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Livro lançado em Porto Alegre reflete a experiência de autogoverno Zapatista

Na tarde dessa segunda-feira 30 de setembro, o sociólogo e professor da Universidade Federal Fronteira Sul Cássio Brancaleone lançou a segunda edição do seu livro “Teoria Social, Democracia e Autonomia: Uma interpretação da experiência de autogoverno Zapatista”.

Fruto de uma etnografia entre os Zapatistas (Chiapas – México) principalmente durante o ano 2008, o livro aborda a organização social e política dos Zapatistas. Entre as expressões de autogoverno estão Caracóis, Juntas de Buen Gobierno e dos Municípios Autônomos.

A análise é feita pelo autor a partir da teoria anarquista e desde um olhar e uma sensibilidade libertária.

Nas suas palavras:

“Tributário das heranças ideológicas e organizativas das lutas de libertação nacional dos anos 1960, do marxismo maoísta e guevarista, do catolicismo progressista e do ativismo intercomunitário indígena, o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) veio a público no levantamento armado de 1994 em Chiapas, no sudeste mexicano, como uma força política capaz de expressar o sintomático aparecimento de um novo conjunto de movimentos sociais antissistêmicos, cujos discursos e práticas se nutrem de dimensões pouco convencionais do uso do direito e da luta política não-estatal, corroborando uma perspectiva de emancipação que encontra ancoragem normativa na articulação entre uma certa ideia de dignidade humana e de autonomia.”

O livro se encontra disponível na livraria Cirkula (Osvaldo Aranha 522 – Bom Fim, Porto Alegre).

Para saber mais, ouça o Heavy Hour n 59 sobre Autonomia e Movimentos Indígenas:

A realidade através do olho crítico de quem a vive!

Por Maria da Graça Türck, Doutora em Serviço Social.

Principalmente para as/os assistentes sociais, o autor, José Falero, da periferia de Porto Alegre, nos brinda com o livro “Vila Sapo”. É “uma baixada espremida entre a Vila Viçosa e a Vila São Carlos” é ” um lugar sem história oficial e sem nome oficial”. Fala Falero: (…) “É curioso ter consciência dessa irreversibilidade da evolução tecnológica. Sim, é curioso, porque, em contraste, o desenvolvimento humanitário nem de longe se sustenta com a mesma facilidade e firmeza. Por alguma razão misteriosa, tudo o que é amplamente reconhecido como avanço em favor da condição humana, tanto no âmbito individual como no âmbito coletivo, tem que enfrentar forças contrárias e ameaças de retrocesso. Nada oferece resistência à dádiva dos circuitos integrados, nem oferecerá à produção em massa de processadores quânticos, mas a solidariedade, a benevolência, o amor e tudo o mais que nos eleve acima da barbárie são coisas que estão sempre em apuros, desgastando-se numa luta eterna contra a má-fé e o espírito de porco. A diferença salta aos olhos. A tecnologia é uma atleta jovem e incansável correndo livre e desimpedida, sem parar, (…); a humanidade, coitada, não passa de uma senhora aposentada e enferma da qual ninguém mais quer saber, já com sérias dificuldades para seguir em frente, às vezes levada de volta para trás por qualquer vento mais forte; uma senhora que ninguém em sã consciência apostaria que possa chegar viva até a próxima esquina”.

Nós assistentes sociais, sabemos da barbárie cotidiana…