Finalizado o ciclo do projeto PNAB no Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre

A festa junina do dia 27 marcou um último ato de um projeto que durou 14 meses, conquistado junto ao Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva, recheou a Comuna do Arvoredo de programação cultural ao longo do período. Foram mais de 40 apresentações no eixo Maria Maria Espaço Cultural, de música, teatro e outras artes; 6 episódios do talk show Talk Exu, tratando de temas como economia solidária, a luta indígena, a contribuição cultural do povo negro, agroecologia e acessibilidade; houve também um evento histórico de carijada em uma unidade de conservação, em Canela; oficinas de teatro, hip hop e produção audiovisual, entre váras outras atividades. Em um espaço delimitado na Garajona, foram expostas as obras produzidas pelo artista Juarez Negrão para o projeto e fotos de momentos das atividades do ano. E, para coroar a noite, uma grande apresentação do grupo Versão Brasileira. Foi uma noite especial, de celebração de um ciclo que se encerra e da certeza da continuidade das relações do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e suas parcerias – Maria Maria Espaço Cultural, CAMP, Comuna do Arvoredo, FESPOPE e Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, que constituem com o Coletivo Catarse o Conselho Gestor do Ponto. Resistência, respeito e empatia ENTREVISTA | Márcia Tolfo | Gestora da Maria Maria Espaço Cultural Coletivo Catarse – A Comuna do Arvoredo, o Coletivo Catarse e a Maria Maria Espaço Cultural somam trajetórias marcantes. Como foi para vocês a experiência de coproduzir esse ano de programação intensa, dentro do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, ao lado do Catarse, e de que forma a identidade de cada espaço se somou nesse processo?Márcia Tolfo – A coletividade é a palavra-chave dentro da proposta de produzir e gerir um projeto coletivo, que é um grande desafio. Cada entidade tem suas características e história, então, respeito e empatia são fundamentais. No final, existe uma grande satisfação em fazer parte de uma causa maior e entender que, juntos, somos mais fortes. Catarse – O projeto previu pelo menos 40 atividades culturais diversas. Olhando para o que foi realizado, quais ações ou momentos você destacaria como os mais marcantes para o público e para a própria gestão do espaço?Márcia – Foram muitas atividades. Entre elas, destaco a parceria com o grupo Nós – Arte e Cultura, que trouxe a dança para o espaço, através do Forró. Também o músico Vladmir Rodrigues, com a ancestralidade da música afro em diversas prestações, incluindo o sarau Djavan, Gil, bem como sua contribuição na Janta Afro, que está na sua 21ª edição, assim como o lançamento de alguns livros com sessão de autógrafo. Catarse – Como vocês percebem o impacto de uma abordagem que une arte, cultura e vivência em comunidade, na perspectiva feminista e antirracista que a Maria Maria propõe?Márcia – Focamos no fortalecimento da proposta feminista. Somos duas mulheres (eu e Daniela, minha irmã) que estamos ligadas ao contexto político atual. O espaço das Marias, cada vez mais, se torna acolhedor para as amigas. Usar uma linguagem feminista fortalece a causa, assim como ser antirracista é nosso pressuposto. Catarse – O projeto foi viabilizado pelo Edital Sedac nº 25/2024 da PNAB–RS – Cultura Viva. Na sua visão, qual é a importância desse tipo de descentralização e fomento para a sustentabilidade de espaços como a Maria Maria e para a garantia do acesso à cultura?Márcia – É essencial, visto que ser autossustentável hoje é um grande desafio dentro da economia. O custo com demandas como equipamentos, transporte e alimentação é requisito básico para alcançar a acesso à cultura. Sem o básico, não alcançamos a complexidade da cultura. Catarse – Com o encerramento deste ciclo de um ano de programação, qual é o principal legado que essa parceria deixa e de que forma essa experiência projeta o futuro da Maria Maria Espaço Cultural?Márcia – Resistência, respeito e empatia. Ainda temos “ganas” para continuar e crescer como espaço cultural, construir projetos coletivos e nos divertirmos com as amigas. * Pois há muito mais por vir! As atividades aqui apresentadas foram apoiadas e são parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Carijo Aceso na Serra registra a II Carijada Kaatártica

