Todos os posts de Coletivo Catarse

Registros de parte do ato do CPERS (Sindicato dos Professores Estaduais do RS)

Texto e fotos Alass Derivas

“Cheguei na Praça da Matriz às 15h15min, quando do caminhão de som anunciaram que uma comitiva do comando de greve seria recebida no Palácio Piratini. No portão ao lado do prédio, em seguida à fala, o Batalhão de Choque se enfileirou. Os professores seriam recebidos por quem? Quando a comitiva tentou entrar, outros servidores foram juntos. A segurança do Palácio os recebeu com gás de pimenta e não impediu a entrada de todos. A presidente do Cpers, Helenir Aguiar foi agredida por uma “cassetada” na cabeça e foi para o HPS. Antes, mais sete pessoas também buscaram atendimento devido à inalação do gás de pimenta. Foram incentivadas por falas no caminhão de som devido “o potencial do gás de queimar as vias áreas”. Momentos de tensão na porta de entrada do Palácio. Do microfone, os dirigentes do Cpers acusaram serem vítimas de ação de pessoas infiltradas, que supostamente teriam causado a confusão na entrada do Palácio Piratini. Denunciaram o governo de Eduardo Leite por receber os professores com o Batalhão de Choque. Com um pelotão postado em frente à portal principal, algumas pessoas iam tirar fotos com placas em defesa da educação pública, estudantes fizeram poses de luta, algumas pessoas mais provocativas, outras tirando selfie.

Chega o Tenente Coronel Luciano, que, em seguida, dá sacada do Palácio, com mais dois oficiais da Brigada, passa a observar os movimentos dos manifestantes. Incentivam, com gestos de aprovação, os sócios do Cpers que insistem para que o pessoal disperse. É mesma determinação do caminhão de som, que pede primeiro para que recuem para a Praça da Matriz. Ao lado do Batalhão, Daniel Araújo, que não informa seu cargo no uniforme, negocia com os professores, após cochichos com o Major Trajano, quem comandava as tropas do Batalhão de Choque nos protestos de 2013.

Diz que se recuarem até a Praça, ele mesmo entra no Palácio e pede para que recebam o documento do comando de greve. Do microfone, o comando de greve decide encerrar o ato, incentivando as comitivas a buscarem seus ônibus, pedindo para a mobilização seguir nos municípios. A greve continua. A caminhada prevista para a tarde não aconteceu. Pergunto ao repórter da RBS, que recém havia entrevistado os professores após a conversa com Daniel, se havia ainda alguém dentro do Palácio, se o documento tinha sido entregue. Ele não soube me responder, mas disse que estava esperando para escutar alguém do governo sobre a situação.
Informação dispersa entre vários sócios do Cpers que perguntei. Alguns lamentando a dispersão. A greve segue, com o apoio de outros servidores estaduais, como os Auditores Fiscais Agropecuários, que anunciaram a paralisação da fiscalização do leite, o que pode comprometer a disponibilidade do produto no estado. Saí às 16h30min, seguido o fluxo de dezenas de professoras e professores que iam para os seus ônibus. A greve segue.

Todo apoio à greve dos professores e dos servidores públicos.
Salve a educação pública!

Se alguma informação estiver incorreta, ajuda aí”.

AGENDA DE MOBILIZAÇÃO DA GREVE

27/11 (QUARTA-FEIRA)
7h – HEMOCENTRO E HOSPITAL SANATÓRIO PARTENON
​​​8h – CAFF
​​​8h – HOSPITAL PSIQUIÁTRICO SÃO PEDRO

28/11 (QUINTA-FEIRA)
8h30 – AGRICULTURA (Av. Getúlio Vargas)
14h – FARMÁCIA DO ESTADO

29/11 (SEXTA-FEIRA)
8h30 – HOSPITAL PSIQUIÁTRICO SÃO PEDRO (Ato)
14h – REUNIÃO COMANDO DE GREVE
17h – SECRETARIA DA CULTURA (Praça da Alfândega)

