Audição exclusiva do primeiro álbum da Neptunn antecipa o lançamento de “Parallaxis”

A banda de death metal Neptunn realizou, no último sábado (26 de setembro), a audição em primeira mão do seu álbum de estreia, intitulado “Parallaxis”. O evento exclusivo reuniu um grupo seleto de amigos e parceiros no Red Spider Tattoo — e o Coletivo Catarse esteve presente representado pelo cooperado Billy Valdez. O trabalho reflete a bagagem individual de seus integrantes, todos nomes já conhecidos no cenário metal. O resultado é uma sonoridade técnica, coletiva e agressiva, que combina perfeitamente referências do death metal clássico e contemporâneo. Trajetória e Parcerias A caminhada da Neptunn inclui o EP “(Re)Existence”, lançado em 2024 e acompanhado dos videoclipes de “Transmutate”, “Resignify” e “Onward to Nothingness” — estes dois últimos produzidos em parceria com o Coletivo Catarse. Em 2025, o grupo lançou o single e clipe de “Neptunn Rise”, que também contou com nossa colaboração na produção. Um gostinho do que vem por aí em “Parallaxis” já pode ser conferido no clipe de “Transcendence”, primeiro single do álbum: Show de Lançamento A data de lançamento oficial já está marcada: dia 10 de outubro, no Gravador Pub, em uma parceria com a Nevoeiro Produçõe. Além da estreia do disco nas plataformas e no palco, a noite especial contará com o lançamento do videoclipe da faixa-título, produzido pelo Selo Bruto. Para completar a programação pesada da noite, se apresentam também as bandas Horror Chamber e Dressed In Blood. A formação atual da Neptunn conta com Dienifer Vieira (vocais), Franklin Nunes (guitarra), Rafael Giovanoli (guitarra), Nathália Ernst (baixo) e Arthur Tomazelli (bateria).

Resistir é o Compromisso

A Boca Braba Hardcore, originária da cidade de Viamão, é uma banda amiga e grande parceira do Coletivo Catarse. Formada em 2014 e já consolidada no cenário independente gaúcho, a banda apresentou sua nova formação com a chegada do baterista Andrei Santos, que também atua nas bandas TVOC e Angry Daze. Para realizar esses novos registros, a galera nos contatou para mais uma empreitada e parceria. Podemos dizer que o Boca Braba é uma das bandas da casa, pois já estivemos juntos em diversas produções ao longo dos anos. Então, sem delongas: se você ainda não conhece o Boca Braba Hardcore, reunimos aqui uma série de materiais audiovisuais que produzimos com a banda ao longo do tempo, além das fotos da sessão fotográfica de apresentação do novo baterista. Seja muito bem-vindo, Andrei! Resistir é o Compromisso Em dezembro de 2016, quando a banda completava 10 anos, realizamos a captação de imagens do seu primeiro ao vivo:Boca Braba HC – Ao Vivo Converth Skateboards Em 2018, o Billy acompanhou a gurizada em um bate e volta para Santa Catarina: Ainda em 2018, realizamos a edição e a finalização do clipe Família Boca Braba: Em 2019, produzimos o videoclipe de Resistir é o Compromisso: Quando a pandemia chegou, realizamos uma transmissão ao vivo com a banda, que contou com a participação do Tormentos MC’s: Logo em seguida, no período pós-pandemia, produzimos o curta documental Resistência Contra o Tempo, registrando todo o processo de gravação de dois singles — produção musical que contou com o envolvimento direto do nosso cooperado Philippe Branco (PH): Em 2022, a banda subiu pela primeira vez ao palco do Bar Opinião para a abertura do show do Ratos de Porão. Estivemos lá registrando cada segundo e produzimos um ao vivo insano dessa apresentação, realizando toda captação e edição de som, imagens, edição, mixagem. Em 2023, eles retornaram ao palco do Opinião e nossa equipe esteve presente mais uma vez para registrar outro grande show ao vivo: A parceria é de longa data: além de todos esses audiovisuais, realizamos diversas fotos de shows e coberturas promocionais que você pode conferir nas redes sociais da banda. Siga a gurizada no Instagram: @bocabrabahc. As músicas do Boca Braba também estão disponíveis nas principais plataformas de streaming. Confira o perfil deles no Spotify: E as fotos da nova formação? Estão aqui! Fotos e publicação: Billy Valdez Boca Braba Hardcore (2026) é:

