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Negra Jaque lança álbum Diário de Obá

Ouça o disco completo no Spotfy – aqui.

Um lugar no mundo. É isso que Negra Jaque canta.

Um lugar onde a mulher negra possa caminhar lado a lado com todas as outras, que possa, por mérito, por dedicação, mas mais ainda por oportunidade, ver sua vida andar pra frente, ser reconhecida e ter sua voz e seu lugar de fala respeitado.

Em seu novo trabalho, DIÁRIO DE OBÁ, Jaque traça essa trajetória e apresenta Obá, mulher orixá ancestral símbolo da mulher brasileira com toda sua força resistência e beleza.

*texto retirado da divulgação do lançamento em show dia 04/10 – infos aqui.

Inimigo Eu: A Carta

A banda Inimigo Eu, da cidade de Esteio/RS, acaba de  lançar seu mais novo Videoclipe da música “A Carta”, faixa integrante do E.P Queda e Ascensão.

A mensagem forte contida na letra da música deu origem a uma narrativa que aborda uma questão bem atual: a ganância por dinheiro e corrupção sistêmica em cima do meio ambiente. A história se desenvolve em torno de um escritório de engenharia ambiental em que um engenheiro recebe uma proposta para fraudar uma licença para uma barragem. O personagem se confronta com vários sentimentos e vai decidir qual o caminho a tomar entre muita grana e seus ideiais e convicções.

O roteiro foi escrito por Guilherme Barcelos, filmagens da banda por Lucas Machado, produção, filmagens, direção e edição por Billy Valdez, do Coletivo Catarse.

Banda: Inimigo Eu
Música: A Carta
Álbum: Queda e Ascensão
Produção: Coletivo Catarse
Lançamento: Estrondo Records

Audiência Pública sobre o projeto de mineração “Mina Guaíba” acontece no Ministério Público Estadual em Porto Alegre

Nessa terça-feira à noite, 20/08, o MPE-RS abriu suas portas para a realização de uma audiência pública em Porto Alegre para tratar do projeto da Mina Guaíba. Essa exigência foi feita às autoridades estatais por parte do Comitê de Combate à mega-mineração que demandou ao MPE que os moradores de Porto Alegre pudessem se pronunciar a respeito desse projeto que tantos impactos poderá trazer ao cotidiano dos moradores da capital. A sociedade gaúcha ainda aguarda que a FEPAM marque uma audiência pública na cidade como parte do processo de licenciamento ambiental.

O auditório lotado reuniu em grande maioria opositores ao projeto de mineração e ao polo carboquímico que pretende se instalar na região metropolitana de Porto Alegre caso o projeto seja aprovado. A promotora de justiça do Meio Ambiente, Ana Maria Marquezan, cedeu a palavra à Cristiano Weber que representou os interesses da mineradora Copelmi durante mais de 20 minutos de muitas especulações.

O que passou-se, então, a se chamar de “mentiras, reveladas por alguns convidados como o doutor em geociência, Rualdo Menegat, e a doutora em ciências, Marcia Käffer, que ressaltaram os perigos da instalação da mina de carvão para a saúde da população gaúcha que, caso o projeto seja aprovado, estaria exposta entre outras coisas a chuvas ácidas e a uma poluição do ar extremamente alta que chegaria a provocar uma série de problemas respiratórios como a asma ou até problemas neurológicos devido aos componentes químicos do carvão.

O membro do Instituto de Justiça Fiscal, João Carlos Loebens, apontou que a mina Guaíba iria efetivamente trazer benefícios, sim, mas do outro lado do oceano – para Suíça. O pesquisador lembrou que a empresa não deverá pagar quase nenhum imposto para o Estado, deixando o grande lucro para os empresários. Ele tomou como exemplo os benefícios da Vale que, em 21 anos de exercício, realizou mais de 320 bilhões de reais de benefícios (e alguns desastres). E ainda há, além disso, quem ouse clamar, como o engenheiro Luís Roberto Andrades Ponte, que o projeto da Copelmi irá “erradicar a pobreza”. Mas a população presente no auditório ressaltou em muitas manifestações que a pobreza foi historicamente criada por empreendimentos do tipo da Copelmi, que, atrás do discurso do “desenvolvimento”, escondem o esbulho territorial e suas terríveis consequências, reafirmando um ditado popular que diz que “a única coisa que o desenvolvimento desenvolveu até agora são as desigualdades”.

