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MAIS QUE UM JOGO – O fascismo é uma realidade material!

Entre a segunda metade do século 19 e os anos 1960, as ciências humanas conheceram um período de forte desenvolvimento. O começo da aceitação da Linguística no meio acadêmico, o surgimento dos estudos que deram origem aos fundamentos da Semiótica, a Sociologia, a Antropologia, enfim, as ideias do ser humano, os seus pensamentos e os processos de formação, que vão refletir nas suas práticas, começaram a entrar na ordem do dia do mundo científico. Os estudos iniciais de Freud, que abriram caminho para a análise da mente humana para além da perspectiva médica tradicional, e que influenciaram a Psicologia Analítica junguiana (que, por sua vez, consolidou a ideia do humano como um ser simbólico, ainda mais do que pensante, na perspectiva do filósofo alemão Ernst Cassirer). Tudo isso serve hoje pra nos auxiliar na tentativa de entendimento do que está acontecendo no mundo, a partir da verdadeira marcha obscurantista que estamos vendo nos últimos anos.

A sentença inicial deste escrito traz um detalhe de ordem gramatical que objetiva uma concepção semântica específica no enunciado: o termo fascismo está grafado com inicial minúscula, porque queremos tratar deste fascismo, analisado enquanto conjunto de ideias e práticas adotadas por muitas pessoas, desde sempre, mas que de maneira nenhuma admitiriam ser chamadas de fascistas. Isto porque, no imaginário popular, o adjetivo fascista transfere a relação para o campo do sistema ideológico político formal, consubstanciado no Fascismo, com inicial maiúscula. É possível entender, estabelecida essa relação, que as pessoas não queiram ser definidas como fascistas. Salvo casos em que se verifica notória perturbação mental, não é comum que alguém saia às ruas com camisetas estampando fotos e mensagens de gente como Mussolini, Franco, Salazar. E, claro, falamos isso sem esquecer a pequena ode dita em plenário a um dos maiores torturadores que o Brasil já teve a desventura de produzir (não é necessário explicar, imagino).

Feita essa introdução genérica, que parece ser necessária para estabelecer os limites do assunto, apresentamos a questão efetiva que pretendemos trazer ao debate. E fazemos isso com uma pergunta: a quem interessa frear o combate ao fascismo? E especificamente na esfera de que partem as ações de resistência que temos por referência, pergunta-se: por que o fascismo não deve ser combatido no âmbito do futebol? Esta última pergunta se justifica no momento em que a Frente Inter Antifascista é atacada publicamente, sob o frágil argumento de que não se deve usar qualquer símbolo do clube para ações políticas. Dois atos dessa contraofensiva merecem destaque: (a) um primeiro artigo publicado pelo conselheiro e ex-dirigente do Internacional Roberto Teixeira Siegmann no importante fórum virtual “Espaço Vital”, em que propõe uma análise histórica – muito superficial – das relações entre figuras da política institucional com o clube¹; (b) uma reunião de lideranças coloradas ocorrida na última terça-feira em um tradicional restaurante do bairro Menino Deus, com o objetivo de discutir as ações tidas como indevidas da Frente. Esta reunião é referida pelo conselheiro precitado em outro artigo no mesmo Espaço Vital², no qual o articulista, por desconhecimento ou alguma razão que nos foge ao conhecimento, parece confundir as coisas no espaço político interno, associando a Frente Antifascista a um Movimento político que vem angariando apoio dentro das diferentes esferas do Clube, que, não obstante não tenha o nome declinado, supomos saber qual seja.

