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Heavy Hour 50 – 30.07.19 – 50° HH da nova era! 15 anos de Coletivo Catarse! Quanta lambeção…


Neste programa, atingimos uma baita meta – a de empobrecer comprando ceva e cachaça a cada uma das 50 semanas de novo Heavy Hour! Afora isso, foram muitos temas interessantes expostos desde 10 de agosto de 2018. Muitos convidados passaram pelos nossos estúdios e uma bela rede de veiculação se formou. Dessa forma, decidimos celebrar nesta edição explicando um pouco de quem somos enquanto Coletivo Catarse e apresentando músicas exclusivas de nossas produções! Para além de alguns participantes antigos – tanto de coletivo como de Heavy Hour e da rede – estivemos Gustavo Türck e Marcelo Cougo na presença de Têmis Nicolaidis, Cris Cubas, Bruno Pedrotti e Paulinho Betanzos no Estúdio Monstro (com Zé da Terreira nos curtindo)! Ouves o programa e não sabe direito o que a gente faz? Então escuta este aqui e terás uma noção de uns 15% de nossa trajetória… Vá lambeção, hein?!

Setlist Marcelo Cougo:
Trilha do filme O Grande Tambor – A Princesa é uma Senhora
Trilha do filme Caligrafia – Cuidado e Delicadeza
Trilha do filme Carijo – Bem cedo um mate
Trilha do filme Laceiros Negros estão vivos – Eu e meus camaradinhas
Trilha do filme Crenças a Céu Aberto – Crenças a Céu Aberto
Trilha da websérie Tainhas no Dilúvio – Lições de Água
Trilha do filme O Grande Tambor – Suíte Senzala

O futebol feminino

Simples assim. O futebol feminino (ou feMENINA, como minha pequena sempre diz).

Num fim de semana de Grenal num grande estádio da capital, lá em Gravataí, um jogo decisivo acontece horas antes. Um time de massas, aqui de Porto Alegre, contra outro mediano, mas figurante do cenário principal do futebol nacional, lá de Belo Horizonte.

Duas treinadoras mulheres, duas bandeirinhas, 22 jogadoras fardadas, um juiz homem. Cerca de 700 pessoas nas arquibancadas.

O apito soa, a bola rola, a vontade impera.

O jogo é bom, as mineiras com grande capacidade e aplicação tática, quase superam uma linha de quatro habilidosas atletas da equipe gaúcha – a 9, a 8, a 7 e a 10.

A arqueira da casa faz um milagre na primeira etapa, o empate é dela. No segundo tempo, a tensão aumenta, mas as gaúchas dominam um jogo truncado, disputado, mas com vários momentos de virtuosidade das craques sulinas.

A treinadora local então ousa, tira a lateral esquerda, que esteve bem na primeira parte do jogo, e coloca uma atacante, puxando a camisa 9 para a ala. O time fica mais ofensivo, mesmo precisando apenas que a igualdade impere.

E a bola bate no travessão! Passa perto ao lado! Agora pelo outro lado, triscando o pé da trave das mineiras!

Minha companheira pula de nervosa na arquibancada, está torcendo! Nunca a vi torcer!

Nossa pequena achou uma amiguinha, toda fardada também. No meio de suas brincadeiras de criança, uma parada para conferir quem está saindo de maca e por quê. Chega no alambrado, observa atenta. A senhora ao lado, tragada pelos seus cigarros, mais de 70 anos, por óbvio que parecia, passou a berrar ao final do jogo, também incentivando as guerreiras em campo.

Agora, com o tempo passando, a luz se indo no horizonte, a classificação mais próxima, a torcida canta mais alto. A murga está presente, as pequenas não brincam mais, elas cantam!

Sim! É uma partida de futebol!

As cores dos times não importam, mas o gênero, SIM!!!

*por Gustavo Türck

Heavy Hour 37 – 29.04.19 – Da vida! Somar mulher e homem, multiplicar, sem dividir nem subtrair…

Não, não estamos falando de procriação, pelo menos não no sentido dogmático dominante, mas, sim, de ideias e ideais de vida. A intersecção, a noção da invasão da noção do gênero em cada um. Neste programa, após dois episódios com representatividades individuais de fêmeas e machos, a gente soma os seres humanos. No estúdio, Guilherme Schröder, filósofo, poeta, vagabundo e pai da Lara, Ana Carolina Pereira, comunicadora, artista intervencionista e militante do movimento feminista, Airton Gregório, artista educador, e Fabi Cre, mulher socióloga e mãe feminista, se reencontram no Estúdio Monstro, num Heavy Hour épico! Power trio do Coletivo Catarse formado por Gustavo Türck, Billy Valdez e… Têmis Nicolaidis!!! Tchau, Marcelão!