2/12 (SEGUNDA-FEIRA)
10h – PLENÁRIA GERAL DE MOBILIZAÇÃO (Sanatório Partenon)

3/12 (TERÇA-FEIRA)
10h – CAMINHADA PELO CENTRO (Concentração na Farmácia)

4/12 (QUARTA-FEIRA)
9h – DOAÇÃO DE SANGUE (Abrir lista)
18h30 – ATO NO PALÁCIO (Velório e Enterro)

5/12 (QUINTA-FEIRA) – ATO ESTADUAL DA FRENTE DOS SERVIDORES PÚBLICOS (hoje no cpers foo dito pela Helenir que está negociando com o Ortiz para fazer dia 3/12)

6/12 (SEXTA-FEIRA) – REUNIÃO DO COMANDO DE GREVE

Um adeus a Paulo Montiel

É com muita tristeza que informamos que o nosso querido artista residente Paulo Montiel faleceu no sábado passado (19 de outubro).

Paulo Montiel no Ponto de Cultura Ventre Livre

Montiel, como era carinhosamente conhecido, foi um artista atento e muito ativo, mesmo quando um grave acidente o limitou fisica e mentalmente. Uma pessoa que não descansava, mesmo na calada da madrugada, que era onde surgia as suas maiores inspirações, seus novos projetos e quando arquitetava novos horizontes.

Ultimamente, vivia em função da produção de seus calendários de orixás e projetando novos quadros à óleo de grandes dimensões. Expressava uma grande dor em relação ao preconceito e a falta de amor entre as pessoas, assim como uma grande vontade de transformar tudo isso em arte. Muito se foi com Montiel, porém tanto deixou também.

Negra Jaque lança álbum Diário de Obá

Ouça o disco completo no Spotfy – aqui.

Um lugar no mundo. É isso que Negra Jaque canta.

Um lugar onde a mulher negra possa caminhar lado a lado com todas as outras, que possa, por mérito, por dedicação, mas mais ainda por oportunidade, ver sua vida andar pra frente, ser reconhecida e ter sua voz e seu lugar de fala respeitado.

Em seu novo trabalho, DIÁRIO DE OBÁ, Jaque traça essa trajetória e apresenta Obá, mulher orixá ancestral símbolo da mulher brasileira com toda sua força resistência e beleza.

*texto retirado da divulgação do lançamento em show dia 04/10 – infos aqui.

Inimigo Eu: A Carta

A banda Inimigo Eu, da cidade de Esteio/RS, acaba de  lançar seu mais novo Videoclipe da música “A Carta”, faixa integrante do E.P Queda e Ascensão.

A mensagem forte contida na letra da música deu origem a uma narrativa que aborda uma questão bem atual: a ganância por dinheiro e corrupção sistêmica em cima do meio ambiente. A história se desenvolve em torno de um escritório de engenharia ambiental em que um engenheiro recebe uma proposta para fraudar uma licença para uma barragem. O personagem se confronta com vários sentimentos e vai decidir qual o caminho a tomar entre muita grana e seus ideiais e convicções.

O roteiro foi escrito por Guilherme Barcelos, filmagens da banda por Lucas Machado, produção, filmagens, direção e edição por Billy Valdez, do Coletivo Catarse.

Banda: Inimigo Eu
Música: A Carta
Álbum: Queda e Ascensão
Produção: Coletivo Catarse
Lançamento: Estrondo Records

Audiência Pública sobre o projeto de mineração “Mina Guaíba” acontece no Ministério Público Estadual em Porto Alegre

Nessa terça-feira à noite, 20/08, o MPE-RS abriu suas portas para a realização de uma audiência pública em Porto Alegre para tratar do projeto da Mina Guaíba. Essa exigência foi feita às autoridades estatais por parte do Comitê de Combate à mega-mineração que demandou ao MPE que os moradores de Porto Alegre pudessem se pronunciar a respeito desse projeto que tantos impactos poderá trazer ao cotidiano dos moradores da capital. A sociedade gaúcha ainda aguarda que a FEPAM marque uma audiência pública na cidade como parte do processo de licenciamento ambiental.

