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Heavy Hour 15 – 14.11.18 – Vamos falar de racismo? De novo?! Sim, porra!!!

Um programa com o coordenador estadual da UNEGRO, Dilmair Monte. Papo sobre a Grande Marcha Zumbi Dandara, dia 20/11, e mais uma sugestão do Livreiro Bolivar, A Liberdade É Uma Luta Constante, de Angela Davis. Estamos total novembro… Ah! E novidades na criação da Rede Heavy Hour! Vamos a Pelotas e Santa Maria!

Quem toca neste programa:
Bloco 1
Mangueira – samba enredo 2019 “Eu quero um Brasil que não está no retrato”
Sepultura – Symptom of the Universe
Tango Feroz – El Amor és más Fuerte

Bloco 2
Living Colour – Type
THC Core
Visão Vermelha – Sputiniks
Balboa Punch – Paying with the Life

Bloco 3
System of a Down – Chop Suey!
The Doors – The End live in Toronto 1967

Audiovisual para transformar – Parte 2 – nos bastidores do documentário Cores ao Vento, navegando junto pela arte de Silvio Rebello

Num segundo módulo de oficina em Tapes, propusemos a produção de um documentário sobre a obra de Silvio Rebello. Uma realização Prefeitura e Secretaria de Educação e Cultura de Tapes, numa coprodução Coletivo Catarse, Clube da Sombra e Lagoa TV.
Silvio Rebello foi um artista plástico Tapense. Escultor, pintor, trabalhava com fotografia, projeção de imagens. O talento dele parecia não caber na cidade e, de fato, não coube. Tem obras dele espalhadas Brasil afora e em acervos de pessoas e artistas reconhecidos daqui também. Viveu na Bahia por algum tempo o que influenciou muito sua obra, inclusive trazendo motivos africanos e imagens ligadas aos orixás. Era uma pessoa que enxergava longe mas que estava muito perto de todos por ser extremamente humilde e simples. Parte da população desta pequena cidade não conhece o artista e sua obra, porém quem conhece o admira e ainda se transforma com o legado que deixou.

Assista ao documentário: Cores ao Vento – Navegando pela obra de Silvio Rebello

Como trouxe no outro relato, Tapes já foi, em algum tempo passado recente, uma rota artística bem frequentada por artistas plásticos, músicos, escritores. Em nossas investigações pela cidade, existe uma preocupação muito grande que esse resquício de memória desapareça. Silvio Rebello nos pareceu um registro muito significativo para dar início a salvaguarda dessa história.
A proposta era desenvolver um documentário curta-metragem sobre a obra de Silvio Rebello e um making of do filme. Parte do documentário e o making of realizamos através do segundo módulo da oficina de produção audiovisual, para que os jovens que participaram do primeiro módulo pudessem ter contato com uma produção audiovisual mais elaborada, que trouxesse um conteúdo artístico e se prestasse a ser mais livre e menos encaixotada aos padrões de documentário convencional.

A questão da falta de referências é muito forte nesses jovens. Ter acesso a internet não significa ter acesso a diversidade de conteúdos. Tivemos que, nos poucos dias disponíveis, desconstruir conceitos e enquadramentos, repensando a maneira que enxergamos e reproduzimos o entorno. Para poder filmar, primeiro observamos e isso por si só, já modifica. “Quando o cara não faz muita coisa ligado a cultura, o cara não dá bola. Quando o cara comeca a se ligar no audiovisual, hip hop…qualquer coisa que o cara começa a fazer, ligado a arte, o cara começa a dar valor a qualquer arte em si”, reflete João. Esse me pareceu o depoimento central da experiência desses jovens a partir das oficinas de audiovisual e de tantas outras que tem acontecido na cidade. O empoderamento é visível e a vontade de continuar produzindo também.

Todo o trabalho que fizemos em Tapes visava a autonomia criativa e produtiva dos envolvidos, mas me parece que o grande desafio desses jovens é como, sem o auxílio do poder público ou de terceiros, conseguir se mobilizar para realizar. Como entender que essa continuidade depende (também e principalmente) deles?

Penso que um bom início é rever o que eles fizeram  e acreditar que seja possível isso se repetir com ou sem ajuda. Hoje eles tem acesso fácil a ferramentas audiovisuais, as dominam inclusive, nasceram dentro de uma época em que essa linguagem é a principal, ou seja, eles tem tudo para serem protagonistas de suas próprias histórias, fictícias ou documentais, o que resta é uma questão de autoestima e isso, para mim, significa praticar, praticar, praticar….

Assista ao making of: Bastidores de um Documentário – Navegando Junto pela Obra de Silvio Rebello


 

Projeto Resistência Kaingang – Diário de Viagem (dias 1 e 2)

Aqui começam as publicações que vão contar um pouco da jornada da equipe do projeto em setembro de 2018:

Dia 1 e 2: T.I Serrinha (RS) 24 e 25 de setembro: Sobre os passos de Alcindo Peni Nascimento… Primeiros momentos.

