Mais ações de agroecologia compartilhadas no Vale

Uma ação que é uma realidade de compartilhamento de conhecimentos diversos sobre a natureza e como se entende que o ser humano possa fazer parte de um processo construtivo no meio ambiente. Em Morro Reuter, no interior deste interior, a parceria entre o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre/Coletivo Catarse e o Ponto de Cultura Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo segue no ritmo do crescimento das mudas de erva-mate e de palmeira juçara, que estão sendo preparadas para o plantio no canto agroflorestal selecionado entre os 16 hectares do Vale. Em visita realizada no final de julho, uma equipe foi conferir o andamento do manejo de espécies invasoras – principalmente a uva-japão – e a integridade de mais de 200 mudas, deixadas ali para aclimatação há cerca de 2 meses. Foi uma atividade trabalhosa, mas em que se pode ouvir o ronco dos bugios, conferir a força das águas nos cursos múltiplos que existem na região e curtir momentos com os guardiões do sítio principal – Amora e Calixto. Cultura Viva é isso – água escorrendo, plantas crescendo e convívio que aduba a arte! Fotos: Mainô TürckPresentes: Gustavo Türck e Bruno Pedrotti, do Coletivo Catarse/Ventre Livre, e Alexandre Fávero, da Cia Teatro Lumbra Confira a sequência de postagens sobre o tema:

Reflorestamento e continuidade na Retomada Gãh Ré

No sábado 25 de julho, a comunidade kaingang da Retomada Gãh Ré, Zona Leste de Porto Alegre, articulou mais um pequeno encontro de reflorestamento do território. Um grupo diverso que contou com crianças de dois e treze anos até a sexagenária mestra Gãh Té subiu na trilha pela mata realizando plantios até chegar na área de manejo perto do topo do Morro Santana. Ao longo da trilha, plantaram duas araucárias e, ao chegar no local em que a mata se torna campo, plantaram alguns butiazeiros. A equipe também limpou as mudas plantadas no ano passado e seguiu o controle da invasão de Pinus Ellioti, arrancando manualmente as mudas do pinheiro invasor que já começavam a surgir. Ao longo da área em que foram manejados os pinus no ano passado, foi possível perceber uma forte reação da vegetação nativa, tanto florestal, no caso dos Maricás – árvores que dobraram de tamanho em um ano com a entrada maior de luz no que antes era um bosque sombreado pelos pinus -, quanto de ervas, gramíneas e outras plantas de pequeno porte. Junto aos plantios de árvores, a cacica Gãh Té semeou também feijões em alguns locais, realizando testes para uma possível roça na primavera. Avaliando o solo, encontrou ainda um local para um plantio de milho e, com a fome do almoço se aproximando, colheu algumas folhas de almeirão roxo – PANC nativa das américas com diversos benefícios nutricionais e medicinais. Depois de um almoço comunitário, dividiram-se as equipes. Os kaingangs acolheram os visitantes que chegavam para a oficina de artesanato. O encontro de compartilhamento de saberes tradicionais foi uma das atividades realizadas dentro do edital de Agentes Cultura Viva da Ancestralidade em Porto Alegre do Pontão de Cultura AxéMirê – no qual Gãh Té é mestra indicada pelo Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre/Coletivo Catarse. Enquanto isso, os fóg apoiadores seguiram para o erval da aldeia. Na tarde ensolarada, capinaram a capoeira e abriram entradas de luz para seis pés de erva-mate e uma araúcária plantada no ano passado, replantando 4 novas mudas de mate e mantendo também no sistema um maricá e uma amoreira. Nas entrelinhas do erval foi semeado um mix de sementes para cobertura de solos no inverno. Este pequeno encontro de trabalho fez parte do Projeto Reflorestamento, Resiliência e Continuidade, aprovado na Chamada Reconstruir RS 2025 do Fundo Casa Socioambiental, o projeto é uma continuação do realizado no ano anterior. O “mutirinho” de plantio não foi a primeira ação, já que este projeto tem como um dos objetivos a manutenção dos espaços da comunidade, já vinham sendo realizadas também ao longo do ano ações de manejo do chiqueiro, a reforma das casas e toda a rede hidraúlica nas moradias mais novas. Este encontro, de outra forma, marcou o início das atividades abertas do projeto. Felizmente, não é o último – em breve devem ser convocadas novas ações. Para participar, acompanhe as redes da Retomada Gãh Ré e do Coletivo Catarse. Apoio: Projeto contemplado na chamada Reconstruir RS 2025, tendo o Coletivo Catarse como organização parceira. Texto: Bruno PedrottiFotos: Giulia Sichelero

O Coletivo Catarse é uma cooperativa – e esteve na Feicoop!

