No cremos en brujas, pero que las hay, las hay…

Uma carijada com uma presença feminina impressionante – de protagonismo e mística – se fez à banda oriental, em Treinta y Tres. 33 kg de erva-mate foram processados por um grupo de cerca de 33 pessoas (brasileiros e uruguaios), no Centro Agroecológico Pindó Azul, na Quebrada de los Cuervos, de 28 a 30 de agosto, naquele que está sendo denominado o primeiro carijo internacional da contemporaneidade. No entanto, este evento teve uma característica muito marcante, que foi para além do ineditismo da binacionalidade e do portunhol como idioma predominante – as mulheres literalmente tomaram conta. O abrir do céu, o dissipar de pesadas nuvens e o surgir da Lua Cheia trouxeram a “coincidência” de uma ação de mãos, cantos e encantos femininos, da colheita à moagem da erva. O primeiro fogo foi delas. O mate é delas. Kaá, deusa Guarani, a própria erva-mate… Presente! Aguarde novas postagens, com vídeo e mais informações! Fotos: Billy Valdez *confira postagem no instagram, compartilhada pelo Coletivo Catarse e o Centro Agroecológico Pindó Azul, clique aqui

Mais ações de agroecologia compartilhadas no Vale

Uma ação que é uma realidade de compartilhamento de conhecimentos diversos sobre a natureza e como se entende que o ser humano possa fazer parte de um processo construtivo no meio ambiente. Em Morro Reuter, no interior deste interior, a parceria entre o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre/Coletivo Catarse e o Ponto de Cultura Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo segue no ritmo do crescimento das mudas de erva-mate e de palmeira juçara, que estão sendo preparadas para o plantio no canto agroflorestal selecionado entre os 16 hectares do Vale. Em visita realizada no final de julho, uma equipe foi conferir o andamento do manejo de espécies invasoras – principalmente a uva-japão – e a integridade de mais de 200 mudas, deixadas ali para aclimatação há cerca de 2 meses. Foi uma atividade trabalhosa, mas em que se pode ouvir o ronco dos bugios, conferir a força das águas nos cursos múltiplos que existem na região e curtir momentos com os guardiões do sítio principal – Amora e Calixto. Cultura Viva é isso – água escorrendo, plantas crescendo e convívio que aduba a arte! Fotos: Mainô TürckPresentes: Gustavo Türck e Bruno Pedrotti, do Coletivo Catarse/Ventre Livre, e Alexandre Fávero, da Cia Teatro Lumbra Confira a sequência de postagens sobre o tema:

Reflorestamento e continuidade na Retomada Gãh Ré

No sábado 25 de julho, a comunidade kaingang da Retomada Gãh Ré, Zona Leste de Porto Alegre, articulou mais um pequeno encontro de reflorestamento do território. Um grupo diverso que contou com crianças de dois e treze anos até a sexagenária mestra Gãh Té subiu na trilha pela mata realizando plantios até chegar na área de manejo perto do topo do Morro Santana. Ao longo da trilha, plantaram duas araucárias e, ao chegar no local em que a mata se torna campo, plantaram alguns butiazeiros. A equipe também limpou as mudas plantadas no ano passado e seguiu o controle da invasão de Pinus Ellioti, arrancando manualmente as mudas do pinheiro invasor que já começavam a surgir. Ao longo da área em que foram manejados os pinus no ano passado, foi possível perceber uma forte reação da vegetação nativa, tanto florestal, no caso dos Maricás – árvores que dobraram de tamanho em um ano com a entrada maior de luz no que antes era um bosque sombreado pelos pinus -, quanto de ervas, gramíneas e outras plantas de pequeno porte. Junto aos plantios de árvores, a cacica Gãh Té semeou também feijões em alguns locais, realizando testes para uma possível roça na primavera. Avaliando o solo, encontrou ainda um local para um plantio de milho e, com a fome do almoço se aproximando, colheu algumas folhas de almeirão roxo – PANC nativa das américas com diversos benefícios nutricionais e medicinais. Depois de um almoço comunitário, dividiram-se as equipes. Os kaingangs acolheram os visitantes que chegavam para a oficina de artesanato. O encontro de compartilhamento de saberes tradicionais foi uma das atividades realizadas dentro do edital de Agentes Cultura Viva da Ancestralidade em Porto Alegre do Pontão de Cultura AxéMirê – no qual Gãh Té é mestra indicada pelo Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre/Coletivo Catarse. Enquanto isso, os fóg apoiadores seguiram para o erval da aldeia. Na tarde ensolarada, capinaram a capoeira e abriram entradas de luz para seis pés de erva-mate e uma araúcária plantada no ano passado, replantando 4 novas mudas de mate e mantendo também no sistema um maricá e uma amoreira. Nas entrelinhas do erval foi semeado um mix de sementes para cobertura de solos no inverno. Este pequeno encontro de trabalho fez parte do Projeto Reflorestamento, Resiliência e Continuidade, aprovado na Chamada Reconstruir RS 2025 do Fundo Casa Socioambiental, o projeto é uma continuação do realizado no ano anterior. O “mutirinho” de plantio não foi a primeira ação, já que este projeto tem como um dos objetivos a manutenção dos espaços da comunidade, já vinham sendo realizadas também ao longo do ano ações de manejo do chiqueiro, a reforma das casas e toda a rede hidraúlica nas moradias mais novas. Este encontro, de outra forma, marcou o início das atividades abertas do projeto. Felizmente, não é o último – em breve devem ser convocadas novas ações. Para participar, acompanhe as redes da Retomada Gãh Ré e do Coletivo Catarse. Apoio: Projeto contemplado na chamada Reconstruir RS 2025, tendo o Coletivo Catarse como organização parceira. Texto: Bruno PedrottiFotos: Giulia Sichelero

Carijo Aceso na Serra registra a II Carijada Kaatártica

Na última lua cheia do verão de 2026, mais especificamente entre os dias 27 de fevereiro e 1 de março, a FLONA (Floresta Nacional) de Canela recebeu a II Carijada Kaatártica. O evento representou um resgate de uma cultura de produção originária da erva-mate em contraste com a industrialização da planta, que é base de bebidas tradicionais do cone sul como o chimarrão, o tererê e o chá-mate. A atividade foi uma realização do Coletivo Catarse com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e das retomadas kaingang Gah Ré, de Porto Alegre, e Kógünh Mág, de Canela e integrou o Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Por conta do ineditismo do encontro – afinal foi a primeira Carijada realizada dentro de uma unidade de conservação e ainda com a participação dos povos originários de que se tem notícia – o vídeo de registro mereceu um aprofundamento maior. No total foram captados depoimentos de nove pessoas, três kaingangs e 6 fógs (não indígenas) por uma equipe multiétnica que teve como entrevistadora a jovem kaingang Roberta Kokoj e os cinegrafistas fóg Luís Gustavo Ruwer e Billy Valdez, além de registros em foto e vídeo da fóg Amallia Brandolff e da jovem kaingang Marcielly Fuá. Vale destacar também a trilha sonora original Carijo Aceso na Serra, composição de Marcelo Cougo que dá nome ao minidoc. Entre momentos marcantes captados estão a história do pilão da Nilda, o ritual de abertura do sapeco pela Kujá (xamã) Gah Té, e as impressões dos participantes sobre a experiência de colheita nos ervais nativos da FLONA em meio a uma exuberante floresta de araucárias. A obra também retrata um pouco da relação do povo kaingang com a kógünh (erva-mate) e reforça que o beneficiamento desta planta é fruto de tecnologia ancestral dos povos originários. Ficha técnica:Imagens de:Amallia BrandolffFuáKokoj (Roberta)Luís GustavoBilly Valdez Edição de:Bruno PedrottiBilly Valdez Trilha sonora original:Marcelo Cougo“Carijo aceso na Serra”Mix Gustavo Türck

Grupos na cidade e no campo realizam plantios agroflorestais

No sul do Brasil, do fim do outono até o começo da primavera, se dá a principal janela de plantio do ano. A época é de grande importância tanto para agricultores familiares quanto grupos agroecológicos dos mais diversos, já que a temporada chuvosa é ideal para culturas perenes como frutíferas e árvores no geral. Além de produzir materiais de comunicação sobre agroecologia, o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre vem atuando junto destes grupos na produção de mudas nativas, organização de compras coletivas e também se engajando em ações diretas de plantio. As espécies nativas utilizadas pelo coletivo para ações de reflorestamento e implementação de sistemas agroecológicos (SAFs) geralmente são as de grande importância cultural e ecológica na região sul, como a erva-mate, araucária, butiá, palmeira juçara, araçá, entre tantas outras. Por meio de ações de plantio, doação e aquisição de mudas destas espécies-chave nativas, o Coletivo busca fortalecer os ecossistemas nativos como enfrentamento da crise climática. Outra motivação importante para estas ações é a aproximação das pessoas com as plantas presentes no seu dia-a-dia, como a própria erva-mate. A árvore símbolo do Rio Grande do Sul é um ótimo exemplo do distanciamento entre as pessoas e a natureza. Apesar do grande consumo e produção de chimarrão no estado, a maior parte da população gaúcha não conhece a planta Ilex Paraguariensis nem mesmo suspeita que esta, que dá origem à erva-mate, é, na verdade, uma árvore. Por isso, plantar a Ilex é uma maneira de reaproximar as pessoas desta planta emblemática, conhecendo seus ciclos e possibilitando a médio prazo as folhas para o preparo de um chimarrão artesanal. Pensando nisso, a Catarse já fez o plantio de mais de 30 pés somente em junho e planeja plantar muitas mais. As primeiras mudas foram para a terra nos dias 4 e 5, no limite entre Morro Reuter e Santa Maria do Herval. O ponto de Cultura Vale do Arvoredo recebeu o plantio de 20 mudas no seu espaço de Residência Artística no meio da Mata Atlântica. O plantio foi realizado ao longo das gravações do Talk Exu #6 – Cultura e Agroecologia – e contou com a participação dos parceiros Alexandre Fávero, Matias Köhler e Ethiéne Guerra. Ao longo do encontro, também foram plantadas sementes de juçara germinadas – presente da Karina do Sítio Semente Raiz, em Maquiné/RS -, dentro da mata e transplantadas para vasos, originando mais de 80 mudas. Já na semana seguinte, no dia 11, foi realizada uma doação de 11 mudas e apoio ao plantio no Sítio do Tigre. O assentado da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (COOTAP) estava aumentando sua agrofloresta (que já possui cítricas, goiaba, banana, pitaia, jambolão e outras árvores), no município de Eldorado do Sul, e recebeu mudas de erva-mate, juçara, guabiju e mamão do viveiro do Coletivo. O plantio, que incluiu também mudas de bananeira, foi realizado seguindo o calendário biodinâmico. O último plantio – até agora – foi realizado no sábado, 20 de junho. No solstício de inverno, uma equipe de 4 cooperados da Catarse, 3 deles acompanhados dos seus filhos, fizeram o plantio de 20 mudas – 12 erva-mate, 4 araucárias, 3 juçaras e 4 ipês roxos. Apesar de ter sido o dia mais curto do ano no hemisfério sul, a tarde nublada e fria teve tempo ainda para colheita de laranjas, bergamotas e abacates e para o desfrutar da paz do sítio Walparaíso, em Belém Velho, zona sul de Porto Alegre. No mesmo final de semana, a zona sul da capital recebeu outros plantios de mudas vindas da compra coletiva com o Viveiro Gasparetto (leia aqui). O parceiro Bernardo plantou araucárias, erva-mate, grápias e ipês no quintal da sua casa no bairro Cristal. Em Viamão, a parceira Maíra fez o plantio de erva-mate, grápias, ipês e angicos vermelho na sua casa no bairro Cantagalo. Mais ao sul do estado, no distrito do Boqueirão Velho, muncípio de São Loureço do Sul, o parceiro Filipe fez o plantio de 5 pés de erva-mate, 3 angicos vemelho e 3 grápia. O município na chamada costa doce gaúcha (região às margens da Lagoa dos Patos ) tem recebido uma série de carijos (atividades de feitio artesanal de erva-mate), e o plantio de erva-mate na região também busca garantir a continuidade dessas atividades culturais. Estas ações vem sendo realizadas de maneira autônoma, sem um financiamento ou projeto responsável, buscando fortalecer a biodiversidade nativa no estado e fomentando uma conservação pelo uso e uma relação mais próxima com plantas que moldaram a cultura e o modo de vida no sul do país. De tal forma, seguirão acontecendo ações e encontros de plantio tanto em pequena e média escala quanto outros maiores por meio de mutirões específicos a serem convocados. Eaí? Bora plantar?!

Talk Exu #6 – Cultura e Agroecologia

A relação da arte com a intervenção humana na Natureza. Realizada e gravada no início do mês de junho, no Ponto de Cultura Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo, em Morro Reuter, esta edição contou com participação de Alexandre Fávero, sombrista e entusiasta da relação arte e Natureza, e de Matias Köhler, biólogo especializado em botânica. O episódio faz uma reflexão sobre a importância da presença do ser humano e os possíveis impactos positivos do manejo na floresta tanto com a flora como com a fauna, além das motivações de artistas e fazedores de cultura nessa interação intensa com a Natureza. Este Talk Exu se apresenta num formato diferente, gravado, se adaptando ao que o ambiente permite, mas não deixando de apresentar um tema importante e contar com atrações artísticas relacionadas. Marcelo Cougo, que neste episódio deixa de ser o apresentador, performa em voz e violão música autoral inspirada nas experiências de carijada do Coletivo Catarse. Também são apresentados clipes musicais de amigos e parceiros – a banda Butiá Dub e a dupla Jéssica Nucci e Vicente – que fazem da sua arte um meio de expressão de suas atuações agroecológicas. ASSISTA! Quem são os convidados: Alexandre FáveroEncenador, cenógrafo, diretor, pesquisador, ator e sombrista. No ano 2000, fundou a Cia Teatro Lumbra (Porto Alegre/RS – Brasil), coletivo que é referência na arte do teatro de sombras, o que lhe rendeu prêmios e distinções como dramaturgo, diretor, iluminador, cenógrafo e encenador. Atualmente administra a produtora Clube da Sombra e dirige espetáculos e filmes, além de assessorar coletivos do Brasil e do exterior como especialista em teatro de sombras e artes da cena afins. As produções das obras possuem apoio de diferentes órgãos do Governo do Brasil e da Europa (Iberescena). Tem suas obras encenadas em países como Alemanha, México, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Colômbia, Taiwan e EUA. Matias KöhlerGraduado em Ciências Biológicas, com Mestrado e Doutorado em Botânica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e, atualmente, é Professor na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS – Campus Erechim, RS). Pesquisa sobre a história evolutiva e classificação das espécies nativas da flora e seus diversos potenciais de uso sustentável dialogando com práticas agroecológicas e permaculturais. Sobre o Vale Arvoredo:Criado em 20 de outubro de 2010, o Espaço de Residência Artística VALE ARVOREDO permite a convivência de criadores e praticantes das mais diversas áreas artísticas em tempo integral, com o objetivo de aprimoramento humano e artístico, aprofundando relações interpessoais e com o meio ambiente. Tem cerca de quatorze hectares, dos quais cerca de dez correspondem à mata nativa intocada, incluindo cascata e arroio. O Talk Exu é uma proposta autônoma do Coletivo Catarse, que tem este ciclo de produções apoiado como parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Viveiro Comunitário prepara mudas para temporada de plantio

Com a chegada da estação chuvosa no Rio Grande do Sul, grupos agroflorestais e comunidades se organizam para os plantios anuais de árvores. Nesta semana, o viveiro comunitário gerenciado pelo Coletivo Catarse na Comuna do Arvoredo recebeu 545 mudas nativas de uma compra coletiva. As mudas de erva-mate, canafístula, grápia, jacarandá, araucária, angico vermelho e ipê roxo vieram do Viveiro Gasparotto, de Erval Grande, norte do estado. Além dessas mudas adquiridas, também devem ser plantadas ao longo do ano as mudas produzidas pelo viveiro comunitário localizado no centro histórico de Porto Alegre, entre estas vale destacar as palmeiras Juçara (Euterpe edulis), maracujás roxo do mato (Passiflora edulis), araucárias e ingazeiros. Por enquanto, o trabalho tem sido de separação e entrega das mudas para retirada pelos participantes da compra coletiva – somente em dois dias, mais de 100 já foram retiradas por diferentes grupos agroecológicos para plantios na zona sul de Porto Alegre, Osório, Vale do Taquari e São Lourenço do Sul. As espécies nativas devem ser plantadas ainda na zona leste de Porto Alegre, Viamão, Canoas e no Caraá, em aldeias, quilombos, sítios, chácaras, quintais e tantos outros espaços de ecologia no campo e na cidade. Em breve as plantas devem ser colocadas na terra, fortalecendo a biodiversidade nativa por todo o estado e contribuindo para ambientes mais equilibrados. As espécies não foram escolhidas por acaso, mas justamente por serem de grande importância para os animais nativos, sendo fontes de alimento (no caso da juçara, maracujá, araucária, inga e erva-mate) ou de pólen (canafístula, ipê roxo, grápia, angico vermelho e jacarandá). Esta é uma iniciativa autônoma do Coletivo Catarse, Comuna do Arvoredo e parceirias, sem contar com apoios ou financiamentos de projetos em editais. Que venham muitos plantios e fortalecimento e abundância dos territórios!

Talk Exu #05 – Retomada Territorial

Neste último sábado, contando com transmissão ao vivo simultânea nos canais no YouTube do Coletivo Catarse (@coletivocatarse) e da A Voz do Morro (@avozdomorro88.3), o Talk Exu retomou suas atividades no ano e chegou ao seu 5° episódio com o tema “Retomada Territorial”, abordando as ações de resgate de territórios pertencentes aos povos originários por direito ancestral, mas que foram usurpados por não indígenas. Esta edição aconteceu na Retomada Gãh Ré, Morro Santana, em Porto Alegre. Os convidados para o bate-papo foram Gãh Té, liderança Kaingang, kujá e cacica da própria Retomada; Laércio Guarani, representante da Retomada Nhe’engatu, em Viamão; Tânia Silva, ativista e moradora do Morro Santana; e Kapri, também liderança Kaingang. A atração artística ficou por conta de Marina Mar, cantautora, performer e poeta, que tem como eixo o corpo-voz e o canto-dança na matriz de suas performances. A direção geral do Talk Exu #05 foi de Têmis Nicolaidis, com direção técnica de Gustavo Türck, apresentação e produção de Marcelo Cougo, assistência de produção de Lorena Sánchez e operação de câmeras de Billy Valdez e Bruno Pedrotti. Assista aqui abaixo ao episódio! Fotos: Lorena Sánchez, Billy Valdez e Marcelo Cougo O Talk Exu é uma atividade autônoma do Coletivo Catarse, e este episódio faz parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Confira outras edições do talk show, clique aqui.

Vai nascendo uma agrofloresta colaborativa entre Pontos de Cultura

O Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e o Ponto de Cultura Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo se emparceiram para deixar uma pegada agroecológica da Cultura Viva no interior de Morro Reuter Entre os dias 4 e 5 de junho, um coletivo de artistas e fazedores de cultura, integrantes da rede de associados, amigos e colaboradores do Vale Arvoredo (acesse e conheça!), esteve no local realizando atividades de reconhecimento de área, separação de mudas e mapeamento de espécies invasoras a serem suprimidas da mata. Contando também com a presença dos biólogos Matias Köhler e Ethiéne Guerra, que auxiliaram no reconhecimento das plantas, o trabalho desenvolvido já contou com o plantio de Palmeiras Juçaras na área delimitada e também de novas mudas de erva-mate no perímetro que serve de sede ao sítio. Esta é uma ação que acompanha historicamente os objetivos tanto do Vale Arvoredo como do Coletivo Catarse, que têm nas suas essências a visão de pertencimento à Natureza, com a interação e manejo como garantias da manutenção da existência das florestas. Neste caso, já há alguns anos vêm se identificando que a área – com cerca de 16 hectares, mantidos praticamente intocados desde a sua aquisição – é de mata de regeneração, guardando espécies nativas, mas com grande invasão de plantas exóticas de expansão agressiva, principalmente a uva japão. Para “resolver” essa situação, ao longo dos últimos meses vêm sendo realizados vários encontros e conversas sobre a utilização de um espaço em que se maneje essas espécies invasoras e que se passe a cultivar uma pequena agrofloresta própria, com a manutenção de nativas identificadas e outras que sejam de interesse – como o limão bergamota – e com a inserção de espécies típicas da Mata Atlântica, como a Juçara, a erva-mate e o abacaxi. Talk Exu #6 – Cultura e Agroecologia Durante o encontro, também se realizou a gravação de mais uma edição do Talk Exu, o talk show do Coletivo Catarse, parte do Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Na conversa com Alexandre Fávero, parceiro de longa data, sombrista e um dos principais agitadores da proposta dessa movimentação atual que o Vale Arvoredo vem realizando na ideia da mesclagem da agroecologia com a arte, e com Matias Köhler, biólogo que esteve presente nas atividades de produção de uma das carijadas do documentário Carijo, o filme, em Panambi, em 2012, foi possível desenvolver uma reflexão sobre a importância da presença do ser humano e os possíveis impactos positivos desse manejo na floresta tanto com a flora como com a fauna. Também se abordou exatamente as questões que motivam artistas e fazedores de cultura nesssa interação intensa com a Natureza. Palmeira Juçara e Erva-mate A relação do Coletivo Catarse com essas duas espécies de árvores vem de longa data. Durante quase 15 anos, o Coletivo esteve dentro da Rede Juçara, uma rede que espalhou conhecimento e conectou pequenos produtores, entidades de assessoria técnica, poder público, entre outros atores sociais, nos estados do RS, SC, PR, SP, RJ e MG, numa frente que consolidou o entendimento agroecológico na rede, de manejo, de extração do fruto da Juçara para produção de polpa (o Açaí da Mata Atlântica), mantendo, assim, a árvore em pé, viva e consorciada com outras espécies – uma ação direta de recuperação de flora e fauna. O Coletivo Catarse se fez presente nesta rede produzindo matérias, coberturas e, a partir de uma ação no campo da comunicação, fomentando a manutenção do conhecimento acerca da Palmeira – realizando, inclusive, ações diretas de distribuição e plantio de mudas quase que ininterruptamente, por exemplo (clique aqui!). Um dos principais produtos audiovisuais lançados no período é a trilogia O ser Juçara, de 2018, possível de se assistir abaixo e no Youtube: A trilogia retrata, além de toda diversidade encontrada no domínio do bioma Mata Atlântica, as experiências do ser humano com os saberes associados ao manejo da floresta nativa, em especial da Palmeira Juçara. Este primeiro episódio apresenta a relação direta e indireta das pessoas com a floresta, os modos de vida, as conexões que existem entre as experiências retratadas – e a perspectiva de que é possível se viver de maneira sustentável em todos os espaços. Neste segundo episódio, está em questão a transformação do modo de se relacionar com a palmeira. Por séculos, considerada fonte do melhor palmito, foi objeto de um extrativismo que, quando realizado por comunidades tradicionais e famílias que se instalavam em áreas de sua incidência, era sustentável, mas que, a partir de um desenvolvimentismo econômico que enxergou neste um produto de grande valor agregado passou a ser ameaçada de extinção. Este último episódio apresenta as alternativas e a importância que os frutos da Juçara têm para oferecer para alimentar as pessoas. Mas sua contribuição vai para além da nutrição e da culinária. É preciso entender esta palmeira como parte de uma cadeia de valores culturais, que se relaciona e se apresenta como chave não só da preservação da floresta, mas da sustentabilidade das pessoas que vivem nessas regiões e que historicamente lutam para manter seus estilos de vida saudáveis e conectados com as forças da Natureza. Com a erva-mate, também há uma relação de mais de década. Em 2014 foi lançado o documentário Carijo, o filme: Uma obra que trata da fabricação artesanal de erva-mate com o método carijo – uma estrutura montada em estrado, de secagem da erva por horas, e que remonta um conhecimento ancestral indígena, principalmente Guarani. O documentário traz à tona a história do Rio Grande do Sul, contada sob um aspecto da contribuição dos povos originários para a cultura e costumes do gaúcho, e as implicações, relações e desdobramentos deste conhecimento sobre a produção do chimarrão – bebida símbolo do estado. O carijo ainda segue sendo utilizado nos dias de hoje, mas longe dos processos industriais e apenas …

Reexistência Rutz

O Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e o Coletivo Catarse tem uma longa trajetória de parceria com a Kuja Gãh Té, liderança espiritual e política do povo Kaingang e da Retomada Gãh Ré, no Morro Santana. Legitimados por essa trajetória Gãh Té e o Ventre Livre foram contemplados na Chamada Pública Agentes Culturais da Ancestralidade, promovida pelo Pontão de Cultura Axêmiré.Desse modo as atividades que são realizadas de forma rotineira pela Mestra passam a ser reconhecidas com uma bolsa que ajudará a manter e ampliar essa atividades.Dentro dessa lógica, de troca de conhecimentos e integração com a comunidade, a Retomada Gãh Ré e a Mestra Gãh Té, junto com o coletivo Preserve Morro Santana, receberam a atividade sobre a importância socioambiental e histórica do Morro Santana, incluindo as dimensões geomorfológicas do morro e sua ocupação pelo povo Kaingang. Realizada nos dias 16 e 17 de maio, a atividade teve a participação da comunidade, de estudantes e professores da UFRGS, e serviu de formação para condutores nas ecotrilhas realizadas no Morro Santana.A saída de campo – Mestrado de desenvolvimento rural na retomada indígena Kaingang Gãh Ré, no Morro Santana, foi uma experiência importante de aprendizado e reflexão. Através das falas da Mestra Iracema Gãh te Nascimento, foi possível compreender a relação do povo Kaingang com o território, a ancestralidade e a resistência cultural. A atividade aproximou os conteúdos estudados na universidade da realidade vivida pelas comunidades indígenas, mostrando a importância do respeito aos saberes tradicionais, da memória coletiva e dos direitos dos povos originários.Nesse dia também foi realizada uma cerimônia de plantio de uma muda de araucária, árvore sagrada para o povo indígena, simbolizando a permanência no território do querido Tio Rutz, ativista e morador da comunidade e que nos deixou recentemente. Gãh Té e Julinho, filho de Tio Rutz, celebraram a vida, a alegria e o cuidado que sempre guiou o nosso amigo, que agora está eternizado nas raízes, tronco e frutos da árvore símbolo da resistência Kaingang. Texto: Marcelo CougoFotos: Luis Gustavo Ruwer