Setlist deste programa:
Daniela Mercury – A Rainha do Axé (Rainha Má)
Nirvana – Rape Me
Hole – Violet
Zumbira Silva – Cuidado e Delicadeza
Talking Heads – Once in a Lifetime
Queen – Don´t Stop Me Now
L7 – Pretend We´re Dead
David Bowie – Rebel Rebel
Velvet Underground – Femme Fatale

Heavy Hour 36 – 22.04.19 – Mulheres: universos, labirintos e fortalezas

Neste programa, as mulheres vão falar, simplesmente, sobre quem são, vivendo nestes tempos de luta, por seus lugares de fala e ação no mundo contemporâneo. Que feminino é esse que urge e se transforma, neste ambiente de incertezas, de mudanças e de posicionamentos colocados, embora, ainda de muita hostilidade. Aceitando ao desafio de comandar a edição, estão marcando presença bem do jeito delas! Com apresentação de Têmis Nicolaidis e Cristiane Cubas, do Coletivo Catarse, e com as convidadas Kacau Soares, atriz, licenciada em História pela Política de Cotas na UFRGS, militante da cultura, trabalhadora da assistência social no programa Ação Rua; e Fabi Cre, mulher socióloga e mãe feminista; Ana Carolina Pereira, comunicadora, artista intervencionista e militante do movimento feminista. Na técnica, Gustavo Türck, e com os ouvintes direto no Estúdio Monstro, Marcelo Cougo, Billy Valdez, Guilherme Schröder e Airton Gregório. No apoio etílico, Cerveja Artesanal Macuco e Cachaça Caipora! Arte deste episódio feita sobre ilustração de Ekaterina Tutynina.

Setlist:
Eu Acuso! – Idade Mídia
Rita Lee e Zelia Duncan – Pagu
Elza Soares – Dentro de cada Um
Nina Simone – Four Women
Mayra Andrade – Ilha de Santiago
Mulamba – Mulamba
Gal Costa – Vaca Profana

Filmografia Social – Tudo o que eu vejo é você

Por trás do seus olhos (All I see is you), é uma metáfora sobre o que podemos ter de mais obscuro em todos nós. Conta a história de uma mulher chamada Gina, que volta a enxergar após conviver quase toda sua vida com a falta de visão, condição esta que a deixava completamente dependente de seu marido. As roupas, a rotina, a casa, tudo era a partir do olhar de James. O controle dele com a passividade dela fazia esse casamento dar certo para ambos. Até que um dia Gina faz uma cirurgia e volta a enxergar, e a medida que ia percebendo este mundo configurado por James, se tornava mais crescente o sentimento por mudanças.

O filme é esteticamente lindo pois mistura imagens de Bangkock, capital da Tailândia, onde se passa a trama, com momentos íntimos e poéticos do casal e especialmente de Gina, que se transforma a cada dia, atingindo um empoderamento que incomoda profundamente James. O enredo passa de uma história tenra e romântica para um drama psicológico denso, mostrando a face mais perversa dos personagens que passam a agir de forma questionável.

Chamo de metáfora pois pode acontecer em Bangkock, São Paulo, Porto Alegre ou qualquer cidade do interior do mundo onde o machismo se manifesta. A independência feminina é um afronte a ordem estabelecida pois, quando a mulher toma as rédeas de sua vida, as estruturas dominantes, que aprisionam a todos, caem. E é esse poder que amedronta tanto aos homens como às mulheres. Gina, neste contexto, representa a coragem para subverter, a “petulância” de buscar por liberdade.

Quando assisti a este filme acabei encantada por toda a arte que ele trazia nas imagens, edição e roteiro, é um filme extremamente belo, porém subestimei o seu poder. Acabei de vê-lo achando que era meramente um filme sobre um casal e me peguei meses depois pensando sobre seus muitos significados. Para mim, o cinema deve ser isso, uma bomba silenciosa que explode dentro da gente e nos modifica. Que assim seja, também, a luta de todas as mulheres.

NOSSA AVALIAÇÃO

Gênero: drama

Temática Social: opressão, protagonismo feminino
Público-alvo: pessoas que gostam de filmes intimistas, artísticos e com tempo dilatado. Parece ser voltado para mulheres, porém deveria ser visto por qualquer pessoa sensível que pensa sobre as relações entre homens e mulheres.

Roteiro:
Um roteiro original muito bem costurado e que faz a magia acontecer tempos depois de ser assistido.

Dramaturgia:
Filme de uma poesia incrível. Tudo é belo, as imagens e suas misturas, as atuações, toda a arte que envolve o enredo faz o espectador ficar de boca aberta e nos coloca dentro da mente desta mulher.

Aprofundamento da Questão Social:
Toca num ponto, ao meu ver, nevrálgico de uma sociedade machista, que é a sua desconstrução a partir do empoderamento feminino. Este é um caminho sem volta e, se enxergado desta maneira, é capaz de transformar radicalmente qualquer sociedade que vive sob essas regras. O tema da opressão fica muito evidente e o filme consegue trazer essa reflexão de uma forma muito profunda.

Por Têmis Nicolaidis

– Filmografia Social é um conteúdo apoiado pela Graturck – perícia social, consultoria e cursos (www.graturck.com.br) e é publicado simultaneamente no site/redes do Coletivo Catarse e no site/redes da Graturck todas as quartas-feiras.