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Heavy Hour 58 – 24.09.19 – O futebol com Clubes e uma homenagem a Bira

O futebol é uma caixinha de surpresas. Isso toda gente sabe! Mas o que também sabemos é que o futebol serve a muitos interesses de poder e dinheiro. E nada é mais óbvio do que a tentativa de “privatização” dos nossos Clubes num arremedo de lei modernizante feita a toque de caixa pelo glorioso Botafogo (alcunha de Rodrigo Maia, presidente do Congresso Nacional, na famosa lista da Odebretch). Nosso programa da semana trata desse assunto. Mas, infelizmente, não é só disso que falamos. Perdemos um grande amigo e incentivador do Coletivo Catarse, Leandro Bira dos Santos. Torcedor ferrenho do Tricolor gaúcho, parceiro desde o início da caminhada e protagonista de alguns dos nossos filmes, Bira nos deixou no dia em que gravamos esse numéro 58 do Heavy Hour. Para ele fica nossa homenagem e a nossa luta para que nossos Clubes de Futebol sejam definitivamente patrimônios de suas torcidas e quadros associativos e que nunca caiam nas mãos de oportunistas predadores de um dos sentimentos mais legítimos de nossa alma popular!

Convidado, no Estúdio Monstro, Ivandro Latino, representante do Povo do Clube e integrante da Articulação Nacional pelo Direito de Torcer, Colorado. Por áudio, Fernando Monfardini, advogado, consultor de complience e autor do livro Compliance no Futebol, Vascaíno. Por telefone, temos Irlan Simões, Doutorando na UERJ, autor do livro Clientes versus Rebeldes e torcedor do Vitória além de animador do Na Bancada.

Lista de músicas do programa:
Thin Lizzy – Whiskey in the jar
Neguinho da Beija Flor – O Campeão
Keltoi – Unhas cores, un sentimento
Bombo Larai – Aguante
Tankard – Schwarz Weiß Wie Schnee
Megadeth – A tout le monde
Fito Paez – Y dale alegria mi corazon
Funkalister – 16 de agosto
Metallica – Fade to black

MAIS QUE UM JOGO | O canto da sereia ameaça o Clube do Povo

Na mitologia antiga as sereias ou sirenas, mulheres com a metade peixe ou pássaro, emitiam um canto que seduzia e encantava os marinheiros, atraindo-os para armadilhas letais, findando das mais simples, até as mais complexas embarcações que desbravavam os sete mares.

Durante a semana, tivemos veiculado na grande mídia pelo 2º Vice-Presidente do Internacional, uma sinalização pública que o clube está ouvindo esse canto e apontando seu “navio” na direção dele. No entanto, esse canto não advém de nenhuma sereia ou sirena mitológica, a música que soa fácil e doce vem das cifras apresentadas pelo mercado imobiliário que, de maneira muito astuta, vê os ventos soprarem a seu favor no contexto político e econômico do país, do estado, do município e dos clubes.

O Sport Club Internacional é uma instituição com 110 anos de história, organização associativista desde sua fundação, em 04 de abril de 1909. Detentora de uma torcida de mais de 7 milhões de pessoas que contribuem ativamente, de maneira direta e indireta, com clube, e que possui ainda quadro social com mais de 100 mil ativos, com DIREITOS e deveres frente a instituição e, sobretudo, com o poder de indiretamente comandar os rumos dessa “embarcação”. Cada um(a) dos colorados foi responsável, ao longo de todos esses anos, por edificar o patrimônio do clube, que é NOSSO, que nos enche de orgulho, nos fortalece institucionalmente e que não foi nada fácil de ser conquistado.

O atual projeto de construção de dois “espigões” no pátio do Beira-Rio é muito perigoso para o futuro do nosso patrimônio e do Inter, abrindo um precedente nefasto e histórico para que tudo que os irmãos Poppe, Ildo Meneghetti, cada colorada e colorado ajudaram a construir ao longo desses 110 anos, admitindo como ativo/produto ($$) algo que não deveria ser tratado como um.

Com o objetivo de alertar toda a torcida colorada sobre os severos riscos desse projeto, trazemos os seguintes tópicos, explicando as movimentações que estão sendo feitas pelo Conselho de Gestão do clube e dos impactos que esse projeto deve acarretar, se aprovado:

– O Inter possui licença de uso da área do complexo Beira-Rio, licença concedida no ano de 1956, quando iniciou a fase de aterramento e construção do que, há mais de 50 anos, chamamos de nossa casa. Portanto, o clube não pode comercializar essa área. Porto Alegre concedeu a área para a torcida colorada ter o seu espaço e não para que o clube a loteasse e comercializasse. Dentro da proposta redigida, o clube propõe, inclusive, devolver área que é do Inter para a prefeitura, mediante contrapartida para que a mesma, através da Câmara de Vereadores, permita a mudança da licença de uso, para uma licença que permita comercialização e também a moradia no local (foco do empreendimento é a moradia);

– O Inter NÃO possui autorização legal para efetuar a construção da <<Maior Torre de Porto Alegre>> e nem da outra torre, menor e adjacente. Ambas ferem frontalmente o Plano Diretor de Porto Alegre. O clube possui atualmente um EVU aprovado (Estudo de Viabilidade Urbana) que foi autorizado em 2012, com o processo de reformas para a Copa do Mundo de 2014, e que prevê outro modelo de construção, prédios menores e compactos, que tinham como objetivo serem hotéis. Mesmo nesse EVU que foi aprovado em 2012, existem uma série de pendências, como por exemplo: laudo arqueológico da área, estudo de impacto ambiental, contrapartidas que não foram realizadas até hoje, entre outros pontos. Portanto, o clube NÃO PODE executar a obra hoje e, mesmo que quisesse executar o modelo de obra pensado em 2012, ficaria a mercê de prestar contas junto ao Ministério Público, referente a estes pontos não executados na aquisição do EVU anterior;

– O modelo de construção dessas torres não é como o projeto de reforma do Beira-Rio, ou como o projeto que vem sendo ventilado para o Ginásio Gigantinho, uma parceria de exploração comercial, onde uma empresa parceira pode explorar comercialmente a área por alguns anos e ao fim do contrato toda a estrutura volta a ser do Clube. Nessa jogada dos “espigões” o clube estará “transformando” uma área utilizada pela torcida colorada para vários fins, em dinheiro para fins que nem sequer se tem destinação no momento. Na prática, o Internacional perderá uma parcela do seu patrimônio PARA SEMPRE. E é este o ponto que mais nos choca, se uma torcida de 7 milhões de pessoas e mais de 100 mil associados conceder o poder de VENDA do patrimônio institucional à dirigentes que ficam, quando muito, 4 anos a frente do clube, correremos sérios riscos de num futuro não tão distante ficarmos sem patrimônio algum. A citar o nosso rival, que pelos devaneios de um ex-presidente vendeu seu estádio, mudou de bairro e firmou um contrato totalmente duvidoso com uma construtora. Está há anos sem estádio próprio, tendo que gestão após gestão trabalhar pra tentar reverter esse cenário, tentando adquirir em definitivo a sua casa novamente;

– Somos frontalmente contrários a comercialização do nosso patrimônio, mas, mesmo que o leitor considere essa alternativa como viável, comercialmente esse negócio não faz nenhum sentido nesse momento. A área do Beira-Rio e do seu entorno está gradativamente se valorizando, há anos todo desenvolvimento da urbanidade tem se voltado para a Zona Sul. Nesse momento temos as três etapas de construções, todas de grande porte, que valorizarão todo esse trecho da orla do Guaíba, a constar: o já inaugurado Novo Gasômetro e as outras duas fases que irão revitalizar a orla até a altura do Barra Shopping Sul. O clube estaria comercializando um patrimônio antes dele passar por um iminente processo de valorização. Nada justifica essa atitude precipitada! A não ser uma visão imediatista de quem quer ter receitas em mãos e desconsidera o ontem e o amanhã do clube nessa estratégia;

– Enquanto sociedade, esse projeto cafona de prédios arranha-céus, que não dialoga com o entorno urbano e seus fluxos, é altamente promíscuo, pois basicamente transforma uma área que foi cedida pela cidade, portanto uma área de todos os contribuintes, em uma moeda para o bel-prazer de alguns dirigentes do hoje, para que os mesmos possam utilizar o dinheiro no que avaliam como importante. Sem contar, que um projeto desse porte, que tem como público-alvo a alta sociedade gaúcha, comprometeria tudo o que acontece nesse trecho da cidade, seja alterando a forma como hoje funcionam as operações de jogos no estádio Beira-Rio, seja contribuindo com a nefasta gentrificação da área, sendo uma etapa óbvia para o argumento de remoção das Escolas de Samba, do Quilombo Lemos no outro lado da rua e, até mesmo, dos moradores de trás da antiga Fase.

Todos nós estamos sujeitos as armadilhas ardilosas das sereias e do mercado, se não formos ávidos na defesa do nosso patrimônio e das nossas vidas, o rochedo e os espigões são os iminentes destinos que nos aguardam. Que os dirigentes do clube repensem essa estratégia equivocada de tornar em ativo comercial nosso amplo, rico e histórico patrimônio, que não sejam ludibriados pelo brilho das moedas e, principalmente, que não coloquem o Clube do Povo em oposição aos interesses de Porto Alegre, do Estado e da população.

Quem é o Inter? Para onde o Inter vai? O que o Inter possui? Precisamos pensar, depende de nós…

Frente Inter Antifascista

*originalmente publicado no site do Repórter Popular, aqui

O futebol feminino

Simples assim. O futebol feminino (ou feMENINA, como minha pequena sempre diz).

Num fim de semana de Grenal num grande estádio da capital, lá em Gravataí, um jogo decisivo acontece horas antes. Um time de massas, aqui de Porto Alegre, contra outro mediano, mas figurante do cenário principal do futebol nacional, lá de Belo Horizonte.

Duas treinadoras mulheres, duas bandeirinhas, 22 jogadoras fardadas, um juiz homem. Cerca de 700 pessoas nas arquibancadas.

O apito soa, a bola rola, a vontade impera.

O jogo é bom, as mineiras com grande capacidade e aplicação tática, quase superam uma linha de quatro habilidosas atletas da equipe gaúcha – a 9, a 8, a 7 e a 10.

A arqueira da casa faz um milagre na primeira etapa, o empate é dela. No segundo tempo, a tensão aumenta, mas as gaúchas dominam um jogo truncado, disputado, mas com vários momentos de virtuosidade das craques sulinas.

A treinadora local então ousa, tira a lateral esquerda, que esteve bem na primeira parte do jogo, e coloca uma atacante, puxando a camisa 9 para a ala. O time fica mais ofensivo, mesmo precisando apenas que a igualdade impere.

E a bola bate no travessão! Passa perto ao lado! Agora pelo outro lado, triscando o pé da trave das mineiras!

Minha companheira pula de nervosa na arquibancada, está torcendo! Nunca a vi torcer!

Nossa pequena achou uma amiguinha, toda fardada também. No meio de suas brincadeiras de criança, uma parada para conferir quem está saindo de maca e por quê. Chega no alambrado, observa atenta. A senhora ao lado, tragada pelos seus cigarros, mais de 70 anos, por óbvio que parecia, passou a berrar ao final do jogo, também incentivando as guerreiras em campo.

Agora, com o tempo passando, a luz se indo no horizonte, a classificação mais próxima, a torcida canta mais alto. A murga está presente, as pequenas não brincam mais, elas cantam!

