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Audiovisual para transformar – Parte 1 – o primeiro contato

Este ano tive a oportunidade de ministrar, através da Secretaria de Educação de Tapes, 2 módulos de uma oficina prática de produção audiovisual na cidade. No princípio, a intenção era uma atividade que envolvesse apenas o uso de dispositivos celulares, porém, extrapolou as minhas mãos, e tomou uma dimensão que me faz refletir sobre o sentido da minha prática profissional e sobre minha responsabilidade enquanto comunicadora, educadora e artista.

No Módulo 1 da oficina, que passei a chamar de Oficina Prática de Produção Audiovisual “com-o-que-se-tem”, encontrei 2 turmas de jovens, uma do ensino fundamental regular e outra do EJA. Turmas de jovens adultos que estudam na rede municipal e que chegam na atividade sem ter muita noção do que iriam fazer ali.

Eu não conhecia a realidade de Tapes, muito menos desses jovens que, como em qualquer lugar do mundo, são muito desafiantes. Porém, tinha uma certeza, a vontade de despertá-los, a partir do audiovisual, um olhar mais sensível sobre o contexto que estão inseridos. Finalizar, ou não, uma peça audiovisual era secundário.

O que aconteceu na prática foram encontros onde conseguimos assistir e destrinchar conteúdos audiovisuais consumidos por nós, refletir sobre estética, linguagem, roteiro e gêneros. Realizamos dinâmicas, exercícios práticos de filmagem e edição. Percebi neles um foco e uma vontade de realização bem importante que me deu a segurança para arriscar propor a aventura de fazer um filme.

A turma da noite escolheu uma ficção de suspense e a do dia, um documentário. Em quatro encontros unificamos os conceitos dos grupos em relação a produção audiovisual e nos outros 6 encontros pré-produzimos, filmamos e editamos estes 2 filmes. Uma primeira experiência deste tipo para aqueles 24 jovens desta pequena cidade gaúcha, tão bela mas tão distante de aparelhos culturais como cinemas e teatros.

Mais importante que os detalhes dos processos, que tiveram muitas particularidades e curiosidades, foram as minhas surpresas. Encontrei um ambiente fértil para a  realização de trabalhos audiovisuais mesmo que os atores não tivessem muito a noção da complexidade que circunda a produção audiovisual. Foram lá e fizeram. Finalizamos um documentário de 17 minutos, A casa da última rua, que hoje, 2 meses depois do lançamento, já soma mais de 4 mil acessos(!) e, também, A vida de Kameyom, uma ficção de 5 minutos que não foi veiculada e ficou apenas acessível para os participantes da oficina.

Nessa minha experiência em Tapes, pude sentir que um dos fatores responsáveis pelo sucesso das oficinas é a qualidade da educação do município. Escolas com uma estrutura privilegiada e jovens com uma capacidade cognitiva incrível. Tinham iniciativa, demonstravam criatividade na solução de problemas, escuta e diálogo, qualidades que muitas vezes não encontramos em profissionais. Me surpreendi, pois encontrei jovens, na sua maioria, interessados. Alguns sem perspectiva, mas uma grande parte abraçando a oportunidade que pintava na sua frente. Isso me surpreende, pois eu imaginava que isso não fosse possível em pessoas de 15, 16 ou 17 anos. Em um grupo um pouco menor, não rolou somente o interesse, mas a vontade por mais. E isso é transformador. A cabeça de alguns ali naquela turma pode extrapolar os limites da cidade e de si mesmo, viram reconhecido o seu trabalho e passaram a enxergar a si e ao seu mundo de maneira diferente. Isso é um caminho sem volta.

No momento que percebemos o poder que o realizar uma peça que valoriza a nossa realidade tem, nos valorizamos também e se nos valorizamos, não nos deixamos escravizar tão fácil. Politicamente, esta é a razão pela qual governos de direita sucateiam a educação. Por isso a necessidade de se diminuir ou até mesmo acabar com iniciativas e estruturas culturais.

Tapes já foi, em algum tempo passado recente, uma rota artística bem frequentada por artistas plásticos, músicos, escritores. Acredito que um lugar tão abundante de belezas naturais e com essa ligação histórica com a arte, não perde do seu DNA a sua potência criativa. Me parece que só precisa daquela mão no queixo que vira o seu olhar para um outro lugar, onde estão coisas lindas, onde está sua verdadeira identidade cultural. Esse encontro me parece fundamental para se viver.

Assista A casa da última rua:

Do resultado deste primeiro módulo, partimos para uma nova proposta que seria o Módulo 2 da oficina. Esta é outra história que em breve compartilho por aqui.

