Uma cooperativa de trabalho com 22 anos e outra recém fundada se reúnem para refletir sobre caminhos futuros e possíveis.

No último sábado, 30/05, em noite de Maria Maria Espaço Cultural, na sede do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre/Coletivo Catarse, foi recebido um grupo de Alvorada – o coletivo Vira Cena – para um bate-papo sobre cooperativismo e sutentabilidade. Fundado também como uma cooperativa de trabalho, de produção audiovisual, o coletivo visitou os espaços de trabalho dos profissionais do Catarse e as áreas comuns da Comuna do Arvoredo, situada no Centro Histórico de Porto Alegre. Foi uma noite de troca de saberes e de formação, quando profissionais que há anos seguem suas carreiras em uma iniciativa como uma cooperativa deram seus depoimentos, contando suas histórias de como a organização coletiva acontece numa rotina de formalização e de trabalho e renda – nas artes, na comunicação e na produçao cultural e audiovisual.





A cooperativa Vira Cena foi idealizada em projeto pedagógico pelo Professor Adailton Moreira, no Centro de Educação Profissional Adelino Ferreira Borba de Alvorada, a iniciativa nasceu das experiências vividas nas aulas do Curso de Produção Audiovisual e se consolidou como um movimento de coletivos que une educação, arte, trabalho e compromisso social. Ainda em abril deste ano, o Coletivo Catarse esteve em atividade no curso, expondo sua trajetória e realizando um primeiro contato que veio a culminar exatamente com o encontro em Porto Alegre, numa visita presencial que serviu para motivar os novos cooperativistas.

“Sou a cooperada do Vira Cena e participei do evento no Catarse. Eu me apaixonei em cada detalhe, conheci a história de como esse coletivo nasceu do chão, cresceu na teimosia e virou casa para artistas e espetáculo para o público. Vi de perto o trabalho que leva a arte até quem cria e devolve essa arte para o mundo em forma de cena. Um coletivo que tem sido de grande apoio para o início da cooperativa Vira Cena. Eu saí de lá com uma bomba de inspiração no peito e uma vontade absurda de aprender, construir e fazer parte disso. Eu amei, foi maravilhoso e eu quero continuar trabalhando com a Cartase.“

“Faço parte da cooperativa Vira Cena e participei no sábado ali na Catarse. Foi bem legal a interação com o pessoal, de ser bem recebido, conhecer o espaço deles ali. É muito importante a gente saber que tem esse apoio e o que realmente as pessoas fazem num coletivo – uma pessoa ajuda a outra, e, se precisar, eles vão estar ali, assim como a gente também. É muito legal essa parte de um poder contar com o outro, e não ser uma competição, todo mundo se erguer para todo mundo crescer. Isso é muito massa! Vi muito isso no sábado, pelas coisas que eles falaram, a vivência, o compartilhar de experiências… Muitas vezes quem é novo não tem noção, e o pessoal que já passou por isso está ali para dar uma luz, para orientar… Isso é muito importante, foi muito bacana.“
Ao longo da noite de lua cheia, com um clima agradável e convidativo à música ao vivo e ao bate-papo, foi se apresentando também um pouco mais da estrutura da Maria Maria Espaço Cultural, fruto da iniciativa das “irmãs Tolfo”, que são “as Marias” Daniela e Márcia, em parceria com o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, que, ao longo de 3 anos, se fez com investimentos próprios no local e através de projetos conquistados em linhas da Funarte/MinC e secretarias de cultura do estado e do município. Sobrou tempo ainda para uma visita à sede/escritório do Coletivo Catarse e aos fundos da Comuna do Arvoredo, destacando-se na conversa a história de como se constituiu e como se gere todo este espaço – uma complementação para a reflexão sobre as possibilidades de sustentabilidade a coletivos como os ali presentes.

“Também sou cooperado da Vira Cena. Não tem como não falar daquele espaço! Eu acho que tudo o que encontramos, cada pessoa, o espaço e a atividade em geral, foi um pedacinho de tudo que teve. Achei aquele espaço perfeito para qualquer cooperativa que queira existir. É um lugar que passa calma, dá pra sentir que se pode trabalhar sem precisar se apressar, sem precisar ficar sob pressão. Eu acho que em geral toda a atividade foi perfeita. Eu não teria problema de fazer ela de novo um milhão de vezes! Seria ótimo para mim passar o máximo de tempo possível em qualquer lugar que seja calmo daquele jeito.“





















Ao final da visita, a banda Mr. Fool, que é formada por alguns integrantes do Vira Cena, perfomou brilhantemente seu rock garage na garajona da Comuna do Arvoredo. Porque celebrar também faz parte…






Fotos: Douglas Martins (Vira Cena)

