No cremos en brujas, pero que las hay, las hay…

Uma carijada com uma presença feminina impressionante – de protagonismo e mística – se fez à banda oriental, em Treinta y Tres. 33 kg de erva-mate foram processados por um grupo de cerca de 33 pessoas (brasileiros e uruguaios), no Centro Agroecológico Pindó Azul, na Quebrada de los Cuervos, de 28 a 30 de agosto, naquele que está sendo denominado o primeiro carijo internacional da contemporaneidade. No entanto, este evento teve uma característica muito marcante, que foi para além do ineditismo da binacionalidade e do portunhol como idioma predominante – as mulheres literalmente tomaram conta. O abrir do céu, o dissipar de pesadas nuvens e o surgir da Lua Cheia trouxeram a “coincidência” de uma ação de mãos, cantos e encantos femininos, da colheita à moagem da erva. O primeiro fogo foi delas. O mate é delas. Kaá, deusa Guarani, a própria erva-mate… Presente! Aguarde novas postagens, com vídeo e mais informações! Fotos: Billy Valdez *confira postagem no instagram, compartilhada pelo Coletivo Catarse e o Centro Agroecológico Pindó Azul, clique aqui

Presença da arte negra de Juarez Negrão no Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre

Ao longo do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS, tivemos a oportunidade de receber como artista residente Juarez Negrão, nos aproximando mais do artista e sua obra que trabalha com a temática da negritude através da xilogravura, pintura e escultura. Durante esse tempo, a sua presença no Ponto de Cultura e no Maria Maria Espaço Cultural, motivou a produção de obras que foram adquiridas pelo projeto – 6 pinturas, 5 xilogravuras e 8 esculturas. Juarez Negrão tem uma capacidade intensa de criação, cada vez que aparece de surpresa na sede do Coletivo Catarse / Ventre Livre, carrega consigo um apanhado novo de obras inéditas de um estilo próprio no traço e um experimentalismo nas cores. O projeto permitiu o suporte material ao artista, além de 2 mostras do seu trabalho no Maria Maria Espaço Cultural: a exposição Awó – Mistério Sagrado e a mostra final dos trabalhos do último ano, onde suas gravuras foram expostas junto a fotos e vídeos de outras ações do projeto.

Huesera: um caminho de recolhimento e expansão

Texto Lorena Sánchez e fotos NIA – Núcleo de Investigação Artística do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre (Aline Ferraz, Lorena Sánchez e Têmis Nicolaidis) Há um mês estamos ocupando a Sala Pitangueira, no Centro Cultural da UFRGS, com a nossa Huesera, em busca de seu Coro de Ossos. Chegamos de olhos fechados, e fomos deixando de lado qualquer palavra, deixando que nossos sentidos lembrassem. Espalhamos pela sala nossos objetos pessoais, pequenas relíquias de vidas atravessadas, e transformamos o espaço em território de memórias compartilhadas. A Pitangueira, palavra que vem do tupi antigo pytãg, “vermelho”, tornou-se o chão fértil de um ritual de escuta, respiração e instalação.Memórias nossas, nossos fragmentos, abertos e expostos, para serem vistos por nós mesmas desde um outro lugar. Assim iniciamos… “Entre tesouras, baralhos, fotos impressas com o papel de foto que era comum, antigamente…Entre sensações, lembranças e afetos compartilhados, convertidos em memórias e suas histórias reais…Experiências sensoriais, músicas e o clima frio e chuvoso da tarde. Em meio às incertezas de um mundo em transformação, tentativas de golpes contra nossas conquistas e golpes ferozes contra as nossas memórias e histórias…Vida e Arte em intersecção e Lutas contra as constantes ameaças contra as nossas vidas…Nossos corpos – in submissos – não mais aceitam violações. Huesera re constrói, junta pedaços, canta para os ossos.” Memória do processo por Aline Ferraz Ao longo deste primeiro mês, mergulhamos em leituras, pesquisas e dados que revelam as muitas formas de violência e silenciamento que atravessam a vida das mulheres. Entre números e histórias, buscamos e insistimos em permanecer. Assim como a velha sábia que vem desde as profundezas atrás dos rastros, também seguimos as vozes de mulheres latino-americanas. Ouvimos, cantamos e habitamos canções que são manifestos, denúncias e encantamentos. Vozes que atravessam fronteiras e fazem de um único canto uma forma de resistência. Abrimos oráculos, portais, sentimentos. Erguemos uma tenda com nossos três elementos essenciais e, sob esse abrigo, iniciamos a jornada em busca dos ossos, da nossa loba, daquilo que permanece vivo mesmo depois da devastação. Ali, entre páginas lidas e folhas rasgadas como marcas de peles antigas, os fragmentos encontraram outros fragmentos. Palavras se desprenderam dos livros para criar novos textos, novos corpos, novos manifestos. Seguimos recolhendo ossos. Cada encontro revela um fragmento, uma memória, uma voz. Aos poucos, o coro se forma. E, junto com ele, também nós vamos nos reconstruindo.

Finalizado o ciclo do projeto PNAB no Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre

A festa junina do dia 27 marcou um último ato de um projeto que durou 14 meses, conquistado junto ao Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva, recheou a Comuna do Arvoredo de programação cultural ao longo do período. Foram mais de 40 apresentações no eixo Maria Maria Espaço Cultural, de música, teatro e outras artes; 6 episódios do talk show Talk Exu, tratando de temas como economia solidária, a luta indígena, a contribuição cultural do povo negro, agroecologia e acessibilidade; houve também um evento histórico de carijada em uma unidade de conservação, em Canela; oficinas de teatro, hip hop e produção audiovisual, entre váras outras atividades. Em um espaço delimitado na Garajona, foram expostas as obras produzidas pelo artista Juarez Negrão para o projeto e fotos de momentos das atividades do ano. E, para coroar a noite, uma grande apresentação do grupo Versão Brasileira. Foi uma noite especial, de celebração de um ciclo que se encerra e da certeza da continuidade das relações do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e suas parcerias – Maria Maria Espaço Cultural, CAMP, Comuna do Arvoredo, FESPOPE e Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, que constituem com o Coletivo Catarse o Conselho Gestor do Ponto. Resistência, respeito e empatia ENTREVISTA | Márcia Tolfo | Gestora da Maria Maria Espaço Cultural Coletivo Catarse – A Comuna do Arvoredo, o Coletivo Catarse e a Maria Maria Espaço Cultural somam trajetórias marcantes. Como foi para vocês a experiência de coproduzir esse ano de programação intensa, dentro do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, ao lado do Catarse, e de que forma a identidade de cada espaço se somou nesse processo?Márcia Tolfo – A coletividade é a palavra-chave dentro da proposta de produzir e gerir um projeto coletivo, que é um grande desafio. Cada entidade tem suas características e história, então, respeito e empatia são fundamentais. No final, existe uma grande satisfação em fazer parte de uma causa maior e entender que, juntos, somos mais fortes. Catarse – O projeto previu pelo menos 40 atividades culturais diversas. Olhando para o que foi realizado, quais ações ou momentos você destacaria como os mais marcantes para o público e para a própria gestão do espaço?Márcia – Foram muitas atividades. Entre elas, destaco a parceria com o grupo Nós – Arte e Cultura, que trouxe a dança para o espaço, através do Forró. Também o músico Vladmir Rodrigues, com a ancestralidade da música afro em diversas prestações, incluindo o sarau Djavan, Gil, bem como sua contribuição na Janta Afro, que está na sua 21ª edição, assim como o lançamento de alguns livros com sessão de autógrafo. Catarse – Como vocês percebem o impacto de uma abordagem que une arte, cultura e vivência em comunidade, na perspectiva feminista e antirracista que a Maria Maria propõe?Márcia – Focamos no fortalecimento da proposta feminista. Somos duas mulheres (eu e Daniela, minha irmã) que estamos ligadas ao contexto político atual. O espaço das Marias, cada vez mais, se torna acolhedor para as amigas. Usar uma linguagem feminista fortalece a causa, assim como ser antirracista é nosso pressuposto. Catarse – O projeto foi viabilizado pelo Edital Sedac nº 25/2024 da PNAB–RS – Cultura Viva. Na sua visão, qual é a importância desse tipo de descentralização e fomento para a sustentabilidade de espaços como a Maria Maria e para a garantia do acesso à cultura?Márcia – É essencial, visto que ser autossustentável hoje é um grande desafio dentro da economia. O custo com demandas como equipamentos, transporte e alimentação é requisito básico para alcançar a acesso à cultura. Sem o básico, não alcançamos a complexidade da cultura. Catarse – Com o encerramento deste ciclo de um ano de programação, qual é o principal legado que essa parceria deixa e de que forma essa experiência projeta o futuro da Maria Maria Espaço Cultural?Márcia – Resistência, respeito e empatia. Ainda temos “ganas” para continuar e crescer como espaço cultural, construir projetos coletivos e nos divertirmos com as amigas. * Pois há muito mais por vir! As atividades aqui apresentadas foram apoiadas e são parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

