Arquivo da categoria: Cultura

Ponto de Cultura Ventre Livre está de volta!

Após intensa luta, finalmente será possível dar sequência efetiva ao projeto Ventre Livre! Neste mês, após 4 anos de espera pelos repasses de conveniamento com o Governo do Estado, dezenas de Pontos de Cultura reiniciaram suas atividades em vários municípios do Rio Grande do Sul. E com o Coletivo Catarse não foi diferente. A partir do final desta semana, início da semana que vem, passarão a ser divulgadas as programações de oficinas e demais atividades do Ponto.

A equipe gestora passou o mês ajustando tudo para início em novembro, fazendo hoje o relançamento do site e remodelando a identidade visual do Ventre Livre à nova conjuntura.

Fique atento aos canais do Coletivo Catarse e ao site pontodeculturaventrelivre.com.br. Vai lá conhecer o que já foi feito!

Criaturas de sombras e luzes, sonhos tridimensionais

Estreou no final de semana, em 4 e 5 de outubro, o espetáculo Criaturas da Literatura – mais uma obra da Cia Teatro Lumbra. Um trabalho que traz 6 histórias que – se não todas – em grande parte povoaram a imaginação de hoje avós, antes pais e agora, por que não, filhos. Em imagens de sombra-e-luz, é possível ver – e tocar! – em Alice, aquela do país das maravilhas, Pinóquio, um pequeno Príncipe, Moby Dick(!), Dom Quixote e o temível Drácula. São 6 narrativas muito bem amarradas, que pincelam histórias clássicas e que estimulam àqueles que as conhecem a revisitar seus empoeirados livros antigos, mas, principalmente, causam euforia em crianças que já viram ou ouviram essas histórias e que ficam literalmente loucas para entender como a peça acontece.

Uma técnica totalmente artesanal engloba a plateia, faz sair do pano as sombras, tridimensionalizando as ações – agora, não são apenas operadores de bonecos que fazem as sombras, mas Alexandre Fávero e Têmis Nicolaidis, os protagonistas, também são atores. Eles jogam as sombras e as luzes nas paredes, no teto e, em um determinado momento, estes personagens agarram um pano em que se projeta uma imagem e a fazem voar por sobre a plateia, que timidamente levanta as mãos para tocar naquela criatura como se tocasse nas páginas do livro em seu colo, imaginando fazer parte daquele sonho…

E isso não se torna somente no estímulo a todos conhecerem histórias fantásticas, revisitarem seus livros, adquirirem novos, a Lumbra faz com que o aparelho celular altamente tecnológico, talvez conectado a óculos de realidade virtual, se torne obsoleto. Uma boa dose de criatividade e um talento coletivo simples – mas muito bem pensando – fez com que se tridimensionalizassem sonhos e personagens fantásticos!

Criaturas da Literatura segue em cartaz no teatro do Instituto Ling (Rua João Caetano, 440), em Porto Alegre, nos dias 18 (14h), 19 (16h), 25 (14h) e 26 (16h) de outubro. Para ingressos e outras informações, acesse www.institutoling.org.br.

Sobre a Cia Lumbra, acesse www.clubedasombra.com.br.

*fotos da divulgação

Negra Jaque lança álbum Diário de Obá

Ouça o disco completo no Spotfy – aqui.

Um lugar no mundo. É isso que Negra Jaque canta.

Um lugar onde a mulher negra possa caminhar lado a lado com todas as outras, que possa, por mérito, por dedicação, mas mais ainda por oportunidade, ver sua vida andar pra frente, ser reconhecida e ter sua voz e seu lugar de fala respeitado.

Em seu novo trabalho, DIÁRIO DE OBÁ, Jaque traça essa trajetória e apresenta Obá, mulher orixá ancestral símbolo da mulher brasileira com toda sua força resistência e beleza.

*texto retirado da divulgação do lançamento em show dia 04/10 – infos aqui.

Rede de Artistas faz vigília pela vida dos espaços culturais públicos de Porto Alegre

Leia o Manifesto da Rede MOVE:

LUTO PELO TEATRO!

Em DEFESA DA VIDA dos Espaços Culturais!

Porto Alegre, cidade que se orgulha de sua variada produção cultural, tem testemunhado o fechamento de teatros tradicionais e o sucateamento de espaços culturais. O Teatro de Câmara Túlio Piva, o Centro Cenotécnico e a Usina do Gasômetro encontram-se fechados e sem previsão de abertura; a construção da Terreira da Tribo e do Teatro Elis Regina permanecem só na promessa. O Auditório Araújo Vianna foi entregue à iniciativa privada e se tornou um espaço inacessível aos artistas locais.

Arte e cultura são fundamentais para toda a sociedade. Criam diálogos, confrontam ideias, produzem experiências de encontro com o outro. Ajudam a diminuir o índice de violência e colaboram na promoção da SAÚDE e o BEM-ESTAR SOCIAL. A cultura também faz parte da ECONOMIA das cidades, com geração de empregos e receita, incluindo diversos setores como técnicos, restaurantes, serviços de segurança, limpeza, turismo, entre outros.

MOVE – Rede de Artistas de Teatro de Porto Alegre

Se a cultura perde, perdemos todos e todas.
Apoie esta causa, ela também é sua!

Acompanhe a programação dos espetáculos ligados a MOVE pelo site: https://www.redemove.com.br
#redemove #movepoa #moveteatro

MOVE – Rede de Artistas de Teatro de Porto Alegre

Os ucranianos da Jinjer em Porto Alegre

Na última quinta-feira, 6 de dezembro, a capital dos gaúchos recebeu, num evento da Abstratti Produtora, o show da banda ucraniana Jinjer, que excursionou pela América Latina nos meses de novembro e dezembro.

Mas quem é Jinjer?

Eles são uma banda de um país desmembrado da antiga União Soviética, no qual, hoje, a direita está no comando – e uma direita bem aos moldes estadunidense/israelense -, e uma onda fascista vem crescendo cada vez mais. Ou seja, um país mergulhado em crise já faz alguns anos (hmm… essa história parece bem familiar), e há uma disputa política explícita entre Rússia e União Europeia/EUA bem feia.

Mas onde a banda Jinjer se enquadra nisso? Pode ser no fato de a vocalista Tatiana Shmailyuk ser vegana e atéia, ou com suas letras mesmo não sendo diretamente de cunho politico, mas com sentido bem contestador contra certas opressões, e até mesmo em algumas entrevistas ela ser a favor de uma sociedade sem fronteiras, mais humana e igual – isso faz pensar que eles possam ser enquadrados em uma posição mais para a “anarcoesquerdopatia”…

Também pesquisando um pouco mais sobre a banda nesse contexto político, descobre-se que, em 2015, eles participaram de festivais na Rússia, onde foram muito bem vistos e notados, mas, ao retornar para a Ucrânia, uma onda de nazifascistas começou a perseguir e ameaçá-los, inclusive tendo alguns shows cancelados.

Mas a banda vem numa crescente desde sua estreia em 2009, sendo notada e arrecadando críticas positivas e trilhando caminho sem medo de se reinventar a cada álbum lançado – mesmo que pareçam estar em busca do seu metal, pois fazem um estilo heavy metal progressivo, rápido, melódico e agressivo ao mesmo tempo, com pitadas de groove e reggae que se escutam nos sons.

E Porto Alegre pode conferir o porquê deles serem uma banda que vem se destacando na cena metal, com seu power trio instrumental fenomenal, preciso, cheio de técnica e rápido com muita energia. O baixista é um monstro e, ao mesmo tempo, chamava o público pro agito. E o vocal da Tatiana?! Até parecia que se estava escutando o álbum direto do CD, uma voz linda que oscilava do vocal limpo e cantado aos grunidos rasgados, uma front womem de respeito.

Sobre o show, foi fácil notar a falta de “pogos” e “circle pits”, houve alguma coisa muito tímida e desengonçada apenas – segundo Elisa Diehl Roleziera, agitadora de “pogos”, “os metaleiros não sabem pogar”. De fato, o público desse show foi bem interessante, com alguns metaleiros daqueles que só balançam cabelos, loucos por músicas com técnicas, em outro lado, aquela galera new metal das antigas e uma nova geração afim de pular e fazer roda, e a galera bem da grade, de uma nova safra de frequentadores de shows que apenas levantavam o celular parecendo estar apenas querendo capturar os momentos do show para compartilhar em suas redes sociais e não vivenciar o momento. Isso já virou uma rotina nos shows e às vezes até ajuda a compor fotos… Mas, no geral, foi um público meio morno, mas que interagia com a banda sempre que solicitado.

O repertório preencheu 1 hora, o que pareceu de bom tamanho, afinal, não era uma dessas superbandas – mas quem esteve presente com certeza curtiu, pois o som estava lindo, alto e se conseguia ouvir perfeitamente os vocais e a pressão do instrumental sem agredir os ouvidos, isso é uma maestria que poucos operadores conseguem realizar em uma banda de som pesado.

O único ponto baixo mesmo do show e que certamente a banda não curtiu nem um pouco foi o fato do seu merchandising ter ficado preso no Uruguai…

Jinjer em Porto Alegre

(clique nesta foto  para ir à galeria)

*texto e fotos de Billy Valdez
**um agradecimento especial à amiga fotógrafa Aline Jechow, que emprestou um cartão de memória, porque o cabeção aqui foi para o show sem conferir seu equipamento