Na última lua cheia do verão de 2026, mais especificamente entre os dias 27 de fevereiro e 1 de março, a FLONA (Floresta Nacional) de Canela recebeu a II Carijada Kaatártica. O evento representou um resgate de uma cultura de produção originária da erva-mate em contraste com a industrialização da planta, que é base de bebidas tradicionais do cone sul como o chimarrão, o tererê e o chá-mate. A atividade foi uma realização do Coletivo Catarse com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e das retomadas kaingang Gah Ré, de Porto Alegre, e Kógünh Mág, de Canela e integrou o Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Por conta do ineditismo do encontro – afinal foi a primeira Carijada realizada dentro de uma unidade de conservação e ainda com a participação dos povos originários de que se tem notícia – o vídeo de registro mereceu um aprofundamento maior. No total foram captados depoimentos de nove pessoas, três kaingangs e 6 fógs (não indígenas) por uma equipe multiétnica que teve como entrevistadora a jovem kaingang Roberta Kokoj e os cinegrafistas fóg Luís Gustavo Ruwer e Billy Valdez, além de registros em foto e vídeo da fóg Amallia Brandolff e da jovem kaingang Marcielly Fuá. Vale destacar também a trilha sonora original Carijo Aceso na Serra, composição de Marcelo Cougo que dá nome ao minidoc. Entre momentos marcantes captados estão a história do pilão da Nilda, o ritual de abertura do sapeco pela Kujá (xamã) Gah Té, e as impressões dos participantes sobre a experiência de colheita nos ervais nativos da FLONA em meio a uma exuberante floresta de araucárias. A obra também retrata um pouco da relação do povo kaingang com a kógünh (erva-mate) e reforça que o beneficiamento desta planta é fruto de tecnologia ancestral dos povos originários. Ficha técnica:Imagens de:Amallia BrandolffFuáKokoj (Roberta)Luís GustavoBilly Valdez Edição de:Bruno PedrottiBilly Valdez Trilha sonora original:Marcelo Cougo“Carijo aceso na Serra”Mix Gustavo Türck

Talk Exu #6 – Cultura e Agroecologia

A relação da arte com a intervenção humana na Natureza. Realizada e gravada no início do mês de junho, no Ponto de Cultura Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo, em Morro Reuter, esta edição contou com participação de Alexandre Fávero, sombrista e entusiasta da relação arte e Natureza, e de Matias Köhler, biólogo especializado em botânica. O episódio faz uma reflexão sobre a importância da presença do ser humano e os possíveis impactos positivos do manejo na floresta tanto com a flora como com a fauna, além das motivações de artistas e fazedores de cultura nessa interação intensa com a Natureza. Este Talk Exu se apresenta num formato diferente, gravado, se adaptando ao que o ambiente permite, mas não deixando de apresentar um tema importante e contar com atrações artísticas relacionadas. Marcelo Cougo, que neste episódio deixa de ser o apresentador, performa em voz e violão música autoral inspirada nas experiências de carijada do Coletivo Catarse. Também são apresentados clipes musicais de amigos e parceiros – a banda Butiá Dub e a dupla Jéssica Nucci e Vicente – que fazem da sua arte um meio de expressão de suas atuações agroecológicas. ASSISTA! Quem são os convidados: Alexandre FáveroEncenador, cenógrafo, diretor, pesquisador, ator e sombrista. No ano 2000, fundou a Cia Teatro Lumbra (Porto Alegre/RS – Brasil), coletivo que é referência na arte do teatro de sombras, o que lhe rendeu prêmios e distinções como dramaturgo, diretor, iluminador, cenógrafo e encenador. Atualmente administra a produtora Clube da Sombra e dirige espetáculos e filmes, além de assessorar coletivos do Brasil e do exterior como especialista em teatro de sombras e artes da cena afins. As produções das obras possuem apoio de diferentes órgãos do Governo do Brasil e da Europa (Iberescena). Tem suas obras encenadas em países como Alemanha, México, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Colômbia, Taiwan e EUA. Matias KöhlerGraduado em Ciências Biológicas, com Mestrado e Doutorado em Botânica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e, atualmente, é Professor na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS – Campus Erechim, RS). Pesquisa sobre a história evolutiva e classificação das espécies nativas da flora e seus diversos potenciais de uso sustentável dialogando com práticas agroecológicas e permaculturais. Sobre o Vale Arvoredo:Criado em 20 de outubro de 2010, o Espaço de Residência Artística VALE ARVOREDO permite a convivência de criadores e praticantes das mais diversas áreas artísticas em tempo integral, com o objetivo de aprimoramento humano e artístico, aprofundando relações interpessoais e com o meio ambiente. Tem cerca de quatorze hectares, dos quais cerca de dez correspondem à mata nativa intocada, incluindo cascata e arroio. O Talk Exu é uma proposta autônoma do Coletivo Catarse, que tem este ciclo de produções apoiado como parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Talk Exu #05 – Retomada Territorial

