Arquivo da categoria: Coletivo Catarse

Multidão na rua em Porto Alegre pela educação e contra Bolsonaro

Na noite de quarta feira (15/05) soaram os tambores da revolta popular em Porto Alegre e em todo o Brasil.  Na capital do Rio Grande do Sul, cerca de 30 mil pessoas participaram do grande ato noturno que foi da Esquina Democrática até o Largo Zumbi dos Palmares, no centro da cidade . Ao longo do dia também ocorreram diversas mobilizações na Faculdade de Educação (FACED UFRGS).

Manifestação passando pela Avenida Borges de Medeiros.

O movimento fez oposição aos cortes das verbas para as Universidades Federais e para o Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) anunciadas por Jair Bolsonaro e pelo ministro da educação Abraham Weintraub . Além disso, também se posicionou contra os ataques feitos pelo presidente à política de cotas e contra as ciências e universidades.

“Revolte-se. Salve a Educação do Bozo. Rebele-se”. Cartaz de Manifestante.

Os manifestantes também questionaram a prisão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e a reforma da previdência. Diversos movimentos sociais contrários a Jair Bolsonaro e suas políticas de governo estiveram presentes. Grupos anarquistas, sindicalistas,coletivos LGBTQ+, feministas, partidos de esquerda, movimentos negros, estudantes e professores universitários e secundaristas construíram o espaço de lutas coletivas.

Esta união de diversos segmentos deu corpo ao movimento e unificou diversos discursos contrários aos retrocessos da gestão do presidente.

“Uma só Luta! Contra a Reforma da Previdência e os cortes de Bolsonaro”. Cartaz de Manifestante

Resta saber como a pressão popular terá efeito no governo. Espera-se que, caso os grupos sigam mobilizados, se consiga reverter ou impedir decisões deste (des)governo ultra conservador.

Imagens: Billy Valdez
Texto: Bruno Pedrotti

Videoativistas mobilizados pelo direito de filmar

Entre os dias 3 e 6 de maio, ativistas, comunicadores e jornalistas de todas as regiões do Brasil se reuniram em Niterói RJ para o encontro R2R- pelo direito de filmar, produzido pela Witness Brasil.

Além de refletir sobre o direito de filmar e como os diferentes coletivos usam este direito para ajudar suas comunidades, o grupo também compartilhou suas vivências e desafios enfrentados.

(Foto: Mayara Donaria)

No primeiro dia, sábado (4/05/2019) os coletivos Craco ResisteTulipa Negra falaram sobre suas experiências de atuação denunciando a violência policial na cracolândia, em São Paulo. Na sequencia, os coletivos das favelas do Rio de Janeiro (Coletivo Papo Reto, Redes da Maré, Datalabe) apresentaram seus projetos e de resistência e comunicação popular contra a guerra aos pobres.

No segundo dia (domingo 5/05/2019), o protagonismo foi transferido para as regiões norte e nordeste. O jornalista Raphael Castro, de Belém do Pará, denunciou o extermínio da juventude negra e periférica em sua cidade e a contaminação causada pela mineradora norueguesa Hydro Alunorte na cidade de Barcarena. A Agência de Notícias Jovens Comunicadores da Amazônia e o Coletivo Jovem Tapajônico destacaram a importância de uma comunicação sobre a amazônia feita pelas pessoas que vivem na região, além de de denunciarem a violência contra as mulheres e os danos ambientais causados por agrotóxicos usados em monoculturas para exportação.

(Naiane Queiroz da  Agência de Notícias Jovens Comunicadores da Amazônia. Foto: Mayara Donaria)

Ainda no segundo dia, a Rede Rocheda deu um exemplo de união de coletivos. Coletivo Motim, Coletivo Nigéria e Coletivo Zóio apresentaram uma Fortaleza que, apesar da violência policial, consegue mobilizar cultura e arte em suas periferias.

Nos dois dias, no período da tarde, os participantes do evento se reuniram em quatro grupos de trabalho temáticos: vídeo como prova, arquivamento, mídias sociais e fake news. Assim, com a ajuda de materiais de apoio da Witness Brasil, os grupos conseguiram refletir coletivamente e estudar formas práticas de capacitar ainda mais suas atuações locais.