Desert Whip: uma noite de peso e resistência na cena stoner do RS

Há um bom tempo eu não curtia uma noite de stoner, rock pesado, groove e todas essas vertentes que envolvem afinações baixas, riffs pesados e aquela sonoridade arrastada que a gente tanto gosta. Porto Alegre já foi um polo importante de shows de stoner e rock pesado. Mas esse é um assunto para outro post.O que importa aqui é que Porto Alegre e o Rio Grande do Sul continuam tendo bandas muito boas dentro do gênero, e parece que uma galera nova está começando a se movimentar novamente para fortalecer essa cena. É nesse cenário que iniciativas como o Desert Whip, organizado pela Arkhana Produções, ganham importância. Mais do que simplesmente colocar bandas no mesmo palco, o evento ajuda a criar um espaço de encontro entre músicos, público e produtores, movimentando a cena independente e valorizando a produção autoral. Segundo a própria produtora: “Desert Whip é um evento com foco na renovação da música brasileira alternativa e autoral, trazendo artistas de diferentes regiões para dentro de espaços culturais da região metropolitana e interior do RS, fortalecendo a cena independente, o underground e a conexão entre bandas, público e produtores.” A proposta já havia aparecido na primeira edição do evento, que trouxe de Santa Maria a Mamute Stoner, banda que recomendo fortemente que vocês conheçam e acompanhem. Uma noite para esquentar o Ocidente Na segunda edição do Desert Whip, tive a oportunidade de estar presente no clássico Bar Ocidente, em Porto Alegre. E posso dizer: foi uma noite daquelas.O frio estava presente, mas o público tratou de compensar a temperatura. A casa recebeu uma galera que participou, interagiu e, principalmente, comprou a ideia do evento. E as bandas? Uma mais paulada que a outra. Quem abriu a noite foi a El Negro, que vem divulgando seu mais recente trabalho, o álbum BRONCO. Além da sonoridade pesada, o disco carrega uma história curiosa: as músicas foram gravadas nos porões da antiga Prefeitura de Porto Alegre. Só essa informação já desperta a curiosidade, mas é ouvindo o trabalho que a coisa realmente acontece. A gravação e a atmosfera criada pela banda combinam muito bem com essa estética mais crua e pesada. Vale a pena conferir. Sterna Peyote e uma viagem pelo deserto Na sequência, subiu ao palco a Sterna Peyote, banda de Canoas/RS que vem divulgando o álbum Dentro do Sol, lançado em 2025.A banda passeia por Desert Rock, Stoner, Psicodelia e Rock Alternativo, misturando atmosferas mais etéreas com riffs distorcidos e grooves intensos. Ao vivo, essa combinação funciona muito bem. É uma sonzeira. E, para deixar a noite ainda mais especial para os fãs do bom e velho stoner, a banda convidou uma amiga para assumir os vocais em uma participação especial. O repertório? Kyuss. E aí não tinha como dar errado. A galera foi ao delírio, e a participação nos vocais funcionou muito bem, entregando a energia que aquele momento pedia. Foi daqueles trechos do show em que você olha para o público e percebe que todo mundo está na mesma sintonia. Wolftrucker: encerrando com o pé no acelerador Para fechar a noite, quem subiu ao palco foi a Wolftrucker, banda formada por amigos e parceiros de longa data.A “Wolf” vem divulgando seu mais recente trabalho, o single ‘Stones, Rocks n’ Bones’, que deixa aquele gostinho de ‘quero mais’ para o álbum que está por vir. Isso serve para esquentar os motores, pois em breve a banda realizará uma série de shows em São Paulo/SP. E aqui não tem muito o que inventar: a Wolftrucker é uma banda redonda.O show é daqueles que prendem o público. A banda consegue levar para o palco toda a força de sua sonoridade, misturando rock’n’roll, stoner e groove com muita presença. É visceral, pesado e, acima de tudo, muito rock. Para quem já conhece a banda, não é novidade. Para quem ainda não conhece, fica a recomendação: procurem os caras e, principalmente, assistam a um show quando tiverem oportunidade. Uma cena que merece atenção Saí do segundo Desert Whip com uma sensação de alma lavada. Não apenas pela qualidade das bandas, mas por perceber que existe uma movimentação acontecendo novamente. Talvez seja cedo para falar em um “retorno” do stoner à cena gaúcha, mas certamente existem bandas, produtores e público dispostos a fazer esse movimento acontecer.E é justamente por isso que eventos como o Desert Whip são importantes. A cultura underground não se mantém apenas por grandes festivais ou grandes casas. Ela acontece nesses espaços, nas bandas autorais, nos produtores que insistem em organizar eventos, no público que compra ingresso, comparece e apoia, e nos músicos que continuam criando mesmo quando o caminho não é fácil. No fim das contas, é assim que uma cena se mantém viva.E se depender do que ouvi naquela noite no Ocidente, o deserto gaúcho está longe de estar silencioso. Que venham os próximos Desert Whip. Fotos e texto: Billy Valdez.

