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Vozes – nova música de Marcelo Cougo (Coletivo Catarse)

Vozes foi produzida como tema de um documentário sobre a questão indígena que em breve será lançado.

Ficha Técnica:
Marcelo Cougo – autoria, direção e violão
Paulinho Betanzos – percussões, flautas e sintetizador
Gustavo Türck – produção, mixagem e masterização

Gravado no Estúdio Monstro, na sede do Coletivo Catarse.

Heavy Hour 68 – 03.12.19 – Heavy Hour abortista e à serviço de Satã! – segundo o governo Bozo…

Iniciando o mês da efeméride cristã, o Heavy Hour volta às suas origens celebrando a banda matriz do Heavy Metal, o Black Sabbath! Calma, calma, fã do HH… Estamos nos reenergizando depois de mais de ano e meio de pauleiras semanais, curtindo a pauleira master Sabática, tentando explicar o mundo avesso que estamos vivendo através de músicas que atravessaram as décadas e nos influenciam para além das lentes da política. Cultura de subversão ao sistema, sempre, o Heavy Metal não será dominado pelos cidadãos de bem. Eles nunca entenderam nada e não serão donos de nada! Então, neste final de ano, a gente inicia um processo de conversar sobre as bases desta vertente pesada, movimento musical e cultural que inspirou a existência deste programa. Assim, pretendemos levar diversão e reflexão, em um momento em que tudo que pareça contracultura é atacado pelo obscurantismo. Então, Heavy Hours, aproveitem a nossa conversa de bar, curtam esta banda fantástica e aguardem que semana que vem tem mais TRONCO METALEIRO, com a raiz de todo o mal!!!

Setlist:
Black Sabbath – Paranoid
Hed(Pe) – Sabbra Cadabra
Black Sabbath – Dehumanizer
Sepultura – Symptom of the Universe
Black Sabbath – Disturbing The Priest
Black Sabbath – Children of the Grave from The End
Black Sabbath – God Is Dead
Black Sabbath – Sweet Leaf
Black Sabbath – Snowblind
Faith No More – War Pigs

O peso do underground

texto de Homero Pivotto Jr., jornalista e vocalista da Diokane e Tijolo Seis Furos (TSF).
Foto de Billy Valdez

Me parece um tanto óbvio: o futuro da música vive, há tempos, no underground. Criativamente, é quase incontestável essa percepção. E, comercialmente, se torna cada vez mais viável, já que é no meio independente que se permitem as inventividades sonoras capazes de sacudir a poeira da mesmice que entope o ouvido da massa. Ou será que o povo quer mais do mesmo? Essa discussão fica pra depois. A seguir, música, como diz o Ron Selistre. Segue o baile!

Bueno…. Costumo dizer, quando converso com entusiastas dos sons bacanas ou com reclamões que afirmam não haver mais nada interessante a se escutar, que é no submundo onde estão as pepitas capazes de fazer nossa audição se emocionar. Mas né: quem é o Homero — pai do Benjamin e filho do carbono e do amoníaco… não pera… —, na fila do pão?

Só que agora tio Lee Ronaldo, guitarrista do hoje finado Sonic Youth, deu a morta em entrevista recente: “O rock soa cansado e o melhor do gênero está no underground” (leia mais sobre aqui).

A fala do músico estadunidense foi dada em razão de sua mais recente passagem pelo Braséu, para divulgar o longa-metragem “Ainda Temos a Imensidão da Noite”. Ronaldinho colaborou com a trilha desse filme que narra a história de uma banda punk/psicodélica de Brasília, conforme informações do vasto descampado que é a internet.

Embora eu, monstro de escuridão e rutilância (mas que coisa, sai deste corpo, Augusto dos Anjos), acredite que a percepção se aplique também a outros estilos além do que tem roll como sobrenome, vamos nos ater ao gênero conhecido pelas camisas pretas com nomes de banda. Até porque é nesse metiê que encontro parte considerável dos artistas que satisfazem minhas predileções. Logo, supostamente, é o que tenho mais intimidade para comentar sobre.

Façamos o recorte ainda mais segmentado, com foco em nomes nacionais. Vamos reduzir o escopo ainda mais porque tá pôco (tenho quedas por rima pobre, malz ae)?
Sim! Então, lancemos luz sobre nomes da cena local gaúcha, principalmente, de Porto Alegre. Só na capital do sul do mundo, onde moro, há um punhado de bons exemplos para citar. Então, vamos a eles, sem esquecer de alguns surgidos em outras partes do território nacional.

Não ficou satisfeito? Foda-se.
Digo, faça sua lista e publique em seu perfil nas redes de espionagem social. Ou contribua citando grupos interessantes nos comentários.