Sim! É uma partida de futebol!

As cores dos times não importam, mas o gênero, SIM!!!

*por Gustavo Türck

MAIS QUE UM JOGO | Renato não entende porque gays no futebol viram notícia

No último final de semana, um grande jornal brasileiro publicou uma entrevista com Renato Portaluppi. A manchete diz que Renato não entende porque gay no futebol é notícia.

Renato frequenta o ambiente do futebol há mais de 3 décadas. Além de excelente jogador, sua marca registrada sempre foi o jeito de “machão pegador”, personagem este indissociável do machismo. O tal do machismo, sempre presente no futebol. O tal do machismo que acha que “o que as meninas, com todo respeito, não podem fazer de maneira alguma, é se comparar aos homens. Isso nem daqui a dois séculos”. Nosso treinador acha isso, com todo o respeito.

Renato, esse homem cis, hétero, branco e com um salário de muitos dígitos, o que colocaria ele na tal “Classe A1′ do IBGE, diz que a coisa está melhorando com Witzel no governo do Rio de Janeiro. Wilson Witzel é aquele governador que comandou pessoalmente, de dentro de um helicóptero blindado, uma operação onde agentes de segurança pública atiram de cima para baixo, a esmo, em uma favela. O estado governado por ele, de janeiro a abril de 2019, teve 538 pessoas mortas pela polícia (levantamento feito pelo Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro). É uma média de 5 mortos por dia, mas nosso treinador acha que a coisa está melhorando.

Renato apoia o atual presidente e o atual ministro da justiça. Disse que são pessoas do bem, e que “quem é contra esses caras é contra o crescimento do Brasil.” Avisem Renato que vai ser difícil crescer em um país cuja educação teve um contingenciamento de 25% no seu orçamento, mas a liberação de agrotóxicos cresceu 42%.

Renato não entende porque gays no futebol viram notícia. Ele disse que não pode “entrar no vestiário de sacanagem por ser gay e levar mais para o lado gay do que para o trabalho.” Talvez nosso treinador não saiba, mas não existem profissões exclusivas para determinada orientação sexual, ou seja, não tem como “levar para o lado gay”. Mas se Renato quiser muito misturar orientação com desempenho no trabalho, alguém avisa pra ele que a artilheira da Copa do Mundo feminina, a estadunidense Megan Rapinoe, é homossexual. Aliás, a maior artilheira de todos os tempos, a nossa Marta, também é.

Renato não entende, afinal de contas, é difícil sentir empatia por algo que não conhecemos. Ele não entende pois não foram 4422 homens héteros – como ele – mortos entre 2011 e 2018. Não foram 552 mortes de héteros por ano, e nem mesmo existe uma heterofobia, que vitimaria uma pessoa a cada 16 horas.

Se atletas homossexuais viram notícia é porque existem 11 países no mundo onde a relação consentida entre dois adultos do mesmo sexo é punida com morte, e um em cada três países do mundo condena a homossexualidade. É preciso ter muita, mas muita coragem pra se assumir neste planeta, e mais ainda quando ambiente de trabalho é conhecido por sua homofobia, como no caso do futebol. Renato não entende. Talvez ele não saiba, ou talvez ele simplesmente não queira entender, pois não se importa.

Ficamos com o ídolo, rejeitamos a pessoa.

Movimento Grêmio Antifascista

“O povo foi obrigado a se unir porque a prefeitura é omissa”.

Torcidas organizadas do Inter dão exemplo de solidariedade

Reportagem e fotos por Gustavo Ruwer/Repórter Popular

Nesta sexta-feira (5 de julho), tivemos a noite mais fria do ano em Porto Alegre, segundo meteorologistas a mínima chegou a 3ºC com sensação térmica de -2ºC. Uma ação solidária organizada pela Diretoria de Inclusão Social do Sport Club Internacional, abriu o Gigantinho, ginásio do colorado, para receber pessoas em situação de rua. Como protagonistas da ação, se destacam as tradicionais torcidas organizadas do Inter, como a Guarda Popular, Camisa 12, Nação Independente e Força Feminina Colorada.

A estrutura do evento esteve disponível para 300 pessoas em situação de rua, praticamente dobrando as vagas hoje oferecidas em Porto Alegre, que totalizam 355. Cerca de 50 mil peças de roupas, 7 toneladas de alimentos, 2 mil cobertores e 3 mil litros de água foram arrecadados. Além disso, trabalhadores da Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC) ofereceram vacinas contra a gripe, testes rápidos de HIV, Sífilis, hepatites e tuberculose.

Muitas vezes criminalizadas pelos grandes veículos de mídia, as torcidas organizadas e barras do Inter tem um histórico de ações sociais desenvolvidas em comunidades de Porto Alegre e região metropolitana, asilos, hospitais e ocupações urbanas. Em entrevista para o Repórter Popular, integrantes das torcidas relatam algumas ações organizadas anteriormente e defendem que se é possível juntar pessoas para torcer, também se pode juntar para fazer ações solidárias.

Camisa 12

“A gente faz esses movimentos seguido, só que não é divulgado, né? A gente faz  e não aparece. A torcida organizada é marginalizada, aparece sempre o lado negativo, o positivo nunca. (…) Então o que a gente tá fazendo aqui, hoje, é só um pouco do que a Camisa 12 vem fazendo ao longo dos anos. Não só a 12 como as outras organizadas, como a Nação e a Popular que está aí também.” – Mari, integrante da Camisa 12

Nação Independente Colorada

“No natal do ano passado a gente atendeu em média 800 crianças da Vila Mato Grande, em Canoas, com brinquedo, bala, animação, cachorro quente… A torcida sempre tá engajada nesse tipo de coisa.” – Leonardo “Bochecha”,  vice-presidente da Nação Independente Colorada

Guarda Popular do Inter

“A gente já estava fazendo a campanha do agasalho,e  como teve esse evento hoje, a gente trouxe todas as roupas pra cá. É maravilhoso ajudar a quem precisa, a gente tá desde as 9 horas ajudando e separando roupas. Essa semana, a gente provavelmente vai nas Ilhas levar roupas, comida, rancho, tudo que a gente já tá separando pra ajudar realmente quem precisa nesse momento, nesse frio aí.” –Wagner, integrante da Guarda Popular do Inter

Força Feminina Colorada

“A gente já tem um trabalho com mulheres vítimas de violência doméstica na Ocupação Mirabal, a gente tem a banda também, que é um projeto social que tem há 3 anos, que chama a gurizada das periferias pra aprender a tocar um instrumento musical, pra socializar, pra conhecer outros capitais, ter contato com outras coisas que eles não tem na região deles. A gente consegue ingresso, leva eles pra parques, faz várias coisas fora do dia a dia deles. Como o futebol tá muito elitizado e o preço dos ingressos cada vez mais caros, é uma forma da Força Feminina Colorada de trazer essas pessoas pra dentro do estádio, que não teriam condições.”  – Janaina,  vice-presidente da Força Feminina Colorada

A prática é reconhecida pela própria população de rua

É o que afirma Deivid, gremista e morador de rua do centro de Porto Alegre (entrevista na íntegra no fim da reportagem):

“Eu fico na Praça XV e uma das torcidas organizadas do Inter, se não me engano a Camisa 12 ou a Super Fico levou comida pra nós.” Deivid, em situação de rua

O oportunismo da Prefeitura de Porto Alegre

Em nota, o Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) critica a parceria da Prefeitura de Porto Alegre com o Inter e afirma que o prefeito Nelson Marchezan Jr. está acabando com a política de assistência social da cidade fechando o único restaurante popular, despejando um abrigo Municipal e expulsando pessoas em situação de rua de alguns locais da cidade.

