O futebol feminino

Simples assim. O futebol feminino (ou feMENINA, como minha pequena sempre diz).

Num fim de semana de Grenal num grande estádio da capital, lá em Gravataí, um jogo decisivo acontece horas antes. Um time de massas, aqui de Porto Alegre, contra outro mediano, mas figurante do cenário principal do futebol nacional, lá de Belo Horizonte.

Duas treinadoras mulheres, duas bandeirinhas, 22 jogadoras fardadas, um juiz homem. Cerca de 700 pessoas nas arquibancadas.

O apito soa, a bola rola, a vontade impera.

O jogo é bom, as mineiras com grande capacidade e aplicação tática, quase superam uma linha de quatro habilidosas atletas da equipe gaúcha – a 9, a 8, a 7 e a 10.

A arqueira da casa faz um milagre na primeira etapa, o empate é dela. No segundo tempo, a tensão aumenta, mas as gaúchas dominam um jogo truncado, disputado, mas com vários momentos de virtuosidade das craques sulinas.

A treinadora local então ousa, tira a lateral esquerda, que esteve bem na primeira parte do jogo, e coloca uma atacante, puxando a camisa 9 para a ala. O time fica mais ofensivo, mesmo precisando apenas que a igualdade impere.

E a bola bate no travessão! Passa perto ao lado! Agora pelo outro lado, triscando o pé da trave das mineiras!

Minha companheira pula de nervosa na arquibancada, está torcendo! Nunca a vi torcer!

Nossa pequena achou uma amiguinha, toda fardada também. No meio de suas brincadeiras de criança, uma parada para conferir quem está saindo de maca e por quê. Chega no alambrado, observa atenta. A senhora ao lado, tragada pelos seus cigarros, mais de 70 anos, por óbvio que parecia, passou a berrar ao final do jogo, também incentivando as guerreiras em campo.

Agora, com o tempo passando, a luz se indo no horizonte, a classificação mais próxima, a torcida canta mais alto. A murga está presente, as pequenas não brincam mais, elas cantam!

Sim! É uma partida de futebol!

As cores dos times não importam, mas o gênero, SIM!!!

*por Gustavo Türck

Resistência Kaingang: O fim do Ore xá (o fim do barro preto)

Em setembro de 2018, o território Kaingang Ore Xá (Barro Preto), da comunidade de Kandóia, em Faxinalzinho-RS, já se encontrava em plena devastação pelo agronegócio. Mas ainda era possível encontrar resquícios de mata no local – e barro… Junho de 2019, mesmo local. Os ruralistas avançaram na destruição do território Kaingang sem que nenhum tipo de fiscalização fosse realizado, derrubando a pouca mata que ainda restava. Porém, o Ore Xá ainda resiste. Na terra estuprada pelo rodado do trator, a juventude Kaingang homenageia seus ancestrais com cantos e danças. Ainda que, só por hoje, o Barro Preto retorne aos Kaingang.

Este é mais um teaser do Projeto Resistência Kaingang. Apoie esta luta! Acesse e contribua com a Vakinha! Clique aqui.

19 DE JULHO NO MEMORIAL DO RIO GRANDE DO SUL, DEBATE COM LUIS SALVADOR, CACIQUE SACI DA TERRA INDÍGENA KANHGÁG AG GOJ (RIO DOS ÍNDIOS)

O Núcleo de Antropologia das Sociedades Indígenas e Tradicionais (NIT/PPGAS-UFRGS) e Museu Antropológico do Rio Grande do Sul convidam para o 2º encontro do I Ciclo de Encontros do Observatório Social das Populações Indígenas da Região Sul.

Luís Salvador, mais conhecido como “Saci”, é cacique da Terra Indígena Kanhgág ag Goj (Rio dos Índios, Vicente Dutra – RS), e coordenador do Movimento Indígena do estado do Rio Grande do Sul, na luta pela demarcação das Terras Indígenas.
Hoje, Luis Salvador encontra-se preocupado com a política do governo brasileiro, que avança contra os povos originários, a fim de continuar favorecendo um modelo econômico que, segundo o cacique, “não serve para nenhuma sociedade”.

17h no auditório do Memorial do Rio Grande do Sul: Rua 7 de Setembro, 1020 – Centro Histórico, Porto Alegre.

Heavy Hour 48 – 16.07.19 – Estamos velhos para sermos anarquistas?

Estamos velhos para lutar? Para entender a conjuntura? Para saber o que fazer diante do fascismo eminente? No programa desta semana, recebemos dois anarquistas parcerias, Lampião e Maya, que, junto à colaboração do jornalista e historiador catalão Ricard Vargas, vão trazer à luz a Revolução Espanhola, que completa 83 anos – uma frente anarquista que combateu o fascismo sanguinário do ditador Franco. Não por acaso, também no Estúdio Monstro, o cartunista e artista gráfico Eugênio Neves colabora na discussão, um velho e incisivo amigo do Coletivo Catarse. Na técnica, Gustavo Türck, no meio-campo, Marcelo Cougo (lançando música ao vivo, uma obra de otimismo e superação para as novas gerações), e na linha de frente, comandando a discussão, Clémentine Maréchal – a antropóloga. (arte desta edição, uma pichação sobre ilustração de Eugênio Neves, feita durante a gravação do programa)

Setlist:
Los Dolares – A las barricadas
Dead Kennedys – Chemical Warfare
Dismember – Dreaming in red
Belchior – Como o Diabo Gosta
Abuso Sonoro – Ay Carmela!
Trust – Antisocial