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HH02-2018 – a cidade que queremos no Coletivo Catarse

Ouça o segundo programa de 2018 – heavy metal, política, ideologia, qual cidade queremos…

– sextas, ao vivo, no facebook.com/programaheavyhour na live, e no site do Coletivo Catarse a partir das 16h
– sábados no rockpedia.com.br às 18h
– e também no osubsolo.com

Atlanta: this is America (1a temporada)

*pode conter spoilers

Uma obra de arte do artista Donald Glover (ator de seriado, de cinema pipoca, músico/rapper, produtor, diretor, criador). Atlanta é um caminhar naturalista no dia a dia de um rapaz que se torna produtor de seu primo, Paper Boi, um gangsta rapper, na periferia de uma grande cidade do sul dos Estados Unidos. A este ponto, cabe-se ressaltar que os personagens principais são negros, e o significado de a história acontecer no estado da Georgia não é ao acaso – ali, ao lado de Mississipi e Alabama, a sessessão se fez presente, e com vizinhança também das Carolinas do Norte e do Sul, faz-se um cinturão de alta densidade de populações negras, separando a branca e ensolarada Florida – do paraíso Miami -, do resto do país.

Com a primeira temporada disponível no catálogo Netflix, a cada episódio você vai se emaranhar em situações corriqueiras, mas muito bem contadas e que desenham uma metáfora satírica profunda sobre as raízes e naturalizações do racismo – e também, muito forte, do machismo – na sociedade estadunidense, que, se pode dizer, sim, reflete-se na nossa vida tupiniquim, visto que morais e costumes de lá são dissemidados pela cultura de massa aqui, muito bem programados.

Destaque para dois episódios, um em que o rapper está em um programa de televisão – o episódio inteiro é como se fosse o próprio programa -, numa mesa de debates, participando ao lado de uma personagem tipo psicóloga feminista (uma caricatura), ao mesmo tempo em que é confrontado pelas suas posições misóginas, eles são brindados com um caso de um rapaz negro que alega ser um homem branco nascido em um corpo de homem negro e que estava preparando sua transição. O episódio tem um final fantástico, flutuando entre a sátira crua e o sarcasmo narrativo.

O outro episódio, muito profundo, é o penúltimo dessa temporada (a segunda já rodou inteira nos EUA), quando o casal protagonista vai a um encontro comemorativo da abolição da escravatura no Texas (pra quem não conhece muito a história e cultura estadunidenses, o Texas é como se fosse o Rio Grande do Sul junto a Santa Catarina e Paraná, terra de agropecuaristas/ruralistas brancos, onde o racismo sempre foi muito evidente – e segue sendo praticamente uma instituição). O local é uma mansão aristocrática, onde moram o ricaço branco, doctor antropólogo da questão negra, fã invariável, e sua mulher…negra. Ali vão se expressar cenas das mais constrangedoras possíveis, que sedimentam a temática de todo o seriado e sublinham e atestam: quem assistir a Atlanta, de cabo a rabo, vai estar recebendo um inteligentíssimo compêndio crítico da luta de classes, do racismo e do machismo.

Segue o que eu considero um teaser hardcore do seriado Atlanta (apesar de nada a ver com a produção, mas metaforicamente falando), o clipe This is America, do rapper Childish Gambino a.k.a. Donald Glover:

NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: comédia sarcástica
Temática Social: luta de classes, racismo e machismo
Público-alvo: pessoas que entendem linguagem de entrelinhas (metalinguagem) e estão por dentro do conflito étnico-social da atualidade em sociedades racistas e misóginas como as de cunho judaico-cristão, há também muitas referências à própria cultura estadunidense, então, quem conhece as peças de cultura de massa ianque acaba aproveitando um pouco mais, pessoas estudiosas do movimento hip hop, que foram na sua historicidade, da raiz ao rap ostentação, também vão curtir bastante
Roteiro: 
(simplesmente perfeito, constrói uma realidade que mescla o realismo, de personagens e situações verossímeis, com momentos e personagens hilários – em determinado momento aparece Justin Bieber…negro! Não é UM Justin Bieber, é O Justin Bieber e, ali, no universo de Atlanta, ele é um jovem negro)
Dramaturgia: 
(atuações, locações, situações, construções fílmicas incríveis)
Aprofundamento da Questão Social: 
(naquilo que se propõe, na delimitação da sua temática, perfeito, desde em expressões em discurso direto até mesmo na sutileza de algumas relações, muito inteligente mesmo)

Por Gustavo Türck

– Filmografia Social é um conteúdo apoiado pela Graturck – perícia social, consultoria e cursos (www.graturck.com.br) e é publicado simultaneamente no site/redes do Coletivo Catarse e no site/redes da Graturck todas as quartas-feiras

 

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