Finalizado o ciclo do projeto PNAB no Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre
A festa junina do dia 27 marcou um último ato de um projeto que durou 14 meses, conquistado junto ao Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva, recheou a Comuna do Arvoredo de programação cultural ao longo do período. Foram mais de 40 apresentações no eixo Maria Maria Espaço Cultural, de música, teatro e outras artes; 6 episódios do talk show Talk Exu, tratando de temas como economia solidária, a luta indígena, a contribuição cultural do povo negro, agroecologia e acessibilidade; houve também um evento histórico de carijada em uma unidade de conservação, em Canela; oficinas de teatro, hip hop e produção audiovisual, entre váras outras atividades. Em um espaço delimitado na Garajona, foram expostas as obras produzidas pelo artista Juarez Negrão para o projeto e fotos de momentos das atividades do ano. E, para coroar a noite, uma grande apresentação do grupo Versão Brasileira. Foi uma noite especial, de celebração de um ciclo que se encerra e da certeza da continuidade das relações do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e suas parcerias – Maria Maria Espaço Cultural, CAMP, Comuna do Arvoredo, FESPOPE e Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, que constituem com o Coletivo Catarse o Conselho Gestor do Ponto. Resistência, respeito e empatia ENTREVISTA | Márcia Tolfo | Gestora da Maria Maria Espaço Cultural Coletivo Catarse – A Comuna do Arvoredo, o Coletivo Catarse e a Maria Maria Espaço Cultural somam trajetórias marcantes. Como foi para vocês a experiência de coproduzir esse ano de programação intensa, dentro do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, ao lado do Catarse, e de que forma a identidade de cada espaço se somou nesse processo?Márcia Tolfo – A coletividade é a palavra-chave dentro da proposta de produzir e gerir um projeto coletivo, que é um grande desafio. Cada entidade tem suas características e história, então, respeito e empatia são fundamentais. No final, existe uma grande satisfação em fazer parte de uma causa maior e entender que, juntos, somos mais fortes. Catarse – O projeto previu pelo menos 40 atividades culturais diversas. Olhando para o que foi realizado, quais ações ou momentos você destacaria como os mais marcantes para o público e para a própria gestão do espaço?Márcia – Foram muitas atividades. Entre elas, destaco a parceria com o grupo Nós – Arte e Cultura, que trouxe a dança para o espaço, através do Forró. Também o músico Vladmir Rodrigues, com a ancestralidade da música afro em diversas prestações, incluindo o sarau Djavan, Gil, bem como sua contribuição na Janta Afro, que está na sua 21ª edição, assim como o lançamento de alguns livros com sessão de autógrafo. Catarse – Como vocês percebem o impacto de uma abordagem que une arte, cultura e vivência em comunidade, na perspectiva feminista e antirracista que a Maria Maria propõe?Márcia – Focamos no fortalecimento da proposta feminista. Somos duas mulheres (eu e Daniela, minha irmã) que estamos ligadas ao contexto político atual. O espaço das Marias, cada vez mais, se torna acolhedor para as amigas. Usar uma linguagem feminista fortalece a causa, assim como ser antirracista é nosso pressuposto. Catarse – O projeto foi viabilizado pelo Edital Sedac nº 25/2024 da PNAB–RS – Cultura Viva. Na sua visão, qual é a importância desse tipo de descentralização e fomento para a sustentabilidade de espaços como a Maria Maria e para a garantia do acesso à cultura?Márcia – É essencial, visto que ser autossustentável hoje é um grande desafio dentro da economia. O custo com demandas como equipamentos, transporte e alimentação é requisito básico para alcançar a acesso à cultura. Sem o básico, não alcançamos a complexidade da cultura. Catarse – Com o encerramento deste ciclo de um ano de programação, qual é o principal legado que essa parceria deixa e de que forma essa experiência projeta o futuro da Maria Maria Espaço Cultural?Márcia – Resistência, respeito e empatia. Ainda temos “ganas” para continuar e crescer como espaço cultural, construir projetos coletivos e nos divertirmos com as amigas. * Pois há muito mais por vir! As atividades aqui apresentadas foram apoiadas e são parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.
