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Heavy Hour 50 – 30.07.19 – 50° HH da nova era! 15 anos de Coletivo Catarse! Quanta lambeção…


Neste programa, atingimos uma baita meta – a de empobrecer comprando ceva e cachaça a cada uma das 50 semanas de novo Heavy Hour! Afora isso, foram muitos temas interessantes expostos desde 10 de agosto de 2018. Muitos convidados passaram pelos nossos estúdios e uma bela rede de veiculação se formou. Dessa forma, decidimos celebrar nesta edição explicando um pouco de quem somos enquanto Coletivo Catarse e apresentando músicas exclusivas de nossas produções! Para além de alguns participantes antigos – tanto de coletivo como de Heavy Hour e da rede – estivemos Gustavo Türck e Marcelo Cougo na presença de Têmis Nicolaidis, Cris Cubas, Bruno Pedrotti e Paulinho Betanzos no Estúdio Monstro (com Zé da Terreira nos curtindo)! Ouves o programa e não sabe direito o que a gente faz? Então escuta este aqui e terás uma noção de uns 15% de nossa trajetória… Vá lambeção, hein?!

Setlist Marcelo Cougo:
Trilha do filme O Grande Tambor – A Princesa é uma Senhora
Trilha do filme Caligrafia – Cuidado e Delicadeza
Trilha do filme Carijo – Bem cedo um mate
Trilha do filme Laceiros Negros estão vivos – Eu e meus camaradinhas
Trilha do filme Crenças a Céu Aberto – Crenças a Céu Aberto
Trilha da websérie Tainhas no Dilúvio – Lições de Água
Trilha do filme O Grande Tambor – Suíte Senzala

Resistência Kaingang: O fim do Ore xá (o fim do barro preto)

Em setembro de 2018, o território Kaingang Ore Xá (Barro Preto), da comunidade de Kandóia, em Faxinalzinho-RS, já se encontrava em plena devastação pelo agronegócio. Mas ainda era possível encontrar resquícios de mata no local – e barro… Junho de 2019, mesmo local. Os ruralistas avançaram na destruição do território Kaingang sem que nenhum tipo de fiscalização fosse realizado, derrubando a pouca mata que ainda restava. Porém, o Ore Xá ainda resiste. Na terra estuprada pelo rodado do trator, a juventude Kaingang homenageia seus ancestrais com cantos e danças. Ainda que, só por hoje, o Barro Preto retorne aos Kaingang.

Este é mais um teaser do Projeto Resistência Kaingang. Apoie esta luta! Acesse e contribua com a Vakinha! Clique aqui.

Heavy Hour 48 – 16.07.19 – Estamos velhos para sermos anarquistas?

Estamos velhos para lutar? Para entender a conjuntura? Para saber o que fazer diante do fascismo eminente? No programa desta semana, recebemos dois anarquistas parcerias, Lampião e Maya, que, junto à colaboração do jornalista e historiador catalão Ricard Vargas, vão trazer à luz a Revolução Espanhola, que completa 83 anos – uma frente anarquista que combateu o fascismo sanguinário do ditador Franco. Não por acaso, também no Estúdio Monstro, o cartunista e artista gráfico Eugênio Neves colabora na discussão, um velho e incisivo amigo do Coletivo Catarse. Na técnica, Gustavo Türck, no meio-campo, Marcelo Cougo (lançando música ao vivo, uma obra de otimismo e superação para as novas gerações), e na linha de frente, comandando a discussão, Clémentine Maréchal – a antropóloga. (arte desta edição, uma pichação sobre ilustração de Eugênio Neves, feita durante a gravação do programa)

Setlist:
Los Dolares – A las barricadas
Dead Kennedys – Chemical Warfare
Dismember – Dreaming in red
Belchior – Como o Diabo Gosta
Abuso Sonoro – Ay Carmela!
Trust – Antisocial

MAIS QUE UM JOGO | A luta pelo direito ao amor

“Eles perderam esse olhar de medo que todas as bichas tinham há 10 anos” – Allen Ginsberg, poeta homossexual, sobre a Revolta de Stonewall.

Há 50 anos, em um bar no Greenwich Village em Nova Iorque, acontecia um dos mais importantes movimentos pela luta pelos direitos LGBT nos Estados Unidos e no mundo. A Revolta de Stonewall – movimento popular instantâneo e espontâneo que durou seis dias, foi um ponto de inflexão: pela primeira vez, gays, lésbicas e trans se uniram e resistiram com toda a força contra as leis e violência homofóbicas do estado americano.

Ironicamente, no Brasil (país que mais mata LGBTs no mundo), ser homossexual deixou de ser crime durante o Império, em 1830. Nos Estados Unidos, porém, os relacionamentos com pessoas do mesmo sexo eram vistos como uma anomalia que precisava de cura ou motivo para prisão. Na Nova Iorque dos anos 60, as pessoas eram obrigadas por lei a usar roupas de acordo com seu sexo biológico e batidas em bares gays eram frequentes, com prisões de donos, empregados e clientes.  Na noite do dia 28 de junho de 1968, quando a polícia entrou no Stonewall Inn, ao contrário das vezes anteriores, o público resistiu. Segundo relatos da época, a multidão – cansada da opressão e violência policial, começou a atirar garrafas, pedras e tijolos contra as viaturas. Em menos de uma hora, o bar foi invadido e apesar das viaturas continuarem chegando e mais pessoas serem presas, havia resistência na forma de danças e cantos que riam da ação da polícia. Apesar da destruição do bar, por cerca de cinco dias ocorreram novas revoltas na região até que o caos foi finalmente contido. Em 2016, o presidente Barack Obama declarou o Stonewall Inn como monumento nacional dos direitos LGBT.

A homossexualidade é tão antiga quanto a própria humanidade, e perceber que uma revolta como a de Stonewall ocorreu há apenas meio século nos leva a pensar na necessidade urgente e no profundo significado que as lutas por direitos para a população LGBT têm. Faz apenas meio século que falamos em orgulho. Para efeitos comparativos – e já que falamos em orgulho – a nossa inigualável Coligay surgiu em 1977, apenas 8 anos depois de Stonewall. Cinco décadas depois da revolta, existem países no dito mundo civilizado onde diplomatas são orientados a frisar que gênero é apenas sexo biológico, aberrações irreais como uma suposta “cura gay” (existe cura para o que não é doença?) são defendidas por uma parte dos psicólogos do país e o presidente considera “completamente equivocada” a criminalização da homofobia. 50 anos não foram o suficiente.

Em 13 de junho de 1980 – há quase 40 anos, portanto – mil manifestantes se juntaram nas escadarias do Theatro Municipal de São Paulo para protestar contra a violência da chamada “Operação Limpeza”, ação policial que pretendia varrer a população LGBT do centro paulistano. João Silverio Trevisan, um dos criadores do “Lampião da Esquina” – uma das publicações pioneiras do movimento LGBT no Brasil – classificou o movimento de 1980 como uma tentativa de sobrevivência, um ato de indignação de pessoas que buscavam espaço em uma sociedade injusta.

Stonewall ou a sua “versão brasileira” foram isso: o levante de uma população violentada ao limite e que se revolta e revida. Stonewall, sua versão brasileira, as diversas paradas pelo mundo, os tantos dias de orgulho e visibilidade (lésbico, trans, bi…) e a luta individual diária de cada pessoa LGBT – são em nome de algo que parece óbvio para um hétero: o direito das pessoas serem quem quiserem. Quando o Grêmio Antifascista defende a existência de um outro modo de habitar o estádio – o modo da inclusão e do respeito – nos colocamos ao lado dessa luta, a luta pelo direito ao amor.

Movimento Grêmio Antifascista

MAIS QUE UM JOGO – Todas e todos pela educação pública!

Uma das características fundamentais de um governo fascista é a criação e a demonização de um inimigo. O governo Bolsonaro já elegeu quem cumprirá esse papel: os professores e as professoras. Além deles e delas, a educação de uma forma geral vem sendo atacada de forma constante pelo governo.

Ministros e o próprio presidente se valem de um discurso moralista e mentiroso sobre as práticas escolares para deslegitimar os saberes e o trabalho dos profissionais da educação.

Pautas como “ideologia de gênero”, “doutrinação ideológica” e “marxismo cultural” estão sendo divulgadas pelo governo (antes mesmo de eleito). Esse discurso, que não se verifica na prática, também faz parte de um projeto de precarização e posterior privatização da educação pública no Brasil.

Os recentes anúncios de cortes de verbas para todos os níveis da educação pública brasileira são mais um episódio desses ataques ao “inimigo” do governo.

O ataque às Universidades Federais e aos Institutos Federais, além de precarizar o ensino e a pesquisa, acaba atingindo a população como um todo, como, por exemplo, com o fechamento de Hospitais Universitários, que em sua maioria atendem exclusivamente pelo SUS.

Além disso, assistimos a uma relação muito próxima entre o governo e representantes de universidades particulares e redes de educação a distância, como, por exemplo, o fato da vice-presidente da Associação Nacional das Universidades Privadas ser Elisabeth Guedes, irmã de Paulo Guedes, ministro da economia e guru do presidente, que propôs os cortes na educação pública.

Dia 15/5 estará acontecendo uma greve geral da educação, contra esse corte absurdo de verbas, bem como contra a reforma da previdência, uma vez que os professores e principalmente as professoras serão muito atingidos pela reforma, perdendo sua aposentadoria especial.

Frente Inter Antifascista

– originalmente publicado no site do Repórter Popular, aqui