Em breve: Audiovisual para transformar – Parte 2 – nos bastidores do documentário Cores ao Vento, navegando pela arte de Silvio Rebello

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Coletivo Catarse e Comunicação Kuery em aula na UFRGS

Nessa quarta-feira, 12, os estudantes da disciplina Comunicação e Cidadania da Fabico – UFRGS, ministrada pela coordenadora do NUCC, professora Ilza Maria Tourinho Girardi, receberam os comunicadores Gustavo Türck, do Coletivo Catarse, e Gerson Gomes e Daniel, da Comunicação Kuery, coletivo de produção audiovisual Mbyá-Guarani, que falaram sobre suas experiências de trabalho.

Gustavo defendeu a iniciativa do Catarse não como mídia alternativa, mas sim como alternativa de mídia, e comentou a atuação do coletivo em coberturas como as manifestações de rua de 2013 e em documentários como Carijo, sobre a produção artesanal da erva mate, e O Ser Juçara, sobre a Pameira Juçara, espécie nativa que produz o açaí da Mata Atlântica e é manejada de forma sustentável pelos povos da região.

Segundo Gerson, a prioridade da Comunicação Kuery é dar visibilidade ao povo guarani e fortalecer a comunicação dentro das aldeias. O comunicador comentou a cobertura sobre as retomadas de territórios Mbyá-Guarani no Rio Grande do Sul, e afirmou a necessidade de amenizar a linguagem de guerra normalmente associada às retomadas, pois se trata apenas da ocupação de espaços por seu povo.

Chamas da inquisição atual queimam as bruxas da História

Viralizou nas redes a triste notícia do incêndio na instituição de pesquisa mais antiga do Brasil. O fogo queimou o Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro, junto com 20 milhões de obras — entre elas o acervo de meteoritos e de botânica, fósseis humanos e animais, registros de culturas indígenas e reinos africanos.

A perda científica e de conhecimento é inestimável, mas também é triste ver mais uma confirmação de que o Brasil segue no mesmo modelo colonialista de inquisição: queimar a diversidade nativa para impor uma monocultura.

E não adianta culpar o PT ou a esquerda pelo que aconteceu, já que uma rápida pesquisa aponta justamente para o contrário. Segundo dados disponíveis no portal do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), os investimentos em museus cresceram 980% entre 2001 e 2011, período que abrange maioria do período das gestões Lula e Dilma.

Ao analisar, ainda, informações disponíveis no Siga Brasil, portal do orçamento do Senado Federal, se nota que a maior queda no orçamento anual do Museu acontece no ano de 2015. No ano de 2014, quando Dilma se reelegia, o orçamento anual do museu foi de 1 milhão e duzentos e 11 mil reais. Já em 2015, momento em que o golpe estava sendo articulado, o orçamento caiu para 750 mil reais.

No cenário político pós golpe, vale ressaltar a PEC 241. A proposta de emenda constitucional aprovada no final de 2016 congelou por vinte anos as despesas do governo com gastos sociais. Assim, o país não pode incrementar investimentos em saúde, educação e cultura pelos próximos 18 anos.

Pensando dessa forma, pode-se entender o incêndio no Museu como mais uma das consequências do golpe. E, cabe ressaltar que, apesar de toda a midiatização do episódio e da comoção construída a partir disso, o que queimou já seria uma cultura morta.

Não é querer menosprezar o episódio — é uma merda que o fóssil de Luzia, com toda sua antiguidade e importância para as pesquisas sobre as migrações para o continente americano, tenha queimado —, mas Luzia já está morta. Enquanto isso, por todo o Brasil, vemos denúncias de guardiãs e guardiões da cultura viva sofrendo diversos ataques.

É uma pena que tenhamos perdido registros de culturas indígenas já extintas, mas não seria também produtivo nos mobilizarmos para proteger as etnias que restam? Para que estas não virem fósseis a serem queimados em um outro museu em outro futuro apocalíptico como o de agora?

Na Amazônia, estamos vendo seguidamente denúncias de garimpo e desmatamento dentro de terras indígenas. No Mato Grosso do Sul, o Estado brasileiro está retirando as crianças Guarani Kaiowá de suas mães e colocando-as para adoção. Com isso, o Estado está literalmente assassinando as culturas vivas ao agir para impedir sua continuidade seja retirando as crianças ou destruindo as florestas.

E estes são só alguns exemplos…

Temos também denúncias de intolerância religiosa contra religiões afrobrasileiras — inclusive por parte do Estado por meio de tentativas de proibir os sacrifícios rituais dessas religiões.

Ou seja, a velha inquisição segue a todo vapor e não queima apenas museus, mas também as pessoas que lutam pela sobrevivência de culturas não individualistas. O que vemos no Brasil é a continuação do colonialismo e do extermínio, e o Museu foi apenas o exemplo mais espetacular e, justamente por isso, midiatizado por aqueles que nunca o valorizaram.