AWO (Mistério Sagrado), por Juarez Negrão

No dia 23 de abril, o artista plástico Juarez Negrão, em parceria com o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, apresentou sua exposição AWO em noite de Maria Maria Espaço Cultural na Comuna do Arvoredo. Foram dispostas no espaço da Garajona diversas obras em tela, cerâmica e outros materiais: Através da história, ancestralidade e cultura afrobrasileira, Juarez apresenta um universo negro, de rica cultura e resistência, com técnicas como pintura, escultura e xilogravura. O trabalho consiste em pequenos fragmentos de duas exposições apresentadas pelo mesmo nos anos de 2024 e 2025 (Quilombo e Diáspora) e se completa com novas peças. “Awo” se faz a terceira e última parte dessa triologia, inspirada nas crenças, religiões, lendas e tradições dos povos originários. A atração musical da noite ficou por conta de Alex Gaúcho, cigano, espiritualista, músico, poeta, ator, compositor, cantador, atualmente trabalhando na gravação do seu primeiro álbum autoral “Rezo”. AWO (Mistério Sagrado) *fotos por Billy Valdez A atividade integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS.

NIA: do embrião a um núcleo com nome e identidade

Construção que vem sendo gestada há alguns anos, o Núcleo de Investigação Artística do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre (NIA) nasceu, agora com nome, sobrenome e um objetivo claro: a pesquisa e produção de conteúdos artísticos das mais diferentes linguagens – teatro, escrita, música, audiovisual, dança, tendo como foco o feminino. Formado por pessoas de dentro e de fora do Coletivo Catarse, cooperativa responsável pela gestão do Ventre Livre, a partir da necessidade de criação de uma identidade e de agregar talentos internos e externos. O Coletivo Catarse tem, desde sua fundação em 2004, trabalhado na perspectiva da cultura junto a grupos e artistas, apoiando em projetos específicos, na formatação de projetos próprios e em parceria ou prestando serviço. Quando se convenia como Ponto de Cultura em 2011, incrementa o fazer cultural pelo contato mais próximo. Nos últimos anos, tem aprofundado a sua relação com as artes cênicas através das iniciativas da produtora audiovisual e sombrista Têmis Nicolaidis, que integra, desde 2015, a Cia Teatro Lumbra, referência no Teatro de Sombras contemporâneo, da entrada no Coletivo da atriz, produtora cultural e educadora Lorena Sánchez e da aproximação da atriz, produtora e educadora social Aline Ferraz. A atuação do NIA se divide em pesquisa, produção e formação. Desde 2024, as integrantes já vinham promovendo oficinas de teatro para jovens e adultos. Em 2025, é lançado