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Relatos do XI Congresso Brasileiro de Agroecologia

Está acontecendo o XI Congresso Brasileiro de Agroecologia. O evento – que está sendo realizado na Universidade Federal do Sergipe, no município de São Cristóvão – começou no dia 4 de novembro e vai até o dia 7 deste mês.

Leonardo Melgarejo, presidente da Associação Brasileira de Agroecologia, está participando do evento e enviou dois relatos do que tem presenciado.

No primeiro áudio, Melgarejo apresenta o evento, com mais de 4 mil participantes e 2300 trabalhos científicos no campo da Agroecologia. Depois, relata o acompanhamento da reunião nacional do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos.

No segund, Melgarejo relata o painel que discutiu a contaminação das sementes orgânicas. Somente no semiárido, foram identificadas 1800 variedades de sementes próprias mantidas pela agricultura familiar e orgânica. Porém, a contaminação vem avançando de maneira muito rápida. Estima-se que já alcance cerca de 40% destes bancos de sementes.

Ações na justiça federal questionam Licença Prévia do Projeto Fosfato

Nessa terça-feira, 5 de novembro, uma série de documentos foram entregues na procuradoria do Ministério Público Federal de Bagé. A AGrUPa (Associação para Grandeza e União das Palmas) entrou com um inquérito civil, o Comitê de Combate à Megamineração no RS enviou um ofício, e o Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH-RS) encaminhou uma moção de repúdio.

Os diferentes documentos questionam a Licença Prévia (LP) para o Projeto Fosfato Três Estradas – de mineração de fosfato em Lavras do Sul -, emitida pela FEPAM no dia 16 de outubro deste ano. “Nosso intento é que o MP peça a revogação da LP”, declarou Vera Colares, presidente da AGrUPa.

Após participar da reunião com a OAB e o MPF em Bagé, em que foram protocoladas as ações, Vera respondeu algumas perguntas da reportagem por Whatsapp.

Segundo ela, um dos argumentos levantados pelo inquérito civil entregue para a procuradora Amanda Gualtieri Varela foi a ausência de Audiência Pública em Três Estradas – região diretamente afetada pelo empreendimento –  e no município de Dom Pedrito. Moradores das duas localidades fizeram pedidos de Audiência Pública por meio de abaixo assinado e não tiveram respostas.

Outros pontos levantados no documento da AGrUPa foram em relação ao Rio Uruguai e as ações de divulgação do Projeto Fosfato com informações que contradizem a própria LP. Sobre o rio, argumentou-se que, como o empreendimento está situado nas cabeceiras dos rios Taquarembó e Jaguari, que desaguam no Rio Santa Maria e depois no Rio Uruguai, a questão deveria ser tratada também pelo direito internacional.

Já sobre as recentes divulgações por parte da empresa Águia, o documento denuncia: “Após a emissão da Licença Prévia, passaram a ser divulgados vídeos nas redes sociais do Projeto Fosfato, com afirmações dos técnicos responsáveis de que o Projeto será ‘sem uso de recursos hídricos’ e ‘sem barragem de rejeitos’. Essa informação encontra-se em desacordo com os documentos acostados no processo eletrônico de licenciamento, no qual nada consta sobre alterações no projeto”.

O ofício entregue pelo Comitê de Combate à Megaminearção no RS, além de reforçar estes pontos, levantou também a questão da barragem Jaguari Taquarembó – um polo de irrigação que está sendo construído 70 km abaixo da Barragem de Rejeitos prevista na LP do Projeto Fosfato. De acordo com o Documento, a Barragem de Rejeitos prevista para Lavras – que tem o dobro do volume da barragem da Vale que se rompeu em Brumadinho – também ameaça o abastecimento público de Rosário do Sul e a praia de Areias Brancas, ponto turístico rosariense.

Por fim, segundo a Moção de Repúdio do CEDH-RS, o EIA RIMA do Projeto Fosfato “desconsiderou totalmente a presença de Povos e Comunidades Tradicionais, de assentamentos da reforma agrária e de comunidades urbanas e rurais da região”. Com isso, o estudo teria contrariado determinações da Constituição Federal de 1988, da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, do Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU, do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos da ONU e da convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

João Bettervide, presidente do COMDEMA (Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável e do Meio Ambiente)  e coordenador da Comissão do Meio Ambiente da OAB-Bagé, expressou a preocupação das organizações com a liberação da LP. Bettervide, que esteve presente na reunião com o MPF de Bagé, declarou: A finalidade da reunião era tomar ciência da situação, oferecer a contribuição dos órgãos lá representados no sentido de evitar danos irreparáveis, seja na área ambiental, social  ou econômica”.

A partir de todas as informações entregues, a expectativa dos envolvidos é que as instituições jurídicas atuem em defesa do ambiente e das pessoas, escutando os alertas das diversas organizações e pesquisadores.

A resistência contra a mineração nas Três Estradas

Em uma terra de campos ondulados cobertos por capões de mato, pecuaristas familiares lutam em defesa do seu modo de vida e do ambiente. A ameaça vem por parte da empresa australiana Águia Fertilizantes, que busca minerar fosfato na região.