Neste último sábado, contando com transmissão ao vivo simultânea nos canais no YouTube do Coletivo Catarse (@coletivocatarse) e da A Voz do Morro (@avozdomorro88.3), o Talk Exu retomou suas atividades no ano e chegou ao seu 5° episódio com o tema “Retomada Territorial”, abordando as ações de resgate de territórios pertencentes aos povos originários por direito ancestral, mas que foram usurpados por não indígenas. Esta edição aconteceu na Retomada Gãh Ré, Morro Santana, em Porto Alegre. Os convidados para o bate-papo foram Gãh Té, liderança Kaingang, kujá e cacica da própria Retomada; Laércio Guarani, representante da Retomada Nhe’engatu, em Viamão; Tânia Silva, ativista e moradora do Morro Santana; e Kapri, também liderança Kaingang. A atração artística ficou por conta de Marina Mar, cantautora, performer e poeta, que tem como eixo o corpo-voz e o canto-dança na matriz de suas performances. A direção geral do Talk Exu #05 foi de Têmis Nicolaidis, com direção técnica de Gustavo Türck, apresentação e produção de Marcelo Cougo, assistência de produção de Lorena Sánchez e operação de câmeras de Billy Valdez e Bruno Pedrotti. Assista aqui abaixo ao episódio! Fotos: Lorena Sánchez, Billy Valdez e Marcelo Cougo O Talk Exu é uma atividade autônoma do Coletivo Catarse, e este episódio faz parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Confira outras edições do talk show, clique aqui.