Não podemos receber como surpresa a reação das forças conservadoras do Internacional a um  processo de oxigenação das esferas políticas do clube, que deveria, ao contrário ser visto como salutar. As áreas de poder sempre foram um espaço reservado às confrarias, aos grupos de amigos/as, que indicavam parentes e correligionários/as (sim, correligionários/as) a fim de demarcar o território. Quando essa estrutura começa a ser abalada e a democratização efetiva avança, é natural a reação das elites. O que nos causa profunda estranheza é a motivação político-ideológica que fica evidente nessa grita. Como já deve estar claro, o Fascismo (com inicial maiúscula) não é um sistema político vigente. Não temos notícia de um Partido Fascista Brasileiro, por exemplo. Ou seja, o fascismo que se busca combater é um composto de subjetividades, não um sistema político objetivo. Não se imagina que alguém seja contra a adoção de medidas contra o racismo no espaço destinado ao futebol. Ou contra a homofobia, pela erradicação da pobreza etc. Essas discriminações, se tomadas em conjunto, autorizam que se chame quem as pratica de fascista, numa abstração do termo. Ou não? Com isso, não parece absurdo dizer que a partir do momento em que se usa o (frágil) argumento de que os símbolos do clube não podem ser usados por uma ação que combate o fascismo, em face das limitações normativas internas sobre a utilização do clube para fins políticos, está se admitindo o Fascismo (com inicial maiúscula) como campo político possível. Nesse sentido, cabe lembrar o que ocorreu nas últimas eleições gerais, quando várias iniciativas, muitas das quais extremamente autoritárias e até ilegais, foram tomadas para impedir que se adjetivasse o campo político que acabou saindo em grande parte vitorioso nos pleitos de fascista. Ao impedir, com amparo jurisdicional, inclusive, que se atacasse certas candidaturas como fascistas, porque isso estava supostamente em desacordo com a legislação eleitoral (direitos de resposta concedidos, determinação de proibição de veiculação de peças etc.), não se estaria reconhecendo que essas candidaturas atendiam a essa condição? Parece evidente que se o Fascismo não é um partido e sequer uma corrente política, não há prejuízos à lei quando se qualifica dessa forma uma plataforma específica. Ou será que havia de fato uma (ou mais) candidaturas fascistas?

A mesma análise pode ser feita na esfera do clube. Não sendo o Fascismo uma força política atuante do ponto de vista formal, em que ponto há o ataque às regras estatutárias e normativas do clube ao criar um grupo de combate à prática do fascismo (com letra minúscula) com o uso de símbolos colorados? Combater individualmente as práticas discriminatórias (racismo, homofobia, intolerância religiosa), é válido e estimulado, mas reagir contra elas de forma coletiva, reunidas sob o nome histórico do fascismo é ação política que fere as normas?

Fica bastante claro que a reação às ações da Frente Antifascista originada na torcida do Internacional tem outros objetivos, que não propriamente a defesa do clube contra o uso indevido de sua imagem para fins políticos. Há evidentemente a intenção de preservar, ou, por outra, de retornar a um estado de coisas anterior, em que as elites dominavam o ambiente do clube. Para conter o avanço das forças progressistas no Inter, o conservadorismo lança mão de todos os recursos, inclusive atos desesperados para buscar na legislação interna as possibilidades de evitar que o clube se democratize que volte a ser, também na prática, o Clube do Povo.

¹https://www.espacovital.com.br/publicacao-36986-o-internacional-de-ildo-meneghetti-hugo-chavez-olivio-dutra-e-jair-bolsonaro

²https://www.espacovital.com.br/publicacao-37010-internacional-anti-oportunismo

Heavy Hour 41 – 28.05.19 – Alvo dos patifes

E os patos viraram patifes. Depois de vestirem suas camisetas da CBF e conseguirem dar suporte a um golpe engendrado nos manuais da CIA, eles voltam às ruas e apontam suas armas diretamente ao seu mais novo inimigo: a educação! Sim, muitas – nem tantas – pessoas se fantasiaram novamente e trataram de contra-marchar apoiando seu presidente, a ignorância e o ideologismo racista e fascista – tudo abertamente. Neste programa, desvelamos a marcha dos patifes pela história de 3 antropólogxs: Cleyton Rocha, do Macapá, capital do Amapá, Lucy Cavalcante, de Caucaia, no Ceará, e Bruno Domingues, de Barcarena, interior do Pará. Todos negrxs e mestrandos da UFRGS – bolsistas ou não, de cotas ou não, são aqueles com a mira do ódio em suas paletas. Na condução do programa, o power trio do Coletivo Catarse recebe o reforço – permanente? – de Clementine Marechal, também antropóloga e de espírito de luta ativo.

Setlist:
Eu Acuso! – Marcha dos Patifes
Maria Bethânia – Carcará
Vitor Jara – Movil Oil Special
O Rappa – Minha Alma
Belém Pará Brasil – Mosaico de Ravena
Slave in Hell – W.O.E.
Possessed – Graven
Rockin 1000 – Smells Like Teen Spirity

Multidão na rua em Porto Alegre pela educação e contra Bolsonaro

Na noite de quarta feira (15/05) soaram os tambores da revolta popular em Porto Alegre e em todo o Brasil.  Na capital do Rio Grande do Sul, cerca de 30 mil pessoas participaram do grande ato noturno que foi da Esquina Democrática até o Largo Zumbi dos Palmares, no centro da cidade . Ao longo do dia também ocorreram diversas mobilizações na Faculdade de Educação (FACED UFRGS).

Manifestação passando pela Avenida Borges de Medeiros.

O movimento fez oposição aos cortes das verbas para as Universidades Federais e para o Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) anunciadas por Jair Bolsonaro e pelo ministro da educação Abraham Weintraub . Além disso, também se posicionou contra os ataques feitos pelo presidente à política de cotas e contra as ciências e universidades.

“Revolte-se. Salve a Educação do Bozo. Rebele-se”. Cartaz de Manifestante.

Os manifestantes também questionaram a prisão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e a reforma da previdência. Diversos movimentos sociais contrários a Jair Bolsonaro e suas políticas de governo estiveram presentes. Grupos anarquistas, sindicalistas,coletivos LGBTQ+, feministas, partidos de esquerda, movimentos negros, estudantes e professores universitários e secundaristas construíram o espaço de lutas coletivas.

Esta união de diversos segmentos deu corpo ao movimento e unificou diversos discursos contrários aos retrocessos da gestão do presidente.

“Uma só Luta! Contra a Reforma da Previdência e os cortes de Bolsonaro”. Cartaz de Manifestante

Resta saber como a pressão popular terá efeito no governo. Espera-se que, caso os grupos sigam mobilizados, se consiga reverter ou impedir decisões deste (des)governo ultra conservador.

Imagens: Billy Valdez
Texto: Bruno Pedrotti

Heavy Hour 39 – 14.05.19 – Contra a demonização dos trabalhadores! Chega de reformas infames!

O ódio como estratégia de poder, a demonização dos trabalhadores – é isso que está por trás de toda a sujeira das reformas propostas desde o golpe de 2016. Neste programa, recebemos Leandro Reis, do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas, trabalhador de chão de fábrica, e Jonas Reis, do SIMPA, municipário de Porto Alegre, há bons anos declarado inimigo pelo “prefake” (suas palavras) Marchezan, assim como todos os servidores públicos da cidade, alvos constantes de ataques de uma pessoa que despreza a cidade que governa e a coisa pública. Aliás, não parece ser uma regra dessa frente toda podre de direita que está por aí dando as cartas nesses anos?!

Drinks neste Heavy Hour gentilmente cedidos pela Caipora, cachaça de primeira! Não por coincidência, só fomos na canha em homenagem a “o” preso político brasileiro, que assombra os sonhos e fetiches minions em todas as noites… Livre!

Setlist
Dona Ivone Lara – Sonho Meu
Chico Buarque e Milton Nascimento – Cálice
Humanicide – Visualizer
Asfixia Social – Get Ready O Começo
Bezerra da Silva – Candidato Caô
Cake – I Will Survive
Audiozumb – 111 Tiros
Megadeth – In my darkest hour

MAIS QUE UM JOGO – Todas e todos pela educação pública!

Uma das características fundamentais de um governo fascista é a criação e a demonização de um inimigo. O governo Bolsonaro já elegeu quem cumprirá esse papel: os professores e as professoras. Além deles e delas, a educação de uma forma geral vem sendo atacada de forma constante pelo governo.

Ministros e o próprio presidente se valem de um discurso moralista e mentiroso sobre as práticas escolares para deslegitimar os saberes e o trabalho dos profissionais da educação.

Pautas como “ideologia de gênero”, “doutrinação ideológica” e “marxismo cultural” estão sendo divulgadas pelo governo (antes mesmo de eleito). Esse discurso, que não se verifica na prática, também faz parte de um projeto de precarização e posterior privatização da educação pública no Brasil.

Os recentes anúncios de cortes de verbas para todos os níveis da educação pública brasileira são mais um episódio desses ataques ao “inimigo” do governo.

O ataque às Universidades Federais e aos Institutos Federais, além de precarizar o ensino e a pesquisa, acaba atingindo a população como um todo, como, por exemplo, com o fechamento de Hospitais Universitários, que em sua maioria atendem exclusivamente pelo SUS.

Além disso, assistimos a uma relação muito próxima entre o governo e representantes de universidades particulares e redes de educação a distância, como, por exemplo, o fato da vice-presidente da Associação Nacional das Universidades Privadas ser Elisabeth Guedes, irmã de Paulo Guedes, ministro da economia e guru do presidente, que propôs os cortes na educação pública.

Dia 15/5 estará acontecendo uma greve geral da educação, contra esse corte absurdo de verbas, bem como contra a reforma da previdência, uma vez que os professores e principalmente as professoras serão muito atingidos pela reforma, perdendo sua aposentadoria especial.

Frente Inter Antifascista

– originalmente publicado no site do Repórter Popular, aqui