Coletivo Catarse na produção do DVD da Alabê Ôni

Alabê Ôni é um grupo percussivo, de raiz africana (no sangue e na cultura), que se reuniu pra agregar as manifestações dos tambores que tocam historicamente no território que se reconhece politicamente como sendo o Estado do Rio Grande do Sul.

Alabê Ôni é também yorubá, uma expressão que, mais ou menos, dependendo da interpretação, significa “nobre tamboreiro” ou “grande mestre dos tambores” – acima de tudo, uma homenagem dos músicos Richard Serraria, Walter Pingo, Kako Xavier e Mimmo Ferreira à ancestralidade assaltada da África e que resistiu por séculos em terras distantes.

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Mimmo Ferreira, Richard Serraria, Walter Pingo e Kako Xavier.

Aqui no Rio Grande do Sul, é possível entender bem essa história através do documentário em longa-metragem O Grande Tambor, produzido pelo Coletivo Catarse e que teve Richard Serraria também assinando a trilha sonora (juntamente com Lucas Kinoshita e Marcelo Cougo). “O Alabê Ôni é uma continuação do O Grande Tambor. Nosso personagem principal é o Sopapo, matriz do samba gaúcho, que agora também conta com outros elementos pra expor sua contribuição nos toques da religiosidade afrodescendente e se encontra com o maçambique do nosso litoral e o candombe uruguaio de uma terra em que a fronteira é apenas imaginária e o território se confunde, como se vê em Santana do Livramento-Rivera” – são palavras de Serraria, enquanto conversa sobre os planos para os próximos dois anos.

Depois de uma rápida e marcante passagem pelo Brasil Rural Contemporâneo, em palco montado no Rio de Janeiro em novembro passado, este grupo recém-formado se apresentou sem muito alarde em Porto Alegre e Pelotas e já se prepara para 2 anos de uma turnê que passará por todos os estados do Brasil. Um projeto de 60 shows no norte e nordeste, em 2013, e outros 60 no sul, sudeste e centro-oeste, em 2014, que ecoará o grave do Tambor de Sopapo e que promete mostrar a todo o país, afinal, a matriz africana da cultura rio-grandense, tão escondida pelas teorias do positivismo, que teimou insistentemente em vender a figura de um gaúcho “limpo”, branco e viril.

A verdade é que o Tambor de Sopapo e os outros tambores de outros toques estão intrinsicamente ligados à história do Rio Grande do Sul e são, sem sombra de dúvida, as mais legítimas manifestações culturais emanadas do chão e do sangue derramado neste estado. A Alabê Ôni, pelas mãos desses músicos que a compõem, está aí pra explicitar isso, pela ecleticidade que isso tudo envolve e pela importância de uma religiosidade que aflora no rufar dos tambores.

E o Coletivo Catarse está inserido nesta com a produção do DVD que vai acompanhar a banda na turnê nacional, com gravações marcadas para março e finalização em meados de abril. Um trabalho que já se iniciou em janeiro deste ano, com a gravação de seis faixas (Adarun, Aré Bará, Milongón, Glefê – Giba Gigante Negão, Cantos de Maçambique, No Meio da Praça e Alabê) no estúdio A Vapor, em Pelotas (clique aqui para ver matéria do Diário Popular), e com a pré-produção e mixagem, agora, em fevereiro, também em Pelotas.

Confira uma das músicas do projeto:

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Axé!

Kako Xavier observa o espectro do grave do Sopapo.

Kako Xavier observa o espectro do grave do Sopapo.

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O músico Leandro Maia esteve na Casa do Tambor, na praia do Laranjal, pra ajudar na avaliação das mixagens das músicas.

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Um dos maiores desafios é manter a fidelidade dos graves absolutos do Tambor de Sopapo nos processos de mixagem e masterização.

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A clássica participação de Richard Serraria na RádioCom, em Pelotas, divulgando os trabalhos da Alabê Ôni.

Fotos: Gustavo Türck/Coletivo Catarse

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