Mobilização contra abusos dos gerentes do Estado aos movimentos sociais

Esse é um vídeo de protesto com registros da repressão policial truculenta na marcha de movimentos sociais contra o preço do alimento e as atuais políticas da governadora, em Porto Alegre, no 11 de junho; do ato público dos movimentos sociais no 19 de junho, em Porto Alegre, com coro de Fora Yeda!; da ação pistoleira da Brigada Militar, durante ocupação popular da transnacional Bunge em Passo Fundo, no 10 de junho; do despejo nunca visto de acampados de terras regulares em Coqueiros do Sul, com imagens do dia posterior à febril falta de humanidade de procuradores, juízes e soldados fortemente armados, no 18 de junho; e umas perguntas ao coronel Mendes, com críticas ao seu trabalho que muito agrada à governadora de criminalização do MST.

Mas a maioria da população é inerte a esses acontecimentos. O racha ideológico no Estado e a supremacia de comunicação de massa da classe reacionária é sustentado pelo espírito da grana. Quem não tem ou não está correndo loucamente atrás é visivelmente inimigo, e para inimigo se considera qualquer desqualificação tosca como vagabundo, baderneiro, vândalo, terrorista, radical, bandido e pobre, antes de mais nada. A crítica ao MST praticamente não existe, porque o que a ponta-de-lança de manobra Zero Hora escreve e a repercussão que cria não é sobre o MST, é sobre a o “MSTdeles” – as coisas ali naquele jornal são só ataques. Mas quem sente a bala no lombo não esquece. E segue com fé na luta coletiva e na agricultura camponesa.

Marcha do MST

16h05, de 23/06/08.

Os trabalhadores rurais participarão de uma audiência pública no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, às 13 horas dessa quinta-feira 24, para tratar da política de assentamentos no Estado.

“O Trabalhador na cidade está pagando mais caro pela comida porque as terras estão sendo utilizadas para plantar mais eucalipto e mais soja para combustível, diminuindo os alimentos”, afirma Ana dos Santos, da Coordenação Estadual. “Com a reforma agrária, podemos gerar mais emprego e produzir mais alimentos, como os assentamentos da região de Porto Alegre que produzem 2 milhões de toneladas de arroz ecológico”.

A Catarse recebe informações de lideranças do MST de que o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Paulo Mendes, declarou hoje que impedirá a marcha do Movimento de entrar em Porto Alegre, amanhã pela manhã, para a audiência com o Incra.
Veremos, coroné!
[de Jefferson Pinheiro, direto da Marcha]

O início da Marcha

É para ser Barravento.
Na madrugada dessa terça-feira 22, rajadas da massa de ar zuando a 80 km/h trepidaram os tetos de lona preta dos barracos no acampamento Jair Antônio da Costa. Eram vastos uivos com cacetadas maciças de ar e esparsos períodos de chuvisco denso, que por anular qualquer outro som, davam graça ao sono depois de tanto barulho. Foi a noite de temporal que antecedeu o dia de Marcha dos sem-terra no Rio Grande do Sul, com o primeiro deslocamento cumprido da BR-386 em Nova Santa Rita até quase o Centro de Canoas.
5h30 foi dado toque de despertar, não chovia, mas ninguém assegurava que poderia continuar assim. 7h30, nas reuniões definitivas da organização, dos núcleos de base e das caravanas que chegaram de outros acampamentos a decisão foi de que se o tempo se mantivesse firme até a hora da partida, certos os sem-terra estavam de que “com chuva, com vento, queremos assentamentos” – entoavam em coro para deixar claro de que não teria volta a Marcha. Com motivação e sem a Brigada Militar interferir, 9h arrancaram as 2 colunas na pista direita da Tabaí-Canoas, em livre trânsito, e pelos próximos 20 km de asfalto, percorridos em 4h30, por todos os mais de 600 companheiros do MST.

O protesto de ação direta chegará na quinta-feira – 24 de julho de 2008 – à sede do Incra em Porto Alegre, para que Superintendência-RS cumpra o Termo de Ajuste de Conduta (TAC), que assinou há oito meses. O documento também foi assinado pelo Ministério Público Federal, no encerramento da Marcha à Fazenda Guerra, ano passado. Pelo acordo, deveriam ser assentadas mil famílias até abril e outras mil até o final deste ano. Até hoje, necadipitibiribas. Nenhum lote. Só uma área em São Gabriel para 38 famílias foi declarada assentamento. A reivindicação é por respeito, então. Reforma Agrária.
Como o Incra declarou que não fala nada antes de se encontrar com os trabalhadores da Marcha, cabe ao MST as manifestações até lá. Equipe de reportagem do Subverta! com Jefferson Pinheiro na luta ao lado da companheirada. Eu volto para a marcha Canoas-Porto Alegre na quinta-feira 24. Com satisfação de trabalho e fraternidade.

Hoje estão programados encontros com a comunidade, atividades de panfletagem e debates na rua. Agitação e propaganda. Manteremos atualizações a qualquer momento.

Assista trechos da filmagem dessa terça-feira.

Trabalhadores de Canaviais – Série de 5 reportagens

Primeiro episódio registra as condições de vida dos cortadores de cana e suas famílias, que chegam do Maranhão e de outras regiões miseráveis em Guariba – cidade que bóia no mar de cana do interior de São Paulo.

Das históricas relações desiguais da produção, pouca novidade se belisca por lá – permanecem as de sempre: para os cortadores muito esforço e baixo salário, num sistema vicioso de lucro por produtividade, em que quem roça mais também ajuda a entupir mais rápido os bolso do patrão – tudo dentro da lei.

No entanto, o facão da ânsia por grana anda é bem mais afiado, e seu corte botando sorriso na cara de muitos magnatas pelo mundo, dono de ações em bolsa, que não têm a mínima noção da vida que levam Antônios e Franciscos – os seus braços baratos. Aos poucos vai sumindo o rosto de usineiros, na invasão das marcas corporations – as coisa agora são de dimensões das commodities internacionais. Etanol para os carros ecológicos flex mamarem legal nos engarrafamentos metropolitanos da hora do rush. O mundo, dizem seus líderes e idealistas, vai substituir a etapa do petróleo-gozo-fóssil-da-Terra com o suor dos brasileiros. Só isso: money.

Segundo episódio da série Trabalhadores de canaviais, para o quadro Outro OLhar, da TV Brasil, registra denúncia de servidor do INSS da região de Jaboticabal, ao revelar que 30% dos cortadores pedem afastamento no final de cada safra e muitos deles, sem condições de trabalho, não recebem benefícios – a reportagem conversa com um deles: Adão Avelino de Jesus.

Uma boa parte do salário dos cortadores de cana é paga por produtividade. Quem corta pouco ganha mal e não consegue ser readmitido nas próximas safras. Essa pressão acaba levando muitos trabalhadores ao limite do esforço físico.

“Quanto pesa a vida do trabalhador, na balança do mercado?”, perguntávamos na matéria sobre os migrantes que gastam suas vidas nos dentes do canavial. Para os maridos de Maildes e Zenilda, o peso da cana não coube nessa vida. O que elas carregam, desde então, de tão grande é quase insuportável, desesperador.

É sobre as viúvas dos canaviais a terceira reportagem desta série para o quadro Outro Olhar, da TV Brasil:

O trabalhador submetido, explorado até o seu limite pelo patrão e a terra esgotada pela monocultura da cana estão nas três primeiras matérias da série Trabalhadores de Canaviais, que você pode assistir nas postagens anteriores.

A quarta e quinta reportagens que apresentamos agora (só a primeira foi ao ar na TV Brasil) são uma alternativa a este modelo que gera toda a riqueza para um grupo muito pequeno de pessoas, baseada na exploração do homem e da terra, no sofrimento de ambos.

O projeto Catende-Harmonia é um alento, uma esperança e um basta! No interior de Pernambuco, trabalhadores de uma usina que chegou a ser a maior da América Latina, decretaram sua falência, assumiram coletivamente a direção da empresa, transformaram em cooperativa e romperam com uma cultura de exploração do cortador de cana e da concentração de poder e recursos. São a própria revolução. Deram certo. São exemplo.

Catende é considerada uma das maiores experiências brasileiras em auto-gestão e economia solidária. Em terras de reforma agrária, diversificaram a lavoura, preocupados também com o meio ambiente, e melhoraram muito a qualidade de vida de mais de quatro mil famílias. Reinventaram suas próprias vidas, num processo de desenvolvimento humano (mas também econômico) profundo: