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MAIS QUE UM JOGO – Todas e todos pela educação pública!

Uma das características fundamentais de um governo fascista é a criação e a demonização de um inimigo. O governo Bolsonaro já elegeu quem cumprirá esse papel: os professores e as professoras. Além deles e delas, a educação de uma forma geral vem sendo atacada de forma constante pelo governo.

Ministros e o próprio presidente se valem de um discurso moralista e mentiroso sobre as práticas escolares para deslegitimar os saberes e o trabalho dos profissionais da educação.

Pautas como “ideologia de gênero”, “doutrinação ideológica” e “marxismo cultural” estão sendo divulgadas pelo governo (antes mesmo de eleito). Esse discurso, que não se verifica na prática, também faz parte de um projeto de precarização e posterior privatização da educação pública no Brasil.

Os recentes anúncios de cortes de verbas para todos os níveis da educação pública brasileira são mais um episódio desses ataques ao “inimigo” do governo.

O ataque às Universidades Federais e aos Institutos Federais, além de precarizar o ensino e a pesquisa, acaba atingindo a população como um todo, como, por exemplo, com o fechamento de Hospitais Universitários, que em sua maioria atendem exclusivamente pelo SUS.

Além disso, assistimos a uma relação muito próxima entre o governo e representantes de universidades particulares e redes de educação a distância, como, por exemplo, o fato da vice-presidente da Associação Nacional das Universidades Privadas ser Elisabeth Guedes, irmã de Paulo Guedes, ministro da economia e guru do presidente, que propôs os cortes na educação pública.

Dia 15/5 estará acontecendo uma greve geral da educação, contra esse corte absurdo de verbas, bem como contra a reforma da previdência, uma vez que os professores e principalmente as professoras serão muito atingidos pela reforma, perdendo sua aposentadoria especial.

Frente Inter Antifascista

– originalmente publicado no site do Repórter Popular, aqui

MAIS QUE UM JOGO – Antifascistas sim, clubistas também!

– originalmente publicado no site do Repórter Popular

Antifascistas sim, clubistas também! Quais os limites éticos do clubismo no ambiente do futebol?

Dada a conjuntura desses tempos estranhos, a pergunta ganha relevância. Muito já se falou sobre o ambiente supostamente despolitizado do futebol. Adaptou-se Marx para dizer que o futebol é o ópio do povo; não raro, vemos uma pichação do tipo: “enquanto tu grita gol eles te exploram”, e por aí afora. A FIFA pune manifestações políticas nos estádios e o Tiago Leifert não gosta da mistura política e futebol. Entretanto, Eduardo Galeano já se ocupou de transportar o espaço delimitado pelas quatro linhas para outro patamar. Também, outras pessoas com densidade intelectual suficiente para desmistificar a ideia do futebol como o espaço próprio da alienação.

Há fatos interessantes na história do futebol brasileiro que aproximam o debate político do esporte. Ou, dito de outra forma, que levam o esporte para o debate político. A célebre Democracia Corintiana, do Dr. Sócrates e seus companheiros, a maneira peculiar com que o centroavante Reinaldo comemorava seus gols, a militância antirracista de muitos jogadores negros, a disputa do futebol feminino por espaço na ordem do dia do noticiário esportivo, tudo isso – e muito mais – representa um conjunto de manifestações que relativizam, de certa forma, os pensamentos limitantes acerca do futebol. Nesse contexto, aqui em nosso ambiente doméstico, um aspecto merece destaque: o crescente interesse político de alguns grupos ligados ao Inter e ao Grêmio, entre outros torcedores de times no Estado e no país, com destaque para as Frentes Antifascistas que se consolidaram nos clubes nestes últimos anos. E é justamente aqui, onde se estabelece um marco para o tema que pretendemos tratar, propomos outra pergunta: é necessário transcender os limites da paixão clubística para legitimar um discurso político que busca fazer o enfrentamento das questões políticas e sociais de maior amplitude?

Definindo a nossa posição, a primeira resposta é taxativa: NÃO! Naturalmente, é preciso dissecar melhor o tema.