Primeiro REVERBERA

No último dia 08 de agosto, aconteceu a primeira edição do REVERBERA. O evento foi idealizado pela banda Luvit e contou com a participação das bandas Inersa e Silhuetas para completar o line-up que agitou o Caos Bar, em Porto Alegre. Foi uma noite de retomada do frio em Porto Alegre, mas o clima dentro do Caos era quente e contagiante. Com uma plateia repleta de amigos e familiares, a sintonia entre as bandas ficou evidente, garantindo que esta primeira edição do REVERBERA realmente honrasse o nome e conquistasse seu espaço definitivo na agenda do rock porto-alegrense. A abertura ficou por conta da Silhuetas, representante da nova geração que prova que ainda há muita gurizada a fim de montar banda, acreditar no projeto e fazer som de qualidade. O grupo entregou um rock visceral, com influências marcantes de indie, shoegaze e grunge. Na sequência, os anfitriões da Luvit subiram ao palco com um rock pesado de primeira, misturando post-grunge e metal com vocais rasgados e viscerais que fizeram todo mundo bater cabeça. Para encerrar a noite com chave de ouro, os amigos da Inersa trouxeram seu rock alternativo e pesado, com nuances de hard rock e grunge. A banda ainda surpreendeu com versões improváveis e muito bem executadas, adaptando para o rock sucessos de Ivete Sangalo e outros artistas inusitados do pop e do pagode nacional. Siga as bandas, vá aos shows, somos todos engrenagem do rock. Texto e fotos por Billy Valdez.

Liberdade e o amor à diversidade

Dois dias, dois rebanhos diferentes. O Espaço Cultural Maria Maria/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, onde todas as quintas, sextas e sábados, habitam de forma segura diferentes gentes, com suas ricas diversidades, recebeu a banda The Misters em um dia e, no outro, o lançamento do livro “A ovelha Queer”, de Rodrigo Schüler de Souza. Em uma noite dedicada ao rock e suas vertentes mais dançantes, a banda The Misters, celebrou a amizade com um desfile suas versões de grandes clássicos e alguns lados B, de nomes consagrados da música do nosso mundo. Firmando em definitivo sua nova formação, que agrega o guitarrista e violinista Marcos Machado ao time, Guile Barão, Alex Becker e Marcelo Cougo se divertiram e divertiram àqueles que estavam presentes numa sexta feira de calor meio atípico para o mês de julho, em Porto Alegre. No dia seguinte, sábado, foi a vez de um encontro bastante marcante para quem esteve presente. Rodrigo recebeu amigas e amigos para, juntos, viverem horas de acolhimento e trocas de experiências que envolvem a filosofia, a teologia e a vontade de viver o que se é, o que se deseja ser. Novamente a Garajona da Comuna do Arvoredo, onde funciona o Espaço/Ponto, serviu de “O lugar seguro de quem não está perdido”. A obra lançada aborda o diálogo entre a tradição religiosa cristã e a vivência de pessoas LGBTQIAPN+, e teve seu ponto alto na performance emocionante de Savanah Queen, que com sua força e beleza nos mostrou a grandeza política de sua arte. Dois rebanhos diferentes arrebatados pelos mesmos sentimentos: a liberdade e o amor à diversidade. Que venham muitos outros encontros e que sejamos, toda gente, cúmplices de nossas felicidades. Acompanhe as redes e dê sua força para os artistas:The Misters.Rodrigo Schüler. Texto: Marcelo CougoFotos: Billy Valdez

Reflorestamento e continuidade na Retomada Gãh Ré

No sábado 25 de julho, a comunidade kaingang da Retomada Gãh Ré, Zona Leste de Porto Alegre, articulou mais um pequeno encontro de reflorestamento do território. Um grupo diverso que contou com crianças de dois e treze anos até a sexagenária mestra Gãh Té subiu na trilha pela mata realizando plantios até chegar na área de manejo perto do topo do Morro Santana. Ao longo da trilha, plantaram duas araucárias e, ao chegar no local em que a mata se torna campo, plantaram alguns butiazeiros. A equipe também limpou as mudas plantadas no ano passado e seguiu o controle da invasão de Pinus Ellioti, arrancando manualmente as mudas do pinheiro invasor que já começavam a surgir. Ao longo da área em que foram manejados os pinus no ano passado, foi possível perceber uma forte reação da vegetação nativa, tanto florestal, no caso dos Maricás – árvores que dobraram de tamanho em um ano com a entrada maior de luz no que antes era um bosque sombreado pelos pinus -, quanto de ervas, gramíneas e outras plantas de pequeno porte. Junto aos plantios de árvores, a cacica Gãh Té semeou também feijões em alguns locais, realizando testes para uma possível roça na primavera. Avaliando o solo, encontrou ainda um local para um plantio de milho e, com a fome do almoço se aproximando, colheu algumas folhas de almeirão roxo – PANC nativa das américas com diversos benefícios nutricionais e medicinais. Depois de um almoço comunitário, dividiram-se as equipes. Os kaingangs acolheram os visitantes que chegavam para a oficina de artesanato. O encontro de compartilhamento de saberes tradicionais foi uma das atividades realizadas dentro do edital de Agentes Cultura Viva da Ancestralidade em Porto Alegre do Pontão de Cultura AxéMirê – no qual Gãh Té é mestra indicada pelo Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre/Coletivo Catarse. Enquanto isso, os fóg apoiadores seguiram para o erval da aldeia. Na tarde ensolarada, capinaram a capoeira e abriram entradas de luz para seis pés de erva-mate e uma araúcária plantada no ano passado, replantando 4 novas mudas de mate e mantendo também no sistema um maricá e uma amoreira. Nas entrelinhas do erval foi semeado um mix de sementes para cobertura de solos no inverno. Este pequeno encontro de trabalho fez parte do Projeto Reflorestamento, Resiliência e Continuidade, aprovado na Chamada Reconstruir RS 2025 do Fundo Casa Socioambiental, o projeto é uma continuação do realizado no ano anterior. O “mutirinho” de plantio não foi a primeira ação, já que este projeto tem como um dos objetivos a manutenção dos espaços da comunidade, já vinham sendo realizadas também ao longo do ano ações de manejo do chiqueiro, a reforma das casas e toda a rede hidraúlica nas moradias mais novas. Este encontro, de outra forma, marcou o início das atividades abertas do projeto. Felizmente, não é o último – em breve devem ser convocadas novas ações. Para participar, acompanhe as redes da Retomada Gãh Ré e do Coletivo Catarse. Apoio: Projeto contemplado na chamada Reconstruir RS 2025, tendo o Coletivo Catarse como organização parceira. Texto: Bruno PedrottiFotos: Giulia Sichelero