O auditório lotado reuniu em grande maioria opositores ao projeto de mineração e ao polo carboquímico que pretende se instalar na região metropolitana de Porto Alegre caso o projeto seja aprovado. A promotora de justiça do Meio Ambiente, Ana Maria Marquezan, cedeu a palavra à Cristiano Weber que representou os interesses da mineradora Copelmi durante mais de 20 minutos de muitas especulações.

O que passou-se, então, a se chamar de “mentiras, reveladas por alguns convidados como o doutor em geociência, Rualdo Menegat, e a doutora em ciências, Marcia Käffer, que ressaltaram os perigos da instalação da mina de carvão para a saúde da população gaúcha que, caso o projeto seja aprovado, estaria exposta entre outras coisas a chuvas ácidas e a uma poluição do ar extremamente alta que chegaria a provocar uma série de problemas respiratórios como a asma ou até problemas neurológicos devido aos componentes químicos do carvão.

O membro do Instituto de Justiça Fiscal, João Carlos Loebens, apontou que a mina Guaíba iria efetivamente trazer benefícios, sim, mas do outro lado do oceano – para Suíça. O pesquisador lembrou que a empresa não deverá pagar quase nenhum imposto para o Estado, deixando o grande lucro para os empresários. Ele tomou como exemplo os benefícios da Vale que, em 21 anos de exercício, realizou mais de 320 bilhões de reais de benefícios (e alguns desastres). E ainda há, além disso, quem ouse clamar, como o engenheiro Luís Roberto Andrades Ponte, que o projeto da Copelmi irá “erradicar a pobreza”. Mas a população presente no auditório ressaltou em muitas manifestações que a pobreza foi historicamente criada por empreendimentos do tipo da Copelmi, que, atrás do discurso do “desenvolvimento”, escondem o esbulho territorial e suas terríveis consequências, reafirmando um ditado popular que diz que “a única coisa que o desenvolvimento desenvolveu até agora são as desigualdades”.

Quando a hora das manifestações públicas chegou, várias pessoas testemunharam sua experiência com a mineração. Moradores de Arroio dos Ratos expuseram as rachaduras e os resquícios de carvão nas suas casas, resultado de anos de exercício da mineração no local, exigindo que a empresa tomasse suas responsabilidades e indenizasse os moradores. Estes comentaram que toda indenização foi negada sob o pretexto que suas casas eram “mal construídas”. No que diz respeito à saúde, foi também apontado que após alguns habitantes e funcionários desenvolverem problemas respiratórios e comentar tal situação à empresa, seus representantes teriam negado se fazer cargo dos gastos sob o pretexto dos funcionários serem fumantes.

Outro problema sério apontado é que os relatórios da empresa sequer mencionam as comunidades indígenas que habitam e vivem desse território, descumprindo, assim, a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho – uma expressão que pode subsidiar uma reflexão acerca de um racismo institucional permeando a lógica de atuação da empresa.

Da mesma maneira, equanto algum engenheiro pretende que a mina de carvão seja a solução para a “erradicação da pobreza”, uma moradora do loteamento Guaíba City lembra que era feliz até que ficou sabendo que uma mina quis se instalar no lugar onde ela mora: “Vamos a viver dependendo de um caminhão pipa para tomar um copo de água”, apontava.

Hoje, os moradores do loteamento Guaíba City e do assentamento do MST Apolônio de Carvalho vivem produzindo comida saudável para a sociedade, enquanto a mineradora Copelmi propõe transformar a região metropolitana de Porto Alegre em um local que vai receber os rejeitos de carvão…

A audiência encerrou à meia-noite.

Para mais informações: https://www.facebook.com/ComiteCombateMegamineracao/

*texto e foto: Clementine Tinkamó