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Atrack – Canção para uma cidade em chamas (videoclipe)

Realizamos mais uma produção em parceria com a banda Atrack.
Desta vez para a música ” Canção para uma cidade em chamas”

Imagens feitas durante o show de comemoração de 20 anos da banda que rolou no final de 2017, onde reuniu diversos amigos de longa data, ex integrantes e familiares da banda, e algumas imagens da cidade de Porto Alegre feita pela própria banda.

Ficha técnica
Imagens do show/Direção/Edição: Billy Valdez
Imagens da cidade: Banda Atrack

Cobertura: show Citizen em Porto Alegre

Por Billy Valdez.

Na última quinta-feira, 26 de abril, Porto Alegre recebeu a banda norte-americana Citizen, que pisou pela primeira vez em solo brazuca, realizando seu show no Preto Zé.

A banda é bem recente, e seus integrantes são relativamente “novos”. Foi formada em 2009, quando a gurizada ainda frequentava o ensino médio, e conta com uma sonoridade e trabalho de banda grande. Mas não estou aqui para contar a história da banda, mas sim sobre o show aqui em Porto Alegre.

O Citizen, para quem não conhece, são uma daquelas bandas que o pessoal hoje chama de “pop punk” pela mistura e influência de post-hardcore, emo e o famoso alternativo (shoegaze) do final dos anos 80/90, e isso foi o que me atraiu a conhecer melhor e conferir eles ao vivo. Então, com essas referências, dá para sacar um pouco a vibe do som, que tem muita guitarra “viajante”, riffs com distorções limpas, baixo e bateria marcante e um vocal que mistura gritedo sentimental com melodia limpa.

Por serem uma banda “nova” ,certamente isso se reflete muito no seu público jovem/adolescente, de 20 e poucos anos. Em POA não foi diferente, tirando alguns amigos conhecidos da cena punk rock local, em geral eram adolescentes que estavam lá, que normalmente não frequentam muito os eventos, mas que estavam se divertindo demais, cantando TODAS músicas, pulando e gritando, bem diferente dos shows em arenas e estádios onde se é reprimido por bater cabeça e pular junto com a música. E a banda correspondeu a essa energia, arriscaram algumas palavras em português e, após alguns fãs se comunicarem em inglês, quebrando ainda mais qualquer possível barreira na comunicação, fizeram um show tocando diversas músicas que a galera pedia, sem seguir um setlist padrão.

Infelizmente, foi um show bem vazio, não vou me arriscar a dar uma estimativa, mas era algo que se podia transitar entre a galera bem livremente – uma pena. Mas isso não impediu que a banda fizesse um show bem enérgico. Não sei se foi por causa disso, de ter pouco público, se tornando um show meio intimista, que a banda colocou para o palco um fã, e ele tocou guitarra em uma das músicas, bem como o Foo Fighters anda fazendo em alguns shows. Foi bem legal, nem preciso dizer que o moleque se divertiu pacas, e seus amigos enlouqueceram, foi um gritedo só. (risos)

Enfim, foi um show bem legal e divertido, beirou os 50 minutos, com os caras tocando dois bis a pedidos da galera e, após descerem do palco, ficaram lá mesmo, no meio da gurizada, batendo fotos e conversando, algo que não se vê com toda banda.

Infelizmente, não foi possível presenciar e nem registrar a banda de abertura, a Sinclaire, de Novo Hamburgo, mas, por relatos de amigos, sei que mandaram um baita show, o público e o próprio Citizen curtiram.

A produção da tour é da Solid Music Entertainment, e a produção do show em Porto Alegre é da Red Sky Produtora e Audiocore Produções.

3° ROLE HC e a dificuldade de ser um produtor no underground

Dia 16 de dezembro rolou a 3ª edição do evento ROLE HC, que é encabeçado pela banda Boca Braba Hardcore, de Viamão, e sempre conta com uma cooprodução colaborativa das bandas que eles convidam.

O ROLE HC é um evento com data marcada sempre para o final do ano, que marca o final de um ciclo da Boca Braba, quando eles realizam seu último show do ano, e geralmente sempre acaba sendo o último show das bandas que eles convidam também. Com isso, sempre se forma um clima de união e diversão com a galera e as bandas envolvidas.

Para esta 3ª edição, foram convidadas as bandas Troll, Roleta Russa, CxFxC e Hempadura.

O que podemos dizer da festa é que foi uma junção de amigos das mais distintas vertentes do hardcore pesado, são bandas que já vêm a algum tempo movimentando o underground rock’n roll/metal da capital gaúcha e fora dela, já que este ano os Boca Braba Hardcore estiveram numa minitour pela capital do Brasil – e bem que poderiam ter tocado fogo literalmente, né? As demais bandas tb já estão calejadas de pegar a estrada e divulgar sua música em diversas cidades.

E tudo rolou perfeito como combinado e organizado – a não ser pela produção do local, o Riff-E Bar, com quem se acertou que a casa abriria as portas às 17h com os shows começando às 20h, para a festa acabar no máximo à 1h da manhã, pois foi esse o limite que havia sido imposto pelo bar nas conversas de produção do evento. Mas, quando chegamos no local, a situação estava fora de controle da produção do evento, pois o dono do bar “fincou o pé” que só abriria o bar às 22h e que poderia acabar depois da 1h da manhã, que não haveria problema em se terminar depois desse horário. Ou seja, toda uma produção e divulgação forte foi por água abaixo. Eram 20h e já tinha uma galera na frente do bar. Eu precenciei algumas pessoas se informando de que iria atrasar o evento, fazando com que virassem as costas e fossem embora. Também alguns amigos não puderam ficar até o final para ver todos os shows exatamente pelo horário.

Infelizmente, isso é algo muito ruim para o underground local, pois se faz uma produção e organização digna de evento grande, pois as bandas não são mais “de gurizada de 12 anos”, simplesmente, recém saindo da garagem. São bandas com trabalhos sólidos e postura profissional, porém, como ainda não têm “nome”, as casas de shows deitam e rolam, deixando prejudicados e com nome sujo no cenário as bandas e produtores. Mas, enfim, essa é uma realidade local, com a falta de valorização dos artistas – pauta para um outro texto.

Então, seguimos no “Role”, o bar abriu às 22h e já começou com pedrada da banda Troll, de Porto Alegre, que faz um death/grindcore com crossover. Eles mandam um som brutal e forte, fazendo jus ao nome “Troll”.

Na sequência, quem subiu no palco foi a banda Roleta Russa, de Alvorada. Os malucos são “chinelo”, fazem um hardcore com pegada new metal de “vagabundo”, com letras de forte posição social e riffs cadenciados, que mantêm a galera batendo cabeça do início ao fim.

Depois subiu a banda CxFxC, de Canoas, banda com mais de 20 anos sem nunca ter parado, os caras fazem um crossover-trash forte e rápido, com solos de guitarra com aquele sentimento que te levanta de emoção e refrões grudentos tanto em letras quanto em riffs.

Se encaminhando para o final do evento, antes dos anfitriões BBHC, sobe ao palco a Hempadura. Bom… Como é minha banda, não tenho como falar muita coisa. Fizemos um show bom, pois o som estava ótimo, e os amigos pilhando no nosso hardcore.

Vamos, em fim, aos Boca Braba Hardcore, mulecada de Viamão, com 4 anos de estrada, 1 ábum e um EP lançados – e com um show pesado, rápido e cadenciado. Sim! Isso é possivel! E eles conseguem fazer isso muito bem, sem falar nas letras sociais, que metem o dedo na ferida mesmo. A gurizada curte, pois estamos precisando de bandas assim.

Infelizmente, pelo horário de atraso, o pessoal não ficou em peso até o final do show dos BBHC, mas quem ficou se divertiu, curtiu e saiu de alma lavada. Foi um rolê muito foda!!!

Fotos: Billy Valdez e Sheiná Botega

Texto: Billy Valdez

Revisão e edição de texto: Gustavo Turck e Marcelo Cougo

GALERIA Facebook

Odins Kriger Fest: uma noite com muitas surpresas

Dia 3 de dezembro, em Porto Alegre, rolou o Odin´s Krieger Fest 2017 – Invasão Pirata, que trouxe pela primeira vez para o Brasil a banda Alestorm, da Escócia.
Mas, antes de falarmos da banda, temos que falar sobre o festival em si. Este teve origem em São Paulo no ano de 2011, com foco na cultura folk/viking e, pelo que andei pesquisando, vem a cada edição reunindo em suas “tabernas” uma horda de “marinheiros, piratas e vikings”, sempre trazendo essa temática e, claro, bandas, expositores e atrações musicais com a mesma pegada.

Eu frequento o cenário underground rock’n roll da nossa capital gaúcha faz um bom tempo já. Tenho um conhecimento do que rola no geral em nosso estado e fora dele e confesso que fiquei impressionado com a cena “folk/metal”. Tá certo que Alestorm é uma banda da Europa, e todos sabemos que, quando vêm bandas de fora do BR, sempre rola um movimento a mais. Mas somente com bandas “renomadas” que se vê uma fila de “guerreiros” com mais de 1h de antecedência para abertura do local.

