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Que toda a corja queime!

Mais uma vez a Hempadura acerta a mão – acerta o grito, acerta o alvo. O clipe Queimem! faz jus ao belo album Artigo 331, recentemente lançado, fazendo bela seqüência ao petardo semiológico 5 Tiros (clique aqui). A montagem é milimétrica, traz referências visuais claras ao que se quer passar de mensagem, a fotografia escolhida segue na penumbra e na obscuridade quente que delineiam o momento atual do Brasil.

Os caras parecem que nasceram para o que vivemos hoje, crescem num ativismo hardcore que se apoia numa excelente música. Queimem! é muito bem produzida, a bateria não é mecânica, não vive de ciclos, tem muita quebrada e retomada, assim como a linha de baixo, mas o destaque fica para a guitarra, que de base passa para um alívio melódico que não deixa o som perder força. E sem comentários para os vocais e para a letra que rege o som – como que Kalleb consegue “gritar” daquele jeito e não soar um mero grito desesperado?! Porque eu, pelo que está acontecendo, estaria às lágrimas, esbagaçando minha voz: QUEIMEM BANDO DE FILHADAPUTAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!!!

Confira também o primeiro Heavy Hour do ano, falando do album Artigo 331:

Texto: Gustavo Türck

Ficha técnica
Produção: Hempadura e Coletivo Catarse
Imagens: Hempadura
Montagem e edição: Hempadura
Direção de fotografia/Finalização/cor: Billy Valdez

Heavy Hour 10 – 10.10.18 – A luta antifascista e show da Los Fastidios em Porto Alegre

Galera presente no Coletivo Catarse com alguns participando do Heavy Hour direto, falando do show que virá e da ameaça fascista que impera no Brasil hoje – com Pedro Grilo, Nestor Silveira, Gustavo Moraes, Amanda Rosa, Lucas Martins (produtor da Gira Latino América da Los Fastidios com Juventude Maldita), Joey Ramone (sim!), Bolívar Duarte, Leandro Xota da Estive Raivoso e Léo Britto da Espécime HC, além do Kaleb da Hempadura!

Sublime em Porto Alegre

Era quinta feira, dia 13  de setembro de 2018. O Opinião estava lotado de gente diversa, que misturava fãs de rock e de reggae. Todos olhavam ansiosamente para o palco, no qual um telão anunciava a atração da noite: Sublime with Rome, produzido pela Abstratti.

Pra quem não conhece, a banda vem da Califórnia e fez um grande sucesso nos anos 90 ao misturar punk, reggae e ska. Porém, pouco antes do lançamento do álbum “Sublime”, que tornou a banda mundialmente conhecida, o vocalista e guitarrista Bradley Nowell morreu de overdose de heroína. Em 2009 a banda se reuniu com o vocalista Rome Ramirez, originando o Sublime with Rome.

O show começou de forma simples e súbita: Rome surgiu no canto do palco e pegou o microfone. Gritos e aplausos tomaram o ambiente enquanto o telão subiu e revelou os outros integrantes da banda se preparando em seus instrumentos.

Eric Wilson, único membro da formação original do Sublime, testava o baixo enquanto fumava um cigarro. Tinha um jeito de quem está “cagando”, de alguém que já olhou a morte nos olhos tantas vezes que já não consegue fingir que se importa com as banalidades da vida.

Carlos Verdugo comandava a bateria. Sem camisa e exibindo uma infinidade de tatuagens, o jovem punk completava o trio que assumia o palco. Contou o tempo freneticamente e o som começou.

O hardcore californiano abriu o show e dominou a sonoridade. A banda tocou clássicos do início da carreira – como Wrong Way e Santeria – e também músicas mais recentes, como Panic, e buscou mesclar punk, reggae e ska.

Mas o punk se sobressaiu bastante. Nas músicas que deveriam ser somente reggae – como o cover de Legalize-it -, a bateria soava quadrada e com pouco swing. Bumbos repicados em excesso também quebraram um pouco a atmosfera dos reggaes.

Por outro lado, o ritmo do show foi bem interessante. A alternância ajudou a manter o clima sempre novo e cativante. A sensação era de uma viagem de skunk californiano, que às vezes embalava suave ou assumia tons frenéticos de ansiedade e paranóia.

Vale parabenizar a banda, que passou de reggaes lentos até skapunks alucinantes numa fração de segundo, de forma sincronizada e bem ensaida.

A interação de palco também foi um ponto a se destacar. Rome, cheio de entusiasmo, instigava a galera a cantar e participar. Em um momento, vendo que grande parte do público registrava o show com o celular, desceu do palco e tirou selfies com os fãs.

Infelizmente, não houve shows de abertura. Não sei se foi uma escolha da produção para que o show acabasse mais cedo ou uma exigência da banda principal, mas o certo é que bandas locais – como ButiaDub e Afroentes, que fazem reggaes autorais de altíssima qualidade – não tiveram a chance de mostrar seu trabalho ao grande público do Opinião.

Enfim, a noite foi  legal;  deu pra curtir, bater cabeça e viajar um pouco…

Sublime with Rome Porto Alegre (2018)

*fotos de Billy Valdez