Arquivo da categoria: Coletivo Catarse

Jornada Kaingang acontece na Biblioteca da Faculdade da Psicologia da UFRGS

Durante todo o mês de novembro, a Biblioteca Viva da Faculdade de Psicologia da UFRGS, o  Programa de Educação Tutorial (PET) da Faculdade de Psicologia da UFRGS, o Núcleo de Antropologia das Sociedades Indígenas e Tradicionais e o Coletivo Catarse estarão apresentando diferentes atividades relacionadas com a luta dos povos originários e principalmente dos Kaingang!

Dentro a programação, o projeto Resistência Kaingang inaugurou uma exposição de mais de 60 fotografias que aborda a temática das retomadas Kaingang no norte do Rio Grande do Sul, no Alto Uruguai, assim como a luta para continuar exercendo práticas políticas-espirituais intimamente ligadas ao domínio da floresta. A exposição estará aberta para visitação até o dia 25 de novembro no saguão da Faculdade de Psicologia da UFRGS.

Já no dia 19 de novembro, a partir das 18h30, apresentaremos o projeto da Resistência Kaingang em uma roda de conversa com a kujà (liderança político-espiritual) Kaingang, Iracema Gatén Nascimento, juntamente  aos integrantes do Coletivo Catarse que fazem parte do projeto Resistência Kaingang.

Confira a programação e as fotos da abertura da exposição:

CardGeral_Vert

 

Inscrições abertas para Oficinas Práticas de Produção Audiovisual e Trilha Sonora (1º ciclo – 2019)

Venha aprender fazendo: filmagem, edição e trilha sonora.

Em 6 encontros, o grupo produzirá um curta-documentário com trilha sonora original e com temática de cultura e saúde. A oficina consistirá em oferecer desde noções básicas de filmagem e edição até a montagem de equipe, segmentação das funções, quando os oficinandos se dividirão nas 3 áreas, exercitando sempre de maneira prática o manuseio dos equipamentos, até a execução da produção, com finalização e apresentação do filme em um evento de projeção ao final dos encontros!

Os encontros serão 2 vezes por semana nos seguintes dias:
13 e 14, 20 e 21, 27 e 28 de novembro – das 18h30 às 21h
Rua Fernando Machado, 464 – Centro Histórico – Porto Alegre

Para se inscrever, preencha o formulário abaixo.
Inscrições gratuitas e abertas até o dia 13 de novembro!
Vagas limitadas.

Clique aqui para se inscrever!

15 Anos do Coletivo Catarse!

No dia 27 de setembro de 2004 um grupo de comunicadores ousou tornar um sonho realidade. Hoje, a cooperativa fundada lá atrás completa 15 anos de luta social, ambiental e cultural.

Nesse tempo produzimos documentários, reportagens, programas de rádio, espetáculos de teatro, exposições fotográficas, música, livros, revistas e muito mais.

Nosso parabéns vai para todos vocês, que acompanham nossa caminhada e prestigiam nosso trabalho. Como presentes temos um universo de conteúdos. Já leu viu todo o material do site? Dá uma olhada lá no Youtube e escolhe um dos 643 vídeos. Ou então abre uma gelada e da um play no Heavy Hour.

Desfrute, celebre e aproveite conosco este dia especial. Nos vemos na linha de frente.

População gaúcha lança comitê de combate à megamineração

Na noite de 18 de junho, mais de cinquenta entidades diferentes se juntaram no lançamento de um comitê de combate aos projetos de megamineração previstos para o estado.

Os movimentos e representantes da sociedade civil lotaram o auditório do CPERS Sindicato. O evento contou com uma fala de abertura dos anfitriões e das lideranças do comitê. Depois, Michele Ramos, do MAM e Eduardo Raguse da AMA Guaíba traçaram o panorama do estado, citando os 166 projetos em fase de pesquisa e os quatro grandes projetos que buscam licenciamento: Projeto Retiro, em São José do Norte; Projeto Fosfato, em Lavras do Sul; projeto Mina Guaíba em Eldorado do Sul e Projeto Caçapava do Sul.

