Comunidade Xokleng Konglui lança livro e filme na UFRGS

Na última quinta feira, a Sala Redenção no Campus Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) recebeu o lançamento o livro “Jug Og Pãn Txi – Na trilha dos nossos antepassados: a retomada do Território Xokleng Konglui” e do documentário “Território Xokleng Konglui: 1° Seminário das Mulheres Indígenas da Floresta”, ambos realizados juntos à comunidade da retomada Xokleng de São Francisco de Paula/RS. Os cantos das crianças da Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Vanheky Veitchá Teie ecoaram pela sala de cinema no Centro de Porto Alegre. E não foi à toa, já que o livro (disponível aqui) organizado pela cacica Xokleng Cunllugn Veitchá Teie, com os pesquisadores Bibiana Harrote Pereira da Silva e Paul Schweizer, teve parte das ilustrações feitas pelos próprios jovens para apresentar a territorialidade da aldeia. “O TRF4 [Tribunal Regional Federal da 4ª Região, órgão responsável pelo julgamento do processo envolvendo a aldeia] pediu um mapa da comunidade. Aí, eu falei para as crianças desenheram aonde seria o território delas, mesmo sabendo que, para uma criança indígena, o território não tem limites. Aí elas foram colocando tudo no papel” – explicou a professora Culá Maiule Teie. Já o documentário apresentou a comunidade e sua luta a partir da perspectiva das mulheres indígenas e do 1° Seminário das Mulheres Indígenas da Floresta. Apesar das diferenças de formato e temática, as duas obras convergem na defesa do direito originário ao território. Ao longo do lançamento, a cacica Cunllugn Veitchá Teie destacou que São Francisco de Paula é território do seu povo e destacou que seu falecido pai viveu no local. “Nós estamos morando ali em São Francisco de Paula, ali no rastro do meu pai. Ali onde ele nasceu”. A luta pelo território foi reforçada justamente por ser a condição fundamental tanto para manter viva a memória dos ancestrais quanto para garantir que a juventude possa vivenciar a sua cultura e seu modo de vida tradicional. Depois de muita luta, a comunidade conseguiu o direito de permanecer no território retomado, na Floresta Nacional de São Francisco de Paula, unidade de conservação ligada ao ICMBio. No entanto, os indígenas reivindicaram que avance o processo de demarcação da sua aldeia e também combateram os ataques aos territórios e ao direito originário em todo o país. Ao final, junto com a força dos cantos ancestrais, ecoaram também na tarde chuvosa daquela quinta feira os gritos de guerra: “Demarcação já!” “Não ao marco temporal!” Texto e fotos: Bruno Pedrotti.

Podcast do Coletivo Catarse: uma praça naturalizada em Santa Maria

Uma conversa com Gui Blauth – por Jefferson Pinheiro. @gui_blauth tem trabalhado para que as crianças permaneçam conectadas com a natureza. Ele faz isso através de diversas iniciativas e junto a outras e outros ativistas pela causa das infâncias saudáveis e pelo direito do livre brincar em ambientes naturais, como é o caso do @coletivo.taboa, que ele integra. Em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, Gui coordenou a construção de uma praça naturalizada no bairro Nova Santa Marta, em novembro de 2025. Um pouco antes havia passado por Porto Alegre e Estância Velha em projetos similares, embora já tenho ajudado a construir ambientes naturais para as infâncias em diversas cidades e regiões do país. Este podcast é resultado de duas breves conversas com ele enquanto trabalhava na construção da praça em Santa Maria. Ele fala sobre a proposta dos parques naturalizados, do processo e do envolvimento comunitário para a construção desses espaços públicos, das parcerias locais e do impacto que ambientes lúdicos naturais podem ter para o desenvolvimento das crianças, também em contraposição às praças e ambientes artificiais. Em pouco menos de 30 minutos Guilherme nos faz refletir sobre os espaços que oferecemos para as crianças brincarem no meio urbano, a partir também da escassez e da abundância. E, claro, a conversa não é apenas sobre as infâncias, mas também sobre a vida nas cidades para todas e todos nós. Agradeço a @gui.schneider por ter me colocado em contato com seu xará, Gui Blauth. Que todas as crianças possam expressar sua essência e potência, em ambientes naturais que a gente cuide e ofereça pra elas.

