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Heavy Hour 14 – 09.11.18 – Agro é pop o cacete! o negócio vai acabar com o Brasil!

Um programa que traz – de novo – o livreiro Bolivar, oráculo, e o antropólogo Pablo Quintero, venezuelano, estudioso da causa indígena e que usa relógio de pulso Casio em 2018. Com contribuição do falante Leonardo Melgarejo e sua lógica didática e concatenada, pra dizer a todos que… estamos na meeeeerdaaaa!

Que som rola neste episódio?
Inraza – Sociexit
Led Zeppelin – The Battle Evermore

Caetano Veloso – Long Way
Kreator – When the Sun Burns Red
Killah! – Vibe Demente

Rage Against The Machine – Freedom
Out In Style – Lucid Dream
Bizibeize – Eu não quero ter que ser
Audiozumb – A Voz

Judas Priest – Breaking the Law
Drop Inside – Sem Repostas
Vivar – Daydreaming
Yngwie Malmsteen e Tim Ripper Owens – Mr. Crowley

Filmografia Social – Cavalo dado não se olha os dentes

Bojack Horseman é uma daquelas animações incríveis. Um monte de gente acharia idiota, sem sentido, pelo simples fato de ser um desenho – como Os Simpsons, por boa parte de sua existência -, fazendo com que muitos perdessem uma obra feita para a reflexão profunda do ser – e entrega isso na sua vinheta de abertura de cada episódio.

A bizarrisse de se misturar personagens que são humanos com seres bípedes animalescos – o personagem principal é um cavalo! -, fazê-los relacionarem-se sexualmente e intimamente nos transes psicossociais deve deixar quem vive dentro dos conceitos de certo e errado impostos pela sociedade judaico-cristã de cabelo em pé.

O fato é que esta é uma tática muito inteligente. Ela distancia o público que assiste da realidade forte que propõe. Ela bestializa relações que passam a ser absurdas para que o subjetivo de quem recebe a mensagem não se identifique diretamente com o que se está assistindo e permita que camadas sensíveis do raciocínio sejam acionadas. A catarse existe, mas não tão violenta.

Porque o tema da série é abandono e solidão. E, talvez, hoje, Álvares de Azevedo e Casemiro de Abreu pudessem ser tranquilamente os roteiristas de seus episódios.

Bojack é um ator de televisão ultrapassado, mas megafamoso por seu protagonismo em um seriado familiar que se passou nos anos 1990. Ele tenta retomar uma carreira que se esvai no esgoto de relações do mundo das celebridades de Hollywood. Há um entrelaçamento de vários personagens e de suas também complicadas vidas, mas, ao mesmo tempo, um tanto superficiais – assim como demanda este tipo de estória.

É poético. Há arquétipos e episódios incríveis, finais apoteóticos, psicodélicos – destaque para um que finaliza com Bojack em uma estrada, dirigindo um conversível, com trilha sonora infalível de Nina Simone, e o episódio da eulogia da morte de sua mãe.

Já são 5 temporadas no catálogo Netflix.

NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: animação
Temática Social: solidão, abandono, drogadição
Público-alvo: adultos com mais de 30 anos, para entender plenamente a sagacidade do humor sarcástico e das autorreferências, é indispensável o conhecimento da cultura pop estadunidense – mãe da cultura pop brasileira – e do inglês (não assista dublado!). Mas, sim, brasileiros podem se autorrefereciar tranquilamente, basta modificar mentalmente o cenário hollywoodiano para o globodiano
Roteiro: 
(o roteiro é um chiste hollywoodiano autorreferenciado, já foi visto em tantas produções diferentes ao longo das últimas décadas – filhotes de Orson Welles -, mas consegue dar poética à uma sátira sarcástica usando elementos bizarros que faz sentido e salta aos olhos)
Dramaturgia: 
(a animação e a performance dos que dão as vozes – e vida – aos personagens é sensacional. Bojack Horseman não precisou deixar os personagens amarelos e com quatro dedos para se distanciar do “real”, a série explorou graficamente uns 3 degraus da escada da abstração e literalmente desenhou seu universo com traços bem feitos, fazendo com que o bichos e pessoas realmente parecessem como tais numa projeção de duas dimensões incrível)
Aprofundamento da Questão Social: 
(a metalinguagem é tão profunda que estouraria a cotação que nos propomos)

Por Gustavo Türck

– Filmografia Social é um conteúdo apoiado pela Graturck – perícia social, consultoria e cursos (www.graturck.com.br) e é publicado simultaneamente no site/redes do Coletivo Catarse e no site/redes da Graturck todas as quartas-feiras

Hempadura – Resistência 1.0

Não, não… Na real é Resistência de Ka 1.0…

A Hempadura vai invadir várias praias, mas não pra ser mais alguns dos inúteis úteis. A partir do dia 9 de novembro, os 4 com todos seus apetrechos musicais embarcam numa nau 1.0, enfrentando as marés das BRs, passando de Caxias do Sul, Floripa, republiqueta de Curitiba e caindo na mui amiga e retroprogressita São Paulo.