Vai nascendo uma agrofloresta colaborativa entre Pontos de Cultura

O Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e o Ponto de Cultura Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo se emparceiram para deixar uma pegada agroecológica da Cultura Viva no interior de Morro Reuter Entre os dias 4 e 5 de junho, um coletivo de artistas e fazedores de cultura, integrantes da rede de associados, amigos e colaboradores do Vale Arvoredo (acesse e conheça!), esteve no local realizando atividades de reconhecimento de área, separação de mudas e mapeamento de espécies invasoras a serem suprimidas da mata. Contando também com a presença dos biólogos Matias Köhler e Ethiéne Guerra, que auxiliaram no reconhecimento das plantas, o trabalho desenvolvido já contou com o plantio de Palmeiras Juçaras na área delimitada e também de novas mudas de erva-mate no perímetro que serve de sede ao sítio. Esta é uma ação que acompanha historicamente os objetivos tanto do Vale Arvoredo como do Coletivo Catarse, que têm nas suas essências a visão de pertencimento à Natureza, com a interação e manejo como garantias da manutenção da existência das florestas. Neste caso, já há alguns anos vêm se identificando que a área – com cerca de 16 hectares, mantidos praticamente intocados desde a sua aquisição – é de mata de regeneração, guardando espécies nativas, mas com grande invasão de plantas exóticas de expansão agressiva, principalmente a uva japão. Para “resolver” essa situação, ao longo dos últimos meses vêm sendo realizados vários encontros e conversas sobre a utilização de um espaço em que se maneje essas espécies invasoras e que se passe a cultivar uma pequena agrofloresta própria, com a manutenção de nativas identificadas e outras que sejam de interesse – como o limão bergamota – e com a inserção de espécies típicas da Mata Atlântica, como a Juçara, a erva-mate e o abacaxi. Talk Exu #6 – Cultura e Agroecologia Durante o encontro, também se realizou a gravação de mais uma edição do Talk Exu, o talk show do Coletivo Catarse, parte do Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Na conversa com Alexandre Fávero, parceiro de longa data, sombrista e um dos principais agitadores da proposta dessa movimentação atual que o Vale Arvoredo vem realizando na ideia da mesclagem da agroecologia com a arte, e com Matias Köhler, biólogo que esteve presente nas atividades de produção de uma das carijadas do documentário Carijo, o filme, em Panambi, em 2012, foi possível desenvolver uma reflexão sobre a importância da presença do ser humano e os possíveis impactos positivos desse manejo na floresta tanto com a flora como com a fauna. Também se abordou exatamente as questões que motivam artistas e fazedores de cultura nesssa interação intensa com a Natureza. Palmeira Juçara e Erva-mate A relação do Coletivo Catarse com essas duas espécies de árvores vem de longa data. Durante quase 15 anos, o Coletivo esteve dentro da Rede Juçara, uma rede que espalhou conhecimento e conectou pequenos produtores, entidades de assessoria técnica, poder público, entre outros atores sociais, nos estados do RS, SC, PR, SP, RJ e MG, numa frente que consolidou o entendimento agroecológico na rede, de manejo, de extração do fruto da Juçara para produção de polpa (o Açaí da Mata Atlântica), mantendo, assim, a árvore em pé, viva e consorciada com outras espécies – uma ação direta de recuperação de flora e fauna. O Coletivo Catarse se fez presente nesta rede produzindo matérias, coberturas e, a partir de uma ação no campo da comunicação, fomentando a manutenção do conhecimento acerca da Palmeira – realizando, inclusive, ações diretas de distribuição e plantio de mudas quase que ininterruptamente, por exemplo (clique aqui!). Um dos principais produtos audiovisuais lançados no período é a trilogia O ser Juçara, de 2018, possível de se assistir abaixo e no Youtube: A trilogia retrata, além de toda diversidade encontrada no domínio do bioma Mata Atlântica, as experiências do ser humano com os saberes associados ao manejo da floresta nativa, em especial da Palmeira Juçara. Este primeiro episódio apresenta a relação direta e indireta das pessoas com a floresta, os modos de vida, as conexões que existem entre as experiências retratadas – e a perspectiva de que é possível se viver de maneira sustentável em todos os espaços. Neste segundo episódio, está em questão a transformação do modo de se relacionar com a palmeira. Por séculos, considerada fonte do melhor palmito, foi objeto de um extrativismo que, quando realizado por comunidades tradicionais e famílias que se instalavam em áreas de sua incidência, era sustentável, mas que, a partir de um desenvolvimentismo econômico que enxergou neste um produto de grande valor agregado passou a ser ameaçada de extinção. Este último episódio apresenta as alternativas e a importância que os frutos da Juçara têm para oferecer para alimentar as pessoas. Mas sua contribuição vai para além da nutrição e da culinária. É preciso entender esta palmeira como parte de uma cadeia de valores culturais, que se relaciona e se apresenta como chave não só da preservação da floresta, mas da sustentabilidade das pessoas que vivem nessas regiões e que historicamente lutam para manter seus estilos de vida saudáveis e conectados com as forças da Natureza. Com a erva-mate, também há uma relação de mais de década. Em 2014 foi lançado o documentário Carijo, o filme: Uma obra que trata da fabricação artesanal de erva-mate com o método carijo – uma estrutura montada em estrado, de secagem da erva por horas, e que remonta um conhecimento ancestral indígena, principalmente Guarani. O documentário traz à tona a história do Rio Grande do Sul, contada sob um aspecto da contribuição dos povos originários para a cultura e costumes do gaúcho, e as implicações, relações e desdobramentos deste conhecimento sobre a produção do chimarrão – bebida símbolo do estado. O carijo ainda segue sendo utilizado nos dias de hoje, mas longe dos processos industriais e apenas …

