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Tainhas no Dilúvio – Episódio/cena 1: na cidade, em casa

Tainhas no Dilúvio é um curta-metragem que está sendo lançado hoje em formato de websérie. Ao longo de 9 semanas você poderá acompanhar um novo episódio/cena deste filme e, também, acessar no site do projeto informações para uma cidade mais sustentável a partir de iniciativas que já estão em prática em diversas partes do mundo.

Acesse: www.tainhasnodiluvio.com.br

Uma realização Coletivo Catarse e Cinehibisco com o apoio do Fundo Socioambiental CASA

Episódio de hoje: na cidade, em casa

Lançamento da websérie Tainhas no Dilúvio

Assista à websérie Tainhas no Dilúvio a partir de 7 de março de 2018.

Uma série sobre as implicâncias do uso da água e dos impactos que a urbanidade pode acarretar no dia-a-dia das cidades. A série é parte de um projeto de crônica sobre a lógica desenvolvimentista da reordenação do espaço urbano colocando em reflexão o tema e contrapondo-a às soluções sustentáveis que existem e que já estão em prática em pequenas iniciativas.

Durante 9 semanas, no site www.tainhasnodiluvio.com.br será possível acompanhar semanalmente o lançamento de um episódio novo, contando com uma pequena pesquisa de iniciativas que se relacionem com as temáticas abordadas em cada tema apresentado, além de outros materiais relacionados ao arroio que corta a capital do Rio Grande do Sul ao longo de um percurso de mais de 12 quilômetros.

Este projeto é uma realização do Coletivo Catarse e Grupo Cinehibisco com apoio do Fundo Socioambiental CASA.

Datas previstas dos lançamentos dos episódios:
1. em casa, na cidade – 07.03.18
2. o andar de cima – 14.03.18
3. a conta – 21.03.18
4. (i)mobilidade – 28.03.18
5. tempestade – 04.04.18
6. a volta da água – 11.04.18
7. encontro – 18.04.18
8. tem tainha no dilúvio – 25.04.18
9. um olhar sobre a cidade – 02.05.18

3° ROLE HC e a dificuldade de ser um produtor no underground

Dia 16 de dezembro rolou a 3ª edição do evento ROLE HC, que é encabeçado pela banda Boca Braba Hardcore, de Viamão, e sempre conta com uma cooprodução colaborativa das bandas que eles convidam.

O ROLE HC é um evento com data marcada sempre para o final do ano, que marca o final de um ciclo da Boca Braba, quando eles realizam seu último show do ano, e geralmente sempre acaba sendo o último show das bandas que eles convidam também. Com isso, sempre se forma um clima de união e diversão com a galera e as bandas envolvidas.

Para esta 3ª edição, foram convidadas as bandas Troll, Roleta Russa, CxFxC e Hempadura.

O que podemos dizer da festa é que foi uma junção de amigos das mais distintas vertentes do hardcore pesado, são bandas que já vêm a algum tempo movimentando o underground rock’n roll/metal da capital gaúcha e fora dela, já que este ano os Boca Braba Hardcore estiveram numa minitour pela capital do Brasil – e bem que poderiam ter tocado fogo literalmente, né? As demais bandas tb já estão calejadas de pegar a estrada e divulgar sua música em diversas cidades.

E tudo rolou perfeito como combinado e organizado – a não ser pela produção do local, o Riff-E Bar, com quem se acertou que a casa abriria as portas às 17h com os shows começando às 20h, para a festa acabar no máximo à 1h da manhã, pois foi esse o limite que havia sido imposto pelo bar nas conversas de produção do evento. Mas, quando chegamos no local, a situação estava fora de controle da produção do evento, pois o dono do bar “fincou o pé” que só abriria o bar às 22h e que poderia acabar depois da 1h da manhã, que não haveria problema em se terminar depois desse horário. Ou seja, toda uma produção e divulgação forte foi por água abaixo. Eram 20h e já tinha uma galera na frente do bar. Eu precenciei algumas pessoas se informando de que iria atrasar o evento, fazando com que virassem as costas e fossem embora. Também alguns amigos não puderam ficar até o final para ver todos os shows exatamente pelo horário.

Infelizmente, isso é algo muito ruim para o underground local, pois se faz uma produção e organização digna de evento grande, pois as bandas não são mais “de gurizada de 12 anos”, simplesmente, recém saindo da garagem. São bandas com trabalhos sólidos e postura profissional, porém, como ainda não têm “nome”, as casas de shows deitam e rolam, deixando prejudicados e com nome sujo no cenário as bandas e produtores. Mas, enfim, essa é uma realidade local, com a falta de valorização dos artistas – pauta para um outro texto.

Então, seguimos no “Role”, o bar abriu às 22h e já começou com pedrada da banda Troll, de Porto Alegre, que faz um death/grindcore com crossover. Eles mandam um som brutal e forte, fazendo jus ao nome “Troll”.

Na sequência, quem subiu no palco foi a banda Roleta Russa, de Alvorada. Os malucos são “chinelo”, fazem um hardcore com pegada new metal de “vagabundo”, com letras de forte posição social e riffs cadenciados, que mantêm a galera batendo cabeça do início ao fim.

Depois subiu a banda CxFxC, de Canoas, banda com mais de 20 anos sem nunca ter parado, os caras fazem um crossover-trash forte e rápido, com solos de guitarra com aquele sentimento que te levanta de emoção e refrões grudentos tanto em letras quanto em riffs.

Se encaminhando para o final do evento, antes dos anfitriões BBHC, sobe ao palco a Hempadura. Bom… Como é minha banda, não tenho como falar muita coisa. Fizemos um show bom, pois o som estava ótimo, e os amigos pilhando no nosso hardcore.