Cultura Carijeira viva e acesa no RS

Na contramão da mecanização da indústria ervateira, grupos, comunidades e coletivos seguem construindo carijos. No último final de semana de agosto, chegou ao Coletivo Catarse informações e convites da realização de pelo menos 5 carijadas diferentes no estado. Calculam-se cerca de 75 pessoas reunidas simultaneamente em 5 municípios diferentes no sul, centro, litoral norte e serra do Rio Grande do Sul – que, juntas, produziram mais de 150 kg de erva-mate artesanal. Mas por que a ocorrência de tantos eventos deste tipo ao mesmo tempo? Compreende-se que o fator ambiental possa ter uma contribuição fundamental para o timing desse final de semana de agosto – afinal, este é o período do ano que marca o final da dormência em plantas como a Ilex, uma época ideal para a poda. Mas, também, entende-se como uma obviedade que tantas atividades acontecendo simultaneamente fazem parte de um movimento espontâneo que reforça o fato de que a cultura carijeira está viva e extremamente ativa no estado, com um grande número de grupos se relacionando preiodicamente com este modelo de produção artesanal tanto por meio de vivências abertas quanto pela produção para autoconsumo e comercialização. Para Moisés da Luz, a quantidade grande de coletivos e grupos se relacionando com o carijo não é por acaso, mas é fruto de um processo de cerca de vinte anos de formação de multiplicadores dessa cultura. O biólogo explica que isso se iniciou em 2005 com a organização de encontros abertos de carijadas a partir da vivência que tinha com seus pais e avós. “Fomos gerando pessoas multiplicadoras da prática e motivando outras a retomar o saber-fazer de seus ancestrais”, reflete. Esse processo de formação de multiplicadores passa não só por vivências práticas, mas também pela sistematização deste modelo artesanal por meio de trabalhos acadêmicos, como a dissertação de mestrado Carijos e barbaquás no Rio Grande do Sul: resistência camponesa e conservação ambiental no âmbito da fabricação artesanal de erva-mate, de autoria de Moisés e editado também como livro e base de pesquisa para o documentário “Carijo, o filme”. Entre outros materiais, vale citar também o site, a cartilha passo a passo e o audiodocumentário em podcast “Kaárijo”. Entre os resultados desta ação continuada, o biológo cita a patrimonialização da erva-mate, considerando o saber fazer tradicional guarani; a retomada e releitura da história da erva-mate e o reconhecimento de que a erva-mate e seu processo de feitio é de origem indígena (mbyá guarani, kaingang, etc.); o questionamento do conceito de gaúcho da maneira como é trazido pelo tradicionalismo; o aprendizado e autonomia quanto a processar a erva-mate; e o incentivo para as pessoas conhecerem e valorizarem o mundo da agroecologia, das agroflorestas e do viver no campo e a proteção às florestas nativas. Moisés percebe também uma difusão maior de carijos pelo estado, principalmente, nas “regiões mais florestadas, onde os ecossistemas nativos estão mais preservados e entre públicos identificados com a agroecologia, o bem viver, os povos indígenas, autonomia