Encontro reforça alternativas de trabalho livre

Uma cooperativa de trabalho com 22 anos e outra recém fundada se reúnem para refletir sobre caminhos futuros e possíveis. No último sábado, 30/05, em noite de Maria Maria Espaço Cultural, na sede do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre/Coletivo Catarse, foi recebido um grupo de Alvorada – o coletivo Vira Cena – para um bate-papo sobre cooperativismo e sutentabilidade. Fundado também como uma cooperativa de trabalho, de produção audiovisual, o coletivo visitou os espaços de trabalho dos profissionais do Catarse e as áreas comuns da Comuna do Arvoredo, situada no Centro Histórico de Porto Alegre. Foi uma noite de troca de saberes e de formação, quando profissionais que há anos seguem suas carreiras em uma iniciativa como uma cooperativa deram seus depoimentos, contando suas histórias de como a organização coletiva acontece numa rotina de formalização e de trabalho e renda – nas artes, na comunicação e na produçao cultural e audiovisual. A cooperativa Vira Cena foi idealizada em projeto pedagógico pelo Professor Adailton Moreira, no Centro de Educação Profissional Adelino Ferreira Borba de Alvorada, a iniciativa nasceu das experiências vividas nas aulas do Curso de Produção Audiovisual e se consolidou como um movimento de coletivos que une educação, arte, trabalho e compromisso social. Ainda em abril deste ano, o Coletivo Catarse esteve em atividade no curso, expondo sua trajetória e realizando um primeiro contato que veio a culminar exatamente com o encontro em Porto Alegre, numa visita presencial que serviu para motivar os novos cooperativistas. “Sou a cooperada do Vira Cena e participei do evento no Catarse. Eu me apaixonei em cada detalhe, conheci a história de como esse coletivo nasceu do chão, cresceu na teimosia e virou casa para artistas e espetáculo para o público. Vi de perto o trabalho que leva a arte até quem cria e devolve essa arte para o mundo em forma de cena. Um coletivo que tem sido de grande apoio para o início da cooperativa Vira Cena. Eu saí de lá com uma bomba de inspiração no peito e uma vontade absurda de aprender, construir e fazer parte disso. Eu amei, foi maravilhoso e eu quero continuar trabalhando com a Cartase.“ “Faço parte da cooperativa Vira Cena e participei no sábado ali na Catarse. Foi bem legal a interação com o pessoal, de ser bem recebido, conhecer o espaço deles ali. É muito importante a gente saber que tem esse apoio e o que realmente as pessoas fazem num coletivo – uma pessoa ajuda a outra, e, se precisar, eles vão estar ali, assim como a gente também. É muito legal essa parte de um poder contar com o outro, e não ser uma competição, todo mundo se erguer para todo mundo crescer. Isso é muito massa! Vi muito isso no sábado, pelas coisas que eles falaram, a vivência, o compartilhar de experiências… Muitas vezes quem é novo não tem noção, e o pessoal que já passou por isso está ali para dar uma luz, para orientar… Isso é muito importante, foi muito bacana.“ Ao longo da noite de lua cheia, com um clima agradável e convidativo à música ao vivo e ao bate-papo, foi se apresentando também um pouco mais da estrutura da Maria Maria Espaço Cultural, fruto da iniciativa das “irmãs Tolfo”, que são “as Marias” Daniela e Márcia, em parceria com o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, que, ao longo de 3 anos, se fez com investimentos próprios no local e através de projetos conquistados em linhas da Funarte/MinC e secretarias de cultura do estado e do município. Sobrou tempo ainda para uma visita à sede/escritório do Coletivo Catarse e aos fundos da Comuna do Arvoredo, destacando-se na conversa a história de como se constituiu e como se gere todo este espaço – uma complementação para a reflexão sobre as possibilidades de sustentabilidade a coletivos como os ali presentes. “Também sou cooperado da Vira Cena. Não tem como não falar daquele espaço! Eu acho que tudo o que encontramos, cada pessoa, o espaço e a atividade em geral, foi um pedacinho de tudo que teve. Achei aquele espaço perfeito para qualquer cooperativa que queira existir. É um lugar que passa calma, dá pra sentir que se pode trabalhar sem precisar se apressar, sem precisar ficar sob pressão. Eu acho que em geral toda a atividade foi perfeita. Eu não teria problema de fazer ela de novo um milhão de vezes! Seria ótimo para mim passar o máximo de tempo possível em qualquer lugar que seja calmo daquele jeito.“ Ao final da visita, a banda Mr. Fool, que é formada por alguns integrantes do Vira Cena, perfomou brilhantemente seu rock garage na garajona da Comuna do Arvoredo. Porque celebrar também faz parte… Fotos: Douglas Martins (Vira Cena)