Quando a hora das manifestações públicas chegou, várias pessoas testemunharam sua experiência com a mineração. Moradores de Arroio dos Ratos expuseram as rachaduras e os resquícios de carvão nas suas casas, resultado de anos de exercício da mineração no local, exigindo que a empresa tomasse suas responsabilidades e indenizasse os moradores. Estes comentaram que toda indenização foi negada sob o pretexto que suas casas eram “mal construídas”. No que diz respeito à saúde, foi também apontado que após alguns habitantes e funcionários desenvolverem problemas respiratórios e comentar tal situação à empresa, seus representantes teriam negado se fazer cargo dos gastos sob o pretexto dos funcionários serem fumantes.

Outro problema sério apontado é que os relatórios da empresa sequer mencionam as comunidades indígenas que habitam e vivem desse território, descumprindo, assim, a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho – uma expressão que pode subsidiar uma reflexão acerca de um racismo institucional permeando a lógica de atuação da empresa.

Da mesma maneira, equanto algum engenheiro pretende que a mina de carvão seja a solução para a “erradicação da pobreza”, uma moradora do loteamento Guaíba City lembra que era feliz até que ficou sabendo que uma mina quis se instalar no lugar onde ela mora: “Vamos a viver dependendo de um caminhão pipa para tomar um copo de água”, apontava.

Hoje, os moradores do loteamento Guaíba City e do assentamento do MST Apolônio de Carvalho vivem produzindo comida saudável para a sociedade, enquanto a mineradora Copelmi propõe transformar a região metropolitana de Porto Alegre em um local que vai receber os rejeitos de carvão…

A audiência encerrou à meia-noite.

Para mais informações: https://www.facebook.com/ComiteCombateMegamineracao/

*texto e foto: Clementine Tinkamó

MAIS QUE UM JOGO | O canto da sereia ameaça o Clube do Povo

Na mitologia antiga as sereias ou sirenas, mulheres com a metade peixe ou pássaro, emitiam um canto que seduzia e encantava os marinheiros, atraindo-os para armadilhas letais, findando das mais simples, até as mais complexas embarcações que desbravavam os sete mares.

Durante a semana, tivemos veiculado na grande mídia pelo 2º Vice-Presidente do Internacional, uma sinalização pública que o clube está ouvindo esse canto e apontando seu “navio” na direção dele. No entanto, esse canto não advém de nenhuma sereia ou sirena mitológica, a música que soa fácil e doce vem das cifras apresentadas pelo mercado imobiliário que, de maneira muito astuta, vê os ventos soprarem a seu favor no contexto político e econômico do país, do estado, do município e dos clubes.

O Sport Club Internacional é uma instituição com 110 anos de história, organização associativista desde sua fundação, em 04 de abril de 1909. Detentora de uma torcida de mais de 7 milhões de pessoas que contribuem ativamente, de maneira direta e indireta, com clube, e que possui ainda quadro social com mais de 100 mil ativos, com DIREITOS e deveres frente a instituição e, sobretudo, com o poder de indiretamente comandar os rumos dessa “embarcação”. Cada um(a) dos colorados foi responsável, ao longo de todos esses anos, por edificar o patrimônio do clube, que é NOSSO, que nos enche de orgulho, nos fortalece institucionalmente e que não foi nada fácil de ser conquistado.

O atual projeto de construção de dois “espigões” no pátio do Beira-Rio é muito perigoso para o futuro do nosso patrimônio e do Inter, abrindo um precedente nefasto e histórico para que tudo que os irmãos Poppe, Ildo Meneghetti, cada colorada e colorado ajudaram a construir ao longo desses 110 anos, admitindo como ativo/produto ($$) algo que não deveria ser tratado como um.

