Finalizado o ciclo do projeto PNAB no Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre

A festa junina do dia 27 marcou um último ato de um projeto que durou 14 meses, conquistado junto ao Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva, recheou a Comuna do Arvoredo de programação cultural ao longo do período. Foram mais de 40 apresentações no eixo Maria Maria Espaço Cultural, de música, teatro e outras artes; 6 episódios do talk show Talk Exu, tratando de temas como economia solidária, a luta indígena, a contribuição cultural do povo negro, agroecologia e acessibilidade; houve também um evento histórico de carijada em uma unidade de conservação, em Canela; oficinas de teatro, hip hop e produção audiovisual, entre váras outras atividades. Em um espaço delimitado na Garajona, foram expostas as obras produzidas pelo artista Juarez Negrão para o projeto e fotos de momentos das atividades do ano. E, para coroar a noite, uma grande apresentação do grupo Versão Brasileira. Foi uma noite especial, de celebração de um ciclo que se encerra e da certeza da continuidade das relações do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e suas parcerias – Maria Maria Espaço Cultural, CAMP, Comuna do Arvoredo, FESPOPE e Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, que constituem com o Coletivo Catarse o Conselho Gestor do Ponto. Resistência, respeito e empatia ENTREVISTA | Márcia Tolfo | Gestora da Maria Maria Espaço Cultural Coletivo Catarse – A Comuna do Arvoredo, o Coletivo Catarse e a Maria Maria Espaço Cultural somam trajetórias marcantes. Como foi para vocês a experiência de coproduzir esse ano de programação intensa, dentro do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, ao lado do Catarse, e de que forma a identidade de cada espaço se somou nesse processo?Márcia Tolfo – A coletividade é a palavra-chave dentro da proposta de produzir e gerir um projeto coletivo, que é um grande desafio. Cada entidade tem suas características e história, então, respeito e empatia são fundamentais. No final, existe uma grande satisfação em fazer parte de uma causa maior e entender que, juntos, somos mais fortes. Catarse – O projeto previu pelo menos 40 atividades culturais diversas. Olhando para o que foi realizado, quais ações ou momentos você destacaria como os mais marcantes para o público e para a própria gestão do espaço?Márcia – Foram muitas atividades. Entre elas, destaco a parceria com o grupo Nós – Arte e Cultura, que trouxe a dança para o espaço, através do Forró. Também o músico Vladmir Rodrigues, com a ancestralidade da música afro em diversas prestações, incluindo o sarau Djavan, Gil, bem como sua contribuição na Janta Afro, que está na sua 21ª edição, assim como o lançamento de alguns livros com sessão de autógrafo. Catarse – Como vocês percebem o impacto de uma abordagem que une arte, cultura e vivência em comunidade, na perspectiva feminista e antirracista que a Maria Maria propõe?Márcia – Focamos no fortalecimento da proposta feminista. Somos duas mulheres (eu e Daniela, minha irmã) que estamos ligadas ao contexto político atual. O espaço das Marias, cada vez mais, se torna acolhedor para as amigas. Usar uma linguagem feminista fortalece a causa, assim como ser antirracista é nosso pressuposto. Catarse – O projeto foi viabilizado pelo Edital Sedac nº 25/2024 da PNAB–RS – Cultura Viva. Na sua visão, qual é a importância desse tipo de descentralização e fomento para a sustentabilidade de espaços como a Maria Maria e para a garantia do acesso à cultura?Márcia – É essencial, visto que ser autossustentável hoje é um grande desafio dentro da economia. O custo com demandas como equipamentos, transporte e alimentação é requisito básico para alcançar a acesso à cultura. Sem o básico, não alcançamos a complexidade da cultura. Catarse – Com o encerramento deste ciclo de um ano de programação, qual é o principal legado que essa parceria deixa e de que forma essa experiência projeta o futuro da Maria Maria Espaço Cultural?Márcia – Resistência, respeito e empatia. Ainda temos “ganas” para continuar e crescer como espaço cultural, construir projetos coletivos e nos divertirmos com as amigas. * Pois há muito mais por vir! As atividades aqui apresentadas foram apoiadas e são parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Carijo Aceso na Serra registra a II Carijada Kaatártica