camponesa e de coletivos”. Esta percepção se reforça quando olhamos as carijadas realizadas no último final de semana, tendo como protagonistas grupos e espaços agroecológicos e comunidades indígenas. Em Nova Petrópolis, serra gaúcha, 6 pessoas produziram aproximadamente 20 kg de erva. Foi a primeira carijada organizada pelo Sítio Grūnes Paradies, e as plantas podadas no preparo foram cultivadas no próprio local. Duas das organizadoras haviam participado do primeiro Carijo Serrano Caconde (realizado em São Francisco de Paula em 2022). Já na região sul do estado, em São Lourenço do Sul, 20 pessoas produziram entre 50 e 60 kg. A atividade foi a segunda carijada realizada pelos sítios Enlaçador de Mundos e Espinilho neste ano. As plantas vieram de um erval nativo do Sr. Elmo Blank, antigo produtor de erva-mate da região. Foram manejadas 5 plantas indicadas pelo produtor, que não eram podadas há dez anos. No Vale do Rio Pardo, em Santa Cruz do Sul, a Ecovila Karaguatá organizou a sua segunda carijada. Novamente a erva veio do sítio Cepa Cipó, de Amadeu Krebs, rebrotada depois da primeira carijada no final de 2023. Foram produzidos 13 kg durante a vivência, pela qual circularam 15 pessoas. Em Maquiné, litoral norte do estado, mais ou menos 20 kg de erva-mate foram produzidos, contando também uma pequena produção de chá mate. Foi o primeiro feitio com mudas plantadas no Vale do Rio Ligeiro, reunindo 14 pessoas, em sua maioria vizinhos da região. A iniciativa veio de Kátia Zanini (mobilizadora do Centro de Vivências Vale do Ligeiro, que tem ervas plantadas, mas ainda pequenas) em parceria com Leandro Umman, que tem um plantio de 260 pés de erva-mate no espaço Alma-Viva. Os organizadores também já fizeram uma carijada em Minas Gerais. A família de Kátia Zanini, inclusive, também foi a responsável pela primeira carijada em que integrantes do Coletivo Catarse se fizeram presentes, em Sertão Santana, na primeira década dos anos 2000. Por último, mas não menos importante, a rede do carijo da Amizade realizou sua quarta(!) carijada de 2025. Com organização do Sítio da Amizade e parceiros junto à comunidade mbyá guarani da Tekoá Yvyty Porã (Serra Bonita), em Riozinho. Cerca de 20 pessoas trabalharam coletivamente no feitio de 50 kg, manejando o erval nativo da comunidade indígena. Os povos orginários, aliás, vêm tendo um forte protagonismo no feitio de erva-mate no Carijo no RS. Além da Yvyty Porã, a Tekoá Kaamirindy – também do povo mbyá guarani e localizada no município de Camaquã – produz carijadas regularmente para venda da erva-mate, gerando trabalho e renda para as famílias a partir desta planta de grande importância cultural e espiritual para os guarani. Recentemente, também a comunidade guarani da Tekoá Anhatenguá, na Lomba do Pinheiro em Porto Alegre, realizou sua primeira carijada com apoio do IECAM. E no norte do estado, em Erval Grande, a aldeia Ponkry Chaig (Pinheiro Preto), do povo Dofurêm Guaianá, também vem fazendo a produção de erva de carijo. A Seiva Rebelde, além de uma prática de resgate do Congon Guainá, também abastece o autoconsumo das famílias e a …

“Cheiro de Enchente”, novo single da Diokane, verte a agonia da maior tragédia climática do RS

Por Homero Pivotto Jr. Em meio ao caos que se alastrou com a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024, um forte odor vindo do lodo e dos detritos, carregados de sedimentos variados – como animais mortos e esgoto –, deixou a maior tragédia climática do Estado ainda mais perturbadora. É esse o mote de “Cheiro de Enchente“, novo single da banda porto-alegrense Diokane. A composição é um relato do que se viu e sentiu durante a enxurrada de horror, com base, principalmente, no que foi testemunhado ou mostrado na imprensa em Porto Alegre e arredores. Um documentário/clipe com imagens da catástrofe e depoimentos de quem sofreu diretamente as consequências da inundação acompanha o lançamento. Até mesmo as cenas em que a banda aparece tocando tiveram como cenário um dos inúmeros locais alagados na capital gaúcha. Foto: Leandro Monks No documentário, os personagens que narram como foram impactados pelo dilúvio são familiares e amigos da banda – mostrando que vítimas da catástrofe estão por todas as bolhas. A amostragem, ainda que pequena, ilustra números assustadores sobre a magnitude do evento climático que não poupou gente nem bicho. Foram 478 dos 497 municípios gaúchos atingidos, conforme a Defesa Civil do RS. Houve impactos para cerca de 2,4 milhões de pessoas (entre as que precisaram deixar suas casas e as que tiveram interrupção de serviços), com mais de 180 mortos e 25 desaparecidos. Além disso, o governo do Estado estima cerca de 20 mil animais resgatados. As áreas mais afetadas incluem Vale do Taquari, Porto Alegre e Região Metropolitana. Na capital e cidades vizinhas, boa parte dos atingidos era gente pobre e/ou negra, conforme o Observatório das Metrópoles. Sobre a música, mas não só A composição foi gravada no Black Stork estúdio, com produção de Thiago Caurio (baterista da Atomic Elephant). Já a mixagem e a masterização ficaram sob responsabilidade de Renato Osório, guitarrista da Atomic Elephant e produtor que já trabalhou com Híbria, Distraught, Leviaethan entre outros. O vocalista da banda Pull The Trigger, Tiago “Taz” Freitas Severo, 44 anos, faz participação na faixa. Ele é morador da Vila Farrapos, Zona Norte de Porto Alegre, e perdeu praticamente tudo que tinha na residência em que morava com os pais e a filha, precisando sair resgatado por um barco. Taz canta junto o refrão: “O cheiro da enchente / mal-estar evidente / da náusea à dor / desamparo latente”. Descrever a percepção olfativa do que se sentiu durante e após a enchente é uma tarefa complexa. Para a presidente da Fundação Gaia, a bióloga Lara Lutzenberger (filha do ambientalista José Lutzenberger), houve um agravamento substancial do odor relacionado à catástrofe. A razão é a mistura tóxica e pestilenta com todo o tipo de lixo e materiais perigosos que as águas encontraram no caminho. “Na enchente dos anos 1940, não havia nada disso, e os danos se ‘limitaram’ ao alagamento, sem ampla contaminação associada. Os componentes orgânicos que se misturaram no coquetel do ano passado, que também foram mais abundantes que em outras épocas – incluindo esgoto por falta de redes de saneamento adequadas – proliferaram algas e bactérias em grande quantidade. Isso se revelou no mau cheiro” – elucida Lara. A fetidez cessou conforme as estruturas que resistiram às chuvas foram secando e sendo limpas, mas as marcas do pé-d’água descomunal permanecem. Não apenas nas paredes ainda encardidas com as indicações da altura em que a inundação chegou, como também na memória de quem sofreu com a força da natureza. Essas recordações estão registradas em “Cheiro de Enchente”. Para ilustrar o tamanho da catástrofe que veio do céu, “Cheiro de Enchente” chega acompanhada de um documentário produzido em parceiria com o Coletivo Catarse e ao final o desfecho é em formato de videoclipe. A produção audiovisual é dirigida pelo baixista Billy Valdez, cooperado do Coletivo Catarse, na fotografia, operação de câmera e assistência de direção de Leandro Monks. A obra apresenta depoimentos de vítimas da enxurrada, bem como cenas do cataclismo misturadas com takes da banda tocando.  As imagens do grupo ao vivo foram captadas no Áudio Porco, estúdio no bairro Cidade Baixa, região central de Porto Alegre. No local, o refluxo do esgoto e a água que o sistema de bombeamento não deu conta de escoar, fizeram com que o líquido empesteado chegasse a aproximadamente 1m20cm dentro do estabelecimento – que fica abaixo do nível da rua. O estrago obrigou o empreendimento a interromper os serviços por cerca de 60 dias e demandou investimento não previsto para reformar o mobiliário atingido. Testemunhos da destruição A operadora de OPLS Vanessa Giovagnoli dos Santos, 47 anos, moradora do Mathias Velho – periferia de Canoas e um dos pontos que mais sofreram com a tragédia em todo o RS –, relaciona o bodum ao luto: A casa em que ela ainda vive com a mãe – a pensionista Silvana Giovagnoli, 66 anos – e o filho Lucas Giovagnoli, 12, ficou submersa por cerca de seis metros, com praticamente tudo o que havia dentro inutilizado pelo encharcamento. Agora, a família busca deixar o imóvel em que residiu por boa parte da vida, com medo de passar pelo pesadelo outra vez.  “A gente continua traumatizada. É algo que não vai passar logo. Eu não consigo nem dormir quando tem barulho de chuva. Se for possível iremos para outro lugar, queremos sair daqui”, frisa Silvana. Perdas materiais também acometeram a secretária administrativa e coproprietária do InkPact Tattoo Gallery Carina Nascimento Giehl, 35 anos, e o tatuador Fernando Antônio “Tampa” Giehl, 40. O casal teve a casa em que morava, no bairro Fátima em Canoas, invadida por cerca de dois metros de água. O espaço profissional, no bairro São Geraldo (zona norte de POA) não foi poupado – ainda que com nível de alagamento menos elevado do que na residência. “Ficamos um mês fechado com água dentro e mais um mês de limpeza. Foram cerca de cinco ou seis lavagens para sair o cheiro, que só parou mesmo depois de lixarmos o piso umas três vezes”, recorda o artista, que saiu de Curitiba …