Entre os dias 10, 11 e 12 de julho, em Santa Maria, aconteceu a 32ª Feira Internacional do Cooperativismo e da Economia Solidária. Com acesso livre ao público, o Centro de Referência Dom Ivo Lorscheiter, no Parque da Medianeira, recebeu mais de 500 expositores e realizou dezenas de paineis, rodas de conversa, oficinas e atividades artísticas ao longo dos 3 dias. Foram milhares de participantes que, além de conferir uma gama incrível de produtos oriundos da economia solidária, da agricultura familiar, do artesanato e da agroecologia, puderam também participar gratuitamente de seminários, oficinas, rodas de conversa e apresentações culturais diversas. O Coletivo Catarse se fez presente acompanhando uma delegação de mulheres artesãs da região metropolitana de Porto Alegre, realizando registros para pequenos vídeos e para um curta-metragem para o projeto “Mulheres Negras no RS: Empoderamento e Bem Comum”, desenvolvido pelo CAMP em parceria com o Ministério da Trabalho e Emprego/Secretaria Nacional de Economia Popular Solidária, fruto de emenda parlamentar das Deputadas Federais Reginete Bispo, Maria do Rosário e Alexandre Lindenmeyer (TF 959059/2024) – clique aqui para saber mais. Nas fotos, de Daniela Tolfo, é possível perceber que estamos acompanhando uma personagem especial – Zara é uma boneca produzida por uma artesã da economia solidária e ela “toma vida” para sair na busca pelo entendimento do seu real valor. Esta é a premissa que deve nortear o curta-metragem em produção, com direção de Têmis Nicolaidis e produção de Lorena Sánchez. Lisbet dos Santos é a artesã da Zara, e sua filha Helena Moreira, a atriz dá voz e movimento a essa linda boneca. Para saber mais sobre e a Feicoop, acesse 3 matérias do Brasil de Fato:

Grupos na cidade e no campo realizam plantios agroflorestais

No sul do Brasil, do fim do outono até o começo da primavera, se dá a principal janela de plantio do ano. A época é de grande importância tanto para agricultores familiares quanto grupos agroecológicos dos mais diversos, já que a temporada chuvosa é ideal para culturas perenes como frutíferas e árvores no geral. Além de produzir materiais de comunicação sobre agroecologia, o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre vem atuando junto destes grupos na produção de mudas nativas, organização de compras coletivas e também se engajando em ações diretas de plantio. As espécies nativas utilizadas pelo coletivo para ações de reflorestamento e implementação de sistemas agroecológicos (SAFs) geralmente são as de grande importância cultural e ecológica na região sul, como a erva-mate, araucária, butiá, palmeira juçara, araçá, entre tantas outras. Por meio de ações de plantio, doação e aquisição de mudas destas espécies-chave nativas, o Coletivo busca fortalecer os ecossistemas nativos como enfrentamento da crise climática. Outra motivação importante para estas ações é a aproximação das pessoas com as plantas presentes no seu dia-a-dia, como a própria erva-mate. A árvore símbolo do Rio Grande do Sul é um ótimo exemplo do distanciamento entre as pessoas e a natureza. Apesar do grande consumo e produção de chimarrão no estado, a maior parte da população gaúcha não conhece a planta Ilex Paraguariensis nem mesmo suspeita que esta, que dá origem à erva-mate, é, na verdade, uma árvore. Por isso, plantar a Ilex é uma maneira de reaproximar as pessoas desta planta emblemática, conhecendo seus ciclos e possibilitando a médio prazo as folhas para o preparo de um chimarrão artesanal. Pensando nisso, a Catarse já fez o plantio de mais de 30 pés somente em junho e planeja plantar muitas mais. As primeiras mudas foram para a terra nos dias 4 e 5, no limite entre Morro Reuter e Santa Maria do Herval. O ponto de Cultura Vale do Arvoredo recebeu o plantio de 20 mudas no seu espaço de Residência Artística no meio da Mata Atlântica. O plantio foi realizado ao longo das gravações do Talk Exu #6 – Cultura e Agroecologia – e contou com a participação dos parceiros Alexandre Fávero, Matias Köhler e Ethiéne Guerra. Ao longo do encontro, também foram plantadas sementes de juçara germinadas – presente da Karina do Sítio Semente Raiz, em Maquiné/RS -, dentro da mata e transplantadas para vasos, originando mais de 80 mudas. Já na semana seguinte, no dia 11, foi realizada uma doação de 11 mudas e apoio ao plantio no Sítio do Tigre. O assentado da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (COOTAP) estava aumentando sua agrofloresta (que já possui cítricas, goiaba, banana, pitaia, jambolão e outras árvores), no município de Eldorado do Sul, e recebeu mudas de erva-mate, juçara, guabiju e mamão do viveiro do Coletivo. O plantio, que incluiu também mudas de bananeira, foi realizado seguindo o calendário biodinâmico. O último plantio – até agora – foi realizado no sábado, 20 de junho. No solstício de inverno, uma equipe de 4 cooperados da Catarse, 3 deles acompanhados dos seus filhos, fizeram o plantio de 20 mudas – 12 erva-mate, 4 araucárias, 3 juçaras e 4 ipês roxos. Apesar de ter sido o dia mais curto do ano no hemisfério sul, a tarde nublada e fria teve tempo ainda para colheita