As múltiplas dimensões de ser uma criança realizadora audiovisual

Ao longo dos meses de março e abril de 2026, esteve em curso a oficina ‘Vamos fazer um filme?’, uma das atividades do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Nesses 10 encontros, totalizando 20 horas-aula de atividades, foi trabalhado com um grupo de 12 pré-adolescentes um pouco das diversas facetas de uma produção audiovisual. Um realizador necessita, além de pegar uma câmera, ter o domínio de multi-habilidades – começando por perceber que um filme não se faz sozinho. Talvez essa seja a aptidão trabalhada mais desafiadora num momento histórico em que as pessoas se encerram em bolhas e telas. Nos encontros desta oficina, olhamos nos olhos e nos servimos da linguagem teatral como ferramenta pedagógica, incrementando a arte de criar e contar histórias. Passamos por analisar filmes, porque, para ser um bom realizador, é preciso saber ler a produção de outros e pensar argumentos realizáveis com os recursos de infra-estrutura e tempo que se dispõem. Também produzimos figurinos, escalamos elenco, ensaiamos e entendemos o roteiro que havíamos criado de forma coletiva. Foi um exercício de entrega e, ao mesmo tempo, de desapego, pois realizar também é aprender a deixar nossas partes pelo caminho. No fim, reunindo nossos pedaços, produzimos um filme o qual nos orgulhamos e compartilhamos com todas as famílias numa noite cheia de afeto da Maria Maria Espaço Cultural, com os pequenos grandes realizadores na plateia, fazendo planos para a sequência do filme que acabaram de ver. Saímos, as facilitadoras, assim como as crianças, emocionadas e revigoradas desta experiência trabalhosa, mas transformadora, que atingiu o objetivo de trazer perspectivas na utilização dos aparatos tecnológicos – eles podem ser meios potentes de expressão e criatividade na invenção de novos mundos. As 3 DimensõesUma festa do pijama, numa noite qualquer, se transforma numa aventura inesperada por três dimensões misteriosas. Entre rituais, festas malucas e estranhos seres do submundo, as crianças vão descobrir que algumas histórias sombrias podem ser mais reais do que parecem. Facilitadoras:Lorena SánchezTêmis Nicolaidis Oficinandos realizadores:Alice Milani SandrinBento Fingstag Rosa OliveiraFabrício Fros FortesFrancisco Pedro Nascimento de Oliveira CardosoGiovana Schultz de BorbaJoaquín FarinaLúcia Miele GarciaMainô TürckManoela Bagiotto GallettiMartim Rodrigues EscobarNauê Bassi da SilvaSidarta Crescencio Bettanzos Roteiro:Criação Coletiva Operação de câmera:Billy ValdezGustavo Türck Edição:Têmis Nicolaidis Tratamento de áudio:Gustavo Türck Produção:Lorena SánchezTêmis Nicolaidis Trilha Sonora:Monstres e Ufo(Boris Morozoff) Underground Techno Party(Splashkabona) Assobio:Sidarta Parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

NIA: do embrião a um núcleo com nome e identidade

Construção que vem sendo gestada há alguns anos, o Núcleo de Investigação Artística do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre (NIA) nasceu, agora com nome, sobrenome e um objetivo claro: a pesquisa e produção de conteúdos artísticos das mais diferentes linguagens – teatro, escrita, música, audiovisual, dança, tendo como foco o feminino. Formado por pessoas de dentro e de fora do Coletivo Catarse, cooperativa responsável pela gestão do Ventre Livre, a partir da necessidade de criação de uma identidade e de agregar talentos internos e externos. O Coletivo Catarse tem, desde sua fundação em 2004, trabalhado na perspectiva da cultura junto a grupos e artistas, apoiando em projetos específicos, na formatação de projetos próprios e em parceria ou prestando serviço. Quando se convenia como Ponto de Cultura em 2011, incrementa o fazer cultural pelo contato mais próximo. Nos últimos anos, tem aprofundado a sua relação com as artes cênicas através das iniciativas da produtora audiovisual e sombrista Têmis Nicolaidis, que integra, desde 2015, a Cia Teatro Lumbra, referência no Teatro de Sombras contemporâneo, da entrada no Coletivo da atriz, produtora cultural e educadora Lorena Sánchez e da aproximação da atriz, produtora e educadora social Aline Ferraz. A atuação do NIA se divide em pesquisa, produção e formação. Desde 2024, as integrantes já vinham promovendo oficinas de teatro para jovens e adultos. Em 2025, é lançado o primeiro trabalho autoral do embrião do Núcleo, o teatro musical Faces de Eva. Ainda em 2025 estreia o espetáculo multilinguagem Vasalisa, a sabida, que inicia 2026 com uma Vivência Vasalisa, a sabida através de um intercâmbio junto ao Ponto de Cultura Território das Artes. O fazer artístico se dá, também, através do diálogo das linguagens audiovisual e teatral. Como exemplo de produções deste tipo, pode-se destacar os vídeos: Passagem – Do Espiritual da arte, caminhando nos rastros das raízes (2020), Toura (2020) e Fragmentos do esqueleto de uma mulher (2021). Diversas dessas produções tiveram como palco de esboço e concretização a Comuna do Arvoredo, no Centro Histórico de Porto Alegre, também sede do Catarse, com espaços como o Salão Zé da Terreira e a Maria Maria Espaço Cultural. Atualmente, NIA é composto pelas três artistas-pesquisadoras, mas se valendo – e aberto à entrada – de outros profissionais de dentro e fora do Coletivo Catarse para complementar as atividades propostas. Aline FerrazProfessora licenciada em Teatro/UFRGS. Atua em projetos socioculturais, com diversos públicos como crianças, adolescentes e adultos, há quinze anos. Atualmente, trabalha na Escola Espaço do Ator (POA). Trabalhou profissionalmente atuando em espetáculos de Teatro de Rua e de sala, em parceria com grupos como o TIA TEATRO, Ói Nóis Aqui Traveiz, Ubando Grupo, Santo Qoletivo, dentre outros. Lorena SánchezAtriz, produtora cultural e contadora de histórias, com formação em teatro e Educação Social e Popular pela AEPPA – Freire, além de cursar Licenciatura em Artes Visuais. Atua nas artes cênicas desde 1996, com mais de 30 montagens e cinco prêmios de Melhor Atriz. Integra os coletivos “Grimm Para os Pequenos e Gretel”, “Capitu e Outras Mulheres”, “Língua Lâmina”, “Cuidado Que Mancha”, e “Coletivo Catarse”. Mantem seu projeto independente de arte-educação para crianças e adultos maiores SuCatadora de Histórias. Dirige La Lola Produtora. Têmis NicolaidisProdutora audiovisual e sombrista. É integrante do Coletivo Catarse / Ponto de Cultura Ventre Livre. Atuou como editora, roteirista, diretora e produtora de uma parte significativa das produções audiovisuais do Coletivo Catarse. Faz parte da Cia Teatro Lumbra desde 2015, integrando espetáculos de repertório da companhia nas funções de sombrista e produtoras: Sacy Pererê – A lenda da meia-noite, O Marujo e a Tempestade. Em Criaturas da Literatura fez roteiro, atuação, assistência de direção, cenografia e produção. Veja o portfólio da NIA. Texto: Têmis NicolaidisEdição: Anahi Fros

Vasalisa ocupa o Território

Nos dias 20 e 21 de março, a NIA (Núcleo de Investigação Artística do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre) esteve realizando um intercâmbio artístico com o Ponto de Cultura Território das Artes em Imbé (RS), o primeiro certificado da cidade. Um espaço gestado por mulheres que promove oficinas, apresentações artísticas e faz um trabalho lindo com crianças, de cuidado, produção cultural e ocupação dos espaços públicos na cidade. A proposta era levar a oficina ‘Pelos Caminhos de Vasalisa’ onde compartilhamos, com 8 mulheres e 1 homem, o processo criativo que envolveu a produção do espetáculo ‘Vasalisa, a Sabida’, inspirado no conto presente no livro ‘Mulheres que correm com os lobos’ de Clarissa Pinkola Estés, apresentado no mesmo dia da oficina, complementando a vivência proposta. Se criou um ambiente sensitivo, de escuta e troca onde as participantes puderam vivenciar um pouco de cada linguagem utilizada em cena. “Vivências em uma manhã de março em pleno outono, que o teatro me ensinou…Antes de falar,Aprenda a escutar,Presença vale mais que perfeição,Que quem não é ouvido faz o quê? GRITA!Toda história precisa de direção, e que, coragem também se ensaia.Coragem! Cor+age (fiquei a pensar sobre as cores da coragem)Quando histórias são construídas em parceriaelas conversam.Conversam sempre.Conversam sobre tudo.Nasce a cena.Em cena, se aprende a transformar emoção em mensagem.Foi no em Mulheres que Correm com Lobos e no teatro que aprendi a transformarHistórias em transformação”. (Depoimento de Sandra Bittencourt – Março de 2026 – Imbé) Esses encontros através da arte e da cultura tem a propriedade de deixar marcas profundas muito rapidamente. É o olho no olho, o acolhimento na estada, se apropriar dos espaços, sentir-se confortável, fortalecer projetos autorais e independentes. O Território nos proporcionou isso. E, também, sentir um pouco da cena cultural de Imbé. Chegamos na sexta-feira (20) e caímos direto numa reunião de mostra de projetos aprovados no PNAB por produtores locais no Castelinho da Cultura, onde funciona a Secretaria Municipal de Imbé. Pulsante e contagiante esse movimento. Agradecemos imensamente ao Território das Artes e suas associadas por receber este projeto e pelo privilégio de ocuparmos este espaço.

Vai sair um filme. E ele vai ser feito por crianças.

O que ensinar sobre audiovisual para a geração alpha, a geração da hiper conectividade? Aquela que usou celular antes de aprender a falar? Que acostumou ser filmada e se observar através desses registros?Esse é um dos dilemas que aparece quando sentamos para planejar os encontros da oficina prática de audiovisual para crianças “Vamos Fazer um Filme?”, afinal, corremos o risco de sermos ensinadas ao invés de ensinar qualquer coisa. Mas entendemos que a riqueza se dá justamente nesse encontro geracional e na troca de conhecimentos, por isso, o planejamento das aulas é traçado e retraçado com a participação ativa dos pequenos cineastas – mesmo que eles não saibam. É muito fácil se aborrecer quando o entretenimento é tão fugaz e apelativo. Fazer um curta-metragem de 3 minutos pode parecer um abismo para quem é bombardeado por pílulas minúsculas de conteúdo digital brilhante, afetado, turbinado.O desafio aqui, nos parece, é focar na importância da história a ser contada e na condição de ser equipe. Entender que as pessoas podem fazer coisas diferentes mas contribuem para a construção comum. Exercitar a escuta, a paciência, respeitar o espaço do outro no meio da sessão de cinema, por exemplo. Ser público. Também, se comunicar, levar ao receptor uma mensagem que seja entendida, tanto numa ideia dada em oficina quanto na construção do roteiro a ser filmado. Aí a gente pode chegar à conclusão. Não precisa fazer um filme para trabalhar tudo isso. Não, não mesmo. Mas a gente gosta de fazer filmes. Dá trabalho, mas é mágico pois te atribui uma condição muito especial: a de concretizar outras realidades, realizar o irrealizável. Só por isso, vale a pena. O teatro tem esse poder também. Então, aproximamos nesta oficina a linguagem do audiovisual com a do teatro, misturando dinâmicas e servindo-se das ferramentas necessárias para fortalecer o grupo e as histórias contadas.Olhar a euforia de uma criança que concebeu uma ideia, os colegas abraçaram e ao final da aula ela viu o resultado dessa ideia na tela, é incrível. Na verdade, é tudo o que se quer enquanto educadora e artista, sentir o gosto pelo fazer, se emocionar e emocionar o outro. Resultado do exercício de animação em stop motion. Esta oficina de audiovisual acontece nos meses de março e abril de 2026 e integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS.

Sombras na Pele na ACERGS

por Lorena Sánchez No dia 26 de novembro vivi uma reverberante experiência: um encontro entre luz, sombra e diferentes formas de perceber o mundo. Estive na Associação de Cegos do RS (ACERGS), no Centro Histórico de Porto Alegre, acompanhando a atividade Sombras na Pele, realizada pela Cia Teatro Lumbra, junto de Alexandre Fávero, Têmis Nicolaidis e Fabiana Bigarella, com a presença de Débora de Aranha Haupt, ativista dos direitos das pessoas com deficiência e audiodescritora, e mais de trinta pessoas com diferentes níveis de baixa visão e cegueira.  Logo ao chegar, senti aquela hesitação tão comum de quem enxerga: como me aproximar? como oferecer ajuda sem invadir?  Mas bastaram poucos minutos para entender que essa dúvida é mais nossa que deles, e que o contato humano, quando guiado pelo respeito, se dá com naturalidade. Simples assim.  O grupo foi recebido pela Cia Lumbra e numa primeira instância percorreu um caminho sensorial que começava nos materiais de divulgação (um cartaz elaborado em 3D) e seguia pelos objetos de cena do espetáculo Criaturas da Literatura, pelas texturas, pelas formas e pela vibração quente das lâmpadas. A cada descoberta, percebia-se uma alegria lúdica. A percepção de que o teatro pode, sim, ser vivido plenamente por quem não vê, desde que se prepare o terreno com cuidado, parecia iluminar o rosto e a voz de cada participante.  Por fim, assistimos juntos ao espetáculo, desta vez com audiodescrição aberta realizada pela Déborah. Para mim, que aí estava para captar imagens do acontecimento, esse momento foi revelador. Ver o público vidente e não vidente compartilhando a mesma trilha verbal, sem aparelhos que isolam, como por exemplo fones de ouvido, tão comuns de serem usados quando é oferecida a audiodescrição em alguns espetáculos. E nesse olhar, me fez surgir uma pergunta simples: por que não tornar essa prática padrão sempre que houver acessibilidade? Por que não criar sessões verdadeiramente coletivas, em que todos vivenciam a mesma atmosfera?  Depois da apresentação, uma conversa sincera preencheu a sala. Escutei relatos marcantes: pessoas que perderam a visão de repente, na vida adulta, e precisaram reinventar tudo; memórias duras, mas também um desejo enorme de seguir, de encontrar novas maneiras de existir no mundo. Houve quem narrasse superações diárias, pequenas vitórias que passam despercebidas para quem vê, mas que ali ganhavam tamanho de monumento.  O terceiro momento da experiência, foi particularmente tocante: a Cia Lumbra confeccionou um dispositivo tátil que permitiu que as pessoas compreendessem a diferença entre tamanhos do real e da sombra. É difícil explicar em palavras: era como se, pelas mãos, se abrisse uma janela para um fenômeno que muitos de nós nunca questionamos. Ali, a sombra deixava de ser apenas uma sensação para virar imagem, distância, volume, uma outra forma de perceber e ver.  O que ficou desse dia foi o acolhimento. Dos artistas, dos profissionais, dos professores da instituição, de todos os participantes. Um ambiente que convidava à troca, ao cuidado e ao aprendizado mútuo.  Saí de lá com a impressão de que a acessibilidade, mais do que um recurso técnico, é uma forma de convivência. Uma escolha cotidiana de ampliar mundos e, ao mesmo tempo, abrir o nosso próprio. E com a vontade, que sei não ser só minha, de continuar criando experiências que unem arte, sensorialidade e inclusão de maneira viva, honesta e partilhada. A atividade integra o projeto  25 anos da Cia Teatro Lumbra,que foi contemplado pelo Edital SEDAC nº 26 /2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB – RS).

Vem aí: “A Escola Assombrosa das Artes do Medo”!

Foto: Billy Valdez Onde pequenos monstros treinam para virar grandes assustadores…mas, nessa turma, nada acontece como esperado!Entre sustos desastrados, gargalhadas e muita imaginação, os jovens aprendizes descobrem que o medo também pode ser divertido. O espetáculo é uma mostra de processo, criado coletivamente pelas crianças da Oficina Teatral para Crianças, sob coordenação de Lorena Sanchez. E para deixar o dia ainda mais especial, teremos uma abertura com performance da Oficina de Jogos Teatrais para Adultas, orientada por Rê Amorim. A apresentação integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre — Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, realizado pelo Coletivo Catarse, contemplado pelo Edital Sedac nº 25/2024 — Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS. Serviço:A Escola Assombrosa das Artes do Medo📅 16/12 às 20h📍 Teatro Carlos Carvalho, 2º andar da Casa de Cultura Mário Quintana🎟️ Ingresso único: R$ 20,00 pelo Sympla A atividade integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS

Teatro pra todas, todos e todes!

Desde julho, o teatro está a mil na Comuna do Arvoredo, dentro da programação do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)” contemplado no Edital Sedac nº 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS. São três turmas, incluindo crianças e adultas, que vêm experimentando no corpo a ludicidade da arte teatral, a expressão e a partilha em grupo. As duas turmas das crianças (de 6 a 9 e de 10 a 12 anos) desde antes do projeto PNAB, já vivenciavam esse espaço, experenciado no salão Zé da Terreira e consolidado dentro da Comuna do Arvoredo pela professora de teatro Andressa Corrêa e que, em 2025, está sob a batuta da atriz, arte-educadora e produtora cultural Lorena Sánchez*. Mais uma vez, as crianças estão mergulhando em um percurso de criação cênica que partiu do próprio universo delas: seus jogos, suas histórias, invenções, perguntas, afetos e formas de ver o mundo e acolher as divergências. O trabalho tem como base jogos de aquecimento, improvisações, brincadeiras de corpo e voz, dança e musicalidade. Também foi incorporado à oficina, como fonde de inspiração, o projeto “Sucatadora de Histórias”, idealizado por Lorena, onde práticas de coleta de objetos e memórias se tornam laboratório de transformação narrativa. Os objetos do cotidiano, como tecidos e utensílios de cozinha, assim como sucatas, foram transformados em adereços e bonecos, mas não apenas como recursos cênicos, senão como extensão da imaginação. Cada exercício busca ampliar o olhar para o coleguinha e a capacidade de construir algo em conjunto. Agora, o grupo entra na etapa da tão aguardada de montagem de final de ano. A mostra de todo esse processo, que tomará forma como um espetáculo de criação coletiva, está agendada para o dia 16 de dezembro, no Teatro Carlos Carvalho, da Casa de Cultura Mario Quintana. O que se verá no palco não é uma peça pronta ao molde tradicional, mas o registro de tudo o que está sendo construído, sentido e inventado pelas crianças ao longo da oficina: o teatro como espaço de experiência, e não apenas de resultado. Antes disso, e como parte importante deste percurso, Lorena promove uma atividade de criação entre famílias, onde responsáveis e crianças serão convidados a confeccionarem juntos materiais de cena, figurinos e adereços. Será um momento de colaboração e partilha, fortalecendo vínculos dentro e fora do palco. Já a turma dos adultos foi inaugurada a partir da vontade de algumas mães de aproveitar esse momento da aula dos filhos para, também, fazer teatro. Resultou em um grupo de seis mulheres, com aulas ministradas por Rê Amorim**. Os encontros das adultas tem sido um lugar de trabalho e, ao mesmo tempo, de diversão e prazer. Tem sido desenvolvidas questões de desinibição, expressão corporal e emocional, junto com conexão interpessoal, confortavelmente saindo da zona de conforto de cada uma. E, por fim, criando e desenvolvendo os princípios e técnicas teatrais de estar em cena. O final do ano aponta para apresentações muito especiais das turmas na Casa de Cultura Mário Quintana, incluindo a das adultas, fechando as oficinas com a experiência profunda de estar no palco. Portanto, te agenda, que dezembro está logo ali. *Lorena Sanchez é atriz, arte-educadora e produtora cultural, com formação popular e experiência em processos colaborativos de criação cênica. Atua com pedagogias do objeto e do jogo lúdico como ferramentas de expressão e colheita de memórias. **Rê Amorim, palhaço há 12 anos e educador-social, integrante da Comuna do Arvoredo. Pela ONG Doutorzinhos, em Porto Aalegre, durante oito anos esteve por hospitais e instituições, se envolvendo e sendo tocado pelo mundo. Em Guaíba, pode conhecer o Teatro do Oprimido, método de resistência e transformação social. Além disso, ministrou a oficina “Palhaçaria Popular” para adultos. Cursou dezenas de oficinas com Ésio Magalhães, Pepe Nuñes, Melissa Dorneles, Raquel Sokolowicz, Avner Eisenberg, Ivan Prado entre outres, trocando e aprimorando habilidades nessa longa caminhada da pesquisa artística. Texto: Têmis NicolaidisRevisão: Anahi Fros

Comunicar para transformar: 21 anos do Coletivo Catarse e muito mais

O Coletivo Catarse comemora 21 anos de existência, resistência e reinvenção em 2025. Dessas mais de 2 décadas, 11 anos foram assumindo-se, também, como Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Esse Coletivo, tão diverso nos seus fazeres, é um centro nervoso de relações, temáticas e formatos, que tem como espinha dorsal a comunicação. De cada um dos seus atuais 13 cooperados sai uma ramificação de atuações que conectam a outros atores e organizações, formando um rizoma forte e consistente, que garante toda essa longevidade. Este último ano foi marcado por muitas realizações, as quais são celebradas e assumidas pela cooperativa como sua identidade atual, pois esta está sempre em constante evolução. Abaixo listamos algumas das nossas realizações no último período (impossível colocar tudo!): Enquanto a Luz Não Chega. Curta-metragem de ficção, realizado através da Lei Paulo Gustavo (2023), SMC-POA. O filme propõe uma reflexão sobre o impacto da tecnologia nas relações humanas. Do encontro do teatro de sombras e do audiovisual, a história trata sobre desconexões e apatias e os caminhos que a escuridão aponta. PNAB – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais). Conjunto de ações que envolvem programação cultural da Maria Maria Espaço Cultural com música, teatro, sarau, entre outros; Oficinas de Teatro e de audiovisual voltados para a infância; Oficina de Hip Hop (História e Discotecagem); Carijada – encontro para a produção artesanal de erva-mate e o Talk Exu, talk show de variedades. Cheiro de Enchente – curta metragem – Documental (2025). A fetidez cessou conforme as estruturas que resistiram às chuvas foram secando e sendo limpas, mas as marcas do pé-d’água descomunal permanecem. Não apenas nas paredes ainda encardidas com as indicações da altura em que a inundação chegou, como também na memória de quem sofreu com a força da natureza. Essas recordações estão registradas em “Cheiro de Enchente”. Um documentário produzido em parceria com a banda Diokane que ao final o desfecho é em formato de videoclipe do single de mesmo nome “Cheiro de Enchente”. Cooperar é resistir. Filme documentário que trata de parte da trajetória de luta da Pedal Express, coletivo de entregadores de bicicleta que atua há 15 anos na cidade de Porto Alegre. Vasalisa, a Sabida. Primeiro espetáculo autoral realizado pelo Coletivo Catarse. Espetáculo cênico multilinguagem que parte do conto tradicional russo Vassilisa, a Bela, interpretado pela psicóloga junguiana e escritora Clarissa Pinkóla Estes, no livro Mulheres que correm com os lobos. Afim de recriar, em linguagem contemporânea, uma jornada simbólica de amadurecimento e empoderamento feminino, através da conscientização do poder da intuição. Nós, guardiões da mata. Filme documentário que conta, desde a primeira noite, a luta pelo território ancestral Kaingang aos pés do Morro Santana, Zona Leste de Porto Alegre. O filme mostra essa trajetória de uma família e seus apoiadores, centrado na figura da liderança política e espiritual Gãh Té e teve apoio da Witness Brasil. MET Audiovisual. O Coletivo Participa ativamente na gestão do projeto que visa criar um ecossistema de audiovisual envolvendo produtoras e agentes da Região Metropolitana, produzindo oficinas de formação, residências dentro das produtoras, circulação de conteúdos, etc. Encontro de cineastas indígenas. Promovido em parceria com a Rede Coral – Porto Alegre, Retomada Gãh Ré e muitos apoiadores, através de um edital do Ibercultura, o encontro possibilitou a troca de experiências entre indígenas Guarani, Kaingangs e Xoklengs. Rádio Voz do Morro. Apoio e participação nas atividades da Rádio Comunitária localizada no Morro Santana. A Rádio é uma articulação local que busca potencializar as atividades e lutas na região, com forte viés comunitário. O Despertar do Sol. Minidocumentário revela um olhar sobre a cosmopercepção Mbyá Guarani, registrando um pouco do modo de ser e viver na Tekoá Tavaí (Canelinha-SC). Os indígenas compartilham ao longo da obra um pouco da sua cultura, da maneira de se organizar e da sua relação de convivência harmoniosa com a natureza. Edição do Coletivo Catarse. Projeto Porto Novo. O Projeto Porto Novo é uma iniciativa de criação e difusão de conteúdos audiovisuais junto à comunidade do bairro Rubem Berta, em Porto Alegre/RS, com foco na identidade, autoestima e pertencimento ao território Porto Novo. Desenvolvido pelo Coletivo Catarse em parceria com a EMEF Porto Novo e a Unidade de Saúde Santíssima Trindade, o projeto promoveu oficinas com turmas de 9º ano da escola, possibilitando que estudantes se tornassem protagonistas da construção de narrativas sobre sua realidade. Juarez Negrão. Artista plástico, poeta, vivente das artes e da cultura popular. Um cidadão que circula bastante entre Novo Hamburgo e Porto Alegre, trafegando pelos trilhos do trem, viajando para além dos limites municipais, tem encontrado ancoragem neste grande espaço de acolhimento que é a Comuna do Arvoredo, especificamente nos empreendimentos que ali habitam – o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e a Maria Maria Espaço Cultural. Nessa trajetória, entre conversas, mostruários de xilogravuras e esculturas para a venda e subsistência do artista, rolou a conexão entre o Coletivo e a arte de Juarez, de formas e cores que traduzem as influências de matriz africana em meio à urbanidade da Grande POA Quilombo Vila Nova. Há três anos o coletivo vem fortalecendo a comunidade quilombola de São José do Norte. O trabalho continuado de pesquisa e comunicação já rendeu um documentário, um Protocolo de Consulta Livre Prévia e Informada, exposições de fotos, formalização da associação quilombola, uma dissertação de mestrado e atualmente ainda fortalece uma transição para o cultivo agroecológico de arroz. Projeto CASA na retomada. Como organização parceira da Retomada Kaingang Gah Ré junto da rede da Teia dos povos, participou da iniciativa de reflorestamento e resiliência climática da aldeia. Foram plantadas 400 mudas nativas, construído um viveiro e manejadas espécies invasoras como pinus e vassourinha. Capoeira no Ventre. Ao longo do ano o Ponto de Cultura tem recebido atividades dos parceiros da Áfricanamente Capoeira Angola. O núcleo coordenado pelo treinel (professor) Daniel Jamaica oferece aulas de capoeira semanais, e o núcleo dos treinéis Maskote e Jane tem realizado oficinas …

Talk Exu #3 – nós na economia solidária e NÓS em cia de teatro

O projeto Talk Exu, do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, chegou na quinta, 25 de setembro, ao seu terceiro episódio, trazendo para a pauta a economia solidária e autonomia e os 18 anos da NÓS CIA DE TEATRO, intercalado por intervenções musicais do artista Luís Valério e exibição ao final do curta-metragem P A R A L E L O. FICHA TÉCNICADireção geral e roteiroTêmis Nicolaidis Apresentação e produçãoMarcelo Cougo Direção técnica e broadcastGustavo Türck Fotografia e operação de câmerasBilly Valdez ProjeçõesLorena Sánchez Direção de arteAna Gabriela Iplinski ProduçãoBruno Pedrotti O Talk Exu, uma iniciativa autônoma do Coletivo Catarse, pretende levar ao ar mais dois episódios ainda neste ciclo, somando quatro programas, como parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS. No âmbito da proposta, também estão previstas e já em execução pelo menos 40 atividades culturais diversas na Comuna do Arvoredo, em coprodução com a Maria Maria Espaço Cultural até maio de 2026, buscando contemplar cerca de 100 artistas locais, além de oferecer, em outros espaços, oficinas de teatro para crianças e adultos, uma atividade de carijada (produção artesanal de erva-mate), oficina de discotecagem/hip hop com DJ Piá (cuja festa de encerramento ocorreu no dia 19/9), entre outras ações. Temáticas do Talk Exu #3Economia solidária e autonomia | Convidadas: Gil Neves – Militante do Movimento Popular de Economia Solidária, integrante dos Coletivos de Trabalho de Economia Solidária Feministas Negro D’versas e Afro Aya, integrante da Rede Ubuntu de Cooperação Solidária, educadora do Centro de Assessoria Multiprofissional (CAMP), integrante da Rede de Comércio Justo e Solidário (RCJS), da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), sócia da Casa da Mulher Trabalhadora (CAMTRA RJ), sócia da Associação Cultural Quilombo do Sopapo, sócia da cooperativa Ajeumbò, graduanda em Administração Pública e Social na Escola de Administração da UFRGS, fundadora do Fórum de Mulheres Negras da Economia Popular Solidária, assessora técnica em Temas de Economia Popular Solidária, Gênero, Comunicação, Raça e organizadora de eventos. Lisbet dos Santos Pinheiro – Artesã, arte-terapeuta, empreendedora na Ecosol, mãe do Pedro e da Helena. Integrante do Coletivo Afro Aya, educadora social no CAMP, professora de técnicas artesanais no Projeto Mulheres Mil/ Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) – Campus Restinga, cofundadora do Fórum das Mulheres Negras Trabalhadoras da Economia Popular e Solidária (Fespope), expositora da loja Fespope. NÓS CIA DE TEATRO celebra 18 anos | Convidados: Everson Silva – Diretor e ator de teatro e fundador da NÓS CIA DE TEATRO. Atua como diretor artístico da Cia de Arte La Negra, escolas de dança Aline Rosa e Cadica Danças e Ritmos. Ganhador do Prêmio Açorianos de Teatro como melhor direção revelação em 2013. É professor formado pela Universidade Uniasselvi. Ministra oficinas de teatro, faz pesquisas artísticas, atua em produções audiovisuais como curta-metragens e em trabalhos empresariais com artes cênicas. Letícia Virtuoso – Atriz, pesquisadora e professora de teatro e produtora cultural. Atuou na Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (2009/20), onde realizou espetáculos como: O Amargo Santo da Purificação, Viúvas – Performance Sobre a Ausência, Medeia Vozes e Caliban – A Tempestade, de Augusto Boal. Faz teatro há 20 anos. Atualmente, está membra da NÓS CIA DE TEATRO, Ação Nômade e é diretora do Teatro na Prática. Atração artística | Convidado: Luís Valério – Cantor, compositor, dançarino e gestor cultural. Em 2005, começou a cantar profissionalmente, em Porto Alegre. Desde então, vem produzindo, junto a alguns parceiros, seus próprios shows e investindo seu tempo em pesquisa musical, composição e gestão cultural. É responsável pelo projeto Voz Base, que acontece mensalmente em Porto Alegre desde 2023 e tem a voz como instrumento principal. Curta-metragem | Exibição: P A R A L E L O – O espaço entre o desejo e o real colidem com uma personagem contemporânea, onde limites e decisões distorcem a realidade. Com Charlotte Dafol, Ana Rodrigues e Gustavo Türck no elenco. Direção, direção de fotografia e produção: Éverson Silva e Têmis Nicolaidis. Realização: Cinehibisco e Coletivo Catarse. Ano: 2014.

Um pouco de Nós

A Nós Companhia de Teatro é um rizoma gigante de pessoas, ideias, feitos e afetos que existe há 21 anos expressando arte através do drama, da comédia, da poesia. Celebrando esse longo caminho, conversamos com Everson Silva, um dos fundadores e diretores da companhia, para entender melhor a dimensão deste grupo que tem seus limites re-traçados a todo momento, a cada novo processo artístico. 1 – Fala um pouco sobre a tua trajetória de artista e o que te motiva a continuar fazendo arte? Sempre fui um artista autoral e independente, de formação pedagógica. Sempre trabalhei com uma característica de criação e produção em grupo, meus trabalhos se tornam um meio de relação externa com o meu interior. A cada obra desenvolvo e pesquiso uma linguagem, um método, uma relação a ser explorada.  Apesar de ser uma vida de grande trabalho e pouco recurso, a arte alimenta o meu ser criativo e a ferramenta teatro é um elo com a sociedade. Dentro do teatro me relaciono com as pessoas mais interessantes, desenvolvo arte, experimento coisas novas, crio, movimento o corpo e, por algum motivo, não consigo deixar de fazer. Já pensei em seguir outros rumos diversas vezes e por vários motivos, mas logo minha cabeça e corpo recebem um novo roteiro, uma nova ideia, um novo estímulo à criação da cena. Esses mundos me encantam, asim como os artistas da cena. Tenho 21 anos de dedicação à arte do teatro e nesses anos, 26 obras sendo dirigidas por mim. E assim vou indo… Entre caminhos… 2 – Sobre a Nós Companhia de Teatro. Como surge, quem faz e como se organiza para fazer acontecer? A Nós Companhia de Teatro surge a partir do momento que eu identifico um pulso por dirigir. Tipo, esse espetáculo precisa existir. E aí, a partir do momento em que esses espetáculos começam a tomar conta da minha cabeça, eu começo a tentar juntar amigos que topem essa ideia de montar esses espetáculos. E isso vai acontecendo. Aos poucos, claro, a Nós Companhia de Teatro tem 18 anos. Eu tenho 20, 21 anos de teatro. Eu entrei na UFRGS para fazer artes cênicas, eu fiz dois anos e não me formei, depois fiz pedagogia. Mas esse período todo de ficar fazendo teatro, que eu geralmente não conto na academia, ele começou a me buscar desse lugar de que eu não conseguia achar uma estrutura mais interessante. E aí eu comecei a criar espetáculos e as pessoas começaram a vir a montar comigo. Como é que ela se organiza hoje? Ela tem duas pessoas que são os gestores, que sou eu e a Raquel.  a Raquel Tessari foi a primeira atriz da companhia. Ela foi a primeira pessoa que me disse sim, que queria ser dirigida, que aceitou ser dirigida por mim. E hoje, na companhia, é a que mais fez espetáculos. E aí a partir disso eu e a Raquel, somos os gestores da companhia, no sentido de tudo que a Nós Companhia de Teatro precisa. Do currículo da Nós, das notas fiscais, CNPJ. O administrativo da Nós, quem faz somos nós. Mas aí a Nós se organiza através dos seus projetos. Então, cada espetáculo, tipo Nós Performance, Elas, Nós em Off, Oxitocina, cada espetáculo a gente pede uma pessoa para ser o produtor e esse produtor é o responsável administrativamente pelo projeto. Então, se ele precisa de currículo da companhia, ele pede para nós, para mim ou para a Raquel. Já, o currículo do projeto quem organiza é aquele produtor junto com o diretor do projeto específico. No caso do Oxitocina, o diretor sou eu e a produtora é a Silvana. Nós organizamos esse projeto em cima das diretrizes da companhia. Então, eu e a Raquel temos uma horizontalidade, que todo mundo pode somar, mas tem uma hierarquia sim, que a gente permite com que as pessoas organizem também a companhia. Mas, é a partir desse vínculo com os projetos que a nós se sustenta. Cada projeto ali quando está em temporada, ele dá 5% de recolha do seu líquido para a companhia. Aí a companhia tem um caixa e esse caixa da apoia qualquer necessidade de qualquer projeto. Tipo, o projeto precisa de sala para ensaiar. Pega daquele caixinha ali. Ah, o projeto vai precisar de panfleto para imprimir. Pega daquele caixinha. Porque sempre quando um produto está em temporada, volta 5% para aquele valor. É mais ou menos assim que a gente vai se organizando. Um dos nossos valores é sempre trabalhar com os profissionais que estão na companhia. Tipo, vamos gerar trabalho para nós mesmos. Então se eu posso ser ator e produtor, que eu seja os dois. Posso ser ator e figurinista? Quando na falta de alguma função, como agora no Oxitocina a gente teve algumas faltas, que não tinha esses profissionais, a gente convida amigos e pessoas de fora que já passaram pela nossa vida, para compor o espetáculo. O Oxitocina, Mulheres em Trama, com a Letícia Virtuoso e o Dança da Meia-Noite, e tem mais três projetos a vir aí, né? Que são: Amor, o Musical, o primeiro musical da companhia; Palavra, onde os atores só podem dizer o que quando eles abrem o livro e o que está escrito ali. Então tem esses projetos todos acontecendo dentro da companhia, que vieram aí depois da pandemia. A gente veio com Nós Performance depois da pandemia e aí todos esses projetos se abriram aí para acontecer. 3 – Só este ano a Nós ensaiou, divulgou e apresentou 3 espetáculos próprios em teatros importantes, se envolveu com montagens de outros grupos, além de estar com projetos em andamento para serem estreados ainda este ano. Como tu enxergas o envolvimento da Companhia, tendo esta atuação tão pulsante, numa cidade como Porto Alegre? Eu acho que a gente tem ainda um alcance pequeno dentro de Porto Alegre. Apesar de conseguir participar de editais importantes, de conseguir capitanear dinheiro com editais, não é sempre mesmo que acontece. Não é sempre mesmo. Embora a …