Coletivo Catarse na 10ª edição da Festa da Biodiversidade

Ao longo da segunda quinzena de maio, ocorreu a 10ª décima edição da Festa da Biodiversidade. Neste ano, o encontro somou uma série de atividades descentralizadas, além da tradicional festa do Dia Internacional da Biodiversidade, celebrado durante todo o dia 22 de maio, no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público de Porto Alegre. O evento reuniu coletivos, organizações socioambientais, comunidades tradicionais, artistas e a população em geral em uma celebração da diversidade biológica e cultural. E o Coletivo Catarse esteve junto mais uma vez no apoio a esse grande festejo público, sendo responsável pela rádio poste, além da estrutura de som e técnica das atividades.

Políticas públicas para a economia solidária serão tema central de conferência estadual

Quase 300 delegados irão definir em Porto Alegre propostas que serão levadas para Brasília Depois de uma escuta que mobilizou 58 municípios de oito regiões do Rio Grande do Sul, somando 989 participantes reunidos em 14 conferências, Porto Alegre (RS) será palco para o debate e definição final de propostas que serão levadas para Brasília em agosto, durante a 4ª Conferência Nacional de Economia Popular e Solidária (Conaes). Esta nova etapa, preparatória para o evento nacional, ocorrerá nos dias 28 e 29 de março de 2025, na Escola Mesquita, bairro Cristo Redentor, reunindo 296 delegados. Participarão da conferência estadual artesãos, costureiras, catadores, agricultores familiares, entre outros, que integram espaços associativos, cooperativas, bancos comunitários e redes de colaboração solidária nas mais diversas atividades. A Conferência Estadual gaúcha acontecerá dois meses antes do prazo final estabelecido para a sua realização. Os cinco eixos que nortearam as reuniões nas diversas cidades gaúchas durante o terceiro trimestre de 2024 e o debate de cada um servirão como subsídio para a elaboração do 2º Plano Nacional de Economia Popular e Solidária durante a 4ª Conaes, apontando políticas públicas para o setor. São eles: Análise da realidade; Realidade socioambiental, cultural, política e econômica; Produção, comercialização e consumo justo e solidário; Financiamento, créditos e finanças solidárias; e Educação, formação e assistência técnica. A 4ª Conaes tem a coordenação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria Nacional de Economia Popular e Solidária (Senaes), e do Conselho Nacional de Economia Popular e Solidária, sendo convocada no RS pelo Conselho Estadual de Economia Solidária (Cesol) e estruturada através da Comissão Organizadora Estadual, contando ainda com vários apoiadores locais e estaduais, entre eles a Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Profissional do Rio Grande do Sul (STDP). Sobre a 4ª Conaes Com o tema “Economia Popular e Solidária como Política Pública: Construindo territórios democráticos por meio do trabalho associativo e da cooperação”, a 4ª Conaes ocorrerá nos dias 14 a 17 de agosto deste ano, em Brasília, e pretende reunir mais de 1,5 mil delegados e delegadas de todo o país para a elaboração do 2º Plano Nacional de Economia Popular e Solidária, além de representantes de governos (federal, estadual e municipal), sociedade civil, entidades e empreendimentos de economia popular e solidária. A Conaes tem como um dos principais objetivos garantir a plena participação social na elaboração, implementação e gestão de políticas públicas no setor, que se baseia em atividades de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito que funcionam de forma autogestionada e colaborativa. A última Conferência ocorreu em 2014 e resultou no 1º Plano Nacional para as iniciativas na área. Com a recriação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em 2023, a Secretaria Nacional de Economia Popular e Solidária (Senaes) também foi restabelecida. Sobre dados do setor, Nelsa Nespolo, integrante da comissão organizadora do evento no RS, presidente da Central de Empreendimentos Econômicos Solidários no Rio Grande do Sul (Unisol RS) e diretora presidente das Cooperativas Univens e Justa Trama, explica: “O último dado que temos é que no Brasil existiam 22 mil empreendimentos de economia solidária, reunido mais de 2 milhões de pessoas que se organizavam dessa forma nas diferentes regiões do Brasil. Depois disso, não tivemos mais atualizações. Ela cita a existência de um programa que está contratando 500 agentes no Brasil para fazer esse mapeamento, dentro de um cadastro chamado Cadsol, uma base nacional de informações das iniciativas, permitindo que governos nas diferentes esferas de poder possam obter informações para subsidiar a formulação de políticas públicas adequadas aos diversos tipos e categorias das iniciativas declaradas. “No Rio Grande do Sul, serão 40 agentes circulando no Estado a partir de maio”, adianta Nelsa. Sobre a economia solidária A economia solidária tem origem na Revolução Industrial, na Europa Ocidental, nos séculos XVIII e XIX, tendo surgido como um instrumento de combate à pobreza e à desigualdade por parte da população socialmente excluída. Seu modelo econômico enfatiza a cooperação, a inclusão, a autogestão e a solidariedade entre os participantes por meio da união de forças de trabalho, talentos e do consumo consciente, se baseando em valores como ética, equidade e justiça social. Esse modelo econômico promove a valorização do trabalho local e a sustentabilidade socioambiental, com interações justas e horizontais, tendo como estratégia a valorização do desenvolvimento local, permitindo em sua estrutura e metodologia ações de fomento e geração de emprego e renda, qualidade de vida, valorização das potencialidades locais, articulação entre os atores envolvidos de forma democrática e socialmente SERVIÇOO quê: 4ª Conferência Nacional de Economia Popular e Solidária (Conaes) – Etapa RSData e horário: 28 (7h30 às 18h) e 29 de março (7h às 16h)Local: Escola Mesquita, Av. Forte, n° 77, bairro Cristo Redentor Acesse a programação aqui.