Death Ecstasy— Death/thrash de Canoas. Juventude cheia de disposição para sons velozes e vorazes. Em uma definição simplória: um Toxic Holocaust dos Pampas.
Escute:

Death to Lovers — “Life can’t be only this”, diz o verso da faixa de mesmo nome – e minha preferida dos caras. Se a vida fosse só ouvir uns rock gótico/post-punk como o que essa turma faz, por mim não haveria problema.
Ouça:

@facedaex — De experimental? Se é, não sei, mas caberia bem aqui. Uma experiência que mistura post-punk, indie, rock alternativo e outras variações do mesmo tema. E que, ao vivo, é um ‘expetáculo’ catártico.
Confira:

The Murder Ballads Club — O nome inspirado no disco de Nick Cave and The Bad Seeds não é à toa. A musicalidade aqui tem verve dark e folk. É sombria e imponente na mesma medida que elegante e envolvente.

Dá uma ouvida

Manger Cadavre? — hardcore/crust metalizado politizado e consciente, manja? Essa turma sim, e coloca na prática de um jeito bem barulhento.
Manja aí:

Lo Que Te Voy A Decir — manifestação de quem tem o que dizer na forma de um punk/hc urgente. Segundo a descrição dos próprios: “grito surdo, um soco fictício no estômago, uma porrada sonora com o que nos cerca e corrói dia a dia”.
Escute:

Surra — Violência sonora modulada num thrashcore empolgante e sem firula.
Maltrate os ouvidos:

Test — Duo grind/death de inclinações experimentais. Rápido, inventivo e avassalador.
Faça o teste:

SAPO BOI — Oh, boy: a raziada aqui aposta num rock alternativo sujo e ruidoso.
Ouça:

Motorcavera — Rockão que flerta com a experiência sonora pesada. Tem de um tudo nesse trem: barulho, aceleração, intensidade, pedais de efeito aos borbotões e melodias grudentas.
Comece a viagem

Cine Baltimore — Melhor definição é a do próprio material de divulgação da banda: “simplicidade dos Ramones, o experimentalismo do Sonic Youth, o futurismo do Daft Punk, a melancolia irônica dos Kinks e a brasilidade universal dos Mutantes”.
Confira

LAUTMUSIK — Post-punk refinado e cativante adornado com elementos shoegaze. Não por acaso foram escolhidos pelo vocalista Robert Smith para abrir o show do The Cure em São Paulo (2013).
Coloque alto

Gomalakka — Eletro rock post-punk de inspiração urbana. Ora dançante, ora viajante, sempre instigante.
Para curtir na goma e na festa

Furia Rockpaulera — rock paulera com toques de hardcore e elementos do metal (death e thrash, principalmente).
Desce a lenha:

Tigersharks — stoner skate punk que manobra bem pelos lados do Black Flag.
Para deslizar no carrinho ou na vida

Estado Terminal — crust’n’roll de bases motorhedianas e devoto do que mais empolgante a Suécia produziu de similar (do Anti-Cimex ao Wolfbrigade).
Indicado para rodas punk

Hempadura — Hardcore, rap, groove e metal fazendo a trilha para a contestação lírica.
Sente o peso do flow:

Losna — Trio thrash/death há tempos na estrada (desde 2004). Tem à frente duas irmãs.
Escute:

Tormentos Mc’s — Duo hip hop de rimas sagazes e performances viscerais.
Conheça

Warkrust — O nome já entrega: crust d-beat nervoso, sem concessão.
Afaste o sofá e lacre

Paquetá — Surf punk buena onda para dançar para enfrentar a maré.
Vem nessa barca:

Subespectro — Por preguiça de pensar em uma definição, vai aquele recorta e cola safado da page dos caras: “músicas baseadas em diversas referências porém não fugindo da velha escola punk e pós-punk cujos temas são inspirados em experiências abstratas e fenômenos cataclísmicos”.
Dá o play

Conflito — punk/hardcore 80’s, kraut rock, minimalismo e energia juvenil incorporada por gente não tão nova.
Eis:

Dismembration — death metal old school com pitadas de doom e certo groove.
Aqui:

Hideous Monarch — Brutal, como o bom death deve ser.
Escute

The Completers — Dark, post-punk, gótico, whatever que seja sombrio e faça chacoalhar o esqueleto. Para transitar pelo vale das trevas com camisa de botão
Ouça

Syring Vulgaris — Aquele grind/death debochado feito só com guitarra, voz e bateria.
Saca aí

Diokane  — Apesar de não estar na postagem original escrita por Homero, os editores se recusam a esquecer do griteiro dos cusco mais raivoso do Rio Grande do Sul. Um som pra se libertar da focinheira e estraçalhar tudo que ver pelo caminho:

EDIT:
=> Relendo o post, percebi que, inconscientemente, elenquei artistas com as quais já dividi o palco e/ou assisti ao vivo. E acredito ser um excelente critério, pois é ao vivo que uma banda mostra do que é capaz.

=> Além dos que fazem som, o underground se sustenta com iniciativas bacanas que dão visibilidade aos grupos musicais. Seja alternativas de mídia, eventos ou selos. Como os que seguem.

Rádio Armazém — rádio web de Santa Maria eleita a segunda melhor deste ano na categoria “convergência” do Prêmio Profissionais da Música 2019.

Rádio Putzgrila — uma das mais antigas webradios de Porto Alegre. Sempre disponibilizando conteúdo e informação para roqueiros de plantão.

Coletivo Catarse — cooperativa  produtora do Heavy Hour, que traz um conteúdo politica e sonoramente pesado, e de diversos video clipes da cena underground:

Plataforma Records — espécie de palanque criado pelo maestro dos sons estranhos e fora da curva Max Chami para difundir gente que envereda por esse viés sonoro. Tem material do mundo todo!

Sem mais para o momento, despeço-me.

 

 

Texto de Homero Pivotto Jr. editado por Billy Valdez e Bruno Pedrotti.

Dead Fish sem subjetividade em Porto Alegre

No último 20 de Outubro, em Porto Alegre, a banda Dead Fish fez seu primeiro show na capital divulgando o seu novo álbum, intitulado Ponto Cego.

Dead Fish sem subjetividade em Porto Alegre.

Desde o ano de 2015, em momentos pré-golpe, a banda já vinha deixando cada vez mais claro o seu posicionamento de “esquerdopatas”, e, com isso, os questionamentos nas redes sociais começaram a ficar cada vez mais frequentes, a ponto que, hoje, existe até uma pagina no Facebook chamada “Todo dia um comentário escroto de um fã de Deadfish” – e diversos memes sempre surgem a respeito.

Para algumas pessoas, chega a ser estranho e até espantoso que elas nunca tenham percebido que o Dead Fish seja de esquerda. Por mais que grande parte de suas canções mais clássicas se tenha muita subjetividade e diversos temas abordados, tem outras canções bem conhecidas e muito tocadas em shows como “MST” e “Mulheres Negras”, em que eles escancaram seu posicionamento.

Mas, mesmo com essas canções, houve muitos “fãs” que, de 2015 para cá, começaram a deixar de seguir a banda por causa da “política”, porque o Dead Fish começou a misturar politica, só falava de politica em shows… Outros até sabiam, mas gostavam apenas do instrumental e, como agora a caixa de pandora foi aberta, deixaram de seguir a banda.

Enfim, isso tudo é algo que está toda hora vindo à tona, e, por mais que a banda tenha perdido alguns “fãs”, certamente ganhou muitos outros e, com a gravação e lançamento do seu 8º disco, firmou de vez em sua história que eles são “esquerdopatas”, pois “Ponto Cego” é um daqueles álbuns que vem com os dois pés, um legítimo soco de esquerda para nocautear seus ouvintes, um disco que não possui nenhuma subjetividade, sem nenhum ponto cego para “fãs” bitolados.

E o show não seria diferente, e eles mostram que não são apenas uma banda que aproveita o momento para escrever e falar de política diretamente.

Durante o show, algumas falas entre as músicas não foram sobre questões políticas nacionais, mas, sim, sobre o que está acontecendo no RS, os políticos gaúchos do agronegócio que estão destruindo o pais, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra com seu arroz orgânico, que está preste a perder suas terras para uma mineradora, que vai destruir todo um ecossistema, natureza, ar, água, vidas, empregos… Bom, sobre esse assunto, quem acompanha o COletivo Catarse já sabe o que vem acontecendo.

Em resumo, foi um show sensacional, com produção da Abstratti Produtora, uma noite com o Bar Opinião bem cheio.

Um festival de “stage dive” e “moshpit”, galera subindo no palco e cantando junto em coro.

Foi um show quente, com energia do início ao fim, com músicas do novo disco e grandes clássicos, um show digno do Desd Fish.

A banda de abertura, Rezalenha, mandou muito bem e deu conta do aquecimento da noite, com canções próprias, com aprovações do público e alguns covers, que não pareciam necessários, pois a galera já possui um trabalho bem consistente.

Confira todas as fotos na galeria.

Texto e fotos por Billy Valdez.

Inscrições abertas para Oficinas Práticas de Produção Audiovisual e Trilha Sonora (1º ciclo – 2019)

Venha aprender fazendo: filmagem, edição e trilha sonora.

Em 6 encontros, o grupo produzirá um curta-documentário com trilha sonora original e com temática de cultura e saúde. A oficina consistirá em oferecer desde noções básicas de filmagem e edição até a montagem de equipe, segmentação das funções, quando os oficinandos se dividirão nas 3 áreas, exercitando sempre de maneira prática o manuseio dos equipamentos, até a execução da produção, com finalização e apresentação do filme em um evento de projeção ao final dos encontros!

Os encontros serão 2 vezes por semana nos seguintes dias:
13 e 14, 20 e 21, 27 e 28 de novembro – das 18h30 às 21h
Rua Fernando Machado, 464 – Centro Histórico – Porto Alegre

Para se inscrever, preencha o formulário abaixo.
Inscrições gratuitas e abertas até o dia 13 de novembro!
Vagas limitadas.

Clique aqui para se inscrever!