Galera viajando com tema Foda-se o Sistema e nomeando a parada de Molotov Tour, no contexto atual e nos locais que vão passar, companheiro… Vai ser demais!!!

Imagine-se no meio de uma alemoada catarinense gritando “Queimem, bando de filhadaputaaaaaaa!!!!” ou então lá em Sampa fazendo um mosh pit ao som de 5 Tiros, descarregando a puta raiva, meo, dos puliça que mata geral na quebrada.

É, véio… Hempadura indo pra um caminho sem volta, perfurando a superfície do caos dessa porra deste palanque de mentiras que estamos vendo e mergulhando na teoria da conspiração aplicada à realidade do mercado da morte.

Vais perder esta ou vais ficar de zumbi?!

Amém.

Programação da tour (eventos do Face clicáveis):
09/11 – Caxias do Sul/RS – Porão do Kaos 281
10/11 – Rio do Sul/RS – Gaia Tatto Bar
12/11 – Florianópolis/SC – Taliesyn Rock Bar
14/11 – Curitiba/PR – 92 Graus
15/11 – Campinas/SP – Casa Rock
16/11 – São Paulo/SP – Centro Cultural Zapata
18/11 – Imbituba/SC – Drakos Beer Pub

Heavy Hour 13 – 01.11.18 – Jair, queime no inferno!

Com Homero Pivotto, vocalista da Diokane, autor da webserie “Ben para todo mal” e assessor de imprensa da @abstratti, falando de arte, também com participação de Flávio Koutzi, dando sua palha de o que que a gente faz agora…

Lista de músicas do programa:
Necromatório – Jair Queima no Inferno
Nirvana – Lithium
Gluecifer – Shakin So Bad
Diokane – The Light That Makes Us Blind

Red Hot Chilli Peppers – The Power of Equality
Percy Sledge – A Whiter Shade of Pale
Sepultura – Desperate Cry
Soulfly – Feedback

Slipknot – All Out Life
Green Day – Boulevard of Broken Dreams
Rise of the Northstar – Here Comes The Boom
The Murder Ballads Club – Sisters Sisters

Filmografia Social – O Grande Tambor precisa bater!

Num momento em que se inicia o mês da Consciência Negra e que se elege presidente um racista confesso, nada mais certo que indicarmos uma produção nossa: O GRANDE TAMBOR.

Neste documentário em longa-metragem, denso, forte, há uma jornada que começa contando a história de um instrumento que foi a base do samba considerado gaúcho, mais cadente, mas que foi sumindo a partir da década de 1970 pela massificação cultural e pela “carioquização” do carnaval nacional. A partir disso, vamos retornando no tempo e observando as origens da ocupação do povo negro no território gaúcho – uma violenta narrativa de escravidão e genocídio, com sequestro de sua prática religiosa para consecução de objetivos mercadológicos do ciclo do charque.

O Grande Tambor recupera a ideia de que a Revolução Farroupilha não foi revolução coisa nenhuma e detalha o papel decisivo do infame Duque de Caxias – um herói da horda fascista vitoriosa no último pleito presidencial – no massacre de Porongos, apresentando a carta enviada aos comandantes brancos do batalhão conhecido como Lanceiros Negros.

Uma viagem de desmistificação. Assista atento, aberto a ouvir muita informação e prováveis contrapontos ao que você sempre entendeu como certo.

NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: documentário etnográfico
Temática Social: racismo
Público-alvo: gaúchos interessados em sua história, pessoas de outros estados que acreditam que o Rio Grande do Sul é a Europa do Brasil e que aqui não há negros, músicos interessados em percussão, pessoas que gostam de carnaval e samba
Roteiro: 
(o caminho é bem delineado, a jornada vai detrás para frente no tempo e descortina as camadas históricas da contribuição do povo negro na cultura e realidade do Rio Grande do Sul e Brasil, mas pela duração pode ser considerado muito massante)
Dramaturgia: 
(a fotografia não é das melhores, com diferenças entre câmeras e personagens, sem definição de linguagem, o áudio também demandaria melhor tratamento, o filme parece esteticamente não finalizado, mas isso tudo pela opção de se valorizar o conteúdo, que tem uma boa construção emotiva, de momentos de respiro para reflexão e vários ápices catárticos)
Aprofundamento da Questão Social: 
(a razão da existência deste filme é exatamente ser uma obra que aprofunda a questão do racismo na construção histórico-cultural do Rio Grande do Sul, é pleno neste sentido)

Assista ao filme:

Confira todo o material do projeto aqui no site, clique aqui.

Por Gustavo Türck

– Filmografia Social é um conteúdo apoiado pela Graturck – perícia social, consultoria e cursos (www.graturck.com.br) e é publicado simultaneamente no site/redes do Coletivo Catarse e no site/redes da Graturck todas as quartas-feiras