Dos vales do litoral para o Vale Arvoredo

Ao longo de mais de uma década, o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre vem realizando, em parcerias e ações diretas, diversas atividades relacionadas à Palmeira Juçara. Um legado que a cooperativa assumiu a partir do entendimento do que seria uma solução aos problemas socioeconômicos e ambientais – a agroecologia! – e das relações pessoais e institucionais remanescentes dos trabalhos da Rede Juçara. A partir disso, coletando sacos e mais sacos de sementes de frutos despolpados, pricipalmente provenientes de localidades em Maquiné e Três Cachoeiras, litoral norte do RS, o coletivo tomou a iniciativa de semear a lanço uma nesga de mata nativa em recuperação em um sítio em Triunfo, a 40 km de Porto Alegre. Já se passaram 9 anos de uma atividade que marcou o Planejamento Estratégico de 2016 – e a mata virou um berçário de Palmeiras Juçaras. Neste link aqui, é possível conferir que, em setembro do ano passado, foi realizada uma ação de coleta de cerca de 50 mudas, que hoje estão num viveiro montado aos fundos da sede do Coletivo Catarse, na Comuna do Arvoredo – literalmente uma ilha de verde no meio do oceando de concreto do Centro Histórico de Porto Alegre. Essas mudas passaram por alguns meses de consolidação e estão iniciando suas jornadas para novos locais. As primeiras 4, já com crescimento bem evidente, estão a caminho do Vale Arvoredo, um ponto de cultura parceiro, espaço de resistência com vocações ecológicas e de residência artística situado em Morro Reuter. Um local que já foi cenário de trabalhos como Criaturas da Literatura e A Viagem de Jacinto – entre várias outras empreitadas que o Coletivo Catarse já participou. Confere o site do Vale e também esses dois trabalhos aqui abaixo: Também vale a pena assistir à Trilogia O ser Juçara (clique aqui e vá para a página especial sobre a Palmeira Juçara neste site), uma coprodução com a Associação Içara, exatamente o trabalho que gerou as sementes que foram lançadas na mata em Triunfo durante o Planejamento Estratégico da Cooperativa de Trabalho Catarse – Coletivo de Comunicação e Produção Cultural Ltda., em 2016. Nessas fotos abaixo, mais jovens, está a equipe da época em ação (destaque para as participações da então diretora financeira do Coletivo, Patrícia de Camillis, e do Professor Pedro Costa, hoje vice-reitor da UFRGS. Quem planta colhe!

Carijo rebelde em Erval Grande

A fumaça do braseiro subia em direção às folhas e galhos. A água esquentava lentamente no fogo. O galpão protegia o carijo – originária estrutura para secar erva-mate – de eventuais pancadas de chuva ou do sereno da madrugada. Os viventes reunidos proseavam em roda.

