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Um ponto de Crenças a Céu Aberto

Teaser – 2018 – 11min

Sinopse:
Uma pequena amostra de um trabalho realizado com três terreiros de Umbanda de São Leopoldo – suas historicidade, religiosidade e superação.

Ficha técnica:
PROJETO INDICADORES DE BEM-ESTAR PARA POVOS TRADICIONAIS (IBPT) EM TERREIROS DE SÃO LEOPOLDO-RS

Instituições envolvidas: OLMA, NEABI/Unisinos e Terreiros tradicionais de São Leopoldo.

Ficha Técnica do filme Crenças a Céu Aberto

Equipe Coletivo Catarse (filme e entrevistas)
Direção
Marcelo Cougo
Gustavo Türck

Produção
Marcelo Cougo

Assessoria de Produção
Billy Valdez

Entrevistas
Marcelo Cougo
Gustavo Türck
Jefferson Pinheiro

Entrevistados
Terreiro Xângo da Mata Virgem
Pai João Batista dos Santos
Carmen Regina da Silva
Carmen Rosane dos Santos
Daniela Aparecida da Silva

Terreiro Ille Africano Reino de Iemanjá Ogum Abassê Pomba Gira Rainha das Sete Encruzilhadas e Exú Rei das 7 Encruzilhadas
Mãe Elisabete da Silva
Pai Marcos da Silva

Terreiro Ylê de Oxalá
Mãe Adriangela Cabral da Silva

Everson Jaques Vargas

Operação de Câmera
Billy Valdez
Jefferson Pinheiro

Operação de Som
Marcelo Cougo

Edição e finalização de áudio e vídeo
Gustavo Türck

Trilha Sonora Original
Crenças a Céu Aberto
(Serraria & Redenção)
Violão – Marcelo Cougo
Vozes – Marcelo Cougo e Alexandre Mendes (ideia de arranjo vocal de chorus de Guilherme Shwalm)
Cello – Sfinge
Sopapinho – Alexandre Mendes
Direção Musical – Gustavo Türck e Marcelo Cougo
Mixado e masterizado no Estúdio da Lua por Gustavo Türck

 

Equipe NEABI
Professora Dra. Adevanir Aparecida Pinheiro
Professor Dr. Pe. José Ivo Follmann
Prof. Ms. José Inácio Spohr
Prof. Ms. Edmar Galiza
Ms. Elisabeth dos Santos Natel
Prof. Ms. Jorge Luiz Teixeira
Cristiano Silveira
Renata Moura

OLMA
Luiz Felipe Lacerda

Pesquisador
Everson Jaques Vargas

São Leopoldo, maio de 2018.

Porto Alegre Hardcore


A noite do dia 16 de junho era pra ser um encontro de alguns integrantes do Coletivo Catarse, responsáveis pelo Heavy Hour, no show coletivo no Go Brew, prestigiando a cena local e celebrando a Hempadura, banda do Billy Valdez (integrante mais calado e mais hardcore do power trio formado ainda por Gustavo Türck e Marcelo Cougo). Porém, o verdadeiro heavy hour está à solta nas ruas de Porto Alegre, e dois dos nossos colegas foram assaltados antes dos shows e não puderam comparecer. Coube a mim fazer a representação e a resenha do espetáculo. Claro que não estava numa boa e depois de remoer a merda que tinha acontecido com os amigos me fui para o local.

Cheguei no final da apresentação da Renascida e não pude curtir muita coisa. De qualquer forma, é bom dar um destaque pra gurizada de Canoas que está desde 2012 na estrada. Aqui um vídeo deles:

Antes ainda, teve a Outra Providência, dos extremos (Norte e Sul) de Porto Alegre, mandaram seu hardcore mais cruzão, que podemos sacar um pouco através do videoclipe de Ruas Vazias:

A banda Troll, formada pelos experientes Rodrigo Ruínas (vocal), Phil Barragan (guitarra), Cássio Quines (bateria) e Isaías Fussa (baixo), trouxe peso, velocidade, reflexões existenciais e alegria de estar no palco, ajudando a espantar os demônios do frio e do medo que assolavam minha alma naquela noite. Foi muito bom ouvir e ver a banda em ação. Muito bom bater um papo com o Rodrigo e ver que a música também ajudou a espantar os diabinhos que nele habitavam – e que a arte é um caminho pra expressão de vida. Vida longa pra Troll, e espero que em breve possamos ter registrados alguns dos petardos que foram detonados nesse show.

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Troca rápida de palco e chega a hora da Hempadura. Começando com Tradados como Gado e na cola, Cidadão de Bem, seguindo com uma sequência devastadora, como a vigorosa e necessária 5 tiros, que, ao vivo, impressiona ainda mais, além de alguns clássicos de outros registros fonográficos tipo Palanque de Mentiras, Proletariado e Mercado da Morte. A banda nos brindou com um momento especial, quando convidaram Átila Velasquez, mestre do rap freestyle, para reproduzir o clima de Sorria, RAP gravado no mais recente álbum Artigo 331. Mais uma letra fundamental nesses tempos de fake news (que de news nada têm, visto que a mentira e a manipulação sempre foram importantes armas usadas pela mídia a favor dos poderosos). Em cima do palco, uma gurizada nova e ligada nas mensagens diretas da Hempadura, banda cada vez mais madura. Na plateia, a resposta foi das melhores com muita empolgação e refrões cantados com vontade. Hempadura foi pro jogo com Billy Valdez, no baixo e backing vocals, Bodão Artenula, nas guitarras e vozes, Kalleb Sanches, nos vocais e cada vez melhor no palco, e o raçudo Ériton Castilhos, na bateria, que, mesmo lesionado, fez o hardcore correr pesado, no seu kit sem tons.

Depois dessa demonstração de arte engajada, vieram aqueles que eram a grande atração da noite, Ponto Nulo no Céu, direto de SC, fazendo seu som pesado e melodioso, muito bem tocado e com grande interação e interesse do público, que enchia a casa e certamente saiu muito satisfeito com tudo o que viveu aquela noite. Banda com estrada longa, trabalho consistente que se reflete no palco e deve servir de exemplo a quem segue esse caminho: perseverança e trabalho constante!

Parabéns para os envolvidos, o trabalho da The Warriors Prod, o pessoal do som, que só pecou um pouquinho no baixo, muito baixo, em meio ao caos sonoro que se instala nesses eventos. Parabéns também para a galera que compareceu e se portou muito bem, atenta ao que rolava no palco, dando aquela moral pra quem se esforça tanto na produção de cultura em Porto Alegre.

Ao índio o que é do índio: Retomada Guarani MBYA no Arado Velho (Porto Alegre)

Reportagem – 2018 – 06′ 58”

Há dez dias, indígenas Guarani Mbya retomaram suas terras ancestrais no Arado Velho, no bairro Belém Novo, Porto Alegre. Desde então, veem-se ameaçados — inclusive com armas — pelo empreendimento que quer privatizar a área e expulsá-los dali para que deem lugar a duas mil casas em três condomínios de luxo.Foi num sonho que a terra chamou, e isso o homem branco jamais entenderá: ele que insiste em expulsá-los para as periferias de suas cidades barulhentas e poluídas ou cercá-los em um só canto, tirando-os de seus locais sagrados, é surdo já, não escuta; o chamado da terra, porém, impõem-se com clareza a quem sabe ouvir: estava ali, no Arado Velho, bairro Belém Novo, Porto Alegre, a terra usurpada – apenas uma delas. E era hora de retomá-la.Assim que um grupo de Guarani Mbyas navegou pelo Rio Guaíba até as areias sagradas, sabendo ir ao encontro do que sempre procuraram, atentos à convocação do território. Ao desembarcar, o cacique Timóteo Karai Mirim olhou a mata verde e as árvores cobertas de barba de bode — que, ainda que parasitas, deixavam o cenário ainda mais bonito: que alegria!, que tranquilidade!, sentiu, de coração leve. Os pés estavam enfim postos no chão do qual jamais deveriam ter saído. O grupo avançou algumas dezenas de metros e montou acampamento.
Contudo, logo nas primeiras noites, aquelas de frio mais intenso, uma visita pouco agradável: homens armados, dizendo-se policiais, ameaçaram os índios e os empurram de volta à orla — área pública na qual os Guaranis se viram cercados. Ali montaram uma vez mais suas barracas, duas lonas azuis grandes seguras por paus de madeira, propiciando algum teto para proteger da chuva. O ataque dos supostos policiais tem explicação: no território ancestral indígena, um empreendimento de luxo pretende construir três condomínios fechados com cerca de duas mil casas; a presença Guarani por óbvio é incômoda. Desde a chegada indígena, na sexta-feira, dia 15/6, seguranças privados circulam pela área, fotografando e filmando a movimentação do grupo e, além disso, a de qualquer pessoa que se aproxime dali, inibindo a chegada de ajuda e doação de roupas e alimentos. Os pescadores da região foram ameaçados para que não façam o transporte de apoiadoras e apoiadores até a área (para que se evite a parte já privatizada, onde a passagem é bloqueada, é necessário que se percorra um trecho pelas águas do Guaíba). O barco que ajudou na travessia dos indígenas foi misteriosamente destruído.
O projeto dos condomínios de luxo levanta muitas controvérsias: ainda em 2015, houve uma alteração no Plano Diretor de Porto Alegre para que se ampliasse em 12 vezes o número de casas permitidas na área da Fazenda do Arado Velho, território em disputa. Tal mudança foi feita sem nenhuma consulta popular: não houve sequer uma audiência pública para debater a questão.Mas a terra chamou, e ela não prioriza os interesses privados de empresas que querem somente o lucro; pelo contrário, protege-se deles: a presença indígena é a garantia da preservação e do equilíbrio ambiental na região. Um empreendimento megalomaníaco, promovendo a mega-concentração de casas, carros e pessoas, além de privatizar a natureza do Arado, tão rica, certamente acabaria por degradar o lugar. Mais que isso, pretende agora expulsar os indígenas de suas terras sagradas.Mesmo nas noites frias e escuras, Timóteo não teme o enfrentamento com os interesses de grandes corporações: sabe estar seguro pelo espírito de seus ancestrais, verdadeiros donos do território. Logo na primeira noite na Ponta do Arado Velho, seu tio os viu, cercando o grupo e zelando por eles. Ora, de nada adiantam metralhadoras contra os ventos e trovões e tempestades que o homem branco terá que enfrentar; as balas não podem sangrar a natureza sagrada, e isso Timóteo sabe bem. Por isso, sente-se alegre e tranquilo: é esse o sentimento que descansa no coração daquele que sabe estar em seu lugar, enquanto medo e ameaças fazem sombra no coração do invasor.Olhando as crianças que brincam nas areias, duas delas suas — e todas elas vigiadas ameaçadoramente pelos seguranças privados —, Timóteo esboça um sorriso leve ao dar uma longa tragada em seu pentynguá: está exatamente onde deve estar; o chamado da terra fora ouvido. Alegria e tranquilidade mesmo: afinal a retomada, como a própria palavra indica, apenas deu ao índio o que é, e sempre foi, do próprio índio.

Carijo na Mostra “Nossa Terra”

O documentário Carijo: Herança do Conhecimento Ancestral na Fabricação Artesanal da Erva-Mate, foi selecionado para participar da Mostra Internacional de Cinema “Nossa Terra”: Cultura e Alimentação. A mostra está na sua 2ª edição, que este ano tem como tema Memórias que alimentam tradições, e acontece nos dias 20 e 21 de outubro no interior do Paraná.

Mais informações sobre a mostra em: www.micnossaterra.com.brwww.facebook.com/micnossaterra/