(Grupo de trabalho em atividade. Foto: Mayara Donaria.)

Por fim, no último dia de evento (segunda feira, 6/05/2019), os coletivos se dividiram em três grupos para conhecer diferentes locais no Rio de janeiro: Complexo do Alemão, Aldeia Maracanã e Morro da Providência. A equipe do Coletivo Catarse visitou o Morro do Alemão, no Complexo do Alemão.

Guiados por David Amen, do Instituto Raízes em Movimento, subimos escadarias e andamos por becos e vielas. Escutamos a perspectiva local desta comunidade (uma das 15 favelas que compõe o complexo) e soubemos de outras violações de direitos que acontecem na comunidade (além da violência do Estado), como remoções, falta de saneamento básico e construção sem consulta de obras como o teleférico do Alemão- que não funciona desde 2016.

(Vista do Morro do Alemão, Complexo do Alemão/RJ. Foto: Bruno Pedrotti.)

A partir do evento, os diferentes coletivos puderam trocar experiências criar e fortalecer redes e laços de amizade e trabalho.  Percebemos que, apesar de todas as diferenças regionais, enfrentamos problemas muito semelhantes (mineração, agrotóxicos, violência do Estado…).Nós da Catarse esperamos poder contribuir na construção de parcerias, difundindo as diversas perspectivas de cada local e construindo coletivamente conteúdos capazes de conectar as narrativas contra hegemônicas das cinco regiões do país.

Texto: Bruno Pedrotti

Imagens: Mayara Donaria e Bruno Pedrotti

 

Heavy Hour 15 – 14.11.18 – Vamos falar de racismo? De novo?! Sim, porra!!!

Um programa com o coordenador estadual da UNEGRO, Dilmair Monte. Papo sobre a Grande Marcha Zumbi Dandara, dia 20/11, e mais uma sugestão do Livreiro Bolivar, A Liberdade É Uma Luta Constante, de Angela Davis. Estamos total novembro… Ah! E novidades na criação da Rede Heavy Hour! Vamos a Pelotas e Santa Maria!

Quem toca neste programa:
Bloco 1
Mangueira – samba enredo 2019 “Eu quero um Brasil que não está no retrato”
Sepultura – Symptom of the Universe
Tango Feroz – El Amor és más Fuerte

Bloco 2
Living Colour – Type
THC Core
Visão Vermelha – Sputiniks
Balboa Punch – Paying with the Life

Bloco 3
System of a Down – Chop Suey!
The Doors – The End live in Toronto 1967

Audiovisual para transformar – Parte 2 – nos bastidores do documentário Cores ao Vento, navegando junto pela arte de Silvio Rebello

Num segundo módulo de oficina em Tapes, propusemos a produção de um documentário sobre a obra de Silvio Rebello. Uma realização Prefeitura e Secretaria de Educação e Cultura de Tapes, numa coprodução Coletivo Catarse, Clube da Sombra e Lagoa TV.
Silvio Rebello foi um artista plástico Tapense. Escultor, pintor, trabalhava com fotografia, projeção de imagens. O talento dele parecia não caber na cidade e, de fato, não coube. Tem obras dele espalhadas Brasil afora e em acervos de pessoas e artistas reconhecidos daqui também. Viveu na Bahia por algum tempo o que influenciou muito sua obra, inclusive trazendo motivos africanos e imagens ligadas aos orixás. Era uma pessoa que enxergava longe mas que estava muito perto de todos por ser extremamente humilde e simples. Parte da população desta pequena cidade não conhece o artista e sua obra, porém quem conhece o admira e ainda se transforma com o legado que deixou.

Assista ao documentário: Cores ao Vento – Navegando pela obra de Silvio Rebello

Como trouxe no outro relato, Tapes já foi, em algum tempo passado recente, uma rota artística bem frequentada por artistas plásticos, músicos, escritores. Em nossas investigações pela cidade, existe uma preocupação muito grande que esse resquício de memória desapareça. Silvio Rebello nos pareceu um registro muito significativo para dar início a salvaguarda dessa história.
A proposta era desenvolver um documentário curta-metragem sobre a obra de Silvio Rebello e um making of do filme. Parte do documentário e o making of realizamos através do segundo módulo da oficina de produção audiovisual, para que os jovens que participaram do primeiro módulo pudessem ter contato com uma produção audiovisual mais elaborada, que trouxesse um conteúdo artístico e se prestasse a ser mais livre e menos encaixotada aos padrões de documentário convencional.