Membros das comunidades vizinhas explicaram melhor cada situação local. Marcelo Paiakan- do Assentamento Apolônio de Carvalho, que combate o projeto Mina Guaíba- acusou a empresa de mentirosa. Para ele, a Copelmi não irá gerar empregos e desenvolvimentos, como ela divulga, muito menos recuperar as áreas mineradas.

Mário Witt, pecuarista e fotógrafo de Lavras do Sul, denunciou que, em seu município, a população e as autoridades foram cooptadas para defender o projeto. “Hoje, tu não pode se manifestar contra, tal é o clima de hostilidade que foi criado. As pessoas estão amordaçadas”, relatou.

Representando Caçapava do Sul, a advogada Ingrid Birnfeld, resgatou o início da luta contra a mineração de chumbo, zinco e cobre no município, que começou no ano de 2016. Denunciou também a atuação das empresas transnacionais nos processos de licenciamento: “existe uma violação metódica dos direitos fundamentais nesses processos de licenciamento. As audiências públicas são organizadas pelas empresas”.

Como as comunidades de São José do Norte, não conseguiram estar presentes, Michele Ramos do MAM trouxe o contexto da luta no município. Mais de vinte e cinco comunidades ameaçadas estão mobilizadas contra o projeto. No dia 8 de março deste ano, as mulheres destas comunidades organizaram uma caminhada que reuniu 300 pessoas contra a mineração de titânio na região.

Por fim, foram feitos encaminhamentos e sugestões para a audiência pública sobre a Mina Guaíba, no dia 27 de junho. O comitê também lançou um manifesto contra a mineração, que segue publicado na íntegra abaixo:

Manifesto do Comitê de Combate à Megamineração no Rio Grande do Sul: Sim à vida, não à destruição! 

Preocupadas com os impactos socioambientais de megaprojetos de mineração previstos para o Rio Grande do Sul, diversas entidades ambientais, sindicais, associativas e movimentos sociais se reuniram no último dia 29 de maio, na sede da APCEF/RS, em Porto Alegre, para a criação do Comitê de Combate à Megamineração no Rio Grande do Sul (CCM/RS). Um dos projetos é o Mina Guaíba, que está em processo de licenciamento para se instalar em uma área de 5.000 hectares nos municípios de Charqueadas e Eldorado do Sul. 

Nesse local, a mineradora privada brasileira Copelmi pretende extrair uma reserva estimada de 166 milhões de toneladas de carvão com baixo poder calorífico e alto teor de cinzas. O empreendimento tem alto impacto socioambiental: a reserva está na zona de influência da APA e Parque do Delta Jacuí, Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, bem tombado pelo IPHAE como patrimônio cultural e paisagístico do RS, e a apenas 1,5 km do Rio Jacuí, responsável por mais de 80% da água que chega ao Guaíba, abastecendo Porto Alegre e parte da Região Metropolitana. 

O projeto prevê, dentre outros impactos, o rebaixamento do lençol freático, o desvio de arroios, ocasionará piora na qualidade do ar e expulsará diversas famílias de seus territórios, incluindo moradores do loteamento Guaíba City e agricultores do Assentamento Apolônio de Carvalho, responsável por importante produção de arroz agroecológico e com certificado orgânico. Outros três grandes projetos, de igual importância, atestam que o Rio Grande do Sul entrou definitivamente na mira das empresas mineradoras, com o apoio do Governo do Estado e de prefeituras, iludidos pelas promessas de geração de empregos e incremento nas suas receitas, como se a mineração fosse a nova boia de salvação da economia gaúcha. 

O projeto em estágio mais avançado é o Retiro, para o qual a RGM (Rio Grande Mineração) conseguiu licença prévia do Ibama para extrair titânio da faixa de areia localizada entre o Oceano Atlântico e a Lagoa dos Patos, no município de São José do Norte, no litoral sul gaúcho.         