Vamos, em fim, aos Boca Braba Hardcore, mulecada de Viamão, com 4 anos de estrada, 1 ábum e um EP lançados – e com um show pesado, rápido e cadenciado. Sim! Isso é possivel! E eles conseguem fazer isso muito bem, sem falar nas letras sociais, que metem o dedo na ferida mesmo. A gurizada curte, pois estamos precisando de bandas assim.

Infelizmente, pelo horário de atraso, o pessoal não ficou em peso até o final do show dos BBHC, mas quem ficou se divertiu, curtiu e saiu de alma lavada. Foi um rolê muito foda!!!

Fotos: Billy Valdez e Sheiná Botega

Texto: Billy Valdez

Revisão e edição de texto: Gustavo Turck e Marcelo Cougo

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Grupo MÚ – Gente Macaco

Teatro de Arena (Porto Alegre) – 09/12/17

Grupo MÚ apresenta: “Nesse Mundo Maluco”, um espetáculo poético e divertido com canções autorais que retratam a infância na sociedade moderna. A conexão afetiva e educativa entre pais e filhos; a relação da criança consigo, com os outros e o ambiente; sentimentos como o medo, coragem, tristeza, amor e alegria são alguns dos temas presentes. Com uma musicalidade diversificada, coreografias, encenações teatrais, brincadeiras e expressões da cultura popular brasileira, o espetáculo propõe uma experiencia sonora-visual-interativa cheia de surpresas, cativando e envolvendo tanto as crianças como os adultos.

FICHA TÉCNICA:
Músicos: Isaias Luz da, Marie Jafy, Rodrigo Apolinário, Yvan Etienne
Direção artística: Grupo MÚ
Produção: Ari Lopes
Assessoria de Imprensa: Liane Strapazzon
Composições musicais: Rodrigo Apolinário
Arranjos vocais e instrumentais: Grupo MÚ
Orientação cênica: Rudinei Morales
Orientação coreográfica: Juliana Coutinho
Preparação vocal: Marisa Rotenberg
Figurino: Grupo MÚ
Customização de figurino: Mari Chiarelli e Jorge Puchale (Aparattho)

Imagens: Gustavo Türck
Edição: Yvan Etienne

A Persistência do Tempo

Estivemos no show do Anthrax aqui em Porto Alegre. Este aqui é um pequeno texto resenha da noite de 10 de novembro.

Mas vai ser um pouco diferente. Não vamos falar sobre a grande escolha do setlist, que terminou com um petardo, INDIANS, ou sobre a grande apresentação de quase todos os músicos, do baixista e baterista ao “dono da banda”, Scott Ian, que se apresentou na sua perfeita guitarra-base, ou sobre o esforço do vocalista Joey Belladonna em interagir com uma tímida e insuficiente plateia (não houve bis pela passividade ao final!) – mas muito contente de estar ali – e com a constrangedora forma do guitarra solo, mais parecendo um membro de banda de pagode aos passinhos de batuque do que de uma banda fantástica, de sons contundentes, de heavy metal clássico, que ele mesmo, nos dedos na guitarra, contribui imensamente.

Minha relação com Anthrax começa lá no meu segundo grau, em meados da década de 1990, com o álbum Persistence of Time. Ouvi em uma cassete gravada de um CD alugado em locadoras que existiam por toda a cidade. Copiei a fita em outra, uma BASF Cromo Extra II. Nunca a escutei muito, mesmo que gostasse do som. Minha praia no heavy metal era mais Metallica mesmo, quase exclusivamente, entre outras preferências que se constituíam via mundo do pop e rock and roll – como Led Zepellin, por exemplo. E fui me afastando naturalmente.

Sinceramente, hoje, ouvir algumas originais das músicas tocadas no Opinião naquela noite não me agrada tanto, porque o som parece mais ir para o lado de um Iron Maden ou de bandas que flertavam com o hard rock do que com aquele peso das guitarras base do Metallica. Mas Persistence of Time, mesmo com um uptempo alto, me agradava – e ainda agrada.

E no Opinião, neste novembro de 2017, mais de 25 anos depois, me encontrei com um tipo de som que, realmente, faz parte de mim. Ainda mais com esta versão ao vivo de músicas que transpassaram a história do grupo e que persistem no tempo.

Estou há 3 anos de volta ao heavy metal, tendo produzido mais de 80 programas de webrádio – o Heavy Hour – sobre o tema. Ou seja, me inserindo novamente na “cultura”. Várias vezes colocamos sons do Anthrax, mas nunca tinha ido a um show da banda. Realmente foi revigorante!

A nota ruim fica ainda pela presença entre a plateia de gente vestindo adereços do Pantera – que tem membros da banda declaradamente nazi-fascistas. Entende-se que o público do heavy metal seja erudito, com certo grau de intelectualidade – ou completamente ignorante mesmo, por não entender nada do inglês e curtir mesmo o tal do bate-cabeça e o bolo (headbang e moshpit). No caso do que vimos, todos presentes pareciam ter as letras bem afinadas e completas no seu inglês individual. O que suscita um estranho raciocínio: esses fãs do Pantera, que possivelmente compartilham de seus valores, como será que ficaram ao ouvir – e quiça até mesmo gritar – o refrão DIE FOR THE INDIANS! que encerrou a apresentação como uma assinatura clara de que Anthrax e o heavy metal são, sim, ativistas?

Mas é Porto Alegre. Nada me surpreende.

As fotos são de Billy Valdez e o texto de Gustavo Türck.

Imagens: Billy Valdez