A questão da falta de referências é muito forte nesses jovens. Ter acesso a internet não significa ter acesso a diversidade de conteúdos. Tivemos que, nos poucos dias disponíveis, desconstruir conceitos e enquadramentos, repensando a maneira que enxergamos e reproduzimos o entorno. Para poder filmar, primeiro observamos e isso por si só, já modifica. “Quando o cara não faz muita coisa ligado a cultura, o cara não dá bola. Quando o cara comeca a se ligar no audiovisual, hip hop…qualquer coisa que o cara começa a fazer, ligado a arte, o cara começa a dar valor a qualquer arte em si”, reflete João. Esse me pareceu o depoimento central da experiência desses jovens a partir das oficinas de audiovisual e de tantas outras que tem acontecido na cidade. O empoderamento é visível e a vontade de continuar produzindo também.

Todo o trabalho que fizemos em Tapes visava a autonomia criativa e produtiva dos envolvidos, mas me parece que o grande desafio desses jovens é como, sem o auxílio do poder público ou de terceiros, conseguir se mobilizar para realizar. Como entender que essa continuidade depende (também e principalmente) deles?

Penso que um bom início é rever o que eles fizeram  e acreditar que seja possível isso se repetir com ou sem ajuda. Hoje eles tem acesso fácil a ferramentas audiovisuais, as dominam inclusive, nasceram dentro de uma época em que essa linguagem é a principal, ou seja, eles tem tudo para serem protagonistas de suas próprias histórias, fictícias ou documentais, o que resta é uma questão de autoestima e isso, para mim, significa praticar, praticar, praticar….

Assista ao making of: Bastidores de um Documentário – Navegando Junto pela Obra de Silvio Rebello


 

Nota Pública das Alternativas de Mídia de Porto Alegre sobre o segundo turno eleitoral

Vivemos um momento muito grave: uma candidatura à Presidência da República defende abertamente o autoritarismo, a violência política e a retirada de direitos dos trabalhadores. Defende, também, restrições à liberdade de expressão e de atividade política. O mundo todo olha para o Brasil com preocupação, e pessoas dos mais diversos matizes políticos rejeitam a candidatura de Jair Bolsonaro por enxergarem ali uma perigosa ameaça à democracia – que, mesmo defeituosa e limitada, nos garante o direito a buscar seu aprofundamento.

Considerando essa realidade, 16 mídias alternativas de Porto Alegre nos reunimos para a construção de ações conjuntas de defesa da democracia e de combate à desinformação proposital que tem servido como estratégia de campanha dessa candidatura. Essa preocupação não significa apoio acrítico à candidatura de Fernando Haddad, mas o entendimento, que tem sido generalizado entre os democratas do Brasil e do mundo, de que não se pode compactuar com o retrocesso que representa a candidatura de Bolsonaro.

Entendemos que a oposição à candidatura de Bolsonaro é um dever de toda a mídia, na medida em que Art. 6º do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros estabelece que todo jornalista deve “Opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos”, além de “combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza”.

Conclamamos, assim, as mídias alternativas de todo o Brasil a fazerem o mesmo movimento, de maneira urgente e também visando o futuro: unir-se em ações em defesa da democracia e da liberdade que garantem nossa existência e o direito do conjunto da população a lutar por seus direitos.

Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação (Alice)
Amigos da Terra Brasil
Anú – Laboratório de Jornalismo Social
Boca de Rua
Brasil de Fato RS
Coletivo Catarse
Comunicação Kuery
Esquerda Online
Jornal JÁ
Jornalismo B
Manifesto POA
Mídia Ninja
Nonada – Jornalismo Travessia
Rádio Comunitária A Voz do Morro
Sul 21
TV Nação Preta