de laranjas, bergamotas e abacates e para o desfrutar da paz do sítio Walparaíso, em Belém Velho, zona sul de Porto Alegre. No mesmo final de semana, a zona sul da capital recebeu outros plantios de mudas vindas da compra coletiva com o Viveiro Gasparetto (leia aqui). O parceiro Bernardo plantou araucárias, erva-mate, grápias e ipês no quintal da sua casa no bairro Cristal. Em Viamão, a parceira Maíra fez o plantio de erva-mate, grápias, ipês e angicos vermelho na sua casa no bairro Cantagalo. Mais ao sul do estado, no distrito do Boqueirão Velho, muncípio de São Loureço do Sul, o parceiro Filipe fez o plantio de 5 pés de erva-mate, 3 angicos vemelho e 3 grápia. O município na chamada costa doce gaúcha (região às margens da Lagoa dos Patos ) tem recebido uma série de carijos (atividades de feitio artesanal de erva-mate), e o plantio de erva-mate na região também busca garantir a continuidade dessas atividades culturais. Estas ações vem sendo realizadas de maneira autônoma, sem um financiamento ou projeto responsável, buscando fortalecer a biodiversidade nativa no estado e fomentando uma conservação pelo uso e uma relação mais próxima com plantas que moldaram a cultura e o modo de vida no sul do país. De tal forma, seguirão acontecendo ações e encontros de plantio tanto em pequena e média escala quanto outros maiores por meio de mutirões específicos a serem convocados. Eaí? Bora plantar?!

Viveiro Comunitário prepara mudas para temporada de plantio

Com a chegada da estação chuvosa no Rio Grande do Sul, grupos agroflorestais e comunidades se organizam para os plantios anuais de árvores. Nesta semana, o viveiro comunitário gerenciado pelo Coletivo Catarse na Comuna do Arvoredo recebeu 545 mudas nativas de uma compra coletiva. As mudas de erva-mate, canafístula, grápia, jacarandá, araucária, angico vermelho e ipê roxo vieram do Viveiro Gasparotto, de Erval Grande, norte do estado. Além dessas mudas adquiridas, também devem ser plantadas ao longo do ano as mudas produzidas pelo viveiro comunitário localizado no centro histórico de Porto Alegre, entre estas vale destacar as palmeiras Juçara (Euterpe edulis), maracujás roxo do mato (Passiflora edulis), araucárias e ingazeiros. Por enquanto, o trabalho tem sido de separação e entrega das mudas para retirada pelos participantes da compra coletiva – somente em dois dias, mais de 100 já foram retiradas por diferentes grupos agroecológicos para plantios na zona sul de Porto Alegre, Osório, Vale do Taquari e São Lourenço do Sul. As espécies nativas devem ser plantadas ainda na zona leste de Porto Alegre, Viamão, Canoas e no Caraá, em aldeias, quilombos, sítios, chácaras, quintais e tantos outros espaços de ecologia no campo e na cidade. Em breve as plantas devem ser colocadas na terra, fortalecendo a biodiversidade nativa por todo o estado e contribuindo para ambientes mais equilibrados. As espécies não foram escolhidas por acaso, mas justamente por serem de grande importância para os animais nativos, sendo fontes de alimento (no caso da juçara, maracujá, araucária, inga e erva-mate) ou de pólen (canafístula, ipê roxo, grápia, angico vermelho e jacarandá). Esta é uma iniciativa autônoma do Coletivo Catarse, Comuna do Arvoredo e parceirias, sem contar com apoios ou financiamentos de projetos em editais. Que venham muitos plantios e fortalecimento e abundância dos territórios!