Há marcas históricas distintas na maneira de torcer dos públicos gremista e colorado. Há histórias distintas nas construções das instituições. E há uma rivalidade única em nível nacional, muitas vezes elevada à condição de alavanca de tantas vitórias dos dois clubes. Em que medida uma união de esforços no sentido de denunciar e enfrentar preconceitos e fascismo pode afetar a maneira de torcer de suas gentes? Mais: a maneira de torcer pode afetar os esforços para o combate aos preconceitos?

Andou se falando em micro fascismo interior entre grupos de torcedores antifascistas, ao se tratar de uma suposta incapacidade de superação das barreiras da paixão pelo clube ao se fazer o enfrentamento de um problema que excede os limites do esporte mas que, no âmbito de ação dos nossos grupos, está intrinsecamente ligado às arquibancadas, ao disputar os corações e mentes das pessoas que as frequentam, torcedoras e torcedores em seus diferentes níveis de organização e consciência política. Não é aceitável atribuir a ideia de manifestação de um pensamento fascista não resolvido internamente a alguém que exponha em níveis mais passionais a rivalidade que vivemos cotidianamente no futebol riograndense. E não se confunda passionalidade com violência. Dentro das esquerdas continuadamente se debate a perda de capacidade em falar com o povão das vilas e periferias. Um dos motivos pode ser o debate excludente, vide expressões típicas da academia como essa do micro fascismo interior. Outros motivos podem ser aqueles de se supor um ser militante superior, despido de todos os preconceitos e desconstruído ao extremo. Uma irrealidade!! Ainda mais quando se pensa no ambiente do futebol. Para se combater o fascismo nas arquibancadas, os agentes necessitam debater diretamente com as pessoas que lá estão, com toda suas cargas emocionais e culturais. O que é mais caro para nós, Colorados, nesse momento? Dar embate ao ataque contra a classe trabalhadora, enfrentar o fascismo que cresce a olhos vistos, incluindo a homofobia constante em nossas arquibancadas, lutar contra a elitização no Beira Rio e contra a criminalização das torcidas, ou ser o desconstruído das redes sociais, soterrar os sentimentos de rivalidade mais entranhados no futebol brasileiro e com isso ser o antifascista do mês? Mesmo que isso prejudique a caminhada dentro do teu campo de luta, as arquibancadas do Beira Rio? Não é preciso responder.

Frente Inter Antifascista

Pela renda e pelo boi, urge dizimar a floresta e a gente que vive lá

Por Jacques Távora Alfonsin** (originalmente publicado no Sul21, clique aqui).

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançou este mês a sua já consagrada publicação anual “Conflitos no campo Brasil”, fazendo um balanço crítico do número de pessoas envolvidas na permanente luta pelo acesso à terra durante 2018.

Desde a metodologia utilizada para a coleta dos dados dessa realidade, até as tabelas que registram datas, locais, causas, mortes, ferimentos, quantidade de envolvidas/os, sacrifício do meio ambiente, fontes de consulta, tudo fica registrado a cada ano, sob o rigor do cuidado e da precisão. Para favorecer às/aos leitoras/es o conhecimento mais atualizado e claro possível desse drama tão antigo que envergonha o país e parece sem perspectiva de pacificação, a edição deste ano conta com algumas análises críticas do momento político atual vivido no Brasil, no que se refere ao nosso território. Enfatiza o recrudescimento dos conflitos fundiários, a tendência de crescerem pela política agrária do novo (des)governo ora administrando o país, o aumento dos riscos que ela cria ao meio ambiente, bem como às duras conquistas de direitos sociais que posseiros, indígenas e quilombolas conseguiram concretizar, em assentamentos da reforma agrária, aldeias e antigos quilombos.

Entre os estudos coletados nesta edição, Bruno Cezar Malheiro, professor em educação do campo na universidade federal do sul e sudeste do Pará, mestre em planejamento do desenvolvimento, Fernando Michelotti, professor de ciências agrárias da mesma Universidade e também mestre em planejamento do desenvolvimento, Carlos Walter Porto-Gonçalves, professor titular do Departamento de Geografia da Universidade Federal Fluminense (prêmio Chico Mendes em ciência e tecnologia do Ministério do Meio Ambiente em 2004), assinam um estudo que tem por objeto “Mais além da conjuntura: por outros horizontes de sentido.”

