As múltiplas dimensões de ser uma criança realizadora audiovisual

Ao longo dos meses de março e abril de 2026, esteve em curso a oficina ‘Vamos fazer um filme?’, uma das atividades do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Nesses 10 encontros, totalizando 20 horas-aula de atividades, foi trabalhado com um grupo de 12 pré-adolescentes um pouco das diversas facetas de uma produção audiovisual. Um realizador necessita, além de pegar uma câmera, ter o domínio de multi-habilidades – começando por perceber que um filme não se faz sozinho. Talvez essa seja a aptidão trabalhada mais desafiadora num momento histórico em que as pessoas se encerram em bolhas e telas. Nos encontros desta oficina, olhamos nos olhos e nos servimos da linguagem teatral como ferramenta pedagógica, incrementando a arte de criar e contar histórias. Passamos por analisar filmes, porque, para ser um bom realizador, é preciso saber ler a produção de outros e pensar argumentos realizáveis com os recursos de infra-estrutura e tempo que se dispõem. Também produzimos figurinos, escalamos elenco, ensaiamos e entendemos o roteiro que havíamos criado de forma coletiva. Foi um exercício de entrega e, ao mesmo tempo, de desapego, pois realizar também é aprender a deixar nossas partes pelo caminho. No fim, reunindo nossos pedaços, produzimos um filme o qual nos orgulhamos e compartilhamos com todas as famílias numa noite cheia de afeto da Maria Maria Espaço Cultural, com os pequenos grandes realizadores na plateia, fazendo planos para a sequência do filme que acabaram de ver. Saímos, as facilitadoras, assim como as crianças, emocionadas e revigoradas desta experiência trabalhosa, mas transformadora, que atingiu o objetivo de trazer perspectivas na utilização dos aparatos tecnológicos – eles podem ser meios potentes de expressão e criatividade na invenção de novos mundos. As 3 DimensõesUma festa do pijama, numa noite qualquer, se transforma numa aventura inesperada por três dimensões misteriosas. Entre rituais, festas malucas e estranhos seres do submundo, as crianças vão descobrir que algumas histórias sombrias podem ser mais reais do que parecem. Facilitadoras:Lorena SánchezTêmis Nicolaidis Oficinandos realizadores:Alice Milani SandrinBento Fingstag Rosa OliveiraFabrício Fros FortesFrancisco Pedro Nascimento de Oliveira CardosoGiovana Schultz de BorbaJoaquín FarinaLúcia Miele GarciaMainô TürckManoela Bagiotto GallettiMartim Rodrigues EscobarNauê Bassi da SilvaSidarta Crescencio Bettanzos Roteiro:Criação Coletiva Operação de câmera:Billy ValdezGustavo Türck Edição:Têmis Nicolaidis Tratamento de áudio:Gustavo Türck Produção:Lorena SánchezTêmis Nicolaidis Trilha Sonora:Monstres e Ufo(Boris Morozoff) Underground Techno Party(Splashkabona) Assobio:Sidarta Parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Oficinas de inclusão digital trabalham com a salvaguarda de patrimônios culturais de Mostardas

De 19 a 24 de março, o município do litoral médio recebeu encontros de formação para jovens e adultos. As atividades incluíram ainda o registro do II Encontro Regional de Cantadores de Terno, contemplando aos oficinandos uma prática com noções básicas de fotografia e produção audiovisual. Também foi trabalhado o uso de ferramentas digitais como e-mail, “nuvem” de armazenamento e montagem de site para auxiliar na exposição de registros e segurança de dados como uma prática de salvaguarda de expressões culturais e até mesmo de arquivos pessoais. As aulas teóricas tiveram suas atividades na Escola Municipal Marcelo Gama na quinta (19), sexta (20), segunda (23) e terça-feira (24) durante a noite. Já a atividade prática foi a cobertura do II Encontro de Cantadores de Terno realizado no salão da Paróquia São Luiz Rei. O encontro reuniu cerca de 150 pessoas e teve apresentações de 5 grupos: o Resgatando a Tradição e o Grupo Amigos, de Mostardas, o Família Talibio, de Tavares, o Netos do Zé Pulim, de Capivari do Sul e o O de Casa, de Guaíba. O Terno de Reis é um festejo religioso de origem açoriana e com contribuição afrodescendente. No Rio Grande do Sul, a tradição é mantida principalmente pelas comunidades quilombolas, agricultores e pecuaristas familiares. Os festejos se organizam em torno de datas ligadas ao dia de reis e dos santos padroeiros. Composto por cantadores, tocadores e participantes, o cortejo vai passando de casa em casa, reunindo as famílias em um grande momento de celebração com comidas típicas de cada região. Ao longo do encontro na noite de sábado, a culinária também resgatou fazeres e saberes locais. O cardápio teve ingredientes provenientes da agricultura familiar e da pesca da Lagoa do Peixe, como o feijão sopinha com siri, camarão, polenta com milho catete, entre outros pratos. Além dos registros do próprio Coletivo Catarse, a cobertura em foto e vídeo do evento foi feita principalmente pelos oficinandos, pessoas da própria região. A maioria já tinha relações com os Ternos, tanto de forma direta, cantando e tocando em um grupo, quanto indireta por meio de lembranças ou histórias de familiares que vivenciaram esta tradição em suas comunidades. Terminado o encontro, os oficineiros e oficinando seguem organizando os materiais produzidos para divulgação e preservação dos registros. Em breve, os materiais produzidos estarão disponíveis em um site próprio, com fotos, vídeos das apresentações e um documentário. Tudo isso buscando divulgar e preservar a memória destas manifestações tão presentes no município de Mostardas Estas atividades e outros ciclos de oficinas realizados ao longo de 2025 e 2026 fazem parte do projeto Festejos e Encontros da Cultura da Tradição Popular das Comunidades Quilombolas da Península do Litoral Norte (Edital SEDAC nº25/2024 PNAB RS – Cultural Viva). O Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre vem atuando junto ao projeto desde outubro do ano passado (confira aqui e aqui). Oficineiros: Gustavo Türck e Bruno PedrottiTexto: Bruno PedrottiFotos: Bruno Pedrotti, Daniel Machado da Silva, Gislaine Souza da Rosa, Laé Terezinha MachadoRevisão: Gustavo Türck

Vai sair um filme. E ele vai ser feito por crianças.

O que ensinar sobre audiovisual para a geração alpha, a geração da hiper conectividade? Aquela que usou celular antes de aprender a falar? Que acostumou ser filmada e se observar através desses registros?Esse é um dos dilemas que aparece quando sentamos para planejar os encontros da oficina prática de audiovisual para crianças “Vamos Fazer um Filme?”, afinal, corremos o risco de sermos ensinadas ao invés de ensinar qualquer coisa. Mas entendemos que a riqueza se dá justamente nesse encontro geracional e na troca de conhecimentos, por isso, o planejamento das aulas é traçado e retraçado com a participação ativa dos pequenos cineastas – mesmo que eles não saibam. É muito fácil se aborrecer quando o entretenimento é tão fugaz e apelativo. Fazer um curta-metragem de 3 minutos pode parecer um abismo para quem é bombardeado por pílulas minúsculas de conteúdo digital brilhante, afetado, turbinado.O desafio aqui, nos parece, é focar na importância da história a ser contada e na condição de ser equipe. Entender que as pessoas podem fazer coisas diferentes mas contribuem para a construção comum. Exercitar a escuta, a paciência, respeitar o espaço do outro no meio da sessão de cinema, por exemplo. Ser público. Também, se comunicar, levar ao receptor uma mensagem que seja entendida, tanto numa ideia dada em oficina quanto na construção do roteiro a ser filmado. Aí a gente pode chegar à conclusão. Não precisa fazer um filme para trabalhar tudo isso. Não, não mesmo. Mas a gente gosta de fazer filmes. Dá trabalho, mas é mágico pois te atribui uma condição muito especial: a de concretizar outras realidades, realizar o irrealizável. Só por isso, vale a pena. O teatro tem esse poder também. Então, aproximamos nesta oficina a linguagem do audiovisual com a do teatro, misturando dinâmicas e servindo-se das ferramentas necessárias para fortalecer o grupo e as histórias contadas.Olhar a euforia de uma criança que concebeu uma ideia, os colegas abraçaram e ao final da aula ela viu o resultado dessa ideia na tela, é incrível. Na verdade, é tudo o que se quer enquanto educadora e artista, sentir o gosto pelo fazer, se emocionar e emocionar o outro. Resultado do exercício de animação em stop motion. Esta oficina de audiovisual acontece nos meses de março e abril de 2026 e integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS.

Oficinas de Inclusão Digital com ênfase em Produção Audiovisual já tiveram 3 ciclos em Mostardas

Ao longo de 2025 – e ainda neste 2026 que se inicia -, o Ponto de Cultura STR Mostardas vem desenvolvendo o projeto Festejos e Encontros da Cultura da Tradição Popular das Comunidades Quilombolas da Península do Litoral Norte (Edital SEDAC nº25/2024 PNAB RS – Cultural Viva). São diversas oficinas oferecidas: de música (capacitação de linguagem artística), capoeira, brincadeiras populares, inclusão digital e ações de salvaguarda da cultura tradicional mostardense expressa pelos festejos de Pagamento de Promessas, Terno de Reