na pandemia. O protesto foi pacífico, não houve violência nem ações de destruição de patrimônio.

Além de Porto Alegre, também foram realizadas manifestações em mais de cem cidades pelo Brasil e em dezenas de cidades pelo exterior. Os atos tiveram ampla repercussão e circulação nos meios digitais, forçando inclusive a cobertura pelos meios de imprensa corporativa. Acesse  os registros dos parceiros da cobertura colaborativa nas redes do Repórter Popular, Deriva Jornalismo, Rede de Informações Anarquistas, CWB Resiste, Mídia Independente Coletiva, Bombozila e Witness Brasil. Seguindo a marchinha que ecoou no sábado “ai, ai, ai, ai, empurra que ele cai”, as diferentes entidades e grupos seguem articulando novas ações para pressionar a queda do governo Bolsonaro. A próxima manifestação está marcada para o dia 13 de julho.

 

 

Foto e texto: Bruno Pedrotti.
Revisão: Paulinho Bettanzos

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