Vai nascendo uma agrofloresta colaborativa entre Pontos de Cultura

O Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e o Ponto de Cultura Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo se emparceiram para deixar uma pegada agroecológica da Cultura Viva no interior de Morro Reuter Entre os dias 4 e 5 de junho, um coletivo de artistas e fazedores de cultura, integrantes da rede de associados, amigos e colaboradores do Vale Arvoredo (acesse e conheça!), esteve no local realizando atividades de reconhecimento de área, separação de mudas e mapeamento de espécies invasoras a serem suprimidas da mata. Contando também com a presença dos biólogos Matias Köhler e Ethiéne Guerra, que auxiliaram no reconhecimento das plantas, o trabalho desenvolvido já contou com o plantio de Palmeiras Juçaras na área delimitada e também de novas mudas de erva-mate no perímetro que serve de sede ao sítio. Esta é uma ação que acompanha historicamente os objetivos tanto do Vale Arvoredo como do Coletivo Catarse, que têm nas suas essências a visão de pertencimento à Natureza, com a interação e manejo como garantias da manutenção da existência das florestas. Neste caso, já há alguns anos vêm se identificando que a área – com cerca de 16 hectares, mantidos praticamente intocados desde a sua aquisição – é de mata de regeneração, guardando espécies nativas, mas com grande invasão de plantas exóticas de expansão agressiva, principalmente a uva japão. Para “resolver” essa situação, ao longo dos últimos meses vêm sendo realizados vários encontros e conversas sobre a utilização de um espaço em que se maneje essas espécies invasoras e que se passe a cultivar uma pequena agrofloresta própria, com a manutenção de nativas identificadas e outras que sejam de interesse – como o limão bergamota – e com a inserção de espécies típicas da Mata Atlântica, como a Juçara, a erva-mate e o abacaxi. Talk Exu #6 – Cultura e Agroecologia Durante o encontro, também se realizou a gravação de mais uma edição do Talk Exu, o talk show do Coletivo Catarse, parte do Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Na conversa com Alexandre Fávero, parceiro de longa data, sombrista e um dos principais agitadores da proposta dessa movimentação atual que o Vale Arvoredo vem realizando na ideia da mesclagem da agroecologia com a arte, e com Matias Köhler, biólogo que esteve presente nas atividades de produção de uma das carijadas do documentário Carijo, o filme, em Panambi, em 2012, foi possível desenvolver uma reflexão sobre a importância da presença do ser humano e os possíveis impactos positivos desse manejo na floresta tanto com a flora como com a fauna. Também se abordou exatamente as questões que motivam artistas e fazedores de cultura nesssa interação intensa com a Natureza. Palmeira Juçara e Erva-mate A relação do Coletivo Catarse com essas duas espécies de árvores vem de longa data. Durante quase 15 anos, o Coletivo esteve dentro da Rede Juçara, uma rede que espalhou conhecimento e conectou pequenos produtores, entidades de assessoria técnica, poder público, entre outros atores sociais, nos estados do RS, SC, PR, SP, RJ e MG, numa frente que consolidou o entendimento agroecológico na rede, de manejo, de extração do fruto da Juçara para produção de polpa (o Açaí da Mata Atlântica), mantendo, assim, a árvore em pé, viva e consorciada com outras espécies – uma ação direta de recuperação de flora e fauna. O Coletivo Catarse se fez presente nesta rede produzindo matérias, coberturas e, a partir de uma ação no campo da comunicação, fomentando a manutenção do conhecimento acerca da Palmeira – realizando, inclusive, ações diretas de distribuição e plantio de mudas quase que ininterruptamente, por exemplo (clique aqui!). Um dos principais produtos audiovisuais lançados no período é a trilogia O ser Juçara, de 2018, possível de se assistir abaixo e no Youtube: A trilogia retrata, além de toda diversidade encontrada no domínio do bioma Mata Atlântica, as experiências do ser humano com os saberes associados ao manejo da floresta nativa, em especial da Palmeira Juçara. Este primeiro episódio apresenta a relação direta e indireta das pessoas com a floresta, os modos de vida, as conexões que existem entre as experiências retratadas – e a perspectiva de que é possível se viver de maneira sustentável em todos os espaços. Neste segundo episódio, está em questão a transformação do modo de se relacionar com a palmeira. Por séculos, considerada fonte do melhor palmito, foi objeto de um extrativismo que, quando realizado por comunidades tradicionais e famílias que se instalavam em áreas de sua incidência, era sustentável, mas que, a partir de um desenvolvimentismo econômico que enxergou neste um produto de grande valor agregado passou a ser ameaçada de extinção. Este último episódio apresenta as alternativas e a importância que os frutos da Juçara têm para oferecer para alimentar as pessoas. Mas sua contribuição vai para além da nutrição e da culinária. É preciso entender esta palmeira como parte de uma cadeia de valores culturais, que se relaciona e se apresenta como chave não só da preservação da floresta, mas da sustentabilidade das pessoas que vivem nessas regiões e que historicamente lutam para manter seus estilos de vida saudáveis e conectados com as forças da Natureza. Com a erva-mate, também há uma relação de mais de década. Em 2014 foi lançado o documentário Carijo, o filme: Uma obra que trata da fabricação artesanal de erva-mate com o método carijo – uma estrutura montada em estrado, de secagem da erva por horas, e que remonta um conhecimento ancestral indígena, principalmente Guarani. O documentário traz à tona a história do Rio Grande do Sul, contada sob um aspecto da contribuição dos povos originários para a cultura e costumes do gaúcho, e as implicações, relações e desdobramentos deste conhecimento sobre a produção do chimarrão – bebida símbolo do estado. O carijo ainda segue sendo utilizado nos dias de hoje, mas longe dos processos industriais e apenas …

