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Porto Alegre Hardcore


A noite do dia 16 de junho era pra ser um encontro de alguns integrantes do Coletivo Catarse, responsáveis pelo Heavy Hour, no show coletivo no Go Brew, prestigiando a cena local e celebrando a Hempadura, banda do Billy Valdez (integrante mais calado e mais hardcore do power trio formado ainda por Gustavo Türck e Marcelo Cougo). Porém, o verdadeiro heavy hour está à solta nas ruas de Porto Alegre, e dois dos nossos colegas foram assaltados antes dos shows e não puderam comparecer. Coube a mim fazer a representação e a resenha do espetáculo. Claro que não estava numa boa e depois de remoer a merda que tinha acontecido com os amigos me fui para o local.

Cheguei no final da apresentação da Renascida e não pude curtir muita coisa. De qualquer forma, é bom dar um destaque pra gurizada de Canoas que está desde 2012 na estrada. Aqui um vídeo deles:

Antes ainda, teve a Outra Providência, dos extremos (Norte e Sul) de Porto Alegre, mandaram seu hardcore mais cruzão, que podemos sacar um pouco através do videoclipe de Ruas Vazias:

A banda Troll, formada pelos experientes Rodrigo Ruínas (vocal), Phil Barragan (guitarra), Cássio Quines (bateria) e Isaías Fussa (baixo), trouxe peso, velocidade, reflexões existenciais e alegria de estar no palco, ajudando a espantar os demônios do frio e do medo que assolavam minha alma naquela noite. Foi muito bom ouvir e ver a banda em ação. Muito bom bater um papo com o Rodrigo e ver que a música também ajudou a espantar os diabinhos que nele habitavam – e que a arte é um caminho pra expressão de vida. Vida longa pra Troll, e espero que em breve possamos ter registrados alguns dos petardos que foram detonados nesse show.

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Troca rápida de palco e chega a hora da Hempadura. Começando com Tradados como Gado e na cola, Cidadão de Bem, seguindo com uma sequência devastadora, como a vigorosa e necessária 5 tiros, que, ao vivo, impressiona ainda mais, além de alguns clássicos de outros registros fonográficos tipo Palanque de Mentiras, Proletariado e Mercado da Morte. A banda nos brindou com um momento especial, quando convidaram Átila Velasquez, mestre do rap freestyle, para reproduzir o clima de Sorria, RAP gravado no mais recente álbum Artigo 331. Mais uma letra fundamental nesses tempos de fake news (que de news nada têm, visto que a mentira e a manipulação sempre foram importantes armas usadas pela mídia a favor dos poderosos). Em cima do palco, uma gurizada nova e ligada nas mensagens diretas da Hempadura, banda cada vez mais madura. Na plateia, a resposta foi das melhores com muita empolgação e refrões cantados com vontade. Hempadura foi pro jogo com Billy Valdez, no baixo e backing vocals, Bodão Artenula, nas guitarras e vozes, Kalleb Sanches, nos vocais e cada vez melhor no palco, e o raçudo Ériton Castilhos, na bateria, que, mesmo lesionado, fez o hardcore correr pesado, no seu kit sem tons.

Depois dessa demonstração de arte engajada, vieram aqueles que eram a grande atração da noite, Ponto Nulo no Céu, direto de SC, fazendo seu som pesado e melodioso, muito bem tocado e com grande interação e interesse do público, que enchia a casa e certamente saiu muito satisfeito com tudo o que viveu aquela noite. Banda com estrada longa, trabalho consistente que se reflete no palco e deve servir de exemplo a quem segue esse caminho: perseverança e trabalho constante!

Parabéns para os envolvidos, o trabalho da The Warriors Prod, o pessoal do som, que só pecou um pouquinho no baixo, muito baixo, em meio ao caos sonoro que se instala nesses eventos. Parabéns também para a galera que compareceu e se portou muito bem, atenta ao que rolava no palco, dando aquela moral pra quem se esforça tanto na produção de cultura em Porto Alegre.