Ações Continuadas, uma realidade em andamento que vai seguir em 2025

Já há algum tempo, em se vencendo a pandemia, o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre veio paulatinamente retomando atividades culturais das mais diversas. Com sede em um local histórico, propício a ações do tipo – como a Comuna do Arvoredo, desde 2019 – e com a chegada, em 2023, da Maria Maria Espaço Cultural, o que se vê hoje em dia é uma consolidação de uma programação diversa e continuada intermitente já há pelo menos 2 anos no Centro Histórico de Porto Alegre. Com o aprofundamento das parcerias e a organização compartilhada das ações, vieram os projetos – pelo menos 3 editais (Funarte Retomada RS, PNAB POA Cultura Viva e PNAB Sedac-RS Cultura Viva) compõem a garantia de que 2025 seguirá a todo vapor. Serão ofertadas oficinas (Teatro para crianças, Produção Audiovisual para crianças e Discotecagem/Hip Hop com DJ Piá) e uma programação intensa com mais de 40 datas garantidas, com teatro, música, gastronomia, sessão de filmes, talk show e muito mais. “São as redes de relações desses coletivos que impulsionam as ideias e sonhos e os tornam realidade. A gente vem trabalhando insistentemente, de forma militante, com essas parcerias como a que temos com as gurias do Maria Maria, que são fundamentais nessa proposta. Fomos fazendo devagarinho, realizando… Aí, conseguimos emplacar esses 3 editais, que é um reforço econômico fundamental para a gente ter segurança na manutenção da programação e para dar um apoio concreto e fazer isso tudo chegar em mais pessoas.” – é a reflexão que faz Gustavo Türck, um dos coordenadores do Ponto de Cultura e dos projetos inscritos. Gustavo e seus colegas já sabem que, com um grande calendário à frente, a estrutura deve aumentar, mais pessoas devem se agregar nas relações, e a tendência é que o trabalho aumente. “Vamos penar, mas vamos seguir investindo nosso tempo e os recursos que tivermos disponíveis. Vem mais gente pra somar nas ações, acho que vamos melhorar muito na comunicação e divulgação de tudo, mas uma das coisas principais é que a luta pela sustentabilidade está melhorando. E é aquela coisa, quanto mais a gente fizer e melhor realizar, mais retorno todos terão.” – complementa Bruno Pedrotti, atual Diretor Financeiro da cooperativa. Há um sem número de atividades já realizadas, inclusive, sob o apoio de um desses editais. Nesses últimos 3 meses do ano, foi possível garantir apresentações de músicos populares da história do samba porto-alegrense, de mulheres pretas em luta, de dupla que canta a reflexão do mundo sob o panorama agroecológico, tangos, choros e milongas e discotecagem do clássico DJ Piá, um dos grandes comunicadores da saudosa Ipanema 94.9 FM. Piá, inclusive, transformou a garagem montada, de uma quinta-feira singela de noite do vinil, em uma pequena pista de discoteca. Quem foi curtir a noite nas Marias caiu no groove… E durante a “Festa da Cultura Afro na Rua”, quem deu sua graça foi THS. Teve SintropSons cantando agroecologia. E, na festa da culinária afro – sob o comando de Kyzzy Rodrigues -, o companheiro Vlad e Fábio Fernandes receberam Renato Borba, uma figura histórica do samba antigo do sul do Brasil, mas que tem muito pouco material de registro. 2024 termina assim, consolidando uma ideia de programação continuada, com muita diversidade de artes e artistas e de público, que passou pela Garajona da Comuna do Arvoredo, na Maria Maria Espaço Cultural (todas quintas, sextas e sábados sempre com algo para curtir) e com estrutura e apoio do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. E é isso tudo que torna possível ao Coletivo Catarse projetar e disputar esses editais que devem garantir muito mais programação em 2025.

26° Carijo da Amizade

Entre 27 de setembro e 1 de outubro foi realizada mais uma carijada na Tekoa Yvyty Porã (Serra Bonita), em Riozinho/RS. O mutirão conjunto entre a rede de apoiadores articulada pelo Sitio da Amizade e a comunidade guarani produziu coletivamente um total de 33 kilos de erva mate nativa das matas da aldeia.