*cartum de Carlos Latuff (@LatuffCartoons)

**texto produzido por Bruno Pedrotti sob supervisão do Coletivo

🍃📣 *_Boletim Cepagro Agroecologia #4_*

🌱🍎 *AGRICULTURA URBANA e EDUCAÇÃO AGROECOLÓGICA*
✅  *Turma do NEI Armação visita Horta Comunitária do PACUCA*
Na tarde do dia 28 de agosto, os alunos do Núcleo de Ensino Infantil Armação conheceram a Horta Comunitária do Pacuca, Parque Cultural de Campeche. As crianças se divertiram ao ver numa escala maior o que já estão praticando na escola, como a compostagem e o plantio de hortaliças. https://bit.ly/2wvWuVf

🥗🌽 *AGROECOLOGIA E SEGURANÇA ALIMENTAR*
✅ *Política de Redução de Agrotóxicos é debatida na UFSC*
A Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA) e o Programa Alimento Sem Risco foram discutidos na Universidade. https://bit.ly/2wyXLtP
✅ *Projeto Misereor em Rede segue articulando consumidorxs e agricultorxs*
Em agosto, o projeto articulou visitas de consumidorxs a propriedades agroecológicas em Florianópolis e Águas Mornas (SC). Veja https://bit.ly/2PqEgeZ
✅ *Cepagro participa de Feira de Sementes Crioulas no Paraná*
Mais de 4 mil pessoas e 120 expositores/as participaram da 16ª Feira Regional de Sementes Crioulas e Agrobiodiversidade, realizada em São João do Triunfo (PR). O Cepagro marcou presença com apoio da Misereor. Confira: https://bit.ly/2NcUJFP

🌿🍽 *ENGENHOS DE FARINHA*
✅ *#EngenhoÉPatrimônio*
Série de vídeos com histórias e memórias dos Engenhos de farinha de Santa Catarina. Nesta edição, Marlene Borges, agricultora-agrônoma da Associação Comunitária Rural de Imbituba, a ACORDI, fala sobre a importância do Engenho para a manutenção da biodiversidade e de um modo de vida. https://bit.ly/2PV7O5u

👩‍🌾🌎 *AGROECOLOGIA NA AMÉRICA LATINA*
✅ *Saberes Agroecológicos em Rede #3*
Série de entrevistas com quem faz a Agroecologia acontecer na América Latina. Nesta edição, a nutricionista Cintia Gris, do Centro de Tecnologias Alternativas Populares (RS), fala sobre a importância dos centros de comercialização direta, para os consumidores e agricultores. Assista: https://bit.ly/2wBbrWe

✅ *Siga nossas redes sociais para saber mais sobre ações e eventos agroecológicos!*
📸 Instagram: @cepagro_agroecologia
🌐 Site: www.cepagro.org.br

Debate sobre “A Tragédia dos Comuns e a Gestão do Espaço Urbano” – Uergs

O Grupo de Pesquisa Políticas, Gestão Pública e Desenvolvimento Uergs/CNPq e o Mestrado em Ambiente e Sustentabilidade da Uergs estão promovendo um ciclo de palestras e debates sobre as influências da obra “A Tragédia dos Comuns”, de Garrett Hardin, nas diferentes áreas do conhecimento da Gestão Pública. A programação do ciclo “A Tragédia dos Comuns Hoje: Seu Legado no Desenvolvimento de Políticas Públicas” conta com seis encontros que ocorrerão ao longo do ano. Clique aqui (site da Uergs) para saber mais.

Serviço:
Ciclo de Debates “A Tragédia dos Comuns Hoje: Seu Legado no Desenvolvimento de Políticas Públicas”
Local: Auditório do Campus Central da Uergs (Av. Bento Gonçalves, 8855, Bairro Agronomia – Porto Alegre)
Hora: 14h30
Informações e Inscrições: https://doity.com.br/a-tragedia-dos-comuns-hoje
Contato: pgpduergs@gmail.com

Programação:
17/08/2018 – Sexta-feira
Debate sobre “A Tragédia dos Comuns e a Gestão do Espaço Urbano”
Debatedor: professor Francisco Milanez

https://youtu.be/ORZn0ShaUj8
https://anacarolinapontolivre.wordpress.com/2018/08/15/a-tragedia-dos-comuns-e-a-gestao-do-espaco-urbano-milanez-na-uergs/

Recebido por e-mail de
Ana Carolina Martins da Silva – Porto Alegre – RS
BLOG: http://anacarolinapontolivre.wordpress.com/
PERFIL: http://artistasgauchos.com.br/portal/?id=2051