Audição exclusiva do primeiro álbum da Neptunn antecipa o lançamento de “Parallaxis”

A banda de death metal Neptunn realizou, no último sábado (26 de setembro), a audição em primeira mão do seu álbum de estreia, intitulado “Parallaxis”. O evento exclusivo reuniu um grupo seleto de amigos e parceiros no Red Spider Tattoo — e o Coletivo Catarse esteve presente representado pelo cooperado Billy Valdez. O trabalho reflete a bagagem individual de seus integrantes, todos nomes já conhecidos no cenário metal. O resultado é uma sonoridade técnica, coletiva e agressiva, que combina perfeitamente referências do death metal clássico e contemporâneo. Trajetória e Parcerias A caminhada da Neptunn inclui o EP “(Re)Existence”, lançado em 2024 e acompanhado dos videoclipes de “Transmutate”, “Resignify” e “Onward to Nothingness” — estes dois últimos produzidos em parceria com o Coletivo Catarse. Em 2025, o grupo lançou o single e clipe de “Neptunn Rise”, que também contou com nossa colaboração na produção. Um gostinho do que vem por aí em “Parallaxis” já pode ser conferido no clipe de “Transcendence”, primeiro single do álbum: Show de Lançamento A data de lançamento oficial já está marcada: dia 10 de outubro, no Gravador Pub, em uma parceria com a Nevoeiro Produçõe. Além da estreia do disco nas plataformas e no palco, a noite especial contará com o lançamento do videoclipe da faixa-título, produzido pelo Selo Bruto. Para completar a programação pesada da noite, se apresentam também as bandas Horror Chamber e Dressed In Blood. A formação atual da Neptunn conta com Dienifer Vieira (vocais), Franklin Nunes (guitarra), Rafael Giovanoli (guitarra), Nathália Ernst (baixo) e Arthur Tomazelli (bateria).