o primeiro trabalho autoral do embrião do Núcleo, o teatro musical Faces de Eva. Ainda em 2025 estreia o espetáculo multilinguagem Vasalisa, a sabida, que inicia 2026 com uma Vivência Vasalisa, a sabida através de um intercâmbio junto ao Ponto de Cultura Território das Artes. O fazer artístico se dá, também, através do diálogo das linguagens audiovisual e teatral. Como exemplo de produções deste tipo, pode-se destacar os vídeos: Passagem – Do Espiritual da arte, caminhando nos rastros das raízes (2020), Toura (2020) e Fragmentos do esqueleto de uma mulher (2021). Diversas dessas produções tiveram como palco de esboço e concretização a Comuna do Arvoredo, no Centro Histórico de Porto Alegre, também sede do Catarse, com espaços como o Salão Zé da Terreira e a Maria Maria Espaço Cultural. Atualmente, NIA é composto pelas três artistas-pesquisadoras, mas se valendo – e aberto à entrada – de outros profissionais de dentro e fora do Coletivo Catarse para complementar as atividades propostas. Aline FerrazProfessora licenciada em Teatro/UFRGS. Atua em projetos socioculturais, com diversos públicos como crianças, adolescentes e adultos, há quinze anos. Atualmente, trabalha na Escola Espaço do Ator (POA). Trabalhou profissionalmente atuando em espetáculos de Teatro de Rua e de sala, em parceria com grupos como o TIA TEATRO, Ói Nóis Aqui Traveiz, Ubando Grupo, Santo Qoletivo, dentre outros. Lorena SánchezAtriz, produtora cultural e contadora de histórias, com formação em teatro e Educação Social e Popular pela AEPPA – Freire, além de cursar Licenciatura em Artes Visuais. Atua nas artes cênicas desde 1996, com mais de 30 montagens e cinco prêmios de Melhor Atriz. Integra os coletivos “Grimm Para os Pequenos e Gretel”, “Capitu e Outras Mulheres”, “Língua Lâmina”, “Cuidado Que Mancha”, e “Coletivo Catarse”. Mantem seu projeto independente de arte-educação para crianças e adultos maiores SuCatadora de Histórias. Dirige La Lola Produtora. Têmis NicolaidisProdutora audiovisual e sombrista. É integrante do Coletivo Catarse / Ponto de Cultura Ventre Livre. Atuou como editora, roteirista, diretora e produtora de uma parte significativa das produções audiovisuais do Coletivo Catarse. Faz parte da Cia Teatro Lumbra desde 2015, integrando espetáculos de repertório da companhia nas funções de sombrista e produtoras: Sacy Pererê – A lenda da meia-noite, O Marujo e a Tempestade. Em Criaturas da Literatura fez roteiro, atuação, assistência de direção, cenografia e produção. Veja o portfólio da NIA. Texto: Têmis NicolaidisEdição: Anahi Fros

‘Trazer de volta ao coração’ reúne público em torno da memória e cultura palestinas