Com o objetivo de alertar toda a torcida colorada sobre os severos riscos desse projeto, trazemos os seguintes tópicos, explicando as movimentações que estão sendo feitas pelo Conselho de Gestão do clube e dos impactos que esse projeto deve acarretar, se aprovado:

– O Inter possui licença de uso da área do complexo Beira-Rio, licença concedida no ano de 1956, quando iniciou a fase de aterramento e construção do que, há mais de 50 anos, chamamos de nossa casa. Portanto, o clube não pode comercializar essa área. Porto Alegre concedeu a área para a torcida colorada ter o seu espaço e não para que o clube a loteasse e comercializasse. Dentro da proposta redigida, o clube propõe, inclusive, devolver área que é do Inter para a prefeitura, mediante contrapartida para que a mesma, através da Câmara de Vereadores, permita a mudança da licença de uso, para uma licença que permita comercialização e também a moradia no local (foco do empreendimento é a moradia);

– O Inter NÃO possui autorização legal para efetuar a construção da <<Maior Torre de Porto Alegre>> e nem da outra torre, menor e adjacente. Ambas ferem frontalmente o Plano Diretor de Porto Alegre. O clube possui atualmente um EVU aprovado (Estudo de Viabilidade Urbana) que foi autorizado em 2012, com o processo de reformas para a Copa do Mundo de 2014, e que prevê outro modelo de construção, prédios menores e compactos, que tinham como objetivo serem hotéis. Mesmo nesse EVU que foi aprovado em 2012, existem uma série de pendências, como por exemplo: laudo arqueológico da área, estudo de impacto ambiental, contrapartidas que não foram realizadas até hoje, entre outros pontos. Portanto, o clube NÃO PODE executar a obra hoje e, mesmo que quisesse executar o modelo de obra pensado em 2012, ficaria a mercê de prestar contas junto ao Ministério Público, referente a estes pontos não executados na aquisição do EVU anterior;

– O modelo de construção dessas torres não é como o projeto de reforma do Beira-Rio, ou como o projeto que vem sendo ventilado para o Ginásio Gigantinho, uma parceria de exploração comercial, onde uma empresa parceira pode explorar comercialmente a área por alguns anos e ao fim do contrato toda a estrutura volta a ser do Clube. Nessa jogada dos “espigões” o clube estará “transformando” uma área utilizada pela torcida colorada para vários fins, em dinheiro para fins que nem sequer se tem destinação no momento. Na prática, o Internacional perderá uma parcela do seu patrimônio PARA SEMPRE. E é este o ponto que mais nos choca, se uma torcida de 7 milhões de pessoas e mais de 100 mil associados conceder o poder de VENDA do patrimônio institucional à dirigentes que ficam, quando muito, 4 anos a frente do clube, correremos sérios riscos de num futuro não tão distante ficarmos sem patrimônio algum. A citar o nosso rival, que pelos devaneios de um ex-presidente vendeu seu estádio, mudou de bairro e firmou um contrato totalmente duvidoso com uma construtora. Está há anos sem estádio próprio, tendo que gestão após gestão trabalhar pra tentar reverter esse cenário, tentando adquirir em definitivo a sua casa novamente;

– Somos frontalmente contrários a comercialização do nosso patrimônio, mas, mesmo que o leitor considere essa alternativa como viável, comercialmente esse negócio não faz nenhum sentido nesse momento. A área do Beira-Rio e do seu entorno está gradativamente se valorizando, há anos todo desenvolvimento da urbanidade tem se voltado para a Zona Sul. Nesse momento temos as três etapas de construções, todas de grande porte, que valorizarão todo esse trecho da orla do Guaíba, a constar: o já inaugurado Novo Gasômetro e as outras duas fases que irão revitalizar a orla até a altura do Barra Shopping Sul. O clube estaria comercializando um patrimônio antes dele passar por um iminente processo de valorização. Nada justifica essa atitude precipitada! A não ser uma visão imediatista de quem quer ter receitas em mãos e desconsidera o ontem e o amanhã do clube nessa estratégia;

– Enquanto sociedade, esse projeto cafona de prédios arranha-céus, que não dialoga com o entorno urbano e seus fluxos, é altamente promíscuo, pois basicamente transforma uma área que foi cedida pela cidade, portanto uma área de todos os contribuintes, em uma moeda para o bel-prazer de alguns dirigentes do hoje, para que os mesmos possam utilizar o dinheiro no que avaliam como importante. Sem contar, que um projeto desse porte, que tem como público-alvo a alta sociedade gaúcha, comprometeria tudo o que acontece nesse trecho da cidade, seja alterando a forma como hoje funcionam as operações de jogos no estádio Beira-Rio, seja contribuindo com a nefasta gentrificação da área, sendo uma etapa óbvia para o argumento de remoção das Escolas de Samba, do Quilombo Lemos no outro lado da rua e, até mesmo, dos moradores de trás da antiga Fase.