Encontro reforça alternativas de trabalho livre

Uma cooperativa de trabalho com 22 anos e outra recém fundada se reúnem para refletir sobre caminhos futuros e possíveis. No último sábado, 30/05, em noite de Maria Maria Espaço Cultural, na sede do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre/Coletivo Catarse, foi recebido um grupo de Alvorada – o coletivo Vira Cena – para um bate-papo sobre cooperativismo e sutentabilidade. Fundado também como uma cooperativa de trabalho, de produção audiovisual, o coletivo visitou os espaços de trabalho dos profissionais do Catarse e as áreas comuns da Comuna do Arvoredo, situada no Centro Histórico de Porto Alegre. Foi uma noite de troca de saberes e de formação, quando profissionais que há anos seguem suas carreiras em uma iniciativa como uma cooperativa deram seus depoimentos, contando suas histórias de como a organização coletiva acontece numa rotina de formalização e de trabalho e renda – nas artes, na comunicação e na produçao cultural e audiovisual. A cooperativa Vira Cena foi idealizada em projeto pedagógico pelo Professor Adailton Moreira, no Centro de Educação Profissional Adelino Ferreira Borba de Alvorada, a iniciativa nasceu das experiências vividas nas aulas do Curso de Produção Audiovisual e se consolidou como um movimento de coletivos que une educação, arte, trabalho e compromisso social. Ainda em abril deste ano, o Coletivo Catarse esteve em atividade no curso, expondo sua trajetória e realizando um primeiro contato que veio a culminar exatamente com o encontro em Porto Alegre, numa visita presencial que serviu para motivar os novos cooperativistas. “Sou a cooperada do Vira Cena e participei do evento no Catarse. Eu me apaixonei em cada detalhe, conheci a história de como esse coletivo nasceu do chão, cresceu na teimosia e virou casa para artistas e espetáculo para o público. Vi de perto o trabalho que leva a arte até quem cria e devolve essa arte para o mundo em forma de cena. Um coletivo que tem sido de grande apoio para o início da cooperativa Vira Cena. Eu saí de lá com uma bomba de inspiração no peito e uma vontade absurda de aprender, construir e fazer parte disso. Eu amei, foi maravilhoso e eu quero continuar trabalhando com a Cartase.“ “Faço parte da cooperativa Vira Cena e participei no sábado ali na Catarse. Foi bem legal a interação com o pessoal, de ser bem recebido, conhecer o espaço deles ali. É muito importante a gente saber que tem esse apoio e o que realmente as pessoas fazem num coletivo – uma pessoa ajuda a outra, e, se precisar, eles vão estar ali, assim como a gente também. É muito legal essa parte de um poder contar com o outro, e não ser uma competição, todo mundo se erguer para todo mundo crescer. Isso é muito massa! Vi muito isso no sábado, pelas coisas que eles falaram, a vivência, o compartilhar de experiências… Muitas vezes quem é novo não tem noção, e o pessoal que já passou por isso está ali para dar uma luz, para orientar… Isso é muito importante, foi muito bacana.“ Ao longo da noite de lua cheia, com um clima agradável e convidativo à música ao vivo e ao bate-papo, foi se apresentando também um pouco mais da estrutura da Maria Maria Espaço Cultural, fruto da iniciativa das “irmãs Tolfo”, que são “as Marias” Daniela e Márcia, em parceria com o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, que, ao longo de 3 anos, se fez com investimentos próprios no local e através de projetos conquistados em linhas da Funarte/MinC e secretarias de cultura do estado e do município. Sobrou tempo ainda para uma visita à sede/escritório do Coletivo Catarse e aos fundos da Comuna do Arvoredo, destacando-se na conversa a história de como se constituiu e como se gere todo este espaço – uma complementação para a reflexão sobre as possibilidades de sustentabilidade a coletivos como os ali presentes. “Também sou cooperado da Vira Cena. Não tem como não falar daquele espaço! Eu acho que tudo o que encontramos, cada pessoa, o espaço e a atividade em geral, foi um pedacinho de tudo que teve. Achei aquele espaço perfeito para qualquer cooperativa que queira existir. É um lugar que passa calma, dá pra sentir que se pode trabalhar sem precisar se apressar, sem precisar ficar sob pressão. Eu acho que em geral toda a atividade foi perfeita. Eu não teria problema de fazer ela de novo um milhão de vezes! Seria ótimo para mim passar o máximo de tempo possível em qualquer lugar que seja calmo daquele jeito.“ Ao final da visita, a banda Mr. Fool, que é formada por alguns integrantes do Vira Cena, perfomou brilhantemente seu rock garage na garajona da Comuna do Arvoredo. Porque celebrar também faz parte… Fotos: Douglas Martins (Vira Cena)

Reexistência Rutz

O Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e o Coletivo Catarse tem uma longa trajetória de parceria com a Kuja Gãh Té, liderança espiritual e política do povo Kaingang e da Retomada Gãh Ré, no Morro Santana. Legitimados por essa trajetória Gãh Té e o Ventre Livre foram contemplados na Chamada Pública Agentes Culturais da Ancestralidade, promovida pelo Pontão de Cultura Axêmiré.Desse modo as atividades que são realizadas de forma rotineira pela Mestra passam a ser reconhecidas com uma bolsa que ajudará a manter e ampliar essa atividades.Dentro dessa lógica, de troca de conhecimentos e integração com a comunidade, a Retomada Gãh Ré e a Mestra Gãh Té, junto com o coletivo Preserve Morro Santana, receberam a atividade sobre a importância socioambiental e histórica do Morro Santana, incluindo as dimensões geomorfológicas do morro e sua ocupação pelo povo Kaingang. Realizada nos dias 16 e 17 de maio, a atividade teve a participação da comunidade, de estudantes e professores da UFRGS, e serviu de formação para condutores nas ecotrilhas realizadas no Morro Santana.A saída de campo – Mestrado de desenvolvimento rural na retomada indígena Kaingang Gãh Ré, no Morro Santana, foi uma experiência importante de aprendizado e reflexão. Através das falas da Mestra Iracema Gãh te Nascimento, foi possível compreender a relação do povo Kaingang com o território, a ancestralidade e a resistência cultural. A atividade aproximou os conteúdos estudados na universidade da realidade vivida pelas comunidades indígenas, mostrando a importância do respeito aos saberes tradicionais, da memória coletiva e dos direitos dos povos originários.Nesse dia também foi realizada uma cerimônia de plantio de uma muda de araucária, árvore sagrada para o povo indígena, simbolizando a permanência no território do querido Tio Rutz, ativista e morador da comunidade e que nos deixou recentemente. Gãh Té e Julinho, filho de Tio Rutz, celebraram a vida, a alegria e o cuidado que sempre guiou o nosso amigo, que agora está eternizado nas raízes, tronco e frutos da árvore símbolo da resistência Kaingang. Texto: Marcelo CougoFotos: Luis Gustavo Ruwer