Desert Whip: uma noite de peso e resistência na cena stoner do RS

Há um bom tempo eu não curtia uma noite de stoner, rock pesado, groove e todas essas vertentes que envolvem afinações baixas, riffs pesados e aquela sonoridade arrastada que a gente tanto gosta. Porto Alegre já foi um polo importante de shows de stoner e rock pesado. Mas esse é um assunto para outro post.O que importa aqui é que Porto Alegre e o Rio Grande do Sul continuam tendo bandas muito boas dentro do gênero, e parece que uma galera nova está começando a se movimentar novamente para fortalecer essa cena. É nesse cenário que iniciativas como o Desert Whip, organizado pela Arkhana Produções, ganham importância. Mais do que simplesmente colocar bandas no mesmo palco, o evento ajuda a criar um espaço de encontro entre músicos, público e produtores, movimentando a cena independente e valorizando a produção autoral. Segundo a própria produtora: “Desert Whip é um evento com foco na renovação da música brasileira alternativa e autoral, trazendo artistas de diferentes regiões para dentro de espaços culturais da região metropolitana e interior do RS, fortalecendo a cena independente, o underground e a conexão entre bandas, público e produtores.” A proposta já havia aparecido na primeira edição do evento, que trouxe de Santa Maria a Mamute Stoner, banda que recomendo fortemente que vocês conheçam e acompanhem. Uma noite para esquentar o Ocidente Na segunda edição do Desert Whip, tive a oportunidade de estar presente no clássico Bar Ocidente, em Porto Alegre. E posso dizer: foi uma noite daquelas.O frio estava presente, mas o público tratou de compensar a temperatura. A casa recebeu uma galera que participou, interagiu e, principalmente, comprou a ideia do evento. E as bandas? Uma mais paulada que a outra. Quem abriu a noite foi a El Negro, que vem divulgando seu mais recente trabalho, o álbum BRONCO. Além da sonoridade pesada, o disco carrega uma história curiosa: as músicas foram gravadas nos porões da antiga Prefeitura de Porto Alegre. Só essa informação já desperta a curiosidade, mas é ouvindo o trabalho que a coisa realmente acontece. A gravação e a atmosfera criada pela banda combinam muito bem com essa estética mais crua e pesada. Vale a pena conferir. Sterna Peyote e uma viagem pelo deserto Na sequência, subiu ao palco a Sterna Peyote, banda de Canoas/RS que vem divulgando o álbum Dentro do Sol, lançado em 2025.A banda passeia por Desert Rock, Stoner, Psicodelia e Rock Alternativo, misturando atmosferas mais etéreas com riffs distorcidos e grooves intensos. Ao vivo, essa combinação funciona muito bem. É uma sonzeira. E, para deixar a noite ainda mais especial para os fãs do bom e velho stoner, a banda convidou uma amiga para assumir os vocais em uma participação especial. O repertório? Kyuss. E aí não tinha como dar errado. A galera foi ao delírio, e a participação nos vocais funcionou muito bem, entregando a energia que aquele momento pedia. Foi daqueles trechos do show em que você olha para o público e percebe que todo mundo está na mesma sintonia. Wolftrucker: encerrando com o pé no acelerador Para fechar a noite, quem subiu ao palco foi a Wolftrucker, banda formada por amigos e parceiros de longa data.A “Wolf” vem divulgando seu mais recente trabalho, o single ‘Stones, Rocks n’ Bones’, que deixa aquele gostinho de ‘quero mais’ para o álbum que está por vir. Isso serve para esquentar os motores, pois em breve a banda realizará uma série de shows em São Paulo/SP. E aqui não tem muito o que inventar: a Wolftrucker é uma banda redonda.O show é daqueles que prendem o público. A banda consegue levar para o palco toda a força de sua sonoridade, misturando rock’n’roll, stoner e groove com muita presença. É visceral, pesado e, acima de tudo, muito rock. Para quem já conhece a banda, não é novidade. Para quem ainda não conhece, fica a recomendação: procurem os caras e, principalmente, assistam a um show quando tiverem oportunidade. Uma cena que merece atenção Saí do segundo Desert Whip com uma sensação de alma lavada. Não apenas pela qualidade das bandas, mas por perceber que existe uma movimentação acontecendo novamente. Talvez seja cedo para falar em um “retorno” do stoner à cena gaúcha, mas certamente existem bandas, produtores e público dispostos a fazer esse movimento acontecer.E é justamente por isso que eventos como o Desert Whip são importantes. A cultura underground não se mantém apenas por grandes festivais ou grandes casas. Ela acontece nesses espaços, nas bandas autorais, nos produtores que insistem em organizar eventos, no público que compra ingresso, comparece e apoia, e nos músicos que continuam criando mesmo quando o caminho não é fácil. No fim das contas, é assim que uma cena se mantém viva.E se depender do que ouvi naquela noite no Ocidente, o deserto gaúcho está longe de estar silencioso. Que venham os próximos Desert Whip. Fotos e texto: Billy Valdez.

Bem além e a poética audiovisual de Leonardo Bulcão

O extremo sul do Brasil, mais especificamente a praia do Cassino, é o ponto de partida da jornada do músico gaúcho. Seja atravessando os Molhes da Barra de bicicleta ou Vagoneta – veículo movido a vela tradicional do Cassino – caminhando pelo caminho Inca no Peru ou se banhando nas águas da Chapada da Diamantina/BA, Leonardo Bulcão propões reflexões sobre a natureza, a existência, o amor e a vida. Organizado em 5 atos, o álbum visual foi lançado no dia 28 de agosto no Youtube e teve também um evento presencial de lancámento na cidade de Rio Grande durante a Feira do Livro da FURG (Universidade Federal do Rio Grande), com show e exibição da obra audiovisual. Bulcão, músico há duas décadas e com três álbuns lançados — Alternativismo (2008), Macumba pra Bacana (2014) e Solo Lunar (2019) — assina integralmente a idealização de Bem além. O projeto é um desdobramento direto de seu último trabalho fonográfico, aprofundando a jornada de autoconhecimento iniciada em Solo Lunar. Ficha técnica Criação, direção, produção cinematográfica, trilha sonora, roteiro e narração: Leonardo BulcãoProdução musical: Bruno Pires e Leonardo BulcãoMasterização: Bruno Pires (Organic Estúdio)Mixagem: Bruno Pires (Organic Estúdio) e Leonardo BulcãoCaptação de som: Bruno PiresCaptação de som adicional (Amares que vem para bem): Bruno Pires e Lucas RamosEdição de som e imagens: Ivan Ibarra e Leonardo BulcãoFinalização de vídeo: Billy Valdez e Bruno Pedrotti (Coletivo Catarse)Legendas: Thays PradoLançamento digital e mídias sociais: Cristiane CubasConcepção de arte: Cristiane Cubas e Leonardo BulcãoArte e design: Maurício QuadrosAssessoria de imprensa: Bebê Baumgarten Imagens: Ivan Ibarra, Lúcio Tagliani, Vitória Proença, André Chaplin, Buba Moura, Marcelo Okamoto, Rafa Costa e Aldivo MendesImagens em aquarela: Alisson Afonso Captação de imagens especiais:Imagens de drone: Ivan IbarraImagens do Parque Eólico (Cassino – Rio Grande/RS): Lúcio TaglianiFotografia Lanchão Farroupilha Seival: André Chaplin e Buba MouraFotos de Beto e Karen: Aldivo MendesFotos do Taim: Marcelo OkamotoImagens adicionais: Leonardo Bulcão Locações:Bahia: Chapada Diamantina (Gruta Azul / Fazenda Pratinha)Peru: Caminho Inca, Machu PicchuPorto Alegre/RS: Rua Lima e SilvaRio Grande/RS: Molhes da Barra, Lagoa Verde (Senandes), Cassino, Parque Urbano do Bolaxa, Chácara das Tolderias e TaimTrês Coroas/RS: Sítio de Silvestre Rache Música e trilha sonora:Composições: Leonardo BulcãoMúsicos: Alisson Afonso, Augusto Luna, Axel Antunes, Christian Talaier, Cintia Prietsch, Clarissa Ferreira, Eduardo Quintian Gambona, Franco Faroli, Gabriel Mazzini, Gabriel Medeiros, Guilherme Bulla, Ícaro Chaves, Leonardo Rechia, Marcelo Masina, Pamela Delgado, Régis Garcia, Taiana Tagliani e Willian TavaresParticipações especiais: Coletivo Rio Grande Quer Verde em “La magia de La Tierra”; Projeto Asas do Camaquã – Réplica da embarcação de Giuseppe Garibaldi (idealizado e realizado por Antônio Rodrigues) Agradecimentos:Alisson Afonso, André Chaplin, Antônio Rodrigues, Augusto Luna, Axel Antunes, Buba Moura, Bruno Pires, Carolina Contato (NEMA – Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental), Cintia Prietsch, Coletivo Rio Grande Quer Verde, Christian Talaier, Eduardo Quintian Gambona, Fazenda Pratinha, Franco Faroli, Gabriel Mazzini, Gabriel Medeiros, Guilherme Bulla, Ícaro Chaves, Leonardo Rechia, Lucas Ramos (Estúdio Mochila), Lúcio Tagliani, Marcelo Masina, Marcelo Mazzini, Marcelo Okamoto, Pamela Delgado, Régis Garcia, Silvestre Rache e Taiana Tagliani Em memória:Beto Federal, Karem Paschoalotto e Aldivo Mendes Foto: Jade Luzardo

Primeiro REVERBERA

No último dia 08 de agosto, aconteceu a primeira edição do REVERBERA. O evento foi idealizado pela banda Luvit e contou com a participação das bandas Inersa e Silhuetas para completar o line-up que agitou o Caos Bar, em Porto Alegre. Foi uma noite de retomada do frio em Porto Alegre, mas o clima dentro do Caos era quente e contagiante. Com uma plateia repleta de amigos e familiares, a sintonia entre as bandas ficou evidente, garantindo que esta primeira edição do REVERBERA realmente honrasse o nome e conquistasse seu espaço definitivo na agenda do rock porto-alegrense. A abertura ficou por conta da Silhuetas, representante da nova geração que prova que ainda há muita gurizada a fim de montar banda, acreditar no projeto e fazer som de qualidade. O grupo entregou um rock visceral, com influências marcantes de indie, shoegaze e grunge. Na sequência, os anfitriões da Luvit subiram ao palco com um rock pesado de primeira, misturando post-grunge e metal com vocais rasgados e viscerais que fizeram todo mundo bater cabeça. Para encerrar a noite com chave de ouro, os amigos da Inersa trouxeram seu rock alternativo e pesado, com nuances de hard rock e grunge. A banda ainda surpreendeu com versões improváveis e muito bem executadas, adaptando para o rock sucessos de Ivete Sangalo e outros artistas inusitados do pop e do pagode nacional. Siga as bandas, vá aos shows, somos todos engrenagem do rock. Texto e fotos por Billy Valdez.

Finalizado o ciclo do projeto PNAB no Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre

A festa junina do dia 27 marcou um último ato de um projeto que durou 14 meses, conquistado junto ao Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva, recheou a Comuna do Arvoredo de programação cultural ao longo do período. Foram mais de 40 apresentações no eixo Maria Maria Espaço Cultural, de música, teatro e outras artes; 6 episódios do talk show Talk Exu, tratando de temas como economia solidária, a luta indígena, a contribuição cultural do povo negro, agroecologia e acessibilidade; houve também um evento histórico de carijada em uma unidade de conservação, em Canela; oficinas de teatro, hip hop e produção audiovisual, entre váras outras atividades. Em um espaço delimitado na Garajona, foram expostas as obras produzidas pelo artista Juarez Negrão para o projeto e fotos de momentos das atividades do ano. E, para coroar a noite, uma grande apresentação do grupo Versão Brasileira. Foi uma noite especial, de celebração de um ciclo que se encerra e da certeza da continuidade das relações do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e suas parcerias – Maria Maria Espaço Cultural, CAMP, Comuna do Arvoredo, FESPOPE e Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, que constituem com o Coletivo Catarse o Conselho Gestor do Ponto. Resistência, respeito e empatia ENTREVISTA | Márcia Tolfo | Gestora da Maria Maria Espaço Cultural Coletivo Catarse – A Comuna do Arvoredo, o Coletivo Catarse e a Maria Maria Espaço Cultural somam trajetórias marcantes. Como foi para vocês a experiência de coproduzir esse ano de programação intensa, dentro do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, ao lado do Catarse, e de que forma a identidade de cada espaço se somou nesse processo?Márcia Tolfo – A coletividade é a palavra-chave dentro da proposta de produzir e gerir um projeto coletivo, que é um grande desafio. Cada entidade tem suas características e história, então, respeito e empatia são fundamentais. No final, existe uma grande satisfação em fazer parte de uma causa maior e entender que, juntos, somos mais fortes. Catarse – O projeto previu pelo menos 40 atividades culturais diversas. Olhando para o que foi realizado, quais ações ou momentos você destacaria como os mais marcantes para o público e para a própria gestão do espaço?Márcia – Foram muitas atividades. Entre elas, destaco a parceria com o grupo Nós – Arte e Cultura, que trouxe a dança para o espaço, através do Forró. Também o músico Vladmir Rodrigues, com a ancestralidade da música afro em diversas prestações, incluindo o sarau Djavan, Gil, bem como sua contribuição na Janta Afro, que está na sua 21ª edição, assim como o lançamento de alguns livros com sessão de autógrafo. Catarse – Como vocês percebem o impacto de uma abordagem que une arte, cultura e vivência em comunidade, na perspectiva feminista e antirracista que a Maria Maria propõe?Márcia – Focamos no fortalecimento da proposta feminista. Somos duas mulheres (eu e Daniela, minha irmã) que estamos ligadas ao contexto político atual. O espaço das Marias, cada vez mais, se torna acolhedor para as amigas. Usar uma linguagem feminista fortalece a causa, assim como ser antirracista é nosso pressuposto. Catarse – O projeto foi viabilizado pelo Edital Sedac nº 25/2024 da PNAB–RS – Cultura Viva. Na sua visão, qual é a importância desse tipo de descentralização e fomento para a sustentabilidade de espaços como a Maria Maria e para a garantia do acesso à cultura?Márcia – É essencial, visto que ser autossustentável hoje é um grande desafio dentro da economia. O custo com demandas como equipamentos, transporte e alimentação é requisito básico para alcançar a acesso à cultura. Sem o básico, não alcançamos a complexidade da cultura. Catarse – Com o encerramento deste ciclo de um ano de programação, qual é o principal legado que essa parceria deixa e de que forma essa experiência projeta o futuro da Maria Maria Espaço Cultural?Márcia – Resistência, respeito e empatia. Ainda temos “ganas” para continuar e crescer como espaço cultural, construir projetos coletivos e nos divertirmos com as amigas. * Pois há muito mais por vir! As atividades aqui apresentadas foram apoiadas e são parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Vai nascendo uma agrofloresta colaborativa entre Pontos de Cultura

O Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e o Ponto de Cultura Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo se emparceiram para deixar uma pegada agroecológica da Cultura Viva no interior de Morro Reuter Entre os dias 4 e 5 de junho, um coletivo de artistas e fazedores de cultura, integrantes da rede de associados, amigos e colaboradores do Vale Arvoredo (acesse e conheça!), esteve no local realizando atividades de reconhecimento de área, separação de mudas e mapeamento de espécies invasoras a serem suprimidas da mata. Contando também com a presença dos biólogos Matias Köhler e Ethiéne Guerra, que auxiliaram no reconhecimento das plantas, o trabalho desenvolvido já contou com o plantio de Palmeiras Juçaras na área delimitada e também de novas mudas de erva-mate no perímetro que serve de sede ao sítio. Esta é uma ação que acompanha historicamente os objetivos tanto do Vale Arvoredo como do Coletivo Catarse, que têm nas suas essências a visão de pertencimento à Natureza, com a interação e manejo como garantias da manutenção da existência das florestas. Neste caso, já há alguns anos vêm se identificando que a área – com cerca de 16 hectares, mantidos praticamente intocados desde a sua aquisição – é de mata de regeneração, guardando espécies nativas, mas com grande invasão de plantas exóticas de expansão agressiva, principalmente a uva japão. Para “resolver” essa situação, ao longo dos últimos meses vêm sendo realizados vários encontros e conversas sobre a utilização de um espaço em que se maneje essas espécies invasoras e que se passe a cultivar uma pequena agrofloresta própria, com a manutenção de nativas identificadas e outras que sejam de interesse – como o limão bergamota – e com a inserção de espécies típicas da Mata Atlântica, como a Juçara, a erva-mate e o abacaxi. Talk Exu #6 – Cultura e Agroecologia Durante o encontro, também se realizou a gravação de mais uma edição do Talk Exu, o talk show do Coletivo Catarse, parte do Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Na conversa com Alexandre Fávero, parceiro de longa data, sombrista e um dos principais agitadores da proposta dessa movimentação atual que o Vale Arvoredo vem realizando na ideia da mesclagem da agroecologia com a arte, e com Matias Köhler, biólogo que esteve presente nas atividades de produção de uma das carijadas do documentário Carijo, o filme, em Panambi, em 2012, foi possível desenvolver uma reflexão sobre a importância da presença do ser humano e os possíveis impactos positivos desse manejo na floresta tanto com a flora como com a fauna. Também se abordou exatamente as questões que motivam artistas e fazedores de cultura nesssa interação intensa com a Natureza. Palmeira Juçara e Erva-mate A relação do Coletivo Catarse com essas duas espécies de árvores vem de longa data. Durante quase 15 anos, o Coletivo esteve dentro da Rede Juçara, uma rede que espalhou conhecimento e conectou pequenos produtores, entidades de assessoria técnica, poder público, entre outros atores sociais, nos estados do RS, SC, PR, SP, RJ e MG, numa frente que consolidou o entendimento agroecológico na rede, de manejo, de extração do fruto da Juçara para produção de polpa (o Açaí da Mata Atlântica), mantendo, assim, a árvore em pé, viva e consorciada com outras espécies – uma ação direta de recuperação de flora e fauna. O Coletivo Catarse se fez presente nesta rede produzindo matérias, coberturas e, a partir de uma ação no campo da comunicação, fomentando a manutenção do conhecimento acerca da Palmeira – realizando, inclusive, ações diretas de distribuição e plantio de mudas quase que ininterruptamente, por exemplo (clique aqui!). Um dos principais produtos audiovisuais lançados no período é a trilogia O ser Juçara, de 2018, possível de se assistir abaixo e no Youtube: A trilogia retrata, além de toda diversidade encontrada no domínio do bioma Mata Atlântica, as experiências do ser humano com os saberes associados ao manejo da floresta nativa, em especial da Palmeira Juçara. Este primeiro episódio apresenta a relação direta e indireta das pessoas com a floresta, os modos de vida, as conexões que existem entre as experiências retratadas – e a perspectiva de que é possível se viver de maneira sustentável em todos os espaços. Neste segundo episódio, está em questão a transformação do modo de se relacionar com a palmeira. Por séculos, considerada fonte do melhor palmito, foi objeto de um extrativismo que, quando realizado por comunidades tradicionais e famílias que se instalavam em áreas de sua incidência, era sustentável, mas que, a partir de um desenvolvimentismo econômico que enxergou neste um produto de grande valor agregado passou a ser ameaçada de extinção. Este último episódio apresenta as alternativas e a importância que os frutos da Juçara têm para oferecer para alimentar as pessoas. Mas sua contribuição vai para além da nutrição e da culinária. É preciso entender esta palmeira como parte de uma cadeia de valores culturais, que se relaciona e se apresenta como chave não só da preservação da floresta, mas da sustentabilidade das pessoas que vivem nessas regiões e que historicamente lutam para manter seus estilos de vida saudáveis e conectados com as forças da Natureza. Com a erva-mate, também há uma relação de mais de década. Em 2014 foi lançado o documentário Carijo, o filme: Uma obra que trata da fabricação artesanal de erva-mate com o método carijo – uma estrutura montada em estrado, de secagem da erva por horas, e que remonta um conhecimento ancestral indígena, principalmente Guarani. O documentário traz à tona a história do Rio Grande do Sul, contada sob um aspecto da contribuição dos povos originários para a cultura e costumes do gaúcho, e as implicações, relações e desdobramentos deste conhecimento sobre a produção do chimarrão – bebida símbolo do estado. O carijo ainda segue sendo utilizado nos dias de hoje, mas longe dos processos industriais e apenas …

Osvaldo 93

Em um movimento que começou nos 1980 para se estabelecer na primeira metade dos 1990, a aproximação do rap com o rock deu direcionamentos até hoje seguidos. A mistura desses dois universos da cultura pop, que teve desdobramentos estéticos e comportamentais para além da música, reverberou no RS, no começo da última década do século passado. Em Porto Alegre, surgiam grupos como Código Penal (cruzando rap e hardcore) e L.O.R.D.S. (Legião Organizada Revolucionária dos Direitos Sociais), embalados pela batida das ruas. Ativas até hoje (ainda que de maneira não linear), as duas atrações se juntaram para a gig “Osvaldo 93”, que rolou em 12/4, no Bar Ocidente. As bandas literalmente dividiram o palco, tocando juntas (em alguns momentos, uma ou outra se apresentava, em outros, integrantes se uniam). A L.O.R.D.S (os MCs @piadrodutor e @edsonlegalllegall, @djandersonultramen nos toca-discos e percussão de @henrique_branka) abriu os trabalhos com um bloco de temas próprios, dando espaço para a CP (formada por @lucioagace e @black_lucianocp nas vozes, @fernandoluzardo no baixo, @green.eyes.soul.mp3 e @marcioantoniog33nas guitarras e @cesarcastrodrumer na bateria ) fazer o mesmo. O baile seguiu com os músicos intercalando-se. Entre os temas próprios, destaca-se “Homem Errado” e “Falsos Profetas”, da L.O.R.D.S. Já a CP mostrou a que veio com sons do naipe de “Terra de Ninguém” e “Apologia”. Ainda rolaram diversas releituras: de Tim Maia (“O Caminho do Bem”) a Body Count” (“BC in the House”), passando por Rolling Stones (“Miss You”), Beastie Boys (“No Sleep’Till Brooklyn), Public Enemy (“Shut ‘Em Down” e “Fight the Power”), Ice T (“Colours”), Cowboys Espirituais (“Jovem Cowboy”), Cypress Hill (“Insane in the Brain”), Run-D.M.C e Aerosmith (“Walk this Way”) e Public Enemy e Anthrax (“Bring tha Noise”). O pioneiro Defalla também foi homenageado, com “Repelente”, “Como Vovó Já Dizia” e “Satisfacation”. O vocalista @edukedukeduk cantou as 3 músicas de sua banda original, além de outras versões do repertório. Os feats ao vivo incluíram ainda a cantora @denizelicardosodnzl e o baterista Zé Darcy (ex-@bandaultramen) assumindo o mic. Texto: @homerpjrFotos: @billy.valdez

do Ó – Som do Coração

O Coletivo Catarse é uma das empesas que constitui o Ecossistema Audiovisual Metropolitano e é por esse projeto que está realizando a residência artística da produtora Isabel Meireles – que, há anos, está envolvida com a produção de um documentário que trata sobre parte da trajetória do músico Fernando do Ó. Abaixo segue um texto de Isabel contando como tem sido essa experiência: O documentário “Fernando do Ó – Som do Coração”, produzido pela produtora Kalipso Cultural, está agora em fase de edição e montagem dentro da Residência/Mentoria Audiovisual do Metropolitano RS, iniciativa voltada às obras das empresas do ecossistema. A experiência de acompanhar de perto o universo de um artista tão singular, compartilhando momentos, memórias e afetos, evidencia o caráter coletivo da criação. São muitas mãos envolvidas: desde a estrutura proporcionada com o apoio dado pelo MetRS, passando pela visão e metodologia do Coletivo Catarse, até a generosidade de parceiros como os estúdios Tec Áudio e estúdio Soma e seus profissionais incríveis que estão “abraçando” o projeto, oferecendo tempo, conhecimento e sensibilidade. A residência tem sido fundamental para meu amadurecimento artístico e profissional, especialmente a partir da mentoria do Coletivo Catarse, produtora-madrinha do projeto. A parceria oferece suporte técnico, acesso à infraestrutura de pós-produção e orientação artística, contribuindo diretamente para a construção do eixo narrativo e estético da obra. Viver esse processo tem sido, para mim, uma espécie de escola sensível. Tenho aprendido que fazer um filme não é apenas dominar técnica ou organizar ideias. Mais do que um processo técnico, esta etapa tem sido marcada pela emoção de ver o projeto que foi iniciado de forma independente, ganhar forma e profundidade evidenciando o papel das iniciativas colaborativas no fortalecimento do audiovisual gaúcho. Aos poucos, entre imagens, sons, depoimentos e memórias, fui entendendo que esse filme não seria apenas sobre o que ele fez, mas sobre o que ele provoca nas pessoas.

Oficinas de inclusão digital trabalham com a salvaguarda de patrimônios culturais de Mostardas

De 19 a 24 de março, o município do litoral médio recebeu encontros de formação para jovens e adultos. As atividades incluíram ainda o registro do II Encontro Regional de Cantadores de Terno, contemplando aos oficinandos uma prática com noções básicas de fotografia e produção audiovisual. Também foi trabalhado o uso de ferramentas digitais como e-mail, “nuvem” de armazenamento e montagem de site para auxiliar na exposição de registros e segurança de dados como uma prática de salvaguarda de expressões culturais e até mesmo de arquivos pessoais. As aulas teóricas tiveram suas atividades na Escola Municipal Marcelo Gama na quinta (19), sexta (20), segunda (23) e terça-feira (24) durante a noite. Já a atividade prática foi a cobertura do II Encontro de Cantadores de Terno realizado no salão da Paróquia São Luiz Rei. O encontro reuniu cerca de 150 pessoas e teve apresentações de 5 grupos: o Resgatando a Tradição e o Grupo Amigos, de Mostardas, o Família Talibio, de Tavares, o Netos do Zé Pulim, de Capivari do Sul e o O de Casa, de Guaíba. O Terno de Reis é um festejo religioso de origem açoriana e com contribuição afrodescendente. No Rio Grande do Sul, a tradição é mantida principalmente pelas comunidades quilombolas, agricultores e pecuaristas familiares. Os festejos se organizam em torno de datas ligadas ao dia de reis e dos santos padroeiros. Composto por cantadores, tocadores e participantes, o cortejo vai passando de casa em casa, reunindo as famílias em um grande momento de celebração com comidas típicas de cada região. Ao longo do encontro na noite de sábado, a culinária também resgatou fazeres e saberes locais. O cardápio teve ingredientes provenientes da agricultura familiar e da pesca da Lagoa do Peixe, como o feijão sopinha com siri, camarão, polenta com milho catete, entre outros pratos. Além dos registros do próprio Coletivo Catarse, a cobertura em foto e vídeo do evento foi feita principalmente pelos oficinandos, pessoas da própria região. A maioria já tinha relações com os Ternos, tanto de forma direta, cantando e tocando em um grupo, quanto indireta por meio de lembranças ou histórias de familiares que vivenciaram esta tradição em suas comunidades. Terminado o encontro, os oficineiros e oficinando seguem organizando os materiais produzidos para divulgação e preservação dos registros. Em breve, os materiais produzidos estarão disponíveis em um site próprio, com fotos, vídeos das apresentações e um documentário. Tudo isso buscando divulgar e preservar a memória destas manifestações tão presentes no município de Mostardas Estas atividades e outros ciclos de oficinas realizados ao longo de 2025 e 2026 fazem parte do projeto Festejos e Encontros da Cultura da Tradição Popular das Comunidades Quilombolas da Península do Litoral Norte (Edital SEDAC nº25/2024 PNAB RS – Cultural Viva). O Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre vem atuando junto ao projeto desde outubro do ano passado (confira aqui e aqui). Oficineiros: Gustavo Türck e Bruno PedrottiTexto: Bruno PedrottiFotos: Bruno Pedrotti, Daniel Machado da Silva, Gislaine Souza da Rosa, Laé Terezinha MachadoRevisão: Gustavo Türck

Três anos de “Marias”

O sábado, 7 de março, que antecedeu o importantíssimo e necessário 8M, marcou o aniversário de três anos de existência da Maria Maria Espaço Cultural, que reside de quinta a sábado na Garajona da Comuna do Arvoredo, na Rua Fernando Machado, Centro Histórico de Porto Alegre. A agenda é conduzida pelas irmãs “Tolfo”, Marcia e Daniela, e conta com uma rede de apoio de diversas amigas, incluindo Tiane, irmã das gurias. A Maria Maria é pensada para todes, visando a apoiar e fomentar a cultura, diversidades sonoras e artisticas, desde jantares temáticos, passando por reuniões, grupos de conversa, lançamentos de livros, filmes, trasmissões ao vivo e diversas formas de trabalhos ligados à cultura e aos movimentos sociais. E, na festa de aniversário, não foi diferente. A celebração contou com os brechós O Cata Roupas e Victória brecho e floricultura, junto aos artesanatos da FESPOPE. Entre as atrações artísticas, esteve o rap e a poesia falada de Kainã, além do grupo Versão Brasileira. Na cozinha, além das clássicas pizzas das Marias, foi preparado um saboroso cuscuz pelas mãos da cozinheira Kyzzzy Rodrigues, que sempre se faz presente no já conhecido Jantar Afro. O terceiro ano das Marias também marca um ano de muita programação cultural sendo realizada no espaço, dentro do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Foi uma noite de celebração e fortalecimento da luta e da cultura de rua. Maria Maria, sempre de portas abertas! Fotos e texto: Billy ValdezEdição: Anahi Fros