Então, foi assim… Galera chegou cedo na Cidade Baixa, na frente do Preto Zé, local onde aconteceu o evento, e lá permaneceu cantarolando e – claro – bebendo muita cerveja. Aliás, essa é a tradição: canecos sempre cheios e cantorias de aventuras, totalmente o contrário da realidade que sempre presencio, que é o pessoal se reunindo em bares na volta, onde cerveja é mais barata, e só entrando quando a banda principal está prestes a tocar, os poucos que entram para prestigiar as bandas de abertura – quando tem – permanecem em sua maioria com aquelas famosas poses de “fiscais do underground”.

Infelizmente, os integrantes do Alestorm tiveram que pegar vôos separados, e isso gerou atrasos, mas nada de muito alarmante para o pessoal que já tem uma experiência nesses eventos. Mas a galera na rua não curtiu, afinal já estavam lá há mais de horas e loucos para beberem mais cerveja. Isso mesmo, gurizada aos berros: “podia estar bebendo ali no bar!”. Algo bem oposto quando muitas vezes o pessoal aproveita que a área de fumantes é na rua e escapa para bares tomar ceva, que às vezes custa a mesma coisa do que no local do show. Mas vai entender essa cultura…

Enfim, vamos às bandas e aos shows, pois o portal do Odin´s Krieger Fest foi aberto perto das 18h e, no evento, constava às 17hs, então, aquele “mar” de loucos por cerveja, diversão e música começou a entrar, e, logo, a casa já estava lotada com o show da primeira banda da noite, que foi o Bando Celta, de Porto Alegre, pessoal que toca um celtic/folk a caráter literalmente. Eles fazem um som instrumental que encaixou bem como abertura da festa, o público vibrando e agitando tempo todo. Fiquei surpreso com tamanha interação, depois, fico sabendo que eles já são um conjunto musical com renome nesse cenário, totalmente novo para mim.

Voltando para a realidade do evento, eis que entra a banda Lugh, de Santa Maria, uma banda que mistura o punk com celtic e rock folk, eles são uma banda da qual eu já ouvi falar e também frequentam o mesmo cenário underground na qual atuo mais, mas ainda não tinha esbarrado com eles em um palco. Os caras são “massa”, show enérgico do início ao fim e com muita cerveja. Gurizada faz jus e não “arrega” antes, depois e pós show, MUITA CERVEJA!!! E o público?! Cara!
Até os “piá” de SM se surpreenderam com a recepção da galera, que gritava, aplaudia, bangueava e interagia com a banda de forma verdadeira, pois estavam se divertindo e curtindo a sonzeira do Lugh.

Bom, eis que sobe no palco a banda Hugin Munin, de Santos (SP). Os caras fazem um heavy Metal pesadaço, com influência nórdica, que realmente faz sentir em uma batalha pelas montanhas, como o próprio vocalista assim definia a presença de palco. No fim da primeira música – e nas seguintes -, interagindo com a galera como se estivessem todos num campo de batalha, cada final de música era uma vitória conquistada, pois a temática das letras remetiam a esse universo. Depois, pesquisando a banda, descobri que os caras já existem desde 2007 e entendi o porquê daquele público estar em “transe”: os caras têm postura de banda grande, produzem material e interagem com a galera e estão sempre presentes nesses eventos sem o ar de “rockstar”. O show deles foi algo inesperado, o público interagia a cada acorde, a cada palavra, e rolou até aquele famoso “divisor de águas”, que culmina numa quebradeira geral, assim que o peso do som retoma com tudo. Foi insano!

E chegou a hora do Alestorm subir no palco do Preto Zé. Para quem já frequentou o bar, sabe que, para acessar o palco, tem que se cruzar a pista, e, mesmo antes da Hugin Munin acabar o seu show, o vocalista/sintetizador e o tecladista já estavam no meio da galera interagindo e batendo selfies, só esperando o momento de subir.
Pelo visual da banda, tu não diz que eles vão tocar um folk/metal, já que todas bandas estavam meio a caráter conforme seu som – até no público tinha muito chapéu de pirata e pessoas fantasiadas “atuando”, fazendo caras e bocas.

Voltado ao Alestorm, na minha pesquisa pós show, confirmei que esse é o visual que eles vem mantendo, algo mais pop meio “despreocupados”.

O que posso falar é que é um peso que, ao mesmo tempo, é suave, devido ao fato do vocalista também tocar um daqueles teclados/guitarras e o outro tecladista abusar de efeitos e firulas bem características dessas bandas de metal/folk/pirata, com riffs bem dançantes, para cantarolar bebendo cerveja e erguendo os canecos. Não tem como não se divertir escutando o som deles.

Sobre as letras, elas falam de cerveja, rum, aventuras, festas em tabernas, tudo com muita diversão e presença de palco com uma interação forte com o público, que sempre respondia e pirava a cada interação divertida da banda com a galera, ainda mais quando eles tocaram o último som, que se chama “Fucked With An Anchor”, um som muito divertido que parece que eles mesmo estão folgando no próprio estilo musical, e a galera toda cantando em coro o refrão e mandando aquele “fuck you” em gestos para a banda, e a banda retribuindo da mesma forma.

Mas, certamente, o ápice foi depois do show, quando o vocalista realizou um stage dive na galera, que ergue ele firmemente, e ele “surfa” pelo “mar” de pessoas todas com as mãos erguidas, sem fraquejar. Ele surfa por um longo caminho e retorna para o palco onde segue mais uma interação interminável com público, e, aí, é que se encerra o meu trabalho fotográfico e este texto, senão….

Foi uma noite muito forte e surpreende!

Album no facebook!

Texto e fotos: Billy Valdez
Revisão e edição: Gustavo Tourck e Marcelo Cougo

A Persistência do Tempo

Estivemos no show do Anthrax aqui em Porto Alegre. Este aqui é um pequeno texto resenha da noite de 10 de novembro.

Mas vai ser um pouco diferente. Não vamos falar sobre a grande escolha do setlist, que terminou com um petardo, INDIANS, ou sobre a grande apresentação de quase todos os músicos, do baixista e baterista ao “dono da banda”, Scott Ian, que se apresentou na sua perfeita guitarra-base, ou sobre o esforço do vocalista Joey Belladonna em interagir com uma tímida e insuficiente plateia (não houve bis pela passividade ao final!) – mas muito contente de estar ali – e com a constrangedora forma do guitarra solo, mais parecendo um membro de banda de pagode aos passinhos de batuque do que de uma banda fantástica, de sons contundentes, de heavy metal clássico, que ele mesmo, nos dedos na guitarra, contribui imensamente.

Minha relação com Anthrax começa lá no meu segundo grau, em meados da década de 1990, com o álbum Persistence of Time. Ouvi em uma cassete gravada de um CD alugado em locadoras que existiam por toda a cidade. Copiei a fita em outra, uma BASF Cromo Extra II. Nunca a escutei muito, mesmo que gostasse do som. Minha praia no heavy metal era mais Metallica mesmo, quase exclusivamente, entre outras preferências que se constituíam via mundo do pop e rock and roll – como Led Zepellin, por exemplo. E fui me afastando naturalmente.

Sinceramente, hoje, ouvir algumas originais das músicas tocadas no Opinião naquela noite não me agrada tanto, porque o som parece mais ir para o lado de um Iron Maden ou de bandas que flertavam com o hard rock do que com aquele peso das guitarras base do Metallica. Mas Persistence of Time, mesmo com um uptempo alto, me agradava – e ainda agrada.

E no Opinião, neste novembro de 2017, mais de 25 anos depois, me encontrei com um tipo de som que, realmente, faz parte de mim. Ainda mais com esta versão ao vivo de músicas que transpassaram a história do grupo e que persistem no tempo.

Estou há 3 anos de volta ao heavy metal, tendo produzido mais de 80 programas de webrádio – o Heavy Hour – sobre o tema. Ou seja, me inserindo novamente na “cultura”. Várias vezes colocamos sons do Anthrax, mas nunca tinha ido a um show da banda. Realmente foi revigorante!

A nota ruim fica ainda pela presença entre a plateia de gente vestindo adereços do Pantera – que tem membros da banda declaradamente nazi-fascistas. Entende-se que o público do heavy metal seja erudito, com certo grau de intelectualidade – ou completamente ignorante mesmo, por não entender nada do inglês e curtir mesmo o tal do bate-cabeça e o bolo (headbang e moshpit). No caso do que vimos, todos presentes pareciam ter as letras bem afinadas e completas no seu inglês individual. O que suscita um estranho raciocínio: esses fãs do Pantera, que possivelmente compartilham de seus valores, como será que ficaram ao ouvir – e quiça até mesmo gritar – o refrão DIE FOR THE INDIANS! que encerrou a apresentação como uma assinatura clara de que Anthrax e o heavy metal são, sim, ativistas?

Mas é Porto Alegre. Nada me surpreende.

As fotos são de Billy Valdez e o texto de Gustavo Türck.

Imagens: Billy Valdez