Todos nós estamos sujeitos as armadilhas ardilosas das sereias e do mercado, se não formos ávidos na defesa do nosso patrimônio e das nossas vidas, o rochedo e os espigões são os iminentes destinos que nos aguardam. Que os dirigentes do clube repensem essa estratégia equivocada de tornar em ativo comercial nosso amplo, rico e histórico patrimônio, que não sejam ludibriados pelo brilho das moedas e, principalmente, que não coloquem o Clube do Povo em oposição aos interesses de Porto Alegre, do Estado e da população.

Quem é o Inter? Para onde o Inter vai? O que o Inter possui? Precisamos pensar, depende de nós…

Frente Inter Antifascista

*originalmente publicado no site do Repórter Popular, aqui

MAIS QUE UM JOGO | Mineração: o gosto amargo do retrocesso

Há décadas, a região carbonífera do Rio Grande do Sul sofre com o retrocesso, estagnação e desigualdade social. Apesar do potencial de desenvolvimento que as cidades da região demosntram ter, o que se vê hoje é desemprego crescente e concentração de renda para poucos.

Em Butiá, onde moro desde que nasci*, sempre se falou da extração do carvão mineral como algo positivo e sem nenhum contraponto, criando assim um tabu sobre o tema. Tudo o que envolve o carvão sempre foi tratado como sinônimo de progresso para a cidade. Isso foi repetido muitas e muitas vezes, tornando-se uma verdade quase absoluta para a população local. Muito desta falsa ilusão de crescimento se dá pelo fator histórico: minha cidade foi fundada em função da mineração, em uma época que não se sabia dos malefícios da extração e pouco se falava em meio ambiente e saúde pública.

Atualmente, a empresa responsável pela extração de carvão em Butiá gera menos de 300 empregos, número que está caindo rapidamente. E após terem sugado tudo que podiam com a mineração, destruindo grandes áreas de vegetação nativa, amparados por uma legislação ambiental frouxa, a mineradora encerrará suas atividades no final deste ano.

O que nunca se discutiu é o real impacto que a mineração causou durante todos esses anos nas nossas vidas e, ao contrário do que a empresa mineradora diz, trouxeram retrocesso e acentuaram a desigualdade social.

O carvão faz parte da história da região, disto não há dúvida. O que não é dito é que essa prática é completamente ultrapassada e nociva. A mineração gera sequelas irreparáveis na saúde e na qualidade de vida dos moradores, em função da poluição gerada pela atividade. Além disso, as explosões com dinamite também causam danos em residências e estragos nas ruas das cidades, prejudicando majoritariamente os bairros e comunidades mais pobres. E claro, sem contar os diversos acidentes com trabalhadores que eram comuns em um passado recente.

Hoje, o que temos a nossa frente é um grande absurdo: diante de todos os problemas que a mineração traz para a sociedade, está eminente a abertura de uma nova mina, a Mina Guaíba, nas proximidades da região carbonífera e região metropolitana. Sem nenhum debate amplo e público, a companhia mineradora está ignorando absurdamente todos os indícios de um desastre ambiental – já conhecidos por nós, butiaenses.

É dever de todos mostrarmos o quanto a continuidade da mineração de carvão é prejudicial para a vida de toda a comunidade. Não podemos deixar que haja mais destruição de ecossistemas, nem que mais áreas sejam danificadas por detonações. Uma empresa não pode deixar um rastro de estragos permanentes, desrespeitando os cidadão, em troca do lucro e mascarados por um lobby que vende a atividade como sinônimo de progresso.

A região carbonífera sofre e ainda sofrerá todos os reflexos do fracasso da mineração, e esse é o momento de dizer NÃO a Mina Guaíba. A abertura de uma nova área de exploração no estado irá atingir várias regiões, além de colocar em risco o parque do Delta do Jacuí, trazendo ainda mais retrocesso. Não podemos deixar que outras regiões sejam descaracterizadas e sofram como a região carbonífera vem sofrendo há décadas. Afinal, a mineração faz parte do passado, e nesse momento precisamos olhar para o futuro!

*Léo Gomes é morador do município de Butiá e membro do Movimento Grêmio Antifascista

**originalmente publicado no site do Repórter Popular