Adesivo da Frente Inter Antifascista

Os torcedores do Inter concordam com a crítica apontada pelo MNPR, o texto da Frente Inter Antifascista publicado na coluna “Mais que um jogo” na sexta-feira (5) denuncia o sucateamento das políticas públicas de assistência social e questiona:  “Após serem abrigados no Ginásio Gigantinho nesse final de semana, para onde essas pessoas irão?”. Para os colorados, a ação solidária é uma resposta a omissão da prefeitura, que teria inclusive teria tentado se autopromover em cima da ação. 

“Por isso que hoje tá isso aqui, né? O povo foi obrigado a se unir em prol dessas pessoas porque a prefeitura é omissa.”  – Mari, integrante da Camisa 12

“Eles tiveram aqui mas (…) a mão de obra total, foi quase das torcidas em relação a separação de roupas, os Cozinheiros do Bem junto com as [torcidas] organizadas.” Wagner, integrante da Guarda Popular do Inter

“Exatamente o que a prefeitura fez eu acho que eu não sei te dizer de fato (…). A parte social da prefeitura tá deixando bastante a desejar. Tendo consciência e vendo o que está acontecendo, a população se junta nos seus grupos e faz o que o poder público não está fazendo.” – Janaina,  vice-presidente da Força Feminina Colorada

“É uma ação fundamental por parte do clube e das torcidas, mas um pouco de oportunismo por parte da prefeitura, que vem compondo uma série de desmanches no aparato que dá um suporte pra essas pessoas que vivem em situação de rua. Um elemento que prova isso é a demanda que teve aqui hoje.” – Integrante da Frente Inter Antifascista que preferiu não se identificar

“Essa iniciativa do Internacional está sendo feita em conjunto com a prefeitura mas a prefeitura não disponibilizou um ônibus  pra nos trazer pra cá, quem nos trouxe pra cá foram duas pessoas que eu nunca vi na rua, a prefeitura tá cagando e andando, velho (…) é querer pagar de bonzinho, querem levar o crédito por uma coisa que é obrigação deles.”Deivid, em situação de rua

Sucateamento das políticas públicas de assistência social

Os torcedores entrevistados acreditam que houve um crescimento da população em situação de rua em Porto Alegre em contraposição a isso, o sucateamento das políticas públicas. Eles criticam medidas como o fechamento de albergues, restaurantes populares e perseguição à população de rua e defendem mais investimentos nas políticas públicas para população de rua.

“Eu vejo que pelo aumento de moradores de rua, a prefeitura não prioriza isso né, não prioriza os albergues, não prioriza resolver esse problema que é o do morador de rua.” Mari, integrante da Camisa 12

“Fechamento de albergue, tirar as pessoas de baixo de viaduto e simplesmente jogar as coisas fora e não dar uma perspectiva para essas pessoas.”Janaina,  vice-presidente da Força Feminina Colorada

 

“Quando se fecha albergue, se fecha restaurante popular é sempre ruim, porque tem pessoas que dependem desse lugar.– Leonardo “Bochecha”,  vice-presidente da Nação Independente Colorada

“Pra além de hoje (…) que exista uma política pública qualificada, que os aparatos que já existem pra isso recebam investimentos” – Integrante da Frente Inter Antifascista que preferiu não se identificar

Conheça a história de Deivid

Deivid, em situação de rua, denuncia o descaso da prefeitura em relação a população de rua. A pedidos dele, publicamos a conversa que fizemos na íntegra a entrevista. Assista abaixo:

“A política da prefeitura é podre. (…) Nós somos considerados um número, se dez saírem amanhã, dez entram, ou vinte, ou trinta, ou quarenta. Nesses albergues, eu vi constrangimento ilegal, eu vi agressões verbais, eu vi agressões físicas contra deficientes mentais, contra mulheres grávidas, contra idosos. Comigo nunca aconteceu nada, mas eu vi.” Deivid, em situação de rua

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