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Salve, Mestre Moa!

Na noite desta quarta (9 de outubro), diversos (e diversos porque essa palavra diz muito mais do que sobre quantidade) pessoas, entre capoeiristas, mestres, contramestres, alunos, admiradores do trabalho do mestre Moa, simpatizantes, curiosos ou reféns capturados pela música se reuniram perto do muro do chalé da Praça XV, em frente ao mercado público de Porto Alegre, para disfrutar de uma roda de capoeira e um afoxé.

Uma homenagem a Moa do Katendê, em admiração à sua memória e ao seu legado. Nesta terça, fez um ano que o mestre baiano, no pé da ladeira de Nanã, foi assassinado com 12 facadas pelas costas por um defensor do Presidente Bolsonaro, após uma discussão sobre o resultado das eleições daquela tarde.

Mestre Moa era músico, capoeirista, compositor, artesão, educador. Alguns documentários estão na rede falando da sua vida e infelizmente da sua morte. Documentários póstumos, importantes pela memória, mas um diagnóstico que valorizamos nossos mestres e mestras depois de suas passagens. É o meu caso, que infelizmente fui conhecer o Mestre Moa e sua obra depois do seu falecimento.

Já escutou as composições do Mestre Moa? Músicas de disfrute e de luta, história do Brasil e do povo negro. Indico o encantamento.

A roda aconteceu em frente a uma faixa em referência à morte de Marielle e Agatha, assassinadas, respectivamente pela milícia e pela polícia, braços armados de forma direta ou por baixo dos panos, do Estado. Pensava ser uma intervenção dos próprios capoeiristas, mas, fiquei em dúvida de ser uma ação anterior, e em múltiplos lugares.

Da janela do ônibus, avistei na grade do Gasometro outra faixa falando sobre o assassinado da menina Ágatha e algo como “nos pedem paz e nos dão genocídio”. Quando saí, o afoxé seguiu.

Salve, todos as mestras e mestres da cultura popular. Valorizemos em vida quem nos abre caminhos. Defendamos suas memórias e seus territórios!

(Texto e imagens Douglas Freitas)

Heavy Hour 57 – 17.09.19 – A censura está aí! Bem desenhada…

Recebemos representantes da GRAFAR (Grafistas Associados do Rio Grande do Sul) neste programa, 3 cartunistas que tiveram seus trabalhos censurados em uma exposição na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Aparentemente, Santiago, Hals e Rafael Corrêa entendem que podem – e devem! – xingar o excrecentíssimo presidente do Brazil livremente sem ter volta, oras bolas! Mas os baluartes do fascismo de bombachas, sr. Nagelstein e a filha do coronel Leal, não deixaram passar em branco e num canetaço protegeram a honra do Bozo acabando com a exposição. Resultado? Explodiu o interesse das pessoas pelas charges! Fantásticas e sagazes, aliás… No papo, também, de estúdio cheio e com muita pressa, o trio nos conta das suas histórias em outros momentos de censura e suas opiniões sobre o momento Charlie Hebdo que estamos enfrentando hoje em dia. (arte do programa feita sobre cartum de Rafael Corrêa)

Setlist bem adequado:
Blitz – Cruel, cruel, esquizofrenético blues
Titãs – Estado Violência
AC/DC – Let me put my love into you
Her – Five Minutes
Paulinho da Viola – Meu novo sapato
Marlyn Manson – Coma White
Odair José – Eu vou tirar você desse lugar

Oficina no Quilombo dos Alpes: Territórios Negros

No ano de 2018, o Coletivo Catarse foi convidado para filmar uma série de oficinas realizada no Quilombo dos Alpes. As atividades foram desenvolvidas pelo  Núcleo de Estudos Geografia e Ambiente da UFRGS (NEGA/UFRGS) em parceria com a Associação Quilombo dos Alpes D. Edwirges para atender as crianças e jovens da comunidade.

Registramos quatro oficinas: árvore genealógica, horta, mankala e territórios negros. Os vídeos resultantes deste acompanhamentos serão divulgados semanalmente nos canais do Coletivo Catarse e na página do Quilombo dos Alpes no Facebook.

No terceiro vídeo, a educadora social Clarice Moraes guiou os jovens da comunidade no percurso territórios negros. A atividade resgatou as trajetórias histórico geográficas da população negra de Porto Alegre.

A partir da perspectiva afro centrada, pontos turísticos da região central foram sendo escurecidos. A Praça do Tambor, O Mercado Público, a Igreja Nossa Senhora das Dores e o Parque da Redenção são alguns exemplos de locais em que se resgatou a presença e o protagonismo negro, invisibilizados pela história oficial.

Heavy Hour 50 – 30.07.19 – 50° HH da nova era! 15 anos de Coletivo Catarse! Quanta lambeção…


Neste programa, atingimos uma baita meta – a de empobrecer comprando ceva e cachaça a cada uma das 50 semanas de novo Heavy Hour! Afora isso, foram muitos temas interessantes expostos desde 10 de agosto de 2018. Muitos convidados passaram pelos nossos estúdios e uma bela rede de veiculação se formou. Dessa forma, decidimos celebrar nesta edição explicando um pouco de quem somos enquanto Coletivo Catarse e apresentando músicas exclusivas de nossas produções! Para além de alguns participantes antigos – tanto de coletivo como de Heavy Hour e da rede – estivemos Gustavo Türck e Marcelo Cougo na presença de Têmis Nicolaidis, Cris Cubas, Bruno Pedrotti e Paulinho Betanzos no Estúdio Monstro (com Zé da Terreira nos curtindo)! Ouves o programa e não sabe direito o que a gente faz? Então escuta este aqui e terás uma noção de uns 15% de nossa trajetória… Vá lambeção, hein?!

Setlist Marcelo Cougo:
Trilha do filme O Grande Tambor – A Princesa é uma Senhora
Trilha do filme Caligrafia – Cuidado e Delicadeza
Trilha do filme Carijo – Bem cedo um mate
Trilha do filme Laceiros Negros estão vivos – Eu e meus camaradinhas
Trilha do filme Crenças a Céu Aberto – Crenças a Céu Aberto
Trilha da websérie Tainhas no Dilúvio – Lições de Água
Trilha do filme O Grande Tambor – Suíte Senzala

Resistência Kaingang: O fim do Ore xá (o fim do barro preto)

Em setembro de 2018, o território Kaingang Ore Xá (Barro Preto), da comunidade de Kandóia, em Faxinalzinho-RS, já se encontrava em plena devastação pelo agronegócio. Mas ainda era possível encontrar resquícios de mata no local – e barro… Junho de 2019, mesmo local. Os ruralistas avançaram na destruição do território Kaingang sem que nenhum tipo de fiscalização fosse realizado, derrubando a pouca mata que ainda restava. Porém, o Ore Xá ainda resiste. Na terra estuprada pelo rodado do trator, a juventude Kaingang homenageia seus ancestrais com cantos e danças. Ainda que, só por hoje, o Barro Preto retorne aos Kaingang.

Este é mais um teaser do Projeto Resistência Kaingang. Apoie esta luta! Acesse e contribua com a Vakinha! Clique aqui.