A urgência de se enfrentar toda uma política agrária de transformar a terra em dinheiro, mesmo a custa de comunidades pobres que dela vivem e do meio ambiente, os autores deste estudo advertem:

“A continuação do projeto de acumulação rentista pelas vias dos negócios do agro, das águas e da mineração, tende a ganhar contornos ainda mais militarizados pela indicação de militares para ministérios estratégicos (como os da Defesa, Minas e Energia, Ciência e Tecnologia e Infraestrutura) numa tentativa cada vez maior de flexibilização das leis ambientais e de reversão dos direitos territoriais de povos e comunidades tradicionais, e que culmina na preocupante elevação da violência (que já é alarmante) contra indígenas, quilombolas e a camponeses, especialmente na Amazônia.”

Relembram os professores uma crítica anterior de José de Souza Martins, feita em 1984, sinalizando que “o problema não está na terra em si, mas em impedir que a luta pela terra coloque em questão o pacto político que a concentração fundiária sustenta.” Hoje, verifica-se “a necessidade de uma nova ofensiva do pacto do agronegócio – rentismo sobre assentamentos de reforma agrária, terras indígenas, quilombolas e de povos e comunidades tradicionais, sustentada por forças militares.”

Uma prova de empoderamento dessa política nefasta pode ser vista no encaminhamento de um projeto de lei do filho do presidente, senador Flavio Bolsonaro e do senador Marcio Bittar, segundo publica o Globo, edição de 18 deste abril. “Sem ofensa ao meio ambiente”, conforme o seu entendimento, as reservas legais impostas pela lei às propriedades rurais, na Amazônia legal e no Cerrado especialmente, os dois senadores salientam como “justificativa” do projeto: “…estudos e prospecções revelam que a Amazônia “possuiu em valores de recursos naturais o montante de 23 trilhões de dólares a ser explorado, sendo 15 trilhões em recursos minerais metálicos, não metálicos e energéticos e oito trilhões na superfície, com a biodiversidade”. Por isso, para eles, “é urgente a conciliação profunda e permanente entre proteção do meio ambiente, crescimento econômico e geração de oportunidades para os brasileiros”.

Indígenas, quilombolas, posseiros, acampados que perseveram na luta pelo reconhecimento do seu direito à terra, que se preparem. Se hoje já são perseguidos e até mortos, como a publicação da CPT denuncia a cada ano, agora mesmo é que precisam se unir e organizar em defesa do que ainda garante sua sobrevivência.

A notícia da Globo, para isso, já antecipa um contraponto de peso ao projeto. A pesquisadora Malu Ribeiro, da Fundação SOS Mata Atlântica, diz: “infelizmente é mais um grande equívoco. E essa foi, durante a votação do novo Código Florestal, uma das maiores pressões da bancada ruralista e do chamado Centrão, durante aquela votação. O novo Código Florestal foi sancionado em 2012, substituindo uma versão anterior de 1965. Ele regulamenta a exploração de terras e estabelece onde a vegetação nativa deve ser mantida. O texto dividiu ambientalistas, que apontaram retrocessos em relação à legislação anterior, e ruralistas, que defendem a lei. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve um dos trechos mais polêmicos: a anistia a produtores rurais que desmataram ilegalmente antes de julho de 2008. A Reserva Legal hoje tem uma estratégica finalidade de banco genético, de estoque das chamadas madeiras de lei, estoque da biodiversidade. É um grande equívoco essa guerra declarada de um setor conservador do ruralismo brasileiro contra a Reserva Legal. É um absurdo para o país. Só as áreas de preservação permanente, que já foram reduzidas pelo Código Florestal, são insuficientes.”

