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Heavy Hour 12 – 26.10.18 – Censura nas Universidades e a política dos Pontos de Cultura

O fascismo já está em ação. E, neste programa, Tarso Genro fala da censura a sua aula magna na UFRGS, e dissertamos com Leandro Anton, da Comissão RS dos Pontos de Cultura, sobre uma política transformadora sob ataque há pelo menos 4 anos. E muito hip-hop ativista na lista de músicas!

Filmografia Social – Da evolução revolucionária, passando pelo gangsta rap até a ostentação…

Para onde mais vai o hip-hop? Bueno, de onde saiu, passou a ficar fácil de se saber. A série Hip-Hop Evolution, na sua segunda temporada no catálogo Netflix, traça o caminho de um tipo de música que nasce na periferia de Nova Iorque e ganha o mundo, explodindo no cenário pop – não sem antes construir seu lastro como uma expressão de uma camada de população amassada pelo racismo e as políticas de exclusão do sistema capitalista, que gera tanto uma violência interna, entre seus protagonistas, como externa, como uma trilha sonora de manifestações violentas que ocorreram pelos anos 1980/1990.

Pois o hip-hop passa muito rapidamente de uma “brincadeira” em festas do gueto estadunidense para se tornar por mais de 2 décadas na grande expressão da voz de quem está sofrendo com a violência policial diretamente. Uma galera passa a cantar e descrever o seu submundo, faz chegar aos recantos dos Estados Unidos a visão de que são pessoas que podem se comunicar – e com a intenção de responder – sobre os ataques que sistematicamente uma White America (América branca) tenta os impor. Daí surgem grupos como o N.W.A (Niggers With Atitude – Negros Com Atitude), já da costa oeste, straight out of Compton, diretamente saídos de um bairro violento da periferia de Los Angeles, explodindo as mentes e sendo alvos seguidos da “lei” com o grande clássico Fuck tha Police (Foda-se a Polícia). Era como muitos conseguiram responder às agruras concretas do racismo institucional.

O hip-hop também foi responsável por muitas vitórias da liberdade de expressão nos Estados Unidos. Grupos fudamentalistas sempre tentaram ao longo dos tempos calar seus produtores, mas após lutas longas em tribunais, a porta estava aberta para expandir o campo da poesia e do ritmo das ruas – e daí veio a libertinagem, a linguagem chula, a expressividade e agressividade sexual, que objetificava a figura feminina, mas a mantinha protagonista, até o surgimento da ostentação, já com umas 3 décadas de desenvolvimento, as figuras destacadas do hip-hop deixavam de parecerem pastiches de cafetões que se enchiam de correntes e de ouro como uma sátira para virarem exatamente essas pessoas, trocando a crítica social pela ode ao hedonismo sem limites – os negros, enfim, haviam chegado lá. Assista a essa sequência de uma seleção de músicas ano a ano e veja a transformação dos rappers. E para onde se vai agora?

NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: documentário
Temática Social: racismo institucional, drogadição, machismo
Público-alvo: pessoas interessadas no multiculturalismo e fãs de hip-hop como uma identidade cultural de um extrato social
Roteiro: 
(delineia muito bem a linha temporal e a localização das expressões do hip-hop, esclarece bem a que estão servindo cada grupo retratado e nos guia a um processo evolucionário que vai explicando com boa dose de detalhes as relações estabelecidas em cada fase e/ou grupos)
Dramaturgia: 
(filmagem padrão de documentário contando com vários inserts de flash back e construção de caracteres artística do estilo hip-hop/grafite)
Aprofundamento da Questão Social: 
(dá para entender muito bem de onde vêm as pessoas e para onde elas estão se encaminhando, quais as relações sociais estabelecidas, o contexto social que estão inseridas e quais seus desdobramentos)

Por Gustavo Türck

– Filmografia Social é um conteúdo apoiado pela Graturck – perícia social, consultoria e cursos (www.graturck.com.br) e é publicado simultaneamente no site/redes do Coletivo Catarse e no site/redes da Graturck todas as quartas-feiras

Que toda a corja queime!

Mais uma vez a Hempadura acerta a mão – acerta o grito, acerta o alvo. O clipe Queimem! faz jus ao belo album Artigo 331, recentemente lançado, fazendo bela seqüência ao petardo semiológico 5 Tiros (clique aqui). A montagem é milimétrica, traz referências visuais claras ao que se quer passar de mensagem, a fotografia escolhida segue na penumbra e na obscuridade quente que delineiam o momento atual do Brasil.

Os caras parecem que nasceram para o que vivemos hoje, crescem num ativismo hardcore que se apoia numa excelente música. Queimem! é muito bem produzida, a bateria não é mecânica, não vive de ciclos, tem muita quebrada e retomada, assim como a linha de baixo, mas o destaque fica para a guitarra, que de base passa para um alívio melódico que não deixa o som perder força. E sem comentários para os vocais e para a letra que rege o som – como que Kalleb consegue “gritar” daquele jeito e não soar um mero grito desesperado?! Porque eu, pelo que está acontecendo, estaria às lágrimas, esbagaçando minha voz: QUEIMEM BANDO DE FILHADAPUTAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!!!

Confira também o primeiro Heavy Hour do ano, falando do album Artigo 331:

Texto: Gustavo Türck

Ficha técnica
Produção: Hempadura e Coletivo Catarse
Imagens: Hempadura
Montagem e edição: Hempadura
Direção de fotografia/Finalização/cor: Billy Valdez