Contra a exploração, trabalhadores de aplicativos param em Porto Alegre

Na manhã desta terça feira foi realizada uma paralisação dos trabalhadores e trabalhadoras de aplicativos. Composto em maioria por entregadores de moto, mas também com participação de entregadores de bicicleta e motoristas, o ato iniciou às 9h no Parcão junto à Avenida 24 de Outubro e foi finalizado pouco antes do meio-dia em frente à sede da empresa Uber.

A principal denúncia dos presentes foi contra os baixos valores pagos pelos aplicativos, contrastando com o custo de vida cada vez mais alto. Sem esquecer também dos altos preços do gás e dos alimentos, motoboys e motogirls se revoltaram com a alta dos preços da gasolina. Comparando com o momento em que os aplicativos começaram a operar no país, quando uma corrida mínima valia 9 reais, e um litro de gasolina custava três, profissionais se veem obrigados a aceitar corridas mínimas de 3 a 5 reais – com um litro de gasolina custando 6 reais no mínimo.

Outros pontos levantados também foram a exclusão da categoria nos planos iniciais de vacinação contra Covid-19 e a falta de responsabilização das empresas sobre os trabalhadores, que precisam arcar com os prejuízos nos casos de acidentes ou adoecimentos.

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Depois da concentração no Parcão, entregadores seguiram em comboio pela cidade, escoltados pela Brigada Militar e pela EPTC. Dirigiram-se à sede da empresa Uber, tida como a mais exploradora entre os diferentes aplicativos, na esquina da Av. Carlos Gomes com a Av. Bagé. Chegando lá, fizeram um grande barulho, com buzinas, roncos de motor, cantos e gritos ao megafone. Ao som dos cantos de “Ei, Uber, chega de exploração!”, tiraram capacetes, coletes e as bolsas dos aplicativos, fazendo uma grande pilha.

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Gabriel, do Coletivo Independente de Trabalhadores de Aplicativos, destacou a necessidade de união dos trabalhadores de aplicativos e reforçou a importância de os motoristas se somarem na luta, pois sofrem tanto quanto os entregadores de moto/bike com as taxas baixas. Sobre a situação exploratória em que se encontram, destacou: “O que pode melhorar nossa condição é se as empresas fizerem um repasse digno pra nós, os próprios usuários estão pagando mais caro, e nós entregadores estamos ganhando menos.”

Assim, concluiu: “Uber, Ifood e todas essas empresas estão ganhando muito mais às nossas custas e também dos próprios usuários, que recebem cada vez um serviço pior”.

O entregador reforçou a importância de os usuários avaliarem mal os aplicativos. Além disso, relatou que a categoria conquistou uma agenda para apresentar suas demandas e discutir a regulamentação com o governador no dia 11/08. Em paralelo, está sendo construído o Apagão dos Apps, ação conjunta de entregadores e usuários – ainda sem data marcada -, e o quarto Breque dos Apps, marcado para o dia 11/09. Dessa forma, entregadores e entregadoras estão mantendo uma agenda de lutas que servem para expressar a consciência de quem são os exploradores, investindo nessas mobilizações e na articulação da categoria para a busca por seus direitos e condições dignas de trabalho.

Texto e fotos: Bruno Pedrotti.
Produção: Marcelo Cougo.

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