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MAIS QUE UM JOGO | A luta pelo direito ao amor

“Eles perderam esse olhar de medo que todas as bichas tinham há 10 anos” – Allen Ginsberg, poeta homossexual, sobre a Revolta de Stonewall.

Há 50 anos, em um bar no Greenwich Village em Nova Iorque, acontecia um dos mais importantes movimentos pela luta pelos direitos LGBT nos Estados Unidos e no mundo. A Revolta de Stonewall – movimento popular instantâneo e espontâneo que durou seis dias, foi um ponto de inflexão: pela primeira vez, gays, lésbicas e trans se uniram e resistiram com toda a força contra as leis e violência homofóbicas do estado americano.

Ironicamente, no Brasil (país que mais mata LGBTs no mundo), ser homossexual deixou de ser crime durante o Império, em 1830. Nos Estados Unidos, porém, os relacionamentos com pessoas do mesmo sexo eram vistos como uma anomalia que precisava de cura ou motivo para prisão. Na Nova Iorque dos anos 60, as pessoas eram obrigadas por lei a usar roupas de acordo com seu sexo biológico e batidas em bares gays eram frequentes, com prisões de donos, empregados e clientes.  Na noite do dia 28 de junho de 1968, quando a polícia entrou no Stonewall Inn, ao contrário das vezes anteriores, o público resistiu. Segundo relatos da época, a multidão – cansada da opressão e violência policial, começou a atirar garrafas, pedras e tijolos contra as viaturas. Em menos de uma hora, o bar foi invadido e apesar das viaturas continuarem chegando e mais pessoas serem presas, havia resistência na forma de danças e cantos que riam da ação da polícia. Apesar da destruição do bar, por cerca de cinco dias ocorreram novas revoltas na região até que o caos foi finalmente contido. Em 2016, o presidente Barack Obama declarou o Stonewall Inn como monumento nacional dos direitos LGBT.

A homossexualidade é tão antiga quanto a própria humanidade, e perceber que uma revolta como a de Stonewall ocorreu há apenas meio século nos leva a pensar na necessidade urgente e no profundo significado que as lutas por direitos para a população LGBT têm. Faz apenas meio século que falamos em orgulho. Para efeitos comparativos – e já que falamos em orgulho – a nossa inigualável Coligay surgiu em 1977, apenas 8 anos depois de Stonewall. Cinco décadas depois da revolta, existem países no dito mundo civilizado onde diplomatas são orientados a frisar que gênero é apenas sexo biológico, aberrações irreais como uma suposta “cura gay” (existe cura para o que não é doença?) são defendidas por uma parte dos psicólogos do país e o presidente considera “completamente equivocada” a criminalização da homofobia. 50 anos não foram o suficiente.

Em 13 de junho de 1980 – há quase 40 anos, portanto – mil manifestantes se juntaram nas escadarias do Theatro Municipal de São Paulo para protestar contra a violência da chamada “Operação Limpeza”, ação policial que pretendia varrer a população LGBT do centro paulistano. João Silverio Trevisan, um dos criadores do “Lampião da Esquina” – uma das publicações pioneiras do movimento LGBT no Brasil – classificou o movimento de 1980 como uma tentativa de sobrevivência, um ato de indignação de pessoas que buscavam espaço em uma sociedade injusta.

Stonewall ou a sua “versão brasileira” foram isso: o levante de uma população violentada ao limite e que se revolta e revida. Stonewall, sua versão brasileira, as diversas paradas pelo mundo, os tantos dias de orgulho e visibilidade (lésbico, trans, bi…) e a luta individual diária de cada pessoa LGBT – são em nome de algo que parece óbvio para um hétero: o direito das pessoas serem quem quiserem. Quando o Grêmio Antifascista defende a existência de um outro modo de habitar o estádio – o modo da inclusão e do respeito – nos colocamos ao lado dessa luta, a luta pelo direito ao amor.

Movimento Grêmio Antifascista

28 DE JUNHO NO MEMORIAL DO RIO GRANDE DO SUL: DEBATE COM DEOCLIDES DE PAULA – LIDERANÇA KAINGANG DA COMUNIDADE DE VOTOURO/KANDÓIA

O Núcleo de Antropologia das Sociedades Indígenas e Tradicionais (NIT/PPGAS-UFRGS) e Museu Antropológico do Rio Grande do Sul convidam para o I Ciclo de Encontros do Observatório Social das Populações Indígenas da Região Sul.

O debate será realizado por Deoclides de Paula, liderança Kaingang da comunidade Votouro – Kandóia, membro do CEPI (Conselho Estadual dos Povos Indígenas) e do CONDISI (Conselho Distrital de Saúde Indígena). Deoclides também foi membro tutelar do CNPI (Conselho Nacional de Políticas Indigenistas) de 2007 a 2013.

O evento ocorrerá no dia 28/06 às 17h, no auditório do 1° andar no Memorial do Rio Grande do Sul.

– originalmente publicado em https://memoriaterritorioeperseguicao.wordpress.com/2019/06/24/28-de-junho-no-memorial-do-rio-grande-do-sul-debate-com-deoclides-de-paula-lideranca-kaingang-da-comunidade-de-votouro-kandoia/

“Sem Tekóa não há Teko”

Breve relato da audiência pública sobre a situação dos indígenas Mbya Guarani da Ponta do Arado*

Nessa manhã da quarta-feira 19 de junho, enquanto Bolsonaro insiste em entregar os territórios dos povos originários para o agronegócio**, aconteceu na Assembleia Legislativa ddo Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, uma audiência pública para discutir a situação política e territorial de uma comunidade Mbya Guarani que há um pouco mais de um ano retomou seu território ancestral na Ponta do Arado Velho na zona sul da capital.