Encontro nacional de educadores Freireanos em Porto Alegre

O movimento Café com Paulo Freire, formado em anos obscuros para a democracia brasileira, como uma frente de apoio contra os ataques que este ideólogo da educação brasileira sofria indiscriminadamente, reuniu em Porto Alegre cerca de 85 pessoas de todas as regiões do Brasil para um momento presencial de construção de rede. Apoiado em emendas parlamentares das deputadas Maria do Rosário e Reginete Bispo, foi possível realizar este encontro em 3 dias (24, 25 e 26 de abril) no CEPERS Sindicato. Ali, cada café teve o seu espaço para se apresentar aos outros, reflexões foram construídas a partir das exposições e um caminho de futuro foi traçado para a continuidade do movimento – considerado, inclusive, de abrangência internacional. O Coletivo Catarse esteve presente fazendo a transmissão ao vivo e gravando alguns momentos da integração dos participantes. A seguir, através do Canal Café com Paulo Freire no Youtube, é possível conferir como foram esses 3 dias:

Um sábado especial em março de 2026

Não são poucas as atividades que realizamos. Não são poucos os lugares que visitamos. Não são poucas as pessoas que conhecemos. O cansaço e o suor do nosso trabalho também não têm sido pouco ao longo desses quase 22 anos de existência. E, como o Coletivo Catarse não é apenas uma pessoa, consegue ocupar dois lugares no espaço ao mesmo tempo – até 3 ou 4, inclusive. E foi isso que ocorreu no sábado, 21 de março de 2026. Em Porto Algre, atividade que marcou a divulgação de um documentário sobre o êxodo e a luta palestina lotou a Garajona da Comuna do Arvoredo, numa programação do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre em noite de Maria Maria Espaço Cultural. Em Imbé, o NIA (Núcleo de Investigação Artística do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre) realizou um intercâmbio artístico com o Ponto de Cultura Território das Artes, contando com apresentação do espetáculo “Vasaliza, a sabida”. E, em Mostardas, mais ao sul, também no litoral, mais uma equipe do Coletivo, naquele momento em oficina, em projeto do Ponto de Cultura STR Mostardas, trabalhava a inclusão digital e a salvaguarda do patrimônio cultural, cobrindo o II Encontro Regional de Cantadores de Terno. Não menos importante – e quase simultâneo, pois ocorreu na noite anterior -, em frente de trabalho de apoio técnico no Ponto de Cultura Cirandar, também no Centro Histórico de Porto Alegre, acontecia o Espetáculo Menina de Tranças e Cabelos Brancos com @lilikamarques24 e @deborahfinocchiaro. O Coletivo atua e sempre atuou assim, por isso o fazer é tão multifacetado. Tanto que, por vezes, é desafiador explicar e até mesmo divulgar. São assuntos centrais e transversais tratados pela Catarse com o mesmo intuito: comunicação para transformar. Circulamos múltiplos e vamos chegando perto de distintas realidades, onde alcançamos e é possível uma pequena (que pode reverberar como importante) transformação, através da política, da arte e da cultura. Siga as nossas redes, confira seguidamente nosso site – sempre tem alguma coisa acontecendo!