No dia 21 de março, em uma noite em que a Garajona da Comuna do Arvoredo é ocupada pela Maria Maria Espaço Cultural, no Centro Histórico de Porto Alegre, aconteceu o evento de apresentação do projeto documental ‘Trazer de Volta ao Coração’, filme que apresentará a história de Abder Rahim Jbara Hussein El Jundi, um palestino nascido em 1937 na aldeia de Al-Mansi, expulso de sua terra em 1948, durante a Nakba – a “catástrofe” palestina. Organizada pelos diretores Najla El Jundi e Luís Gustavo Ruwer, pelo Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, em parceria com o Grupo Folclórico Palestino Terra e as famílias palestinas El Jundi e Baja, a atividade foi concebida como uma celebração da memória, da cultura e da resistência palestinas. A programação iniciou ao entardecer com uma emocionante apresentação da Dabke, dança folclórica tradicional do território. A calçada em frente à Comuna estava ocupada por dezenas de pessoas, atraindo vizinhos às janelas e fazendo o trânsito parar momentaneamente para acompanhar a performance do Grupo Terra. Fizeram-se presentes familiares, amigos e apoiadores da causa, incluindo a Frente Gaúcha em Solidariedade ao Povo Palestino.  No intervalo, formou-se uma longa fila para experimentar os pratos típicos árabes preparados pela família Baja. Esfiha, falafel, homus e tabule foram algumas das saborosas opções oferecidas. Ao fundo, uma trilha sonora árabe contribuia para a atmosfera, aproximando o público do universo cultural  retratado no documentário. Em seguida, todos sentaram, para assistir ao teaser e à apresentação do projeto, conduzida pelos diretores. Apesar do calor intenso e da chuva ao longo da noite, a garagem da Comuna permaneceu lotada. Mais de 50 pessoas acompanharam atentamente cada momento da programação, do acolhimento inicial ao debate com os protagonistas do documentário: Abder, Sami e Najla El Jundi. O clima era de intimidade e curiosidade. Ao longo da programação, o público alternou entre momentos de silêncio atento, reações emocionadas e manifestações de apoio à causa palestina. A atividade se configurou como um espaço de encontro entre a história retratada na obra e o público, marcado pela partilha de experiências, referências culturais e solidariedade à causa palestina. ‘Trazer de volta ao coração’ entrou em circuito de festivais e, em breve, estará disponível ao público. Acompanhe o Instagram @trazerdevolta para atualizações. Texto: Luís Gustavo Ruwer e Najla El JundiEdição: Anahi FrosFotos: Billy Valdez ASSISTA AO TEASER * O evento de divulgação deste projeto é parte da programação do eixo Maria Maria Espaço Cultural, sendo parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Vasalisa ocupa o Território

Nos dias 20 e 21 de março, a NIA (Núcleo de Investigação Artística do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre) esteve realizando um intercâmbio artístico com o Ponto de Cultura Território das Artes em Imbé (RS), o primeiro certificado da cidade. Um espaço gestado por mulheres que promove oficinas, apresentações artísticas e faz um trabalho lindo com crianças, de cuidado, produção cultural e ocupação dos espaços públicos na cidade. A proposta era levar a oficina ‘Pelos Caminhos de Vasalisa’ onde compartilhamos, com 8 mulheres e 1 homem, o processo criativo que envolveu a produção do espetáculo ‘Vasalisa, a Sabida’, inspirado no conto presente no livro ‘Mulheres que correm com os lobos’ de Clarissa Pinkola Estés, apresentado no mesmo dia da oficina, complementando a vivência proposta. Se criou um ambiente sensitivo, de escuta e troca onde as participantes puderam vivenciar um pouco de cada linguagem utilizada em cena. “Vivências em uma manhã de março em pleno outono, que o teatro me ensinou…Antes de falar,Aprenda a escutar,Presença vale mais que perfeição,Que quem não é ouvido faz o quê? GRITA!Toda história precisa de direção, e que, coragem também se ensaia.Coragem! Cor+age (fiquei a pensar sobre as cores da coragem)Quando histórias são construídas em parceriaelas conversam.Conversam sempre.Conversam sobre tudo.Nasce a cena.Em cena, se aprende a transformar emoção em mensagem.Foi no em Mulheres que Correm com Lobos e no teatro que aprendi a transformarHistórias em transformação”. (Depoimento de Sandra Bittencourt – Março de 2026 – Imbé) Esses encontros através da arte e da cultura tem a propriedade de deixar marcas profundas muito rapidamente. É o olho no olho, o acolhimento na estada, se apropriar dos espaços, sentir-se confortável, fortalecer projetos autorais e independentes. O Território nos proporcionou isso. E, também, sentir um pouco da cena cultural de Imbé. Chegamos na sexta-feira (20) e caímos direto numa reunião de mostra de projetos aprovados no PNAB por produtores locais no Castelinho da Cultura, onde funciona a Secretaria Municipal de Imbé. Pulsante e contagiante esse movimento. Agradecemos imensamente ao Território das Artes e suas associadas por receber este projeto e pelo privilégio de ocuparmos este espaço.