Reexistência Rutz

O Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e o Coletivo Catarse tem uma longa trajetória de parceria com a Kuja Gãh Té, liderança espiritual e política do povo Kaingang e da Retomada Gãh Ré, no Morro Santana. Legitimados por essa trajetória Gãh Té e o Ventre Livre foram contemplados na Chamada Pública Agentes Culturais da Ancestralidade, promovida pelo Pontão de Cultura Axêmiré.Desse modo as atividades que são realizadas de forma rotineira pela Mestra passam a ser reconhecidas com uma bolsa que ajudará a manter e ampliar essa atividades.Dentro dessa lógica, de troca de conhecimentos e integração com a comunidade, a Retomada Gãh Ré e a Mestra Gãh Té, junto com o coletivo Preserve Morro Santana, receberam a atividade sobre a importância socioambiental e histórica do Morro Santana, incluindo as dimensões geomorfológicas do morro e sua ocupação pelo povo Kaingang. Realizada nos dias 16 e 17 de maio, a atividade teve a participação da comunidade, de estudantes e professores da UFRGS, e serviu de formação para condutores nas ecotrilhas realizadas no Morro Santana.A saída de campo – Mestrado de desenvolvimento rural na retomada indígena Kaingang Gãh Ré, no Morro Santana, foi uma experiência importante de aprendizado e reflexão. Através das falas da Mestra Iracema Gãh te Nascimento, foi possível compreender a relação do povo Kaingang com o território, a ancestralidade e a resistência cultural. A atividade aproximou os conteúdos estudados na universidade da realidade vivida pelas comunidades indígenas, mostrando a importância do respeito aos saberes tradicionais, da memória coletiva e dos direitos dos povos originários.Nesse dia também foi realizada uma cerimônia de plantio de uma muda de araucária, árvore sagrada para o povo indígena, simbolizando a permanência no território do querido Tio Rutz, ativista e morador da comunidade e que nos deixou recentemente. Gãh Té e Julinho, filho de Tio Rutz, celebraram a vida, a alegria e o cuidado que sempre guiou o nosso amigo, que agora está eternizado nas raízes, tronco e frutos da árvore símbolo da resistência Kaingang. Texto: Marcelo CougoFotos: Luis Gustavo Ruwer

