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Cidadão bem de merda

Quando lançaram o petardo em clipe “5 Tiros“, virei para um dos integrantes da Hempadura e disse: ih, quero ver superarem isso que vocês acabaram de produzir!

Pois esse é um dos grandes dilemas das artes: obras tão boas, tão impactantes, que passam a assombrar os seus autores.

Confesso que a curiosidade me embalou por um tempo numa morbidez hardcore, tentando entender o que as mentes duras de hempa estavam tramando mais uma vez – “Ha-ha! Lá estão eles, de novo, atrás das telas dos computadores, matutando o que fazer… Pffff, 5 tiros de verdade, e o sexto de festim…” – subestimava.

Que nada! Desgraçados, destroçadores de críticos-crônicos de música. Mais uma vez, conseguiram.

A narrativa do novo clipe é tão foda quanto a própria música. A estética já é de um selo conhecido de quem segue a banda – imagens sujas, galera gritando cantando em semicírculo, em plano médio, muitos filtros… Não é ruim, muito pelo contrário, é uma marca, um tipo Hempadura de “clipar”.

Na história, a estupidez humana de um tipo dominante, infelizmente, na sociedade brasileira. Não que todos esses que se identifiquem ao estereótipo “de bem” sejam misóginos, racistas e estupradores, mas é, de fato, um conceito que catapulta essa violência pela cortina da defesa de costumes. Que se levanta e serve direitinho para escamotear atitudes de perversão sexual – se você duvida, pergunte para qualquer profissional Assistente Social que lida com abusos de crianças e adolescentes, que não seja ligado a alguma igreja, e a confirmação virá. Sem falar que as informações estão todas ali, em vários momentos do clipe, sem nuances de linguagem.

E, então, talvez o “pior” do clipe seja isso: é preciso assisti-lo algumas vezes para assimilar tudo o que é exposto. Mas, vamos combinar, com uma obra dessas num momento destes, a adrenalina agradece!

Heavy Hour 44 – 18.06.19 – #vazajato, juiz não pode combinar com atacante o pênalti!

Nossa equipe de especialistas foi chamada para entendermos o que é essa patacoada toda entre US Moro e Delenhol. Clarice Zanini, advogada com atuação em ocupações e junto a movimentos sociais e representante da Associação de Juristas Pela Democracia, diz que nunca viu um juiz combinar uma ação pra legitimar uma ocupação em moradia, fazendo esta cumprir sua função social constitucional; já Felipe Lazari, punk rocker, advogado e professor de Direito, está perplexo e não sabe mais o que vai ensinar em sala de aula, porque parece que não existe o tal Estado Democrático de Direito; e o power trio do Coletivo Catarse, baseando-se em suas especialidades de leitura dúbia e interpretação bebum de textos, confunde toda a coisa… Mas algo foi unânime: não vale juiz ratinho combinar com acusação, não existe isso – não é questão de conversar simplesmente, mas articular com uma das partes uma condenação. Ou seja, por obviedade, Lula deveria estar livre! No início do programa, uma bela crônica da situação pela voz do jornalista da rede Brasil de Fato, Marcos Corbari. Um Robespiheavy Hour em que faltou cerveja, mas sobrou cachaça (valeu, Caipora!).

Setlist:
Legião Urbana – Perfeição
Atrack – Trump Bolsonaro e o fascismo no mundo neoliberal
Bizibeize – 100% Nem Aí
Cannabis Corpse – Left Hand Pass
Hempadura – Cidadão de Bem
Black Sabbath – War Pigs

Heavy Hour 43 – 11.06.19 – Vaza daqui, mina Guaíba!

Enquanto o esgoto da republiqueta de Curitiba vaza do ralo dos banheiros de US Moro e Deltan Powerpoint, escancarando a falcatrua de um juízo que é herói somente em histórias em quadrinhos, tem gente preocupada de verdade com o país. E, mais uma vez, quem faz a frente é o MST – e a população mobilizada! Neste programa, mais desdobramentos dos projetos que pretendem levar literalmente o Rio Grande do Sul para o buraco. O assentado Marcelo Paiacan, representante de um movimento que sustenta a agricultura orgânica em várias frentes – são mais de 400 hectares de arroz ecológico cultivados todos os anos! -, traz sua perspectiva sobre como está a ameaça sobre sua morada em Eldorado do Sul. Para contribuir, Luna Carvalho, cientista social e doutoranda em desenvolvimento rural, apresentando outros aspectos mineradores aqui no estado, que – pasmem! – servem para atender a indústria do veneno para o monocultivo de…soja!

Participações mais que especiais dos cooperados Jefferson Pinheiro, que foi muito além da sugestão do Beto Guedes para o setlist deste Heavy Hour, falando de um recente trabalho, o Dossiê Viventes, sobre a desgraça dos projetos de mineração no Rio Camaquã, e do repórter Bruno Pedrotti, no estúdio e trazendo participação da assentada Adeles Bordin, direto da Assembleia Popular realizada para tratar das questões dessa mina que a Copelmi quer implementar na região metropolitana de Porto Alegre abaixo de muita mentira e argumentos falaciosos – de acordo com nossos convidados e com a verdade da vida no Planeta Terra, viu, Cristiano Weber? A gente tá sabendo…

Setlist:
Eu Acuso! – Lona Preta
Pedro Munhoz – Caminhador
Atahualpa Yupanqui – Chacarera de las piedras
Motorcavera – Idiocracia
Dead Fish – SUVs Stupids Utility Vehicle
Beto Guedes – O Sal da Terra

Heavy Hour 42 – 04.06.19 – Minera teu C…

Com este desgoverno que desenterra tudo que tem de ruim em projetos de depredação socioambiental, mais uma nos ronda aqui no Rio Grande velho de guerra: mineração às margens do lago Guaíba. Com projeto da década de 1970, mais uma vez lapidam-se os velhos motes da criação de empregos, riqueza para municípios, entre outros engodos, para se passar a draga no solo gaúcho e poluir nossas águas e atmosfera. Qual o custo real disso? Michelle Ramos, do MaM (Movimento pela Soberania Popular na Mineração), e Eduardo Raguse, engenheiro ambiental da AMA Guaíba (Associação Amigos do Meio Ambiente de Guaíba), trazem muitos exemplos e apostam na mobilização para que isso não vingue. Marcelo Silva, professor e poeta do Morro Santana, também dá a sua palha e nos brinda com belas palavras em um espaço de poesia que parece que permanecerá por um tempo no Heavy Hour!

Do Coletivo Catarse, Clementine, Bruno Pedrotti, Marcelo Cougo e Gustavo Türck lotaram o estúdio e os blocos de fala deste programa. Ah! Teve também Billy Valdez…

Setlist:
Priscila Magella – Choro de Lama
Groundation – Fossil Fuels
Bad Brains – Banned in DC
Hempadura – Queimem!
Destruction – Born to Perish
Milton Nascimento – Para Lennon e McCartney
Calle 13 – Latinoamerica

Heavy Hour 41 – 28.05.19 – Alvo dos patifes

E os patos viraram patifes. Depois de vestirem suas camisetas da CBF e conseguirem dar suporte a um golpe engendrado nos manuais da CIA, eles voltam às ruas e apontam suas armas diretamente ao seu mais novo inimigo: a educação! Sim, muitas – nem tantas – pessoas se fantasiaram novamente e trataram de contra-marchar apoiando seu presidente, a ignorância e o ideologismo racista e fascista – tudo abertamente. Neste programa, desvelamos a marcha dos patifes pela história de 3 antropólogxs: Cleyton Rocha, do Macapá, capital do Amapá, Lucy Cavalcante, de Caucaia, no Ceará, e Bruno Domingues, de Barcarena, interior do Pará. Todos negrxs e mestrandos da UFRGS – bolsistas ou não, de cotas ou não, são aqueles com a mira do ódio em suas paletas. Na condução do programa, o power trio do Coletivo Catarse recebe o reforço – permanente? – de Clementine Marechal, também antropóloga e de espírito de luta ativo.

Setlist:
Eu Acuso! – Marcha dos Patifes
Maria Bethânia – Carcará
Vitor Jara – Movil Oil Special
O Rappa – Minha Alma
Belém Pará Brasil – Mosaico de Ravena
Slave in Hell – W.O.E.
Possessed – Graven
Rockin 1000 – Smells Like Teen Spirity