André Mbya Guarani falando durante a Audiência pública

Estavam presentes lideranças Mbya Guarani de várias comunidades da região metropolitana e de Maquiné (RS), vários deputados estaduais, procuradores do estado, representantes do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, da defensoria pública da União, da Comissão Estadual dos Direitos Humanos, da FUNAI, do MPF, da Prefeitura de Porto Alegre, de antropólogos, do observatório indigenista e até da Polícia Civil. Os Guarani fizeram ouvir a voz da floresta exigindo que fosse respeitado seu modo de viver sem este ser criminalizado:

“Nós, não estamos pedindo um favor aqui. […] Estamos aqui para mostrar nossa dignidade!” – ressaltou Cirilo, liderança da comunidade de Canta Galo, Viamão. Diante da dificuldade de fazer os brancos entenderem o modo de vida deles, estes exigiram respeito: “O branco não precisa entender, só precisa respeitar nossa nação, que é ela que está salvando o mundo” – apontou o cacique André da Tekoá Ka’aguy Porã, retomada de Maquiné.

Após uma difícil batalha judicial, o processo dos Guarani da Ponta do Arado se encontra na esfera da Justiça Federal, o funcionário e antropólogo da FUNAI, Kaio Hoffmann, pontuou que ainda não há previsão para o início de um GT de identificação da Terra Indígena por parte da instituição, porém, ressaltou a importância de arrecadar todo tipo de elementos e informações que possam apoiar futuros laudos.

Todos os parlamentares presentes e os representantes de instituições estatais e federais afirmaram seu profundo apoio para a luta dos Mbya Guarani da Ponta do Arado e se colocaram à disposição. No fim da audiência, foi encaminhada a criação de um Grupo de Trabalho que visa a juntar todas as competências das diferentes instituições com a finalidade de reforçar, na esfera jurídico-legal, a devolução do território da Ponta do Arado para seus moradores originários.

Ainda, o cacique André ressaltou sua dificuldade para se comunicar na língua dos brancos, mostrando a importante diferença nos significados das palavras no pensamento “dos brancos” e “dos Guarani”. Como maneira de exemplificar, falou da palavra “dívida”, usada erroneamente para os brancos ao se referir ao esbulho colonial: “Para nós, não é dívida, porque o que os brancos fizeram com os povos indígenas é impagável, não tem como pagar, o branco nunca vai poder pagar”.

A luta e a solidariedade na Retomada Mbya Guarani da Ponta do Arado seguem!

Sem Tekóa, não há Teko!

Viva a Retomada e a luta Mbya Guarani da Ponta do Arado!

*Texto e fotografia: Tinkamó – Coletivo Catarse
**Nessa manhã, 19/06, uma nova Medida Provisória voltou a colocar a competência de identificação, delimitação e demarcação das TI para o Ministério de Agricultura.

Da Retomada da Ponta do Arado Velho à Tekoa Ygere: Força e Resistência Mbya Guarani

Enfrentando uma violência cotidiana, os Mbya Guarani que retomaram sua terra ancestral na Ponta do Arado seguem resistindo aos ataques dos empresários da fazenda do Arado, todos respaldados pelas instituições estatais!

No mês passado, o processo que até então criminalizava os Guarani e todas as pessoas que os visitavam foi mandado para a justiça federal fazendo então cair as liminares que judicialmente isolavam os Guarani de qualquer forma de solidariedade.

Mesmo assim, é com muita alegria que, desde a retomada, em junho do ano passado, que os Guarani reabitam a ponta do Arado, devolvendo aos seres da floresta, à agua, às arvores, aos bugios, a alegria. Além disso, várias individualidades e grupos de pessoas solidárias com a retomada se organizaram para fortalecer a comunidade e tornar visível sua luta. Vigílias e visitas na comunidade foram organizadas, vídeos, blogs, textos e programas de rádio realizados, e, no dia 24 março, aconteceu uma jornada solidária na praia de Copacabana que acolheu mais de 150 pessoas.

No dia 15 de junho, festejou-se um ano da retomada, hoje, a comunidade já formou uma Tekoa que chamou de Yjere, em referência à importância da água que rodeia a ponta do Arado. Nesta celebração, nos encontramos novamente na praia de Copacabana ao som da Digna Rabia. As falas de Timóteo, o cacique da Tekoa, nos transportaram a um ano atrás, quando a comunidade Mbya Guarani decidiu retomar essa terra, e é com firmeza que, diante da repressão, eles resistiram e seguem resistindo ao projeto megalomaníaco que busca transformar a Ponta de Arado em um condomínio de luxo.

Dia 19 de junho, quarta-feira, às 9h45, acontecerá uma audiência pública na Sala de Convergência Adão Pretto na Assembleia legislativa. A presença de todxs em solidariedade aos Guarani é muito importante!

Viva a Tekoa Yjere
Aguyjevete!

*Fotos retiradas da página Facebook do Retomada Mbya Guarani das Terras do Arado Velho
**Texto: Tinkamó