Comunidade Xokleng Konglui lança livro e filme na UFRGS

Na última quinta feira, a Sala Redenção no Campus Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) recebeu o lançamento o livro “Jug Og Pãn Txi – Na trilha dos nossos antepassados: a retomada do Território Xokleng Konglui” e do documentário “Território Xokleng Konglui: 1° Seminário das Mulheres Indígenas da Floresta”, ambos realizados juntos à comunidade da retomada Xokleng de São Francisco de Paula/RS. Os cantos das crianças da Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Vanheky Veitchá Teie ecoaram pela sala de cinema no Centro de Porto Alegre. E não foi à toa, já que o livro (disponível aqui) organizado pela cacica Xokleng Cunllugn Veitchá Teie, com os pesquisadores Bibiana Harrote Pereira da Silva e Paul Schweizer, teve parte das ilustrações feitas pelos próprios jovens para apresentar a territorialidade da aldeia. “O TRF4 [Tribunal Regional Federal da 4ª Região, órgão responsável pelo julgamento do processo envolvendo a aldeia] pediu um mapa da comunidade. Aí, eu falei para as crianças desenheram aonde seria o território delas, mesmo sabendo que, para uma criança indígena, o território não tem limites. Aí elas foram colocando tudo no papel” – explicou a professora Culá Maiule Teie. Já o documentário apresentou a comunidade e sua luta a partir da perspectiva das mulheres indígenas e do 1° Seminário das Mulheres Indígenas da Floresta. Apesar das diferenças de formato e temática, as duas obras convergem na defesa do direito originário ao território. Ao longo do lançamento, a cacica Cunllugn Veitchá Teie destacou que São Francisco de Paula é território do seu povo e destacou que seu falecido pai viveu no local. “Nós estamos morando ali em São Francisco de Paula, ali no rastro do meu pai. Ali onde ele nasceu”. A luta pelo território foi reforçada justamente por ser a condição fundamental tanto para manter viva a memória dos ancestrais quanto para garantir que a juventude possa vivenciar a sua cultura e seu modo de vida tradicional. Depois de muita luta, a comunidade conseguiu o direito de permanecer no território retomado, na Floresta Nacional de São Francisco de Paula, unidade de conservação ligada ao ICMBio. No entanto, os indígenas reivindicaram que avance o processo de demarcação da sua aldeia e também combateram os ataques aos territórios e ao direito originário em todo o país. Ao final, junto com a força dos cantos ancestrais, ecoaram também na tarde chuvosa daquela quinta feira os gritos de guerra: “Demarcação já!” “Não ao marco temporal!” Texto e fotos: Bruno Pedrotti.

Esteban no Espaço Marin

Na noite do dia 10 de maio Esteban Tavares retornou a Porto Alegre no Espaço Marin para o seu primeiro show do ano na capital gaúcha.Foi uma noite de muita troca de energia e calor, um show hipnotizante que só o Esteban domina.Aguardamos pelos próximos.Banda que esquentou o palco e o inicio da noite foram os “emos” da Die For You da cidade de Gravataí que vem despontando no cenario e chamando atenção pelo seus shows enérgicos, mesclando musicas autorais e alguns covers clássicos do cenário emocore. Fotos de Billy Valdez / Coletivo Catarse.

Lançamento do livro “Fé e Política: ensaios de uma vida peregrina”, de Selvino Heck

Na quinta-feira, 21 de maio, a Maria Maria Espaço Cultural, em atividade com o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre (Comuna do Arvoredo, Rua Cel. Fernando Machado, 464 – Centro Histórico de Porto Alegre), recebeu o lançamento desta publicação que reúne reflexões, artigos e escritos produzidos ao longo de mais de cinco décadas da vida de Selvino – com temas que abordam fé, política, justiça social e compromisso com o bem comum. Em tempos em que a religião muitas vezes é usada para justificar preconceitos, violências e exclusões, o livro propõe uma reflexão necessária sobre uma espiritualidade comprometida com a transformação social, a dignidade humana e a construção de uma sociedade mais justa e solidária. “A minha origem familiar tem muito a ver com o trabalho de comunidade, da ponta, na base. Desde sempre, na Linha Santa Emília, em Venâncio Aires, de onde eu sou natural, da minha família. Depois, eu fui para o seminário, fui Frei Franciscano grande parte da minha vida, e, na militância estudantil, especialmente na pastoral juventude, eu comecei a relacionar a fé com a política, a política com a fé. Não como instrumentalização, mas exatamente no sentido de fazer com que a fé esteja revestida de uma política e de uma causa comum, a solidariedade. E que a política esteja sempre junto com a ética. Não se faz política sem ética, muito menos se faz política sem mística. E como dizia o Papa Francisco, também a política tem que estar acompanhada de ternura. Portanto, esse meu livro tem tudo a ver com a minha vida, com a minha militância, com os meus sonhos, com o sonho de uma sociedade livre, justa, igualitária, uma sociedade do bem viver. Isso se faz tendo os valores da fé na linha de frente e a política com o sentido de comunidade, de abraço, de companheirismo, de estar junto, de lutar por um mundo melhor, um mundo justo, um mundo digno, de dignidade para todas e todos, especialmente nesses tempos em que estamos vivendo. E é o meu primeiro livro solo também, com meus textos desde os anos 1970. E fazer esse lançamento no Maria Maria foi importante. Eu já estive muitas vezes, é um lugar especial para mim, gosto muito de lá, muita afetividade, muito companheirismo, dá para ficar na rua, dá para conversar, dá para dançar, dá para cantar, dá para declamar poesias, é muito bom isso. Ainda mais com o Ponto de Cultura Ventre Livre, porque a fé e a política têm que ser animadas culturalmente, têm que estar vinculadas à mística, a uma forma de fazer política culturalmente, de abraço, de ninguém soltar a mão de ninguém. Por isso, o ponto de cultura, de liberdade, de justiça, de dignidade da pessoa humana, é algo fundamental.“ Natural de Venâncio Aires (RS), Selvino Heck tem uma trajetória marcada pela militância social, pela educação popular inspirada em Paulo Freire e pela atuação junto aos movimentos sociais. Foi deputado estadual constituinte no Rio Grande do Sul, participou da fundação do CAMP, da CUT e do MST, além de atuar como assessor da Presidência da República nos governos Lula e Dilma. Para mais imagens do dia do lançamento, clique aqui. O livro ainda está em circuito de lançamentos, mas, para adquirir, entre em contato com Loiva (+55 51 99810.1034). Fotos: Daniela Tolfo (Maria Maria) * O lançamento é parte da programação do eixo Maria Maria Espaço Cultural, sendo ação do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Osvaldo 93

