Não é apenas futebol. Nunca foi. E chegou a hora de sermos mais.


Por Grêmio Antifascista:

Não escolhemos nossas paixões: somos escolhidos e transformados por ela.

A paixão que nos faz abraçar completos desconhecidos e partilhar com eles o melhor da nossa alegria depois do êxtase de um gol não é exceção: nascemos e nos transformamos no amor às cores de uma camiseta. Aprendemos a celebrar vitórias e a fazer o luto das derrotas, aprendemos a lidar com sentimentos para os quais não há escola e fazemos isso em conjunto. Aqueles que vão um pouco além e se aventuram nas quatro linhas em que acontece o esporte bretão aprendem a importância do trabalho conjunto, do companheirismo, da estratégia e compreendem a força que tem a ação conjunta e com propósito. Não é apenas futebol. Nunca foi. E chegou a hora de sermos mais.

Ao contrário do senso comum rabiscado em algumas paredes, não é porque gritamos “gol!” ou nos entregamos à alegria do carnaval que somos explorados. E a política, apesar de todos os esforços para esvaziá-la de sentido, não é feita apenas de decisões técnicas, racionais, incontornáveis. Política também é paixão: é a indignação frente a 525 mil mortos de covid em nosso país e o descaso das autoridades com a dor das famílias, é a solidariedade as que mais precisam, é a esperança de uma sociedade mais justa e igualitária. Assim como o futebol nos ensina a lidar com o luto e a glória e molda nossa sociabilidade, a ação política também têm o poder de amplificar a nossa força e canalizar para um objetivo maior as nossas paixões. E assim como no futebol, o talento individual encontra lugar e é potencializado no coletivo.

O grito só empurra o time quando cantamos juntos e nossa voz só se faz ouvir se gritamos juntos e a plenos pulmões. As redes sociais ampliaram nossa capacidade de comunicação e, nesses últimos tempos, fomos forçados por uma pandemia fora de controle a nos organizamos dessa forma, mas chegou o momento em que descobrimos que a pandemia seria controlada se não fôssemos às ruas. Os protestos dos últimos meses foram [e estão sendo] importantes para mostramos nossa força, para fazermos ouvir a nossa voz, mas principalmente para nos olharmos uns aos outros, para saber que não estamos sozinhos e começamos a ressignificar palavras como companheirismo, camaradagem e solidariedade. Também forma momentos importantes de catarse, em que botamos para fora toda a nossa indignação com um governo corrupto e genocida, mas está na hora de fazermos mais: transformar a raiva em ação conjunta organizada.

Está na hora de nos organizarmos e recuperar o sentido e a força da ação coletiva, restaurar a esperança na política, aquela do dia a dia, de olho no olho. Não importa o que você saiba fazer ou de quanto tempo você disponha, sempre haverá um movimento, coletivo, sindicato, partido em que sua ação será bem-vinda e amplificada. Procure um coletivo que represente seus princípios, que aja em alguma causa que você considere importante: pode ser sua associação de bairro, o sindicato da sua empresa, um curso popular, um coletivo de solidariedade aos mais vulneráveis ou mesmo um partido político que represente seus valores, se você sentir que esse é o seu caminho. Quando nos organizamos, transformamos não só a sociedade, mas a nós mesmos.
Não é apenas sobre futebol. Nunca foi. E chegou a hora de nos organizarmos para sermos mais, muito mais!

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