Na última lua cheia do verão de 2026, mais especificamente entre os dias 27 de fevereiro e 1 de março, a FLONA (Floresta Nacional) de Canela recebeu a II Carijada Kaatártica. O evento representou um resgate de uma cultura de produção originária da erva-mate em contraste com a industrialização da planta, que é base de bebidas tradicionais do cone sul como o chimarrão, o tererê e o chá-mate. A atividade foi uma realização do Coletivo Catarse com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e das retomadas kaingang Gah Ré, de Porto Alegre, e Kógünh Mág, de Canela e integrou o Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Por conta do ineditismo do encontro – afinal foi a primeira Carijada realizada dentro de uma unidade de conservação e ainda com a participação dos povos originários de que se tem notícia – o vídeo de registro mereceu um aprofundamento maior. No total foram captados depoimentos de nove pessoas, três kaingangs e 6 fógs (não indígenas) por uma equipe multiétnica que teve como entrevistadora a jovem kaingang Roberta Kokoj e os cinegrafistas fóg Luís Gustavo Ruwer e Billy Valdez, além de registros em foto e vídeo da fóg Amallia Brandolff e da jovem kaingang Marcielly Fuá. Vale destacar também a trilha sonora original Carijo Aceso na Serra, composição de Marcelo Cougo que dá nome ao minidoc. Entre momentos marcantes captados estão a história do pilão da Nilda, o ritual de abertura do sapeco pela Kujá (xamã) Gah Té, e as impressões dos participantes sobre a experiência de colheita nos ervais nativos da FLONA em meio a uma exuberante floresta de araucárias. A obra também retrata um pouco da relação do povo kaingang com a kógünh (erva-mate) e reforça que o beneficiamento desta planta é fruto de tecnologia ancestral dos povos originários. Ficha técnica:Imagens de:Amallia BrandolffFuáKokoj (Roberta)Luís GustavoBilly Valdez Edição de:Bruno PedrottiBilly Valdez Trilha sonora original:Marcelo Cougo“Carijo aceso na Serra”Mix Gustavo Türck

Talk Exu #05 – Retomada Territorial

Neste último sábado, contando com transmissão ao vivo simultânea nos canais no YouTube do Coletivo Catarse (@coletivocatarse) e da A Voz do Morro (@avozdomorro88.3), o Talk Exu retomou suas atividades no ano e chegou ao seu 5° episódio com o tema “Retomada Territorial”, abordando as ações de resgate de territórios pertencentes aos povos originários por direito ancestral, mas que foram usurpados por não indígenas. Esta edição aconteceu na Retomada Gãh Ré, Morro Santana, em Porto Alegre. Os convidados para o bate-papo foram Gãh Té, liderança Kaingang, kujá e cacica da própria Retomada; Laércio Guarani, representante da Retomada Nhe’engatu, em Viamão; Tânia Silva, ativista e moradora do Morro Santana; e Kapri, também liderança Kaingang. A atração artística ficou por conta de Marina Mar, cantautora, performer e poeta, que tem como eixo o corpo-voz e o canto-dança na matriz de suas performances. A direção geral do Talk Exu #05 foi de Têmis Nicolaidis, com direção técnica de Gustavo Türck, apresentação e produção de Marcelo Cougo, assistência de produção de Lorena Sánchez e operação de câmeras de Billy Valdez e Bruno Pedrotti. Assista aqui abaixo ao episódio! Fotos: Lorena Sánchez, Billy Valdez e Marcelo Cougo O Talk Exu é uma atividade autônoma do Coletivo Catarse, e este episódio faz parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Confira outras edições do talk show, clique aqui.

Vai nascendo uma agrofloresta colaborativa entre Pontos de Cultura

O Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e o Ponto de Cultura Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo se emparceiram para deixar uma pegada agroecológica da Cultura Viva no interior de Morro Reuter Entre os dias 4 e 5 de junho, um coletivo de artistas e fazedores de cultura, integrantes da rede de associados, amigos e colaboradores do Vale Arvoredo (acesse e conheça!), esteve no local realizando atividades de reconhecimento de área, separação de mudas e mapeamento de espécies invasoras a serem suprimidas da mata. Contando também com a presença dos biólogos Matias Köhler e Ethiéne Guerra, que auxiliaram no reconhecimento das plantas, o trabalho desenvolvido já contou com o plantio de Palmeiras Juçaras na área delimitada e também de novas mudas de erva-mate no perímetro que serve de sede ao sítio. Esta é uma ação que acompanha historicamente os objetivos tanto do Vale Arvoredo como do Coletivo Catarse, que têm nas suas essências a visão de pertencimento à Natureza, com a interação e manejo como garantias da manutenção da existência das florestas. Neste caso, já há alguns anos vêm se identificando que a área – com cerca de 16 hectares, mantidos praticamente intocados desde a sua aquisição – é de mata de regeneração, guardando espécies nativas, mas com grande invasão de plantas exóticas de expansão agressiva, principalmente a uva japão. Para “resolver” essa situação, ao longo dos últimos meses vêm sendo realizados vários encontros e conversas sobre a utilização de um espaço em que se maneje essas espécies invasoras e que se passe a cultivar uma pequena agrofloresta própria, com a manutenção de nativas identificadas e outras que sejam de interesse – como o limão bergamota – e com a inserção de espécies típicas da Mata Atlântica, como a Juçara, a erva-mate e o abacaxi. Talk Exu #6 – Cultura e Agroecologia Durante o encontro, também se realizou a gravação de mais uma edição do Talk Exu, o talk show do Coletivo Catarse, parte do Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Na conversa com Alexandre Fávero, parceiro de longa data, sombrista e um dos principais agitadores da proposta dessa movimentação atual que o Vale Arvoredo vem realizando na ideia da mesclagem da agroecologia com a arte, e com Matias Köhler, biólogo que esteve presente nas atividades de produção de uma das carijadas do documentário Carijo, o filme, em Panambi, em 2012, foi possível desenvolver uma reflexão sobre a importância da presença do ser humano e os possíveis impactos positivos desse manejo na floresta tanto com a flora como com a fauna. Também se abordou exatamente as questões que motivam artistas e fazedores de cultura nesssa interação intensa com a Natureza. Palmeira Juçara e Erva-mate A relação do Coletivo Catarse com essas duas espécies de árvores vem de longa data. Durante quase 15 anos, o Coletivo esteve dentro da Rede Juçara, uma rede que espalhou conhecimento e conectou pequenos produtores, entidades de assessoria técnica, poder público, entre outros atores sociais, nos estados do RS, SC, PR, SP, RJ e MG, numa frente que consolidou o entendimento agroecológico na rede, de manejo, de extração do fruto da Juçara para produção de polpa (o Açaí da Mata Atlântica), mantendo, assim, a árvore em pé, viva e consorciada com outras espécies – uma ação direta de recuperação de flora e fauna. O Coletivo Catarse se fez presente nesta rede produzindo matérias, coberturas e, a partir de uma ação no campo da comunicação, fomentando a manutenção do conhecimento acerca da Palmeira – realizando, inclusive, ações diretas de distribuição e plantio de mudas quase que ininterruptamente, por exemplo (clique aqui!). Um dos principais produtos audiovisuais lançados no período é a trilogia O ser Juçara, de 2018, possível de se assistir abaixo e no Youtube: A trilogia retrata, além de toda diversidade encontrada no domínio do bioma Mata Atlântica, as experiências do ser humano com os saberes associados ao manejo da floresta nativa, em especial da Palmeira Juçara. Este primeiro episódio apresenta a relação direta e indireta das pessoas com a floresta, os modos de vida, as conexões que existem entre as experiências retratadas – e a perspectiva de que é possível se viver de maneira sustentável em todos os espaços. Neste segundo episódio, está em questão a transformação do modo de se relacionar com a palmeira. Por séculos, considerada fonte do melhor palmito, foi objeto de um extrativismo que, quando realizado por comunidades tradicionais e famílias que se instalavam em áreas de sua incidência, era sustentável, mas que, a partir de um desenvolvimentismo econômico que enxergou neste um produto de grande valor agregado passou a ser ameaçada de extinção. Este último episódio apresenta as alternativas e a importância que os frutos da Juçara têm para oferecer para alimentar as pessoas. Mas sua contribuição vai para além da nutrição e da culinária. É preciso entender esta palmeira como parte de uma cadeia de valores culturais, que se relaciona e se apresenta como chave não só da preservação da floresta, mas da sustentabilidade das pessoas que vivem nessas regiões e que historicamente lutam para manter seus estilos de vida saudáveis e conectados com as forças da Natureza. Com a erva-mate, também há uma relação de mais de década. Em 2014 foi lançado o documentário Carijo, o filme: Uma obra que trata da fabricação artesanal de erva-mate com o método carijo – uma estrutura montada em estrado, de secagem da erva por horas, e que remonta um conhecimento ancestral indígena, principalmente Guarani. O documentário traz à tona a história do Rio Grande do Sul, contada sob um aspecto da contribuição dos povos originários para a cultura e costumes do gaúcho, e as implicações, relações e desdobramentos deste conhecimento sobre a produção do chimarrão – bebida símbolo do estado. O carijo ainda segue sendo utilizado nos dias de hoje, mas longe dos processos industriais e apenas …

Reexistência Rutz

O Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e o Coletivo Catarse tem uma longa trajetória de parceria com a Kuja Gãh Té, liderança espiritual e política do povo Kaingang e da Retomada Gãh Ré, no Morro Santana. Legitimados por essa trajetória Gãh Té e o Ventre Livre foram contemplados na Chamada Pública Agentes Culturais da Ancestralidade, promovida pelo Pontão de Cultura Axêmiré.Desse modo as atividades que são realizadas de forma rotineira pela Mestra passam a ser reconhecidas com uma bolsa que ajudará a manter e ampliar essa atividades.Dentro dessa lógica, de troca de conhecimentos e integração com a comunidade, a Retomada Gãh Ré e a Mestra Gãh Té, junto com o coletivo Preserve Morro Santana, receberam a atividade sobre a importância socioambiental e histórica do Morro Santana, incluindo as dimensões geomorfológicas do morro e sua ocupação pelo povo Kaingang. Realizada nos dias 16 e 17 de maio, a atividade teve a participação da comunidade, de estudantes e professores da UFRGS, e serviu de formação para condutores nas ecotrilhas realizadas no Morro Santana.A saída de campo – Mestrado de desenvolvimento rural na retomada indígena Kaingang Gãh Ré, no Morro Santana, foi uma experiência importante de aprendizado e reflexão. Através das falas da Mestra Iracema Gãh te Nascimento, foi possível compreender a relação do povo Kaingang com o território, a ancestralidade e a resistência cultural. A atividade aproximou os conteúdos estudados na universidade da realidade vivida pelas comunidades indígenas, mostrando a importância do respeito aos saberes tradicionais, da memória coletiva e dos direitos dos povos originários.Nesse dia também foi realizada uma cerimônia de plantio de uma muda de araucária, árvore sagrada para o povo indígena, simbolizando a permanência no território do querido Tio Rutz, ativista e morador da comunidade e que nos deixou recentemente. Gãh Té e Julinho, filho de Tio Rutz, celebraram a vida, a alegria e o cuidado que sempre guiou o nosso amigo, que agora está eternizado nas raízes, tronco e frutos da árvore símbolo da resistência Kaingang. Texto: Marcelo CougoFotos: Luis Gustavo Ruwer

Documentário sobre ASSOBECATY tem lançamento no Ventre Livre dia 29/05

Um filme sobre os 90 anos do ilê que hoje é o Ponto e Pontão de Cultura Ilê Axé Cultural – ASSOBECATY. Uma história de ancestralidade, identidade e continuidade. Foram nove décadas de caminhada e resistência, mesmo quando as águas da enchente tentaram apagar a sua história, a força do coletivo se fez mais forte. Esta é uma obra que retrata toda essa superação, uma produção que contou com participação do Coletivo Catarse e que agora ganha seu espaço para uma sessão de lançamento no Ponto de Cultural e Saúde Ventre Livre. Assista ao trailer, clique aqui. Sessão no dia 29 de maio, a partir das 19h30 – Comuna do Arvoredo, Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, Rua Fernando Machado, 464, Centro Histórico de Porto Alegre. *o longa-metragem “ASSOBECATY 90 anos” é um projeto contemplado pelo Edital Lei Paulo Gustavo Guaíba nº 01/2023, Art. 6º, Inciso I. **a sessão é parte da programação do eixo Maria Maria Espaço Cultural, sendo ação do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

AWO (Mistério Sagrado), por Juarez Negrão

No dia 23 de abril, o artista plástico Juarez Negrão, em parceria com o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, apresentou sua exposição AWO em noite de Maria Maria Espaço Cultural na Comuna do Arvoredo. Foram dispostas no espaço da Garajona diversas obras em tela, cerâmica e outros materiais: Através da história, ancestralidade e cultura afrobrasileira, Juarez apresenta um universo negro, de rica cultura e resistência, com técnicas como pintura, escultura e xilogravura. O trabalho consiste em pequenos fragmentos de duas exposições apresentadas pelo mesmo nos anos de 2024 e 2025 (Quilombo e Diáspora) e se completa com novas peças. “Awo” se faz a terceira e última parte dessa triologia, inspirada nas crenças, religiões, lendas e tradições dos povos originários. A atração musical da noite ficou por conta de Alex Gaúcho, cigano, espiritualista, músico, poeta, ator, compositor, cantador, atualmente trabalhando na gravação do seu primeiro álbum autoral “Rezo”. AWO (Mistério Sagrado) *fotos por Billy Valdez A atividade integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS.

O chimarrão com erva de carijo roda

Em fins de fevereiro, início de março deste ano, ocorreu um evento de produção artesanal de erva-mate na Floresta Nacional de Canela. Foram produzidos cerca de 80 kg em método de carijo, que foram amplamente distribuídos entre os participantes e com a comunidade Kaingang que mora no local. Como é o costume, esta erva cevou já diversos mates – direto ao lado do carijo, durante o processo de moagem e, claro, nas casas e locais de trabalho de cada um que levou os seus “quilinhos”. E a erva de carijo nunca vai sozinha – ela carrega história, e cada cuia servida carrega um trago de prosa que acompanha a surpresa do “novo” sabor e o descobrir dos processos, do significado daquela produção ancestral. Nesse mês que se passou, então, o mate de carijo circulou por diversas mãos. * * * * ,A atividade da carijada integra o Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre.

Um sábado especial em março de 2026

Não são poucas as atividades que realizamos. Não são poucos os lugares que visitamos. Não são poucas as pessoas que conhecemos. O cansaço e o suor do nosso trabalho também não têm sido pouco ao longo desses quase 22 anos de existência. E, como o Coletivo Catarse não é apenas uma pessoa, consegue ocupar dois lugares no espaço ao mesmo tempo – até 3 ou 4, inclusive. E foi isso que ocorreu no sábado, 21 de março de 2026. Em Porto Algre, atividade que marcou a divulgação de um documentário sobre o êxodo e a luta palestina lotou a Garajona da Comuna do Arvoredo, numa programação do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre em noite de Maria Maria Espaço Cultural. Em Imbé, o NIA (Núcleo de Investigação Artística do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre) realizou um intercâmbio artístico com o Ponto de Cultura Território das Artes, contando com apresentação do espetáculo “Vasaliza, a sabida”. E, em Mostardas, mais ao sul, também no litoral, mais uma equipe do Coletivo, naquele momento em oficina, em projeto do Ponto de Cultura STR Mostardas, trabalhava a inclusão digital e a salvaguarda do patrimônio cultural, cobrindo o II Encontro Regional de Cantadores de Terno. Não menos importante – e quase simultâneo, pois ocorreu na noite anterior -, em frente de trabalho de apoio técnico no Ponto de Cultura Cirandar, também no Centro Histórico de Porto Alegre, acontecia o Espetáculo Menina de Tranças e Cabelos Brancos com @lilikamarques24 e @deborahfinocchiaro. O Coletivo atua e sempre atuou assim, por isso o fazer é tão multifacetado. Tanto que, por vezes, é desafiador explicar e até mesmo divulgar. São assuntos centrais e transversais tratados pela Catarse com o mesmo intuito: comunicação para transformar. Circulamos múltiplos e vamos chegando perto de distintas realidades, onde alcançamos e é possível uma pequena (que pode reverberar como importante) transformação, através da política, da arte e da cultura. Siga as nossas redes, confira seguidamente nosso site – sempre tem alguma coisa acontecendo!

Oficinas de inclusão digital trabalham com a salvaguarda de patrimônios culturais de Mostardas

De 19 a 24 de março, o município do litoral médio recebeu encontros de formação para jovens e adultos. As atividades incluíram ainda o registro do II Encontro Regional de Cantadores de Terno, contemplando aos oficinandos uma prática com noções básicas de fotografia e produção audiovisual. Também foi trabalhado o uso de ferramentas digitais como e-mail, “nuvem” de armazenamento e montagem de site para auxiliar na exposição de registros e segurança de dados como uma prática de salvaguarda de expressões culturais e até mesmo de arquivos pessoais. As aulas teóricas tiveram suas atividades na Escola Municipal Marcelo Gama na quinta (19), sexta (20), segunda (23) e terça-feira (24) durante a noite. Já a atividade prática foi a cobertura do II Encontro de Cantadores de Terno realizado no salão da Paróquia São Luiz Rei. O encontro reuniu cerca de 150 pessoas e teve apresentações de 5 grupos: o Resgatando a Tradição e o Grupo Amigos, de Mostardas, o Família Talibio, de Tavares, o Netos do Zé Pulim, de Capivari do Sul e o O de Casa, de Guaíba. O Terno de Reis é um festejo religioso de origem açoriana e com contribuição afrodescendente. No Rio Grande do Sul, a tradição é mantida principalmente pelas comunidades quilombolas, agricultores e pecuaristas familiares. Os festejos se organizam em torno de datas ligadas ao dia de reis e dos santos padroeiros. Composto por cantadores, tocadores e participantes, o cortejo vai passando de casa em casa, reunindo as famílias em um grande momento de celebração com comidas típicas de cada região. Ao longo do encontro na noite de sábado, a culinária também resgatou fazeres e saberes locais. O cardápio teve ingredientes provenientes da agricultura familiar e da pesca da Lagoa do Peixe, como o feijão sopinha com siri, camarão, polenta com milho catete, entre outros pratos. Além dos registros do próprio Coletivo Catarse, a cobertura em foto e vídeo do evento foi feita principalmente pelos oficinandos, pessoas da própria região. A maioria já tinha relações com os Ternos, tanto de forma direta, cantando e tocando em um grupo, quanto indireta por meio de lembranças ou histórias de familiares que vivenciaram esta tradição em suas comunidades. Terminado o encontro, os oficineiros e oficinando seguem organizando os materiais produzidos para divulgação e preservação dos registros. Em breve, os materiais produzidos estarão disponíveis em um site próprio, com fotos, vídeos das apresentações e um documentário. Tudo isso buscando divulgar e preservar a memória destas manifestações tão presentes no município de Mostardas Estas atividades e outros ciclos de oficinas realizados ao longo de 2025 e 2026 fazem parte do projeto Festejos e Encontros da Cultura da Tradição Popular das Comunidades Quilombolas da Península do Litoral Norte (Edital SEDAC nº25/2024 PNAB RS – Cultural Viva). O Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre vem atuando junto ao projeto desde outubro do ano passado (confira aqui e aqui). Oficineiros: Gustavo Türck e Bruno PedrottiTexto: Bruno PedrottiFotos: Bruno Pedrotti, Daniel Machado da Silva, Gislaine Souza da Rosa, Laé Terezinha MachadoRevisão: Gustavo Türck