Em um movimento que começou nos 1980 para se estabelecer na primeira metade dos 1990, a aproximação do rap com o rock deu direcionamentos até hoje seguidos. A mistura desses dois universos da cultura pop, que teve desdobramentos estéticos e comportamentais para além da música, reverberou no RS, no começo da última década do século passado. Em Porto Alegre, surgiam grupos como Código Penal (cruzando rap e hardcore) e L.O.R.D.S. (Legião Organizada Revolucionária dos Direitos Sociais), embalados pela batida das ruas. Ativas até hoje (ainda que de maneira não linear), as duas atrações se juntaram para a gig “Osvaldo 93”, que rolou em 12/4, no Bar Ocidente. As bandas literalmente dividiram o palco, tocando juntas (em alguns momentos, uma ou outra se apresentava, em outros, integrantes se uniam). A L.O.R.D.S (os MCs @piadrodutor e @edsonlegalllegall, @djandersonultramen nos toca-discos e percussão de @henrique_branka) abriu os trabalhos com um bloco de temas próprios, dando espaço para a CP (formada por @lucioagace e @black_lucianocp nas vozes, @fernandoluzardo no baixo, @green.eyes.soul.mp3 e @marcioantoniog33nas guitarras e @cesarcastrodrumer na bateria ) fazer o mesmo. O baile seguiu com os músicos intercalando-se. Entre os temas próprios, destaca-se “Homem Errado” e “Falsos Profetas”, da L.O.R.D.S. Já a CP mostrou a que veio com sons do naipe de “Terra de Ninguém” e “Apologia”. Ainda rolaram diversas releituras: de Tim Maia (“O Caminho do Bem”) a Body Count” (“BC in the House”), passando por Rolling Stones (“Miss You”), Beastie Boys (“No Sleep’Till Brooklyn), Public Enemy (“Shut ‘Em Down” e “Fight the Power”), Ice T (“Colours”), Cowboys Espirituais (“Jovem Cowboy”), Cypress Hill (“Insane in the Brain”), Run-D.M.C e Aerosmith (“Walk this Way”) e Public Enemy e Anthrax (“Bring tha Noise”). O pioneiro Defalla também foi homenageado, com “Repelente”, “Como Vovó Já Dizia” e “Satisfacation”. O vocalista @edukedukeduk cantou as 3 músicas de sua banda original, além de outras versões do repertório. Os feats ao vivo incluíram ainda a cantora @denizelicardosodnzl e o baterista Zé Darcy (ex-@bandaultramen) assumindo o mic. Texto: @homerpjrFotos: @billy.valdez