Estádios abertos, cemitérios lotados

O Brasil, que até 2020 era conhecido como o país do futebol, hoje é reconhecido como país da Covid-19, pois ainda estamos imersos no caos que o governo causou à população e que matou mais de 600 mil brasileiros em 1 ano e 3 meses de pandemia. Batemos recordes de fome e pobreza neste período e pessoas fazem filas na tentativa de ganhar ossos de boi para terem o que comer, ou cozinhar com fragmentos de arroz tamanha a miséria patrocinada pela gestão do Bolsonaro e Paulo Guedes.

Para a parcela mais rica da população a vida continua seguindo seu fluxo normalmente, mas a grande maioria teve uma perceptível perda aquisitiva com a pandemia. Concomitante a isso ainda temos a falta de políticas públicas, desmonte dos serviços públicos, descaso com a educação, desvios de recursos da área da saúde e as propinas nas negociações das compras das vacinas como vêm emergindo cada vez mais abertamente na CPI do COVID. Essa é a equação da completa desgraça que nos encontramos e nem mesmo o futebol consegue trazer um alívio em um momento como esse, pois ele reflete esse panorama caótico.

No último dia 15 de julho, a Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou, em sessão extraordinária (atendendo à vontade do prefeito bolsonarista Sebastião Melo do MDB) um projeto que libera o retorno do público aos estádios por 22 votos a 10. Esse projeto prevê a autorização para que cada setor dos estádios funcione com até 25% da capacidade mantendo as orientações de distanciamento entre os torcedores e uso de máscaras.

A flexibilização das medidas de distanciamento social erroneamente defendidas por aqueles que acham que o uso de máscara e a redução da capacidade dos estádios solucionam o problema da contaminação pelo vírus promovem a falsa sensação de que a pandemia está sob controle e demonstra mais uma vez a preocupação de visão curta das demandas econômicas frente à vida – que a médio e longo prazo é infinitamente mais importante à própria economia.

As novas Cepas ainda estão descontroladas e com a circulação desenfreada do vírus nascerão outras tantas novas a cada dia. Acreditamos que não podemos e não devemos abrir os estádios. Não podemos flexibilizar as já frouxas regras de combate à pandemia para servirem a miopia e ganância do grande capital. Por fim, vale ressaltar que aqueles que vão ocupar os espaços no estádio serão justamente aqueles que possuem condições financeiras para tanto, os trabalhadores continuarão se expondo para servir este grupo privilegiado e ainda à margem do futebol nos estádios como lazer. A única certeza que possuímos sobre essa flexibilização aprovada na Câmara Municipal é que ela trará para a comunidade mais circulação, contaminações e quiçá novas cepas de COVID, ocasionando em mais morte no genocídio bolsonarista sobre o povo brasileiro. Com a abertura dos estádios, só nos resta torcer porque o mal resultado já deverá ser esperado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: