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Ensaio Fotográfico: Luta e Resistência Kaingang

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Este ensaio fotográfico expressa a relação que os Kaingang que moram em Acampamentos de Retomadas* no Alto Uruguai (Rio Grande do Sul, Brasil) desenvolvem com um território cada vez mais devastado pelos avanços do agronegócio e uma perseguição cada vez mais aguda tanto por parte de alguns setores do Estado brasileiro quanto por parte dos fazendeiros locais.

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A resistência das mulheres e homens Kaingang nesses Acampamentos de Retomadas se manifesta com a força da relação que eles mantêm com os poucos vënh-kagta, “remédios do mato”, que sobrevivem nos desertos criados pela agricultura intensiva.

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Tendo como pano de fundo a ditadura militar e a expansão das fronteiras agrícolas no país, é desde uma perspectiva Kaingang do território que esse ensaio fotográfico relata a história do sul do Brasil. Essa história se manifesta por um lado na memória ancestral de cada erva, casca, folha colhida e por outro na destruição, expressada pela hegemonia de uma paisagem monotemática. A luta nas retomadas dos territórios Kaingang é entendida como uma luta na procura de (re)criação de relações com os seres da natureza, relações que rompem com os modelos de relação com a terra, baseados na produtividade e na concepção da terra enquanto objeto, historicamente impostos nos Postos e nas Terras Indígenas. As araucárias nascendo expressam a relação entre a ancestralidade Kaingang, os processos históricos e coloniais sofridos por eles e um futuro de esperança baseado na procura de uma autonomia política, espiritual e territorial.

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https://memoriaterritorioeperseguicao.wordpress.com/

– fotos por Billy Valdez
*Os Acampamentos de Retomadas são territórios recuperados de forma autônoma pelos Kaingang nas últimas décadas. São chamados de Acampamentos porque, apesar dos laudos antropológicos terem sido realizados e aprovados pela FUNAI, o Estado brasileiro ainda não concluiu a demarcação e homologação da terra e assim a retirada dos fazendeiros ou pequenos agricultores que atualmente moram nessas terras. De esta maneira, nos Acampamentos de Retomadas, os Kaingang são recluídos em espaços de 2 a 4 hectares no máximo.

Um zap para a tia…

Bom dia, tia! Tudo bem?

Gostaria de entender o porquê a senhora ou vocês aí gostam do Bolsonaro, ou por que acham que ele é o melhor. A senhora acredita mesmo nesses vídeos que só atacam o PT e pessoas diferentes e que nunca mostram um plano de governo?

O simples discurso dele já está fazendo pessoas matarem, colocarem fogo e muito ódio despejado em nome dele… A senhora já pensou que isso pode aumentar?

Eu também não gosto do PT, na última eleição não votei. Mas é tanto ódio sem provas que não entendo.

Mas, nessa eleição, o Bolsonaro me ataca diretamente e ele é explícito contra os negros, gays, indígenas, movimentos sociais, questões de meio ambiente… Eu trabalho numa produtora cultural, trabalhamos e estamos em contato direto com a realidade dessas pessoas, produzimos filmes, eventos, projetos e, desde 2016, estamos vendo de perto todo o corte realizado pelo Temer, a extinção e fim de muitos projetos que vinham mudando a vida de muitas pessoas de bem.

Não estou falando de programas sociais do governo, mas, sim, de recursos destinados a pequenos agricultores, editais de cultura, educação, saúde…

Concordo que tem que mudar, mas a mudança não vai vir pelo nosso presidente, vai é vir de nós. Ele apenas vai ajudar a essa mudança acontecer, e não vejo Bolsonaro ajudando. Vejo que ele vai exterminar as minorias – no caso, eu, meu pai, mãe e diversas pessoas com quem eu convivo.

O plano de governo dele é difícil de se achar e tem cada coisa absurda, é tanta prova que ele nunca fez nada e só enriqueceu… E o discurso dele está incitando pessoas a cometerem barbaridades!

Envio também desculpas pelo texto longo, é que gosto muito de todos vocês. Mesmo pela distância e falta de contato, sempre lembro de todos com carinho, e estamos num momento bem delicado. Por isso gostaria de entender a sua posição… E seguir dialogando sobre essa questão, colocando contraponto…

Um beijão grande e ótima semana para todos! Saudades.

Celebração de 14 anos do Coletivo Catarse

O Coletivo Catarse comemora nesse mês de setembro 14 anos de existência e resistência! São anos de luta e celebração. Para comemorar essa data nós estaremos no VIVE Petrópolis 7ª Ed. – Arte na praça Mafalda Veríssimo com uma programação de filmes realizados pela Catarse e que serão exibidos na caixa d’água, símbolo do bairro e da Praça.

Durante a tarde, a partir das 14h serão projetados dentro da Caixa os filmes Nêga Lú, produção em parceria com o Nuances, a websérie Tainhas no Dilúvio e o filme de ficção Paralelo, realizado em parceria com o Cinehibisco.

O encontro conta com outras atrações culturais tais como “El Circo” dos internacionais Jade &Filipe, diretamente de Milano e o Ritual da Primavera com alunos Escolas Waldorff, além de comidinhas, bebidinhas, artesanato e muita alegria. A festa encerra com show da Barão e Os Vermelhos, tocando o melhor do rock nacional!

Convidamos vocês para curtirem essa data conosco e com a vizinhança do Bairro Petrópolis, dia 6 de outubro, a partir das 13h. Entrada e circulação gratuitas!

Coletivo Catarse e Comunicação Kuery em aula na UFRGS

Nessa quarta-feira, 12, os estudantes da disciplina Comunicação e Cidadania da Fabico – UFRGS, ministrada pela coordenadora do NUCC, professora Ilza Maria Tourinho Girardi, receberam os comunicadores Gustavo Türck, do Coletivo Catarse, e Gerson Gomes e Daniel, da Comunicação Kuery, coletivo de produção audiovisual Mbyá-Guarani, que falaram sobre suas experiências de trabalho.

Gustavo defendeu a iniciativa do Catarse não como mídia alternativa, mas sim como alternativa de mídia, e comentou a atuação do coletivo em coberturas como as manifestações de rua de 2013 e em documentários como Carijo, sobre a produção artesanal da erva mate, e O Ser Juçara, sobre a Pameira Juçara, espécie nativa que produz o açaí da Mata Atlântica e é manejada de forma sustentável pelos povos da região.

Segundo Gerson, a prioridade da Comunicação Kuery é dar visibilidade ao povo guarani e fortalecer a comunicação dentro das aldeias. O comunicador comentou a cobertura sobre as retomadas de territórios Mbyá-Guarani no Rio Grande do Sul, e afirmou a necessidade de amenizar a linguagem de guerra normalmente associada às retomadas, pois se trata apenas da ocupação de espaços por seu povo.