Aster – Krisis (Vídeo Oficial)

Realização – Catarse Coletivo de Comunicação
Direção e Produção: Billy Valdez, Alan Chaves e Aster
Roteiro: Sergio Azeredo
Imagens, Montagem, Color Grading e Finalização – Billy Valdez

Audio gravado no Estúdio Chadam 606
Mixagem e masterização por Claudio Oderich
Arranjos e Letra: Aster
Produção musical: Aster e Claudio Oderich

Músicos:
Voz – Felipe Arnt
Bateria – Breno Nunes
Guitarra – Magaiver Oliveira
Guitarra – Sergio Azeredo
Baixo – Vini Fernandes

Apoio:
Minor House
Coletivo Catarse
Billy Valdez
Chadam 606

Agradecimentos: Wagner Sampaio Alves, Bruna Nunes, Aline Tesser, Carine Marques, Reverse, Adriano Côrtes (Rafael e Esposa), Camila Fleck, Tomazzoni Reativos, Vitor Fernandes, Alessandra Machado Cesar, Gabriel Pozza, Stephanie Nunes, Rodrigo Dias DBira, Murilo Reis, Carolina Leão, Kami Kühn, Douglas Flores, Rafael Souza, Jéssica Jesuino, Guilherme Teixeira, Natha (chefe), Filipe Rafael, Juliana Marques, Caroline Rolim, Alan Chaves e Billy Valdez.

 

A força que está com eles

A Polônia é o país de Karol, que propagava que Igreja e Religião não se misturavam… Claro, desde que a mistura não fosse a do outro, a do que pensasse diferente.

Polônia, América do Sul… Universos diferentes e tão próximos nessa disputa.

Numa dessas noites, estive no Opinião, clássico espaço de shows de Porto Alegre, com a cabeça sempre cheia dessas conjecturas políticas. Vivo no Brasil, sempre curti o assunto, nunca deixo essas questões de lado. Confesso ter modificado minhas relações pessoais por causa de política – lembro de já ter dito isso aos quatro ventos, levo o lance a sério. Em rápida conversa com alguns velhos e queridos companheiros de tantas aventuras metalísticas, velhas bandas, velhas Oswaldos, ouço a fatídica sentença de que amigos de longas datas, essas amizades, não deveriam ser transformadas por questões de diferenças políticas. O que importaria acima de tudo seria a música – Karol também dizia isso, que metafísica e realidade não se misturavam. De qualquer forma bateu… Refleti, reflito. Deixei de falar com diversas pintas. Algumas mais especiais que outras, por motivos também especiais.

Mas será que eu passaria boa parte desse show pensando nisso? Parecia adequado filosofar sobre amizade, política, egos, vaidades, mais um monte de coisas… Enquanto via a Vader fazer sua apresentação!

Putaquiupariu!!! -> xingamento machista on

Foi um desafio pensar em qualquer coisa que não fosse a sonzera que tava rolando, com uma luz muito legal, um som porrada, bem equilibrado, pesado, rápido, totalmente de acordo com o que eu esperava em um evento da Abstrati – falo bem mesmo! É um monte de contribuição importante dessa produtora pra quem gosta da cultura do rock pesado.

Sobre a Vader em si, eu já havia escutado alguns sons da banda por vezes. Curti, achei bem tocado, metal, essas coisas.

Mas a banda ao vivo é fantástica!!! Emociona!

Eu fico sempre muito eufórico em ver músicos de metal tocando tanto, tudo juntinho, técnicos – bases, performance bacana, bate-cabeça, aquela beleza do peso e das luzes vermelhas, aquele velho sentimento… Foda! Nunca fui fã dessa banda, então, quase tudo soava como novidades e coisas bem feitas, solos divididos entre um e outro guita, fraseados, arpegios e hammer ons, alavancadas… Aquilo tudo que a gente gosta bem. O guita-vocal é um fenômeno! Canta muito, com ótimas divisões de vocal (flow?) e um timbre muito bom pro estilo.

A galera presente era de um misto de pessoas mais velhas – que nem eu – com outras mais novas. Cabelos curtos, cabelos compridos. Nenhuma roda se formou. As mãos sempre levantadas com chifres e muitas respostas quase empolgadas às palavras em português – usuais na performance do nosso grande Piotr “Peter” Wiwczarek, guitarra, vocal, fundador e certamente um maluco pelo metal na Polônia e em qualquer outro lugar do mundo, como aqui em Porto Alegre, maio de 2018.

Entramos, eu e Billy, um pouco depois das 19:30. Portanto, depois do show de abertura da Dying Breed. Falando com André Meyer, vocal da Distraugth, um dos velhos companheiros de empreitadas metálicas por esse “mundão” de Porto Alegre, fiquei sabendo que o show de abertura foi foda – som muito bem equalizado e que a banda fez por merecer a honra de abrir para os Monstros Poloneses. Isso é bom! Que sigam fazendo seu som em palcos por todo esse Planeta que a cada dia se torna cenário mais que perfeito para o som extremo.

O Vader começou assim também e, hoje, toca em turnês, grava, cria arte, vive o metal. Fazer Death Metal na Polônia da década de 80 do século passado era um ato político. Fazer Death Metal no Brasil ou em qualquer parte desse mundo também é.