‘Trazer de volta ao coração’: Projeto de documentário sobre refugiado palestino será apresentado em Porto Alegre

No dia 21 de março, às 18h, em dia de Maria Maria Espaço Cultural, na Comuna do Arvoredo (Rua Fernando Machado, 464), acontecerá o lançamento do projeto de documentário Trazer de Volta ao Coração. O filme de 54 minutos apresenta a história de Abder Rahim Jbara Hussein El Jundi, um palestino nascido em 1937 na aldeia de Al-Mansi, expulso de sua terra em 1948, durante a Nakba — a “catástrofe” palestina. Trata-se de uma produção familiar e independente, dirigida por Najla El Jundi, que é palestina-brasileira, psicóloga e neta de Abder, e Luís Gustavo Ruwer, cientista social, integrante do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre.   O documentário surge em um contexto íntimo e familiar, quando Najla decide investigar a memória de seu avô e gravar os depoimentos para registrar às próximas gerações. Durante esse percurso, Najla e seu companheiro Luís Gustavo aprofundam a história da vida de Abder, ouvindo relatos e resgatando fotos, cartas, fitas VHS antigas da família, além de uma coleção de selos guardada por Sami, pai de Najla.  Em diálogo com seu pai e seu avô, Sami e Abder, os dois entrevistados do filme, Najla reconstrói fragmentos dessa trajetória marcada pela diáspora, deslocamentos, e pelo recomeço. Entre lembranças pessoais e materiais de arquivo, o documentário percorre memórias que atravessam gerações e outras famílias. Embora parta de uma história particular, Trazer de Volta ao Coração toca uma experiência coletiva: a de um povo cuja história é marcada por perdas, mas também pela preservação de sua identidade e memória. O filme propõe um gesto de escuta sensível e de resistência, trazendo para o presente histórias que se recusam a serem esquecidas. ASSISTA AO TEASER ‘Trazer de volta ao coração’ está em circuito de festivais e em breve estará disponível ao público. Acompanhe o Instagram @trazerdevolta para atualizações. * O evento de divulgação deste projeto é parte da programação do eixo Maria Maria Espaço Cultural, sendo parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Três anos de “Marias”

O sábado, 7 de março, que antecedeu o importantíssimo e necessário 8M, marcou o aniversário de três anos de existência da Maria Maria Espaço Cultural, que reside de quinta a sábado na Garajona da Comuna do Arvoredo, na Rua Fernando Machado, Centro Histórico de Porto Alegre. A agenda é conduzida pelas irmãs “Tolfo”, Marcia e Daniela, e conta com uma rede de apoio de diversas amigas, incluindo Tiane, irmã das gurias. A Maria Maria é pensada para todes, visando a apoiar e fomentar a cultura, diversidades sonoras e artisticas, desde jantares temáticos, passando por reuniões, grupos de conversa, lançamentos de livros, filmes, trasmissões ao vivo e diversas formas de trabalhos ligados à cultura e aos movimentos sociais. E, na festa de aniversário, não foi diferente. A celebração contou com os brechós O Cata Roupas e Victória brecho e floricultura, junto aos artesanatos da FESPOPE. Entre as atrações artísticas, esteve o rap e a poesia falada de Kainã, além do grupo Versão Brasileira. Na cozinha, além das clássicas pizzas das Marias, foi preparado um saboroso cuscuz pelas mãos da cozinheira Kyzzzy Rodrigues, que sempre se faz presente no já conhecido Jantar Afro. O terceiro ano das Marias também marca um ano de muita programação cultural sendo realizada no espaço, dentro do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Foi uma noite de celebração e fortalecimento da luta e da cultura de rua. Maria Maria, sempre de portas abertas! Fotos e texto: Billy ValdezEdição: Anahi Fros