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A realidade através do olho crítico de quem a vive!

Por Maria da Graça Türck, Doutora em Serviço Social.

Principalmente para as/os assistentes sociais, o autor, José Falero, da periferia de Porto Alegre, nos brinda com o livro “Vila Sapo”. É “uma baixada espremida entre a Vila Viçosa e a Vila São Carlos” é ” um lugar sem história oficial e sem nome oficial”. Fala Falero: (…) “É curioso ter consciência dessa irreversibilidade da evolução tecnológica. Sim, é curioso, porque, em contraste, o desenvolvimento humanitário nem de longe se sustenta com a mesma facilidade e firmeza. Por alguma razão misteriosa, tudo o que é amplamente reconhecido como avanço em favor da condição humana, tanto no âmbito individual como no âmbito coletivo, tem que enfrentar forças contrárias e ameaças de retrocesso. Nada oferece resistência à dádiva dos circuitos integrados, nem oferecerá à produção em massa de processadores quânticos, mas a solidariedade, a benevolência, o amor e tudo o mais que nos eleve acima da barbárie são coisas que estão sempre em apuros, desgastando-se numa luta eterna contra a má-fé e o espírito de porco. A diferença salta aos olhos. A tecnologia é uma atleta jovem e incansável correndo livre e desimpedida, sem parar, (…); a humanidade, coitada, não passa de uma senhora aposentada e enferma da qual ninguém mais quer saber, já com sérias dificuldades para seguir em frente, às vezes levada de volta para trás por qualquer vento mais forte; uma senhora que ninguém em sã consciência apostaria que possa chegar viva até a próxima esquina”.

Nós assistentes sociais, sabemos da barbárie cotidiana…

Heavy Hour 33 – 02.04.19 – Literatura pesada! Expressão da arte para existir, remexer e não ignorar

Esta edição do Heavy Hour vem com duas figuras fantásticas da literatura contemporânea aqui de Porto Alegre – e do mundo! Natália Xavier e José Falero fazem sua prosa no Estúdio Monstro e apresentam ritmo e poesia com suas obras. Vila Sapo, de Falero, é um livro de contos que conta o dia a dia de exclusão dentro de uma zona de exclusão na Lomba do Pinheiro; já Do Inferno ao Inverno é obra de corpo puro – poesia visceral. Tem também participação de Deborah Finocchiaro, dando a letra sobre Caio Fernando Abreu do seu trabalho Caio do Céu, em circulação pela fronteira gaudéria, e Simone Dornelles, educadorartivista da Língua Brasileira de Sinais LIBRAS. No som, tem obra saída de oficina de letras de música no Quilombo do Sopapo, demais!

E o Livreiro Bolivar (51-989.050.672) com “A Colonização explicada a Todos”, de Marc Ferro.

Vamos ler, pra não se ficar falando abobrinhas homéricas por aí e se correr o risco de virar…presidente do Brasil!

Setlist:
Racionais MCs – Da ponte para cá
Doze Doses – Me Deixa Quieto
Iron Maiden – Stranger in a strange land
Wander Wildner – Without You
Hermano Chiapas – Trampo Forte
Elza Soares – A carne

Heavy Hour 32 – 26.03.19 – Questão Guarani na Ponta do Arado!

Mais uma edição de resistência! Heavy Hour, com seu power trio em 3 cantos diferentes, foi praticamente comandado pela antropóloga e presença constante no programa, Clementine Marechal, e o jornalista do Amigos da Terra Brasil e parceirão, Douglas Freitas. Eles trazem cobertura do que está acontecendo no que se chama a Ponta do Arado, um local no extremo sul de Porto Alegre, onde os Guarani estão em processo de retomada de suas terras e enfrentam com apoio e muita resistência a mão invisível da especulação imobiliária. Douglas descreve e Clem nos traz uma série de entrevistas com cacique, outros indígenas e apoiadores. Livreiro Bolívar (51-989.050.6725), no apagar de março, traz sua dica na Bibliografia Social uma homenagem às mulheres. Também temos várias faixas de músicas representativas. A qualidade do audio de estúdio não ficou das melhores, mas o programa é, sem dúvida, dos mais importantes! Ouça aí!

Setlist:
Robert Belles – Preserva Arado
Iron Maiden – Run to the hills
Bataclã FC – Festa de Sinhá
Chico Buarque – Apesar de você
Ratos de Porão – Igreja Universal
Bataclã FC – Foi numa noite dessas
Oz Guarani – O índio é forte
Caetano Veloso – Um índio
A todo povo de luta – Rap Guarani Mbya
Black Sabbath – After All

O Grande Tambor na Comuna do Arvoredo

Documentário – 2010 – 124′ 02”
O filme narra a trajetória do Tambor de Sopapo, que carrega a história da diáspora africana no Rio Grande do Sul. Sua matriz vem pelas mãos e mentes dos africanos escravizados para a região das charqueadas, ao extremo sul do Brasil. É considerado sagrado, retumbando o som por séculos de um purificar religioso para os rituais de matança – realidade presente nas propriedades que produziam o charque entre os séculos XVIII e XIX. A partir da década de 1950, inicia seu caminho no carnaval, quando surgiram as primeiras escolas de samba no estado. O Grande Tambor conta uma parte da história sobre a contribuição dos afrodescendentes na formação simbólica e cultural do povo do Rio Grande do Sul. Sobreviveu pelas mãos de Mestre Baptista, Griô, que preservou a memória e a arte da fabricação de um instrumento de som grave e marcante e que hoje é patrimônio brasileiro.

Heavy Hour 31 – 18.03.19 – Apropriação cultural

Qual o lugar da pessoa negra na cultura brasileira? Qual é a posição do protagonista negro? E o índio, que deu tantas “contribuições” ao povo branco, este branco que assume simbologias que não são suas como…suas – aliás, que SEQUESTRA! Sempre o fez. Neste programa, Contramestre Guto, coordenador do Ponto de Cultura Africanamente, e Alexandre Peres de Lima, antropólogo e cientista social, fazem o que podem para falar na ditadura do tempo do Heavy Hour! A parada é complexa…

E você? Se apropria da cultura dos outros? Hmmmmmmm…

Livreiro Bolivar traz um “guri medonho”, José Falero, da Lomba do Pinheiro, sua primeira obra, “Vila Sapo”. Ouve e liga lá 51-989.050.6725 para saber da história de quem, por ser negro, cai pelas balas da…

Setlist:
Eu Acuso! – Idade Mídia
Xenia França – Pra que me chamas
Spinetta e Los Socios del Desierto – Cuenta En El Sol
Gonzaguinha – Pacato Cidadão
Itamar Assumpção – Vá cuidar de você
Dick Dale – Misirlou
Dor Fantasma – Hey
N.W.A. – Alwayz into somethin
Black Pantera – Punk rock nigga roll