A peleia se desdobra na zona rural de Lavras do Sul, em um distrito chamado de Três Estradas. É lá- nas nascentes do arroio Taquarembó, afluente do rio Santa Maria- que gaúchos e gaúchas valentes ousam romper o silêncio imposto pelo poderio econômico da mineradora.

A situação do Projeto Fosfato é critica: no dia 16/10 a FEPAM emitiu a Licença Prévia, a primeira das três licenças ambientais que o empreendimento precisa. Além disso, os moradores da região diretamente afetada vem sido silenciados. Os poucos que tem coragem de se manifestar estão sendo estigmatizados e hostilizados pelos apoiadores do projeto.

Essa luta precisa de você: conheça, contribua e compartilhe!

Receitas da biodiversidade nativa: geleia de Cereja do Rio Grande

O canto quase incessante dos sabiás anuncia a chegada da primavera. Além da beleza das flores, a estação oferece também diversos frutos nativos. Jabuticabeiras, Pitangueiras e Cerejeiras do Rio Grande (ou do Mato) são alguns exemplos de espécies de árvores que nos brindam com estes alimentos saborosos, nutritivos e medicinais sem cobrar nada.

Mesmo no contexto urbano, essas frutas são extremamente abundantes. Porém, não duram muito. Amadurecem rápido com o calor e são derrubadas das árvores pelos ventos fortes ou tempestades. Infelizmente, uma boa parte deste banquete a céu aberto acaba apodrecendo nas calçadas.

Seja por falta de tempo e disposição para a colheita, falta de informação, ou mesmo receio de comer frutos da rua, acabamos desperdiçando alimentos que fazem bem para o nosso corpo e para o ambiente.

No entanto, com um pouco de organização própria se pode aproveitar melhor estes recursos alimentícios que estão ao alcance de todos nas ruas da capital dos gaúchos – e de tantos outros lugares. Observando os ciclos de cada espécie, pode-se coletar o máximo de frutos. Fora subir nas árvores escalando ou usando escadas, é possível usar redes ou lonas pra capturar as frutas que caem naturalmente.

Além disso, existem diversas maneiras de se preparar alimentos de maior durabilidade e que podem inclusive ser usados para difundir as frutas nativas entre as pessoas que evitam comê-las direto do pé. Vale citar sucos, polpas, geleias, compotas, cachaças e licores.

Nesse último fim de semana, foi possível testar uma dessas receitas que aqui se compartilha: a geleia de Cereja do Rio Grande. Extremamente fácil de fazer, exige apenas água, cerejas e um pouco de açúcar.

Para quem não conhece, esta cerejeira nativa é uma árvore bem característica. Seu tronco mistura tons de branco, cinza e verde. Suas folhas são pequenas e verdes, parecidas com as da pitangueira.

Os frutos, que amadurecem entre outubro e novembro, são carnudos e suculentos, indo do vermelho ao roxo. Os vermelhos têm um pouco mais de acidez, enquanto os roxos são mais doces.

Após colher as cerejas e lavar, retire os cabinhos verdes. Depois, corte o fruto e retire a semente. Coloque os frutos em uma panela e adicione água até cobrir. Deixe derreter com o calor.

Assim que os frutos estiverem derretidos, adicione o açúcar e mexa para não grudar no fundo da panela. Recomenda-se usar meia xícara de açúcar Demerara para a quantidade de frutas da foto acima (alguns sites recomendam não usar açúcar mascavo, pois tem um sabor muito forte).

As quantidades podem variar, frutos mais maduros significam que você pode colocar menos açúcar. Usar a intuição e ir provando são dicas boas pra acertar na medida sem precisar de uma balança.

Depois que engrossar e ganhar consistência, está pronto. Desligue o fogo, deixe esfriar e guarde em potes.

Simples assim! Com um pouco de tempo e esses ingredientes, pode-se fazer um alimento delicioso, nutritivo e característico do ambiente nativo de sua região. Usando a criatividade e organização, é possível aproveitar muitos desses frutos que acabariam apodrecendo em alguns dias.

Neste sentido, uma iniciativa muito interessante é o Projeto Frutas Nativas de Porto Alegre, do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (INGA). Além de apresentar informações mais detalhades e técnicas sobre as cerca de 50 espécies nativas com frutos alimentícios na cidade de Porto Alegre, o projeto conta também com um mapeamento dessas frutas.

30 anos da FAE, sábado (19), vai ter Rádio Feira!

Neste sábado, 19 de outubro, será o grande dia de comemoração dos 30 anos da FAE – Feira dos Agricultores Ecologistas. E a abertura desta festa busca fazer referência à forma como a 1ª Feira Ecológica do Brasil foi formada: através da união de ideias e esforços de agricultores familiares, ambientalistas e moradores da cidade que sonharam com um espaço de comercialização de alimento saudável e produzido de forma sustentável na capital dos gaúchos.

Com vasta programação, as atividades serão permeadas com uma transmissão ao vivo realizada pela equipe do Coletivo Catarse, a Rádio Feira, no ar das 8h às 12h!

Confere mais informações no Face da FAE: https://www.facebook.com/events/496386197868468/