Existem outros “horizontes de sentido”, portanto, que não os de se dar prioridade da troca da terra por dinheiro, como advertem os professores Malheiro, Michelotti e Porto-Gonçalves. Conceder anistia para quem a fere e mata só serve de estímulo para esse crime. Que o boi, a “expansão da fronteira agrícola” a mineração e outras formas de sua depredação, se contenham no ponto em que o dinheiro a sacrifique. A terra vem sendo vítima de uma devastação irracional e irresponsável, denunciada em todo o mundo, que está chegando à fronteira do irremediável. Contribuir para esse desastre, como pretendem esses dois senadores, só agrava o que já está ruim.

*foto destaque de Wilson Dias/EBC

**Procurador aposentado do Estado do Rio Grande do Sul e membro da ONG Acesso, Cidadania e Direitos Humanos.

MAIS QUE UM JOGO | Canto músicas para o Grêmio

Originalmente publicado no site Repórter Popular.

Na quarta-feira do dia 17 de abril, conquistamos o Campeonato Gaúcho de futebol masculino em casa e em cima do nosso maior rival. Poder ver o Grêmio de perto, apoiar, cantar e pular foi sensacional, mas há tempos que algo no Gre-Nal nos incomoda: os cânticos que se referem aos torcedores colorados como macaco e puto ainda são recorrentes na torcida gremista . A mudança de postura e a compreensão dos preconceitos envoltos nessas músicas é urgente e nem a eliminação da Copa do Brasil de 2014 (quando o Grêmio foi punido por conta de ataques racistas da torcida contra o goleiro Aranha) foi suficiente para mudar esse cenário. Também faz tempo que buscamos contrapor essa lógica racista, machista e homofóbica. Por isso, na última semana, o Grêmio Antifascista lançou a campanha Não canto música racista, homofóbica ou machista: canto músicas para o Grêmio, fruto da construção coletiva do 2º encontro do movimento, que aconteceu no dia 06 de abril.

A campanha quer trazer a reflexão sobre o problema que são os cânticos racistas, machistas e homofóbicos na torcida tricolor, para demonstrar que não precisamos de preconceito para torcer para o nosso Grêmio. A campanha é composta por diversas ações e a 1ª foi lançada na última semana, convidando a todas e todos que concordam com a ideia a tirar foto com a placa (foto abaixo) – em casa, na rua, no estádio –, enviar e postar nas redes para que a passagem se espalhe o máximo possível. Além disso, a 2º ação já foi iniciada com a adesivagem da Arena e entorno, sempre buscando que o maior número de pessoas possa ler e refletir sobre o que estão cantando dentro dos estádios.

(Adesivo da campanha próximo ao Estádio Olímpico | Foto: Grêmio Antifascista)

Quem quer colaborar, continue acompanhando a página e interagindo com a gente para saber as próximas ações, além de comparecer no próximo encontro do movimento em maio! É válido sempre lembrar: somos azuis, pretos e brancos. Cantaremos para o Grêmio, sem colocar termos racistas, homofóbicos ou machistas… afinal, o Grêmio é o clube de todos/as!

Movimento Grêmio Antifascista

MAIS QUE UM JOGO – Palestina livre!

Originalmente publicado no site Repórter Popular.

Em dia histórico, a Frente Inter Antifascista preparou uma recepção à comunidade palestina do estado e aos torcedores do Palestino do Chile, no jogo pela Libertadores na última quarta feira (10/04). Esse encontro foi possibilitado pela Direção do Clube, que cedeu o Parque Gigante, e pela articulação da torcida Colorada, incluindo representantes da Popular, Camisa 12 e Nação Independente. Após o encontro festivo, os visitantes foram escoltados pela torcida Colorada até o estádio – sem o auxílio da BM -, o que resultou em outro momento de confraternização, sem nenhum registro de violência. Mais tarde, durante a partida, muitas bandeiras da Palestina, a sinalizar a solidariedade de grande parte da massa vermelha ao povo irmão da Palestina. A Frente Inter Antifascista soma-se aos gritos de Palestina Livre frente ao terror de Estado perpetrado por Israel e EUA.

Viva a união dos povos, Viva a Palestina Livre!

Frente Inter Antifascista