O primeiro dia da nossa estadia nas Terras Kaingang foi um dia de reencontros da companheira Iracema Gatén Nascimento com seus parentes que lutaram junto com ela e com seu pai Alcindo Peni Nascimento nas retomadas de Nonoai, Mangueirinha e Serrinha.

1--Iracema-e-Livia
Iracema Gáten Nascimento e sua prima Lívia Nascimento caminhando na T.I Serrinha

Heavy Hour 14 – 09.11.18 – Agro é pop o cacete! o negócio vai acabar com o Brasil!

Um programa que traz – de novo – o livreiro Bolivar, oráculo, e o antropólogo Pablo Quintero, venezuelano, estudioso da causa indígena e que usa relógio de pulso Casio em 2018. Com contribuição do falante Leonardo Melgarejo e sua lógica didática e concatenada, pra dizer a todos que… estamos na meeeeerdaaaa!

Que som rola neste episódio?
Inraza – Sociexit
Led Zeppelin – The Battle Evermore

Caetano Veloso – Long Way
Kreator – When the Sun Burns Red
Killah! – Vibe Demente

Rage Against The Machine – Freedom
Out In Style – Lucid Dream
Bizibeize – Eu não quero ter que ser
Audiozumb – A Voz

Judas Priest – Breaking the Law
Drop Inside – Sem Repostas
Vivar – Daydreaming
Yngwie Malmsteen e Tim Ripper Owens – Mr. Crowley

Filmografia Social – Cavalo dado não se olha os dentes

Bojack Horseman é uma daquelas animações incríveis. Um monte de gente acharia idiota, sem sentido, pelo simples fato de ser um desenho – como Os Simpsons, por boa parte de sua existência -, fazendo com que muitos perdessem uma obra feita para a reflexão profunda do ser – e entrega isso na sua vinheta de abertura de cada episódio.

A bizarrisse de se misturar personagens que são humanos com seres bípedes animalescos – o personagem principal é um cavalo! -, fazê-los relacionarem-se sexualmente e intimamente nos transes psicossociais deve deixar quem vive dentro dos conceitos de certo e errado impostos pela sociedade judaico-cristã de cabelo em pé.

O fato é que esta é uma tática muito inteligente. Ela distancia o público que assiste da realidade forte que propõe. Ela bestializa relações que passam a ser absurdas para que o subjetivo de quem recebe a mensagem não se identifique diretamente com o que se está assistindo e permita que camadas sensíveis do raciocínio sejam acionadas. A catarse existe, mas não tão violenta.

Porque o tema da série é abandono e solidão. E, talvez, hoje, Álvares de Azevedo e Casemiro de Abreu pudessem ser tranquilamente os roteiristas de seus episódios.

Bojack é um ator de televisão ultrapassado, mas megafamoso por seu protagonismo em um seriado familiar que se passou nos anos 1990. Ele tenta retomar uma carreira que se esvai no esgoto de relações do mundo das celebridades de Hollywood. Há um entrelaçamento de vários personagens e de suas também complicadas vidas, mas, ao mesmo tempo, um tanto superficiais – assim como demanda este tipo de estória.

É poético. Há arquétipos e episódios incríveis, finais apoteóticos, psicodélicos – destaque para um que finaliza com Bojack em uma estrada, dirigindo um conversível, com trilha sonora infalível de Nina Simone, e o episódio da eulogia da morte de sua mãe.

Já são 5 temporadas no catálogo Netflix.

NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: animação
Temática Social: solidão, abandono, drogadição
Público-alvo: adultos com mais de 30 anos, para entender plenamente a sagacidade do humor sarcástico e das autorreferências, é indispensável o conhecimento da cultura pop estadunidense – mãe da cultura pop brasileira – e do inglês (não assista dublado!). Mas, sim, brasileiros podem se autorrefereciar tranquilamente, basta modificar mentalmente o cenário hollywoodiano para o globodiano
Roteiro: 
(o roteiro é um chiste hollywoodiano autorreferenciado, já foi visto em tantas produções diferentes ao longo das últimas décadas – filhotes de Orson Welles -, mas consegue dar poética à uma sátira sarcástica usando elementos bizarros que faz sentido e salta aos olhos)
Dramaturgia: 
(a animação e a performance dos que dão as vozes – e vida – aos personagens é sensacional. Bojack Horseman não precisou deixar os personagens amarelos e com quatro dedos para se distanciar do “real”, a série explorou graficamente uns 3 degraus da escada da abstração e literalmente desenhou seu universo com traços bem feitos, fazendo com que o bichos e pessoas realmente parecessem como tais numa projeção de duas dimensões incrível)
Aprofundamento da Questão Social: 
(a metalinguagem é tão profunda que estouraria a cotação que nos propomos)

Por Gustavo Türck

– Filmografia Social é um conteúdo apoiado pela Graturck – perícia social, consultoria e cursos (www.graturck.com.br) e é publicado simultaneamente no site/redes do Coletivo Catarse e no site/redes da Graturck todas as quartas-feiras