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Filmografia Social – Atypical

Realmente é atípico, mas não deveria ser. E este é o maior mérito do seriado da Netflix (2 temporadas). Não o fato de trazer algo atípico à tona, porque o autismo não é atípico, mas por trazer à tona algo que sempre foi atípico de se falar.

Quem fala descompromissadamente de autismo, com certo conhecimento, sempre vai se lembrar de Rain Man (clique aqui), das atuações gigantescas de Tom Cruise e Dustin Hoffman, das contagens matemáticas do personagem principal e, enfim, da dificuldade de comunicação com o mundo “normal” que o personagem autista tinha.

Um filme que te deixava com pena – um dos piores sentimentos a se ter.

Pois o autismo não é raro, não é como aquele filme o retratou – não somente – e não é absurdo de ser absorvido pela sociedade, como é o que quer dizer o seriado Atypical.

O autismo seria mais um caso de bullying institucionalizado numa sociedade que é feita para desprezar tudo que não seja o padrão global imprimido diariamente nas telas da vida…

É difícil, é complicado, é um desafio aos pais?

Sim, como não?!

Mas não é impossível.

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NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: drama adolescente
Temática Social: autismo
Público-alvo: adolescentes e pais com filhos autistas
Roteiro: 
(segue o padrão de seriados adolescentes estadunidenses, a famosa fórmula high school, mas com tentativas de inserir temáticas controversas nos episódios, no entanto, o final, a lógica, é sempre a mesma: o fim é o conforto relacional)
Dramaturgia: 
(falou profundidade em todas as atuações)
Aprofundamento da Questão Social: 
(por vezes – até demais -, o seriado vira um pastiche do high school estadunidense, com os clichês famosos de que em 3 anbos de vida aquelas pessoas vão definir o resto de suas vidas e que se algo der errado ali, o drama é será infindável e intransponível… affffffff, se eu soubesse disso antes…)

Por Gustavo Türck

– Filmografia Social é um conteúdo apoiado pela Graturck – perícia social, consultoria e cursos (www.graturck.com.br) e é publicado simultaneamente no site/redes do Coletivo Catarse e no site/redes da Graturck todas as quartas-feiras

Saúde Indígena

Dia 18 de outubro, em uma quinta feira nublada de primavera, indígenas das etnias Kaingang, Guarani e Charrua se reuniram em frente à sede do Ministério Público Federal, próximo ao Parque Harmonia.

esq para a direita Cacica Aquab, representante do povo Charrua e Iracema Gah Teh, liderança Kaingang

Após demandas das lideranças, o Ministério Público marcou a reunião com os indígenas e o diretor da Secretaria Especial da Saúde Indígena (SESAI) para discutir questões referentes à saúde.

João Carlos Padilha, Cacique representante dos Kaingang do Morro Santana

Em entrevista, o Cacique João Carlos Padilha declarou a principal reivindicação era a saúde indígena diferenciada, garantida pela constituição. O líder Kaingang denunciou que o Estado nunca cumpriu com os compromissos que firmou com os indígenas, tanto na questão da saúde quanto das demarcações de terra.

Iniciada a reunião, em um auditório congelante, os excelentíssimos senhores começaram suas teses. A ideia proposta da reunião era a de se ouvir os indígenas, mas os “brancos” falaram primeiro.

Márcio Godói Spíndola, Secretário Adjunto da Saúde Indígena, falou das dificuldades de logística que a SESAI enfrenta, além de reforçar  que a secretaria não pode interferir no município e no estado.

A reunião seguiu, com os “brancos” passando a palavra entre si. Enquanto isso, os indígenas davam sinais de querer falar. Cacique Saci, liderança da comunidade Kaingang de Vicente Dutra, era um dos indígenas que demonstrava claramente querer se manifestar.

Até que o cacique se levantou e caminhou em direção ao microfone

“No momento, estamos abrindo para fala de organizações”, tentaram lhe desencorajar.

Saci seguiu obstinado.

“Em um outro momento abriremos a fala para os indígenas…”, insistiram.

Mas o cacique prosseguiu e conquistou o microfone, como os indígenas fizeram com os poucos direitos que têm. Assim, inaugurou seu momento de fala.

Saci falou da importância do território para a saúde indígena. Na sua visão: “Para se fazer boa saúde indígena, é preciso fazer gestão territorial”.

O líder comentou que a saúde indígena precisa de autonomia e denunciou que muitas vezes os recursos eram mal gastos. Para ele, o dinheiro era gasto com outras questões e eram contratados profissionais desinteressados e que não respeitavam a cultura Kaingang.

Nesse sentido, Jaime Aldo, uma das lideranças Kaingang dos grupamentos Kaingang da zona sul de Porto Alegre, ressaltou a importância de se respeitar o modelo de vida das comunidades. Ele também denunciou a falta de moradia digna e de água.

“Estamos há 4 anos na área e não temos saneamento básico. Faz um ano que peço para a SESAI levar água potável”.

Antonio dos Santos, cacique Kaingang de São Leopoldo. Também falou em um forte tom de denúncia: “quantos caciques já morreram lutando?!”, questionou.

E ainda completou: “Tem que tirar a bandeira do congresso e colocar na mão do pajé, porque o Brasil é nosso!”.

Para Antonio, os caciques precisam de autonomia para decidir quem vai trabalhar na aldeia. Também atacou a burocracia que dificulta para que os jovens indígenas formados possam exercer a medicina nas aldeias.

Assim, os indígenas – com forte protagonismo Kaingang – deixaram claro que independente do governo que assuma em 2019, seguirão lutando pelos seus direitos.