Lançamento do livro “Fé e Política: ensaios de uma vida peregrina”, de Selvino Heck

Na quinta-feira, 21 de maio, a Maria Maria Espaço Cultural, em atividade com o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre (Comuna do Arvoredo, Rua Cel. Fernando Machado, 464 – Centro Histórico de Porto Alegre), recebeu o lançamento desta publicação que reúne reflexões, artigos e escritos produzidos ao longo de mais de cinco décadas da vida de Selvino – com temas que abordam fé, política, justiça social e compromisso com o bem comum. Em tempos em que a religião muitas vezes é usada para justificar preconceitos, violências e exclusões, o livro propõe uma reflexão necessária sobre uma espiritualidade comprometida com a transformação social, a dignidade humana e a construção de uma sociedade mais justa e solidária. “A minha origem familiar tem muito a ver com o trabalho de comunidade, da ponta, na base. Desde sempre, na Linha Santa Emília, em Venâncio Aires, de onde eu sou natural, da minha família. Depois, eu fui para o seminário, fui Frei Franciscano grande parte da minha vida, e, na militância estudantil, especialmente na pastoral juventude, eu comecei a relacionar a fé com a política, a política com a fé. Não como instrumentalização, mas exatamente no sentido de fazer com que a fé esteja revestida de uma política e de uma causa comum, a solidariedade. E que a política esteja sempre junto com a ética. Não se faz política sem ética, muito menos se faz política sem mística. E como dizia o Papa Francisco, também a política tem que estar acompanhada de ternura. Portanto, esse meu livro tem tudo a ver com a minha vida, com a minha militância, com os meus sonhos, com o sonho de uma sociedade livre, justa, igualitária, uma sociedade do bem viver. Isso se faz tendo os valores da fé na linha de frente e a política com o sentido de comunidade, de abraço, de companheirismo, de estar junto, de lutar por um mundo melhor, um mundo justo, um mundo digno, de dignidade para todas e todos, especialmente nesses tempos em que estamos vivendo. E é o meu primeiro livro solo também, com meus textos desde os anos 1970. E fazer esse lançamento no Maria Maria foi importante. Eu já estive muitas vezes, é um lugar especial para mim, gosto muito de lá, muita afetividade, muito companheirismo, dá para ficar na rua, dá para conversar, dá para dançar, dá para cantar, dá para declamar poesias, é muito bom isso. Ainda mais com o Ponto de Cultura Ventre Livre, porque a fé e a política têm que ser animadas culturalmente, têm que estar vinculadas à mística, a uma forma de fazer política culturalmente, de abraço, de ninguém soltar a mão de ninguém. Por isso, o ponto de cultura, de liberdade, de justiça, de dignidade da pessoa humana, é algo fundamental.“ Natural de Venâncio Aires (RS), Selvino Heck tem uma trajetória marcada pela militância social, pela educação popular inspirada em Paulo Freire e pela atuação junto aos movimentos sociais. Foi deputado estadual constituinte no Rio Grande do Sul, participou da fundação do CAMP, da CUT e do MST, além de atuar como assessor da Presidência da República nos governos Lula e Dilma. Para mais imagens do dia do lançamento, clique aqui. O livro ainda está em circuito de lançamentos, mas, para adquirir, entre em contato com Loiva (+55 51 99810.1034). Fotos: Daniela Tolfo (Maria Maria) * O lançamento é parte da programação do eixo Maria Maria Espaço Cultural, sendo ação do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Documentário sobre ASSOBECATY tem lançamento no Ventre Livre dia 29/05

Um filme sobre os 90 anos do ilê que hoje é o Ponto e Pontão de Cultura Ilê Axé Cultural – ASSOBECATY. Uma história de ancestralidade, identidade e continuidade. Foram nove décadas de caminhada e resistência, mesmo quando as águas da enchente tentaram apagar a sua história, a força do coletivo se fez mais forte. Esta é uma obra que retrata toda essa superação, uma produção que contou com participação do Coletivo Catarse e que agora ganha seu espaço para uma sessão de lançamento no Ponto de Cultural e Saúde Ventre Livre. Assista ao trailer, clique aqui. Sessão no dia 29 de maio, a partir das 19h30 – Comuna do Arvoredo, Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, Rua Fernando Machado, 464, Centro Histórico de Porto Alegre. *o longa-metragem “ASSOBECATY 90 anos” é um projeto contemplado pelo Edital Lei Paulo Gustavo Guaíba nº 01/2023, Art. 6º, Inciso I. **a sessão é parte da programação do eixo Maria Maria Espaço Cultural, sendo ação do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

As múltiplas dimensões de ser uma criança realizadora audiovisual

Ao longo dos meses de março e abril de 2026, esteve em curso a oficina ‘Vamos fazer um filme?’, uma das atividades do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Nesses 10 encontros, totalizando 20 horas-aula de atividades, foi trabalhado com um grupo de 12 pré-adolescentes um pouco das diversas facetas de uma produção audiovisual. Um realizador necessita, além de pegar uma câmera, ter o domínio de multi-habilidades – começando por perceber que um filme não se faz sozinho. Talvez essa seja a aptidão trabalhada mais desafiadora num momento histórico em que as pessoas se encerram em bolhas e telas. Nos encontros desta oficina, olhamos nos olhos e nos servimos da linguagem teatral como ferramenta pedagógica, incrementando a arte de criar e contar histórias. Passamos por analisar filmes, porque, para ser um bom realizador, é preciso saber ler a produção de outros e pensar argumentos realizáveis com os recursos de infra-estrutura e tempo que se dispõem. Também produzimos figurinos, escalamos elenco, ensaiamos e entendemos o roteiro que havíamos criado de forma coletiva. Foi um exercício de entrega e, ao mesmo tempo, de desapego, pois realizar também é aprender a deixar nossas partes pelo caminho. No fim, reunindo nossos pedaços, produzimos um filme o qual nos orgulhamos e compartilhamos com todas as famílias numa noite cheia de afeto da Maria Maria Espaço Cultural, com os pequenos grandes realizadores na plateia, fazendo planos para a sequência do filme que acabaram de ver. Saímos, as facilitadoras, assim como as crianças, emocionadas e revigoradas desta experiência trabalhosa, mas transformadora, que atingiu o objetivo de trazer perspectivas na utilização dos aparatos tecnológicos – eles podem ser meios potentes de expressão e criatividade na invenção de novos mundos. As 3 DimensõesUma festa do pijama, numa noite qualquer, se transforma numa aventura inesperada por três dimensões misteriosas. Entre rituais, festas malucas e estranhos seres do submundo, as crianças vão descobrir que algumas histórias sombrias podem ser mais reais do que parecem. Facilitadoras:Lorena SánchezTêmis Nicolaidis Oficinandos realizadores:Alice Milani SandrinBento Fingstag Rosa OliveiraFabrício Fros FortesFrancisco Pedro Nascimento de Oliveira CardosoGiovana Schultz de BorbaJoaquín FarinaLúcia Miele GarciaMainô TürckManoela Bagiotto GallettiMartim Rodrigues EscobarNauê Bassi da SilvaSidarta Crescencio Bettanzos Roteiro:Criação Coletiva Operação de câmera:Billy ValdezGustavo Türck Edição:Têmis Nicolaidis Tratamento de áudio:Gustavo Türck Produção:Lorena SánchezTêmis Nicolaidis Trilha Sonora:Monstres e Ufo(Boris Morozoff) Underground Techno Party(Splashkabona) Assobio:Sidarta Parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.