Os demais projetos ainda buscam a licença prévia junto à Fepam, órgão de licenciamento estadual. Às margens do Rio Camaquã, em Caçapava do Sul, a empresa Nexa Resources (multinacional do Grupo Votorantim) tenta autorização para extrair zinco, chumbo e cobre de uma mina a céu aberto com vida útil de 20 anos. Em Lavras do Sul, o alvo da empresa Águia, através do projeto Três Estradas, é o fosfato; esse empreendimento inclui uma barragem de rejeitos e é de grande interesse do agronegócio. 

Em pleno século XXI, quando se acentua o debate sobre a crise climática e as ameaças à biodiversidade, às comunidades tradicionais, à qualidade de vida, e em suma ao futuro do planeta, transformar o Rio Grande do Sul em uma nova fronteira minerária e em um grande polo carboquímico nos posiciona na contramão da história! Existe uma tendência mundial de diminuição na exploração do carvão, porque a atividade coloca em risco tanto a saúde da nossa gente quanto o meio ambiente, já que o combustível é um dos maiores responsáveis por emissões de CO2, que provoca o efeito estufa. 

Além desses quatro projetos, ainda existem mais de 150 projetos de mineração em solo gaúcho, que, se conseguirem se instalar, poderiam elevar o RS ao patamar de terceiro estado minerador do país. Os impactos negativos na vida de indígenas, quilombolas, pescadores, assentados, pequenos agricultores, e moradores do campo e da cidade, ou seja, de todos nós, são altos demais.  Mas ainda há tempo de construirmos uma cultura de territórios livres de megamineração. 

É preciso garantir a realização de audiências públicas em todas as cidades envolvidas e, caso o governo queira levar adiante esses projetos de destruição, a decisão final deve ser do povo gaúcho, através de plebiscitos. Temos o direito de decidir, de maneira soberana, entre a vida ou a destruição! Fazemos um chamamento para que todas as entidades, movimentos e pessoas comprometidas com a defesa da vida e contra os impactos dos projetos de megamineração subscrevam este manifesto. Esta luta não é apenas das entidades ambientalistas, mas de todos que se importam com a vida.

Multidão na rua em Porto Alegre pela educação e contra Bolsonaro

Na noite de quarta feira (15/05) soaram os tambores da revolta popular em Porto Alegre e em todo o Brasil.  Na capital do Rio Grande do Sul, cerca de 30 mil pessoas participaram do grande ato noturno que foi da Esquina Democrática até o Largo Zumbi dos Palmares, no centro da cidade . Ao longo do dia também ocorreram diversas mobilizações na Faculdade de Educação (FACED UFRGS).

Manifestação passando pela Avenida Borges de Medeiros.

O movimento fez oposição aos cortes das verbas para as Universidades Federais e para o Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) anunciadas por Jair Bolsonaro e pelo ministro da educação Abraham Weintraub . Além disso, também se posicionou contra os ataques feitos pelo presidente à política de cotas e contra as ciências e universidades.

“Revolte-se. Salve a Educação do Bozo. Rebele-se”. Cartaz de Manifestante.

Os manifestantes também questionaram a prisão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e a reforma da previdência. Diversos movimentos sociais contrários a Jair Bolsonaro e suas políticas de governo estiveram presentes. Grupos anarquistas, sindicalistas,coletivos LGBTQ+, feministas, partidos de esquerda, movimentos negros, estudantes e professores universitários e secundaristas construíram o espaço de lutas coletivas.

Esta união de diversos segmentos deu corpo ao movimento e unificou diversos discursos contrários aos retrocessos da gestão do presidente.

“Uma só Luta! Contra a Reforma da Previdência e os cortes de Bolsonaro”. Cartaz de Manifestante

Resta saber como a pressão popular terá efeito no governo. Espera-se que, caso os grupos sigam mobilizados, se consiga reverter ou impedir decisões deste (des)governo ultra conservador.

Imagens: Billy Valdez
Texto: Bruno Pedrotti