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Heavy Hour 44 – 18.06.19 – #vazajato, juiz não pode combinar com atacante o pênalti!

Nossa equipe de especialistas foi chamada para entendermos o que é essa patacoada toda entre US Moro e Delenhol. Clarice Zanini, advogada com atuação em ocupações e junto a movimentos sociais e representante da Associação de Juristas Pela Democracia, diz que nunca viu um juiz combinar uma ação pra legitimar uma ocupação em moradia, fazendo esta cumprir sua função social constitucional; já Felipe Lazari, punk rocker, advogado e professor de Direito, está perplexo e não sabe mais o que vai ensinar em sala de aula, porque parece que não existe o tal Estado Democrático de Direito; e o power trio do Coletivo Catarse, baseando-se em suas especialidades de leitura dúbia e interpretação bebum de textos, confunde toda a coisa… Mas algo foi unânime: não vale juiz ratinho combinar com acusação, não existe isso – não é questão de conversar simplesmente, mas articular com uma das partes uma condenação. Ou seja, por obviedade, Lula deveria estar livre! No início do programa, uma bela crônica da situação pela voz do jornalista da rede Brasil de Fato, Marcos Corbari. Um Robespiheavy Hour em que faltou cerveja, mas sobrou cachaça (valeu, Caipora!).

Setlist:
Legião Urbana – Perfeição
Atrack – Trump Bolsonaro e o fascismo no mundo neoliberal
Bizibeize – 100% Nem Aí
Cannabis Corpse – Left Hand Pass
Hempadura – Cidadão de Bem
Black Sabbath – War Pigs

“Sem Tekóa não há Teko”

Breve relato da audiência pública sobre a situação dos indígenas Mbya Guarani da Ponta do Arado*

Nessa manhã da quarta-feira 19 de junho, enquanto Bolsonaro insiste em entregar os territórios dos povos originários para o agronegócio**, aconteceu na Assembleia Legislativa ddo Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, uma audiência pública para discutir a situação política e territorial de uma comunidade Mbya Guarani que há um pouco mais de um ano retomou seu território ancestral na Ponta do Arado Velho na zona sul da capital.

André Mbya Guarani falando durante a Audiência pública

Estavam presentes lideranças Mbya Guarani de várias comunidades da região metropolitana e de Maquiné (RS), vários deputados estaduais, procuradores do estado, representantes do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, da defensoria pública da União, da Comissão Estadual dos Direitos Humanos, da FUNAI, do MPF, da Prefeitura de Porto Alegre, de antropólogos, do observatório indigenista e até da Polícia Civil. Os Guarani fizeram ouvir a voz da floresta exigindo que fosse respeitado seu modo de viver sem este ser criminalizado:

“Nós, não estamos pedindo um favor aqui. […] Estamos aqui para mostrar nossa dignidade!” – ressaltou Cirilo, liderança da comunidade de Canta Galo, Viamão. Diante da dificuldade de fazer os brancos entenderem o modo de vida deles, estes exigiram respeito: “O branco não precisa entender, só precisa respeitar nossa nação, que é ela que está salvando o mundo” – apontou o cacique André da Tekoá Ka’aguy Porã, retomada de Maquiné.

Após uma difícil batalha judicial, o processo dos Guarani da Ponta do Arado se encontra na esfera da Justiça Federal, o funcionário e antropólogo da FUNAI, Kaio Hoffmann, pontuou que ainda não há previsão para o início de um GT de identificação da Terra Indígena por parte da instituição, porém, ressaltou a importância de arrecadar todo tipo de elementos e informações que possam apoiar futuros laudos.

Todos os parlamentares presentes e os representantes de instituições estatais e federais afirmaram seu profundo apoio para a luta dos Mbya Guarani da Ponta do Arado e se colocaram à disposição. No fim da audiência, foi encaminhada a criação de um Grupo de Trabalho que visa a juntar todas as competências das diferentes instituições com a finalidade de reforçar, na esfera jurídico-legal, a devolução do território da Ponta do Arado para seus moradores originários.

Ainda, o cacique André ressaltou sua dificuldade para se comunicar na língua dos brancos, mostrando a importante diferença nos significados das palavras no pensamento “dos brancos” e “dos Guarani”. Como maneira de exemplificar, falou da palavra “dívida”, usada erroneamente para os brancos ao se referir ao esbulho colonial: “Para nós, não é dívida, porque o que os brancos fizeram com os povos indígenas é impagável, não tem como pagar, o branco nunca vai poder pagar”.

A luta e a solidariedade na Retomada Mbya Guarani da Ponta do Arado seguem!

Sem Tekóa, não há Teko!

Viva a Retomada e a luta Mbya Guarani da Ponta do Arado!

*Texto e fotografia: Tinkamó – Coletivo Catarse
**Nessa manhã, 19/06, uma nova Medida Provisória voltou a colocar a competência de identificação, delimitação e demarcação das TI para o Ministério de Agricultura.

Da Retomada da Ponta do Arado Velho à Tekoa Ygere: Força e Resistência Mbya Guarani

Enfrentando uma violência cotidiana, os Mbya Guarani que retomaram sua terra ancestral na Ponta do Arado seguem resistindo aos ataques dos empresários da fazenda do Arado, todos respaldados pelas instituições estatais!

No mês passado, o processo que até então criminalizava os Guarani e todas as pessoas que os visitavam foi mandado para a justiça federal fazendo então cair as liminares que judicialmente isolavam os Guarani de qualquer forma de solidariedade.

Mesmo assim, é com muita alegria que, desde a retomada, em junho do ano passado, que os Guarani reabitam a ponta do Arado, devolvendo aos seres da floresta, à agua, às arvores, aos bugios, a alegria. Além disso, várias individualidades e grupos de pessoas solidárias com a retomada se organizaram para fortalecer a comunidade e tornar visível sua luta. Vigílias e visitas na comunidade foram organizadas, vídeos, blogs, textos e programas de rádio realizados, e, no dia 24 março, aconteceu uma jornada solidária na praia de Copacabana que acolheu mais de 150 pessoas.

No dia 15 de junho, festejou-se um ano da retomada, hoje, a comunidade já formou uma Tekoa que chamou de Yjere, em referência à importância da água que rodeia a ponta do Arado. Nesta celebração, nos encontramos novamente na praia de Copacabana ao som da Digna Rabia. As falas de Timóteo, o cacique da Tekoa, nos transportaram a um ano atrás, quando a comunidade Mbya Guarani decidiu retomar essa terra, e é com firmeza que, diante da repressão, eles resistiram e seguem resistindo ao projeto megalomaníaco que busca transformar a Ponta de Arado em um condomínio de luxo.

Dia 19 de junho, quarta-feira, às 9h45, acontecerá uma audiência pública na Sala de Convergência Adão Pretto na Assembleia legislativa. A presença de todxs em solidariedade aos Guarani é muito importante!

Viva a Tekoa Yjere
Aguyjevete!

*Fotos retiradas da página Facebook do Retomada Mbya Guarani das Terras do Arado Velho
**Texto: Tinkamó