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1ª Festa Catarse Coletiva!

Primeira festa do Coletivo Catarse na casa nova!

O objetivo é celebrar – muito! – e arrecadar verba para compra de HDs para o acervo e memória da cooperativa.

Nestes tempos de histeria política, absurdos e ignorância plena, te convidamos a celebrar com a gente, apoiando uma iniciativa que vem trabalhando historicamente junto a culturas populares, movimentos sociais e várias outras memórias vivas da resistência.

Dia 24/08, das 16h às 22h, na Rua Fernando Machado, 464, Centro Histórico de Porto Alegre.

Programação:
16h – abrem-se as portas!
17h – Cinebodoqe na Garagem do Casarão, com lançamento do curta-metragem de ficção Caligrafia e outras produções da Catarse

18h – Música ao vivo com Bira e Banda e Charlotte Dafol, com palco aberto após programação

Com comes e bebes (cerveja boa, cerveja chinela, cachaças, caldinhos e muito mais!).

Valor do ingresso: R$15,00 antecipado e R$20,00 na hora (fazer contato com Cris Cubas 51-99348.2347)
https://www.facebook.com/events/353582315553763

Obs: se chover será transferido

SINOPSE
Em meio à turbulência da vida cotidiana e à falta de cuidado, um casal se perde. João encontra no viés do romantismo uma maneira de se reaproximar de Luciana. É a escrita que embala esta história contemporânea. Entre a mudança das estações, o caos da cidade e a tecnologia digital, será verdadeira a máxima de que as cartas não mentem jamais?

FICHA TÉCNICA
Elenco em ordem alfabética
Eliana Mara Chiossi
Gustavo Cardoso
Têmis Nicolaidis

Direção
Ana Rodrigues

Edição
Billy Valdez
Ana Rodrigues

Roteiro
Gustavo Cardoso

Fotografia
Gustavo Türck

Produção
Têmis Nicolaidis

Trilha Sonora
Marcelo Cougo

“Eles não querem cobertura da imprensa”diz o promotor de Justiça e Meio Ambiente a pedido do sindicato de produtores de agrotóxicos

A equipe de reportagem do Coletivo Catarse não conseguiu participar da reunião entre apicultores da articulação APISBIO e o promotor Alexendre Saltz, em Porto Alegre. Atendendo a um pedido do Sindiveg (Sindicato Nacional da Industria de Produtos para Defesa Vegetal), o promotor de Justiça e Meio Ambiente não deixou o repórter acompanhar a reunião.

O encontro foi marcado para discutir a questão da mortandade de abelhas causada por agrotóxicos no Rio Grande do Sul. Além de nossa equipe, cerca de dez pessoas de diferentes partes do estado também não conseguiram entrar na reunião, pois não haveria espaço para todos na sala.

O apicultor Marcelo Cogo, do município de Santiago/RS, falou sobre a falta de receptividade encontrada. “Estamos bem representados pelos que conseguiram entrar, mas é uma situação”. 

Jairo Diefenbach, professor no Instituto Federal Farroupilha de São Vicente do Sul, mostrou uma opinião diferente: “Talvez seja efeito de um mal entendido”, declarou.

O professor explicou que fez a viajem até Porto Alegre para participar da reunião por acreditar na importância do tema. “Eles, como apicultores, são produtores de um alimento de altíssima qualidade. São os primeiros a sentir os efeitos danosos dos agrotóxicos”, concluiu.

Os apicultores ouvidos relataram diversos problemas causados pelos agrotóxicos. Além da mortandade das abelhas, também denunciaram a dificuldade de “pegar” novas caixas (iniciar novos enxames em um local).

Claudio Camboim, apicultor de Charqueadas,  denunciou as monoculturas como outro mal que afeta as abelhas: “Não tem uma carqueja. São 6 meses com um só vegetal no solo”. 

Os produtores de mel também comentaram a proposta do Sindiveg (Sindicato Nacional da Industria para Defesa Vegetal) que seria tratada durante a reunião. Segundo eles, os representantes dos produtores de agrotóxicos estão sugerindo a criação de um aplicativo que avise aos apicultores quando os químicos serão aplicados nas lavouras.

Renato Barcelos, representante da APISBIO explicou o debate em torno do aplicativo: “Não há como discutir a viabilidade de uma ferramenta dessas sem analisar ela do ponto de vista prático. Se ela realmente é eficaz ou não. Vai ser mais um paliativo para mascarar o uso de agrotóxicos, que está acabando com a biodiversidade”.

Renato lembra ainda que as empresas já fizeram a proposta desta ferramenta e comenta o resultado: “Ela se mostrou absolutamente inviável quando aconteceu a contaminação no município de Mata e Santiago em outubro do ano passado”.

Para os apicultores consultados, o aplicativo é considerado inviável. “Alguns dos venenos que eles usam ficam ativos na natureza por até 60 dias. O que faríamos com as abelhas durante este tempo todo?”, questiona Marcelo Cogo, apicultor do município de Santiago.

Jairo Diefenbach, professor no Instituto Federal Farroupilha de São Vicente do Sul, reforçou que os problemas causados pelos agrotóxicos não se resumem a produção de mel. “Estamos trabalhando com um dos efeitos em uma atividade, em um tipo de produto. Na apicultura, no produto mel; mas afeta todo o ambiente”. 

O professor citou como exemplo a morte de pássaros, borboletas e outros polinizadores. Pontuando a presença destes produtos químicos na alimentação e na água, resgatou os riscos para a saúde humana: “temos muitas doenças que se manifestam nas pessoas que não sabemos as causas. Não temos nem noção do alcance desses produtos na nossa vida”.

Alternativas possíveis

O município de Cacequi era um entre tantos outros sofrendo com os efeitos nocivos dos agrotóxicos. Além dos apicultores, os produtores de uvas, oliveiras, melancias e nogueiras sofriam grandes prejuízos pelas substâncias químicas usadas pelos latifundiários da região.

Em abril de 2018, o Conselho Municipal do Meio Ambiente e o Conselho Municipal de Agricultura e Pecuária da cidade criaram uma lei de restrição de uso de agrotóxico. Foi restringido o uso do herbicida 2,4-D. Além disso, a lei ainda limitou  a aplicação com pulverizadores e proibiu a aplicação com aviões.

Alex Pedron Wancura, Secretário de Administração de Cacequi, comenta os resultados obtidos depois de um ano de criação e aplicação de lei: “cerca de 90 por cento dos problemas que tínhamos na apicultura e na fruticultura foram resolvidos”. 

O secretário aponta que além de criar a lei é preciso fazer um trabalho de fiscalização rígida por parte do município. Em Cacequi, esta fiscalização foi feita por meio de parceria entre a  Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente e a Emater.

Mesmo com os resultados positivos, Alex comenta que existe oposição a esta política: “Compramos uma briga. Os grandes produtores têm uma dificuldade de aceitar isso”.

O papel das autoridades e da imprensa corporativa na questão

Neste final de semana, um dos grandes veículos de mídia corporativa  de Porto Alegre publicou uma reportagem sobre a situação da mortandade das abelhas. O texto dava a entender que o Ministério Público Estadual estava trabalhando ao lado dos apicultores e que o aplicativo seria uma solução que iria beneficiar a todos.

O aplicativo não se apresenta como uma solução para os produtores de mel. Pelo contrário, é uma nítida tentativa do agronegócio manter tudo como está, com a chancela do poder público e a propaganda dos conglomerados de comunicação.

Inclusive, chegaram a citar a reunião da qual nossa equipe e produtores de mel de todo o estado foram barrados na quinta feira (dia 8/8). Ao contrário do que mostra o jornal, vivenciamos uma situação em que o poder público se colocou a serviço do agronegócio, responsável pelo envenenamento coletivo- que não afeta somente as abelhas.

Por isso, mais do que nunca, vemos que é preciso tomar uma posição. Temos que deixar bem explícito que o problema da morte das abelhas- e tantos outros problemas socioambientais causados pelos agrotóxicos- são urgentes e precisam de soluções reais e efetivas.

Aplicativos ineficazes não vão resolver o problema. Precisamos de proibições ou pelo menos regulamentações severas para o uso de agrotóxicos. Além disso,  o poder judiciário precisa responsabilizar civil e criminalmente os culpados pelos casos registrados de mortandade de abelhas por agrotóxicos no estado. Só assim será possível garantir as condições básicas para a produção de alimentos saudáveis, que contribuam para a saúde e qualidade de vida da população.

 

Reportagem e imagens: Bruno Pedrotti.

Heavy Hour 52 – 13.08.19 – Justiça para os povos da floresta? Pre$$ão de mineração e especulação imobiliária dobra qualquer lei…

Neste programa que temos mais apresentadores que convidados, que marca a volta de Billy Valdez depois de um mês na Nova Zelândia – e que ele não conta nada -, trouxemos pessoas pra conversar sobre as pressões que comunidades indígenas estão sofrendo com empreendimentos que apenas visam ao lucro. Guilherme Dal Sasso, cientista social e integrante da AEPIM (Associação de Estudos e Projetos com Povos Indígenas e Minoritários) e do Comitê contra Mineração, Julio Alt, advogado e representante do Conselho Estadual de Direitos Humanos, e simplesmente Juliano (sim, estamos num momento que é necessário esconder o nome de algumas pessoas em razão de perseguições), apoiador e ativista pela causa indígena, se complementam na reflexão de que empreendimentos e poder público não medem com qualquer juízo de valor as vidas indígenas. Simplesmente, aqui no Sul, Kaingangs e Guaranis não são sequer consultados quando se está falando em licenciamento para uma obra como a Mina Guaíba, que vai impactar diretamente em suas áreas. Mas resistir é necessário, em instituições falidas como a Justiça, que ainda persistem, e até mesmo fisicamente como em mobilizações da Ponta do Arado na zona sul de Porto Alegre. Contribui, ainda, com sua contextualização, Roberto Liebegott, do Conselho Indigenista Missionário, um lutador histórico pelos direitos dos povos originários no Brasil.

Setlist:
Katumirim – Aguyjevete
Atahualpa Yupanqui – Camino del Indio
Wolftrucker – Rock till you die
Tennessee Ernie Ford – Sixteen Tons
Inti-Illimani – En Libertad
Black Pumas – Colors
Sister Rosetta Tharpe – That’s All
Angelus Apatrida – You are next