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Trabalhadores das artes lutam contra reformas

Artistas, técnicos e músicos rejeitam ADPF 293 e ADPF 183.

Na noite de segunda feira, dia 16 de abril, um grupo de artistas, técnicos e músicos se reuniu em Porto Alegre, na Cia de Arte (Andradas 1780), para organizar formas de mobilização contra as reformas da ADPF 293 e ADPF 183. As Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) afirmam que certos artigos que regulamentam as profissões de artistas e técnicos de arte (293) e de músicos (183) vão contra a Constituição.

Profissionais ligados às artes em todo o país protestaram, organizando-se através dos sindicatos e grupos mobilizados de suas categorias. Em Porto Alegre, o SATED (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões) do Rio Grande do Sul vem realizando um papel fundamental na mobilização, promovendo eventos e articulando ações.

Fábio Cunha, presidente do SATED RS, afirmou que, na prática, os projetos vão desregulamentar as profissões, pois retiram artigos importantes. No caso dos artistas (ADPF 293), este artigo afirma que, para conseguirem os registros profissionais, artistas e técnicos devem apresentar um diploma ou realizarem um atestado de capacitação (neste caso, o sindicato faz uma avaliação como forma de teste).

Na visão de Fábio, isso vai fazer com que as profissões fiquem mais marginalizadas e informais. O ator também acredita que o projeto é uma forma de atacar os sindicatos e as universidades. “ São 9 universidades ligadas a arte no RS. Elas vão questionar por que ter um curso se não precisa do diploma. Quando se fala que não precisa de diploma, se diz que não precisa estudar”, explica.
Patrick Acosta, representante do Sindicato dos Músicos do RS, também declarou que as reformas vão desvalorizar os profissionais. Para ele, as duas ADPF têm o mesmo fundamento jurídico: que a arte não seria uma profissão a ser regulamentada, e sim uma livre expressão do pensamento; e, portanto, algo que não poderia ser regulamentado.

Porém o músico e advogado explicou que as duas questões são diferentes e que a regulamentação da profissão de músico não impede a livre expressão artística de alguém que queira tocar violão em seu tempo livre. Para Patrick, a ADPF “gera insegurança pro artista, que não vai poder abrir conta no banco se ele não for visto como profissional. Hoje já é difícil de tu ter acesso a um contrato, ter carteira assinada. O direito previdenciário também pode ser tolhido se tu não tiver essa regulamentação”.

Já Marise Siqueira, artista da dança e advogada, se manifestou contra a discussão conjunta das duas ADPF. Para ela, a ADPF 183 trataria da inconstitucionalidade da Ordem dos Músicos do Brasil, que seria um conselho de fiscalização profissional. Ela também declarou que existe uma luta dos músicos contra a OMB, que tem poder de autarquia e cobra impostos e taxas. Como o SATED, Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões, é um sindicato de proteção aos trabalhadores, as duas leis não deveriam ser colocadas “no mesmo balaio”.

Patrick Acosta, representante do Sindicato dos Músicos do RS esclareceu: “O que aconteceu é que durante um tempo a ordem dos músicos não agiu de forma favorável aos músicos, ela fiscalizava e proibia os músicos de tocar. Isso criou um sentimento de que a Ordem dos Músicos estava contra os artistas e fez com que o pessoal visse a ordem não como uma entidade que regulamenta a profissão, mas como uma entidade que está ali para tirar o direito dele de trabalhar”. Para ele, a gestão da ordem errou, mas isso não justifica a desregulamentação da profissão.

A maioria das pessoas presentes na reunião concordou que a união entre artistas e músicos seria um fator de fortalecimento para as causas. Por fim, discutiu-se as ações a serem realizadas na semana em que as ADPFs seriam votadas. Emails e ações na cidade de Porto Alegre foram algumas das manifestações planejadas.

No dia 20 de abril, o STF retirou as ADPF da votação do dia 26. Porém, os trabalhadores das artes seguem mobilizados em todo o Brasil. Na cidade de Porto Alegre, O SATED RS e o SINDIMUS RS estão tomando essa frente que agora, com a retirada de pauta das ADPFs, deve prosseguir com debates da classe artística sobre a importância da profissionalização e formas de garantir o reconhecimento da sociedade.

Temos visto cada vez mais um processo de judicialização dos debates da sociedade. A classe artística tem agora uma oportunidade de colocar em discussão esse assunto fora do judiciário, com a retirada de pauta.

Além disso, as discussões sobre as ADPFs não podem ser descoladas de um entendimento sobre o processo de desmonte da cultura que nosso país vem sofrendo. Fazer qualquer alteração em leis que envolvam trabalhadores da cultura, sem uma discussão com a sociedade, é no mínimo, não democrático.

Acompanhe as informações sobre os encontros no site do SATED RS.

Bruno Pedrotti (estudante de jornalismo) e Patrícia K. De Camillis (Coletivo Catarse)

Nazaré unida na luta – Capítulo I, II, III e IV

NAZARÉ UNIDA NA LUTA – capítulo I

Reportagem – 2018 – 11′ 00”

Sob a justificativa das obras de expansão da pista do aeroporto Salgado Filho, as famílias da Vila  Nazaré, zona norte de Porto Alegre e vizinha ao aeroporto, estão sendo ameaças de perderem suas casas. Sem negociação, a prefeitura quer dividir a comunidade que há cerca de 50 anos ali se estabeleceu, mandando parte das famílias para apartamentos do Minha Casa, Minha Vida no bairro Sarandi, onde hoje está a Ocupação Senhor do Bom Fim, e outra parte para o bairro Mário Quintana, próximo ao Loteamento Timbaúva. A decisão não agrada os moradores: não querem ser empurrados para mais longe, tendo arrancadas suas raízes de uma comunidade onde se sentem seguros. Também não querem se separar da vizinhança com quem cresceram e criaram laços. Ali, à beira da Avenida Sertório, as crianças estão matriculadas em escolas da região e há hospitais próximos. Faz-se tudo a pé. Jogadas para outra parte da cidade, desconhecida, preocupa o acesso a estes serviços básicos.

Para pressionar as pessoas a abandonar o local, a prefeitura corta os investimentos na Nazaré: não há nenhum cuidado com as ruas de terra ou com o saneamento do esgoto, que transborda em dias de chuva. Além disso, o posto de saúde que funcionava dentro da comunidade foi desativado. Tudo em nome do interesse da empresa alemã Fraport, que desde 2016 ganhou a concessão para operar o Salgado Filho e tem pressa em ampliar sua pista. Assim, moradoras e moradores se organizam para resistir a uma remoção imposta e não negociada. Pedem serviços no lugar da expulsão.

Expulsão que, aliás, será feita por uma empresa privada “reconhecida pela agilidade e técnica que consegue impor ao processo expropriatório”, a Itazi Engenharia. Tamanha agilidade e técnica, porém, parece sempre esquecer que, antes do aeroporto, há a comunidade – se não em termos temporais, certamente em termos de prioridade.

Gente, pessoas, famílias: seus sonhos e vozes sempre virão primeiro. Em defesa de seu território e de sua história, a Nazaré resiste.

NAZARÉ UNIDA NA LUTA – capítulo II

Reportagem – 2018 – 11′ 50”

Entre as famílias que querem sair da vila e as que querem ficar na comunidade, apenas um sentimento: incertezas.
Incertezas que afetam o cotidiano e as perspectivas de uma vida melhor para os moradores da Nazaré e de outras comunidades de baixa renda de Porto Alegre. Comunidades que tem que lidar com o racismo institucional do poder público e das multinacionais. No caso da Zona Norte da cidade, região vizinha do Aeroporto Internacional Salgado Filho, multinacionais como a Fraport.

“Nós queremos uma coisa concreta. Para onde vai? Quem vai sair? E o que vai ser feito para quem quer ficar?”

“A audiência é pra dizer alguma coisa pra gente porque até agora ninguém sabe nada.”
(Referente a audiência deste dia 09-03-18 às 15h no Ministério Publico do RS)

NAZARÉ UNIDA NA LUTA – capítulo III

Reportagem – 2017 – 30′ 00”

“Eu sou mais uma que não quero sair daqui”

“Eu tenho certeza que piorou, porque eles estão mais abusados, mais prevalecidos e se valem que estão cadastrando”

“É gente assustada, não é simples. A gente tem aqui e Porto Alegre obras da Copa do Mundo que estão inacabadas, destruíram vidas de comunidades, sem qualquer perspectiva de solução. É uma cidade traumatizada”

“Fica ruim, porque como eu vou dizer que quero casa em outro lugar se eu não sei onde é o lugar, ou falar que quero o valor em dinheiro – sem saber quanto é”.

“Pro Timbaúva, eu não quero ir”.

NAZARÉ UNIDA NA LUTA – capítulo IV

Reportagem – 2018 – 21’13”
Porto Alegre, 23 de maio de 2018
Em audiência pública realizada na Escola Ana Nery, moradores e moradoras da Vila Nazaré mostraram força e união
frente as ameaças de remoção devido as duvidosas obras de ampliação da pista do Aeroporto Salgado Filho.
A empresa Fraport – presente na audiência – responsável pela obra, recusou-se em sentar na mesa de debate e não
respondeu a nenhum questionamento das famílias da Nazaré. Além da numerosa participação da comunidade que lotou
completamente o salão da escola, participaram desta audiência parlamentares da Câmara Municipal e Assembléia Legislativa,
MTST, Ministério Público Federal, Defensoria Pública do Rio Grande do Sul, Caixa Econômica Federal e Prefeitura Municipal
de Porto Alegre (DEMHAB).

Direção: Tiago Rodrigues

Ka’aguy Rupa

Documentário – 2018 – 28′

A mata (Ka’aguy) é condição para a existência dos Mbyá-guarani. Por isso o coletivo audiovisual de jovens mbyá Comunicação Kuery decidiu fazer um documentário sobre a Ka’aguy ouvindo a sabedoria dos mais velhos e registrando as aldeias onde vivem no Rio Grande do Sul. Falar sobre sua importância para a alimentação, a medicina, o artesanato e para a espiritualidade de seu povo:
“Nhanderu (Deus) nos criou para vivermos na mata, Tudo que tem nela nos beneficia. É de onde tiramos nosso remédio tradicional. Vivemos num lugar onde tem mata, mas já não é como antigamente porque desde que os jurua (brancos) tomaram nossas terras, eles só querem lucrar com as matas, ganhar dinheiro. Nóz Mbyá-guarani somos parte da natureza, vivemos e morremos com ela. Isso os jurua não compreendem. Olhando assim parece que ela não tem muito valor, mas ara Nhanderu e para nossos sábios é o que temos de maior valor no mundo”

Realização:
Comunicação Kuery

Apoio:
Coletivo Catarse e Fundação Luterana de Diaconia

O ser Juçara – ep1 – Nós e a Floresta

Uma produção da Associação Içara, Butia Dub e Coletivo Catarse!

O ser Juçara é um documentário apoiado pela Rede Juçara, contendo três episódios (Nós e a Floresta, Cultura em Transformação e Alimento para a Vida) de cerca de 30 minutos cada, sobre a cadeia de valores econômicos, sociais e culturais do manejo sustentável da Palmeira Juçara (Euterpe edulis) – o açaí da Mata Atlântica, atualmente ameaçada de extinção assim como todo o bioma. É parte integrante do Projeto Cadeia de Valores da Palmeira Juçara, financiado pelo edital Fortalecendo Comunidades na busca pela Sustentabilidade, uma parceria entre o Fundo Socioambiental CASA e o Fundo Socioambiental CAIXA.

A trilogia retrata, além de toda diversidade encontrada no domínio da Mata Atlântica, as experiências do ser humano com os saberes associados ao manejo da floresta nativa, em especial da Palmeira Juçara. Este primeiro episódio apresenta a relação direta e indireta das pessoas com a floresta, os modos de vida, as conexões que existem entre as experiências retratadas – e a perspectiva de que é possível se viver de maneira sustentável em todos os espaços.

A trilha sonora é original, de autoria da banda de reggae Butia Dub, que, entre outras músicas, apresenta de maneira destacada neste trabalho a faixa Ser Juçara, sonzeira que abre todos os episódios e que faz fundo no trailer oficial da trilogia.

Ouça a música!

Assista ao clipe Vida pra Viver [Bichos e Plantas], também parte deste primeiro episódio!

Na sequência, será lançado o segundo episódio, Cultura em Transformação, no dia 4 de maio. O projeto contempla ainda o lançamento de um site (www.oserjucara.com.br, endereço que temporariamente está encaminhando para as postagens de divulgação), a produção de DVDs para distribuição física e eventos de lançamento e apresentação da trilogia em espaços de Porto Alegre e Maquiné.

Tem interesse de veicular este material? Distribuir para as televisões locais de seu região? Os filmes são finalizados em padrão fullHD e com formato para encaixar nas grades de canais de televisão, tendo entre 27 e 30 minutos com os créditos. O licenciamento é Creative Commons, de livre distribuição e veiculação, com possibilidade de edição do material e reutilização, desde que SEM FINS LUCRATIVOS e com citação da fonte.

Faça contato com a gente: (51) 3012.5509 / gustavo.turck@coletivocatarse.com.br – com Gustavo Türck

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A palmeira Juçara

Nativa da Mata Atlântica, a Euterpe edulis ocorre do Rio Grande do Sul ao sul da Bahia e também é conhecida como açaí da Mata Atlântica, Içara ou Ripeira, neste caso devido ao uso tradicional de seu caule para produção de ripas e caibros na construção. A planta também é chamada de Palmiteiro ou Palmito Juçara, em virtude do seu uso para produção de palmito em conserva.

A redução da floresta somada à intensa exploração do palmito, colocou a Juçara na lista das espécies ameaçadas de extinção. Entretanto, como apresenta a trilogia O ser Juçara, na última década, o manejo da espécie para uso dos frutos tem se mostrado como grande potencial em termos ecológicos e econômicos e uma saída para evitar o fim da rica palmeira.

A polpa da Juçara é muito semelhante a do Açaí amazônico (Euterpe oleracea) tanto no sabor quanto na aparência e nas propriedades nutricionais.

Aguarde o lançamento do site www.oserjucara.com.br para maiores informações sobre a palmeira Juçara!

Lançamento! O ser Juçara, episódio 1: Nós e a Floresta (20/04)

Neste dia 20 de abril de 2018 finalmente será lançada a trilogia O ser Juçara, uma produção da Associação Içara, Butia Dub e Coletivo Catarse!

o-ser-jucara_nos-e-a-floresta_e-flyer

O ser Juçara é um documentário produzido pela Associação Içara, Butia Dub e Coletivo Catarse, apoiado pela Rede Juçara, a ser lançado em três episódios (Nós e a Floresta, Cultura em Transformação e Alimento para a Vida) de cerca de 30 minutos cada, sobre a cadeia de valores econômicos, sociais e culturais do manejo sustentável da Palmeira Juçara (Euterpe edulis) – o açaí da Mata Atlântica, atualmente ameaçada de extinção assim como todo o bioma. É parte integrante do Projeto Cadeia de Valores da Palmeira Juçara, financiado pelo edital Fortalecendo Comunidades na busca pela Sustentabilidade, uma parceria entre o Fundo Socioambiental CASA e o Fundo Socioambiental CAIXA.

A trilogia retrata, além de toda diversidade encontrada no domínio da Mata Atlântica, as experiências do ser humano com os saberes associados ao manejo da floresta nativa, em especial da Palmeira Juçara. Este primeiro episódio apresenta a relação direta e indireta das pessoas com a floresta, os modos de vida, as conexões que existem entre as experiências retratadas – e a perspectiva de que é possível se viver de maneira sustentável em todos os espaços.

A trilha sonora é original, de autoria da banda de reggae Butia Dub, que, entre outras músicas, apresenta de maneira destacada neste trabalho a faixa Ser Juçara, sonzeira que abre todos os episódios e que faz fundo no trailer oficial da trilogia.

Ouça a música!

Assista ao trailer!

Assista ao clipe Vida pra Viver [Bichos e Plantas], também parte deste primeiro episódio!

Na sequência, será lançado o segundo episódio, Cultura em Transformação, no dia 4 de maio. O projeto contempla ainda o lançamento de um site (www.oserjucara.com.br, endereço que temporariamente está encaminhando para as postagens de divulgação), a produção de DVDs para distribuição física e eventos de lançamento e apresentação da trilogia em espaços de Porto Alegre e Maquiné.

Tem interesse de veicular este material? Distribuir para as televisões locais de seu região? Os filmes são finalizados em padrão fullHD e com formato para encaixar nas grades de canais de televisão, tendo entre 27 e 30 minutos com os créditos. O licenciamento é Creative Commons, de livre distribuição e veiculação, com possibilidade de edição do material e reutilização, desde que SEM FINS LUCRATIVOS e com citação da fonte.

Faça contato com a gente: (51) 3012.5509 / gustavo.turck@coletivocatarse.com.br – com Gustavo Türck

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A palmeira Juçara

Nativa da Mata Atlântica, a Euterpe edulis ocorre do Rio Grande do Sul ao sul da Bahia e também é conhecida como açaí da Mata Atlântica, Içara ou Ripeira, neste caso devido ao uso tradicional de seu caule para produção de ripas e caibros na construção. A planta também é chamada de Palmiteiro ou Palmito Juçara, em virtude do seu uso para produção de palmito em conserva.

A redução da floresta somada à intensa exploração do palmito, colocou a Juçara na lista das espécies ameaçadas de extinção. Entretanto, como apresenta a trilogia O ser Juçara, na última década, o manejo da espécie para uso dos frutos tem se mostrado como grande potencial em termos ecológicos e econômicos e uma saída para evitar o fim da rica palmeira.

A polpa da Juçara é muito semelhante a do Açaí amazônico (Euterpe oleracea) tanto no sabor quanto na aparência e nas propriedades nutricionais.

Aguarde o lançamento do site www.oserjucara.com.br para maiores informações sobre a palmeira Juçara!