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Que toda a corja queime!

Mais uma vez a Hempadura acerta a mão – acerta o grito, acerta o alvo. O clipe Queimem! faz jus ao belo album Artigo 331, recentemente lançado, fazendo bela seqüência ao petardo semiológico 5 Tiros (clique aqui). A montagem é milimétrica, traz referências visuais claras ao que se quer passar de mensagem, a fotografia escolhida segue na penumbra e na obscuridade quente que delineiam o momento atual do Brasil.

Os caras parecem que nasceram para o que vivemos hoje, crescem num ativismo hardcore que se apoia numa excelente música. Queimem! é muito bem produzida, a bateria não é mecânica, não vive de ciclos, tem muita quebrada e retomada, assim como a linha de baixo, mas o destaque fica para a guitarra, que de base passa para um alívio melódico que não deixa o som perder força. E sem comentários para os vocais e para a letra que rege o som – como que Kalleb consegue “gritar” daquele jeito e não soar um mero grito desesperado?! Porque eu, pelo que está acontecendo, estaria às lágrimas, esbagaçando minha voz: QUEIMEM BANDO DE FILHADAPUTAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!!!

Confira também o primeiro Heavy Hour do ano, falando do album Artigo 331:

Texto: Gustavo Türck

Ficha técnica
Produção: Hempadura e Coletivo Catarse
Imagens: Hempadura
Montagem e edição: Hempadura
Direção de fotografia/Finalização/cor: Billy Valdez

Ensaio Fotográfico: Luta e Resistência Kaingang

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Este ensaio fotográfico expressa a relação que os Kaingang que moram em Acampamentos de Retomadas* no Alto Uruguai (Rio Grande do Sul, Brasil) desenvolvem com um território cada vez mais devastado pelos avanços do agronegócio e uma perseguição cada vez mais aguda tanto por parte de alguns setores do Estado brasileiro quanto por parte dos fazendeiros locais.

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A resistência das mulheres e homens Kaingang nesses Acampamentos de Retomadas se manifesta com a força da relação que eles mantêm com os poucos vënh-kagta, “remédios do mato”, que sobrevivem nos desertos criados pela agricultura intensiva.

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Tendo como pano de fundo a ditadura militar e a expansão das fronteiras agrícolas no país, é desde uma perspectiva Kaingang do território que esse ensaio fotográfico relata a história do sul do Brasil. Essa história se manifesta por um lado na memória ancestral de cada erva, casca, folha colhida e por outro na destruição, expressada pela hegemonia de uma paisagem monotemática. A luta nas retomadas dos territórios Kaingang é entendida como uma luta na procura de (re)criação de relações com os seres da natureza, relações que rompem com os modelos de relação com a terra, baseados na produtividade e na concepção da terra enquanto objeto, historicamente impostos nos Postos e nas Terras Indígenas. As araucárias nascendo expressam a relação entre a ancestralidade Kaingang, os processos históricos e coloniais sofridos por eles e um futuro de esperança baseado na procura de uma autonomia política, espiritual e territorial.

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https://memoriaterritorioeperseguicao.wordpress.com/

– fotos por Billy Valdez
*Os Acampamentos de Retomadas são territórios recuperados de forma autônoma pelos Kaingang nas últimas décadas. São chamados de Acampamentos porque, apesar dos laudos antropológicos terem sido realizados e aprovados pela FUNAI, o Estado brasileiro ainda não concluiu a demarcação e homologação da terra e assim a retirada dos fazendeiros ou pequenos agricultores que atualmente moram nessas terras. De esta maneira, nos Acampamentos de Retomadas, os Kaingang são recluídos em espaços de 2 a 4 hectares no máximo.

Heavy Hour 10 – 10.10.18 – A luta antifascista e show da Los Fastidios em Porto Alegre

Galera presente no Coletivo Catarse com alguns participando do Heavy Hour direto, falando do show que virá e da ameaça fascista que impera no Brasil hoje – com Pedro Grilo, Nestor Silveira, Gustavo Moraes, Amanda Rosa, Lucas Martins (produtor da Gira Latino América da Los Fastidios com Juventude Maldita), Joey Ramone (sim!), Bolívar Duarte, Leandro Xota da Estive Raivoso e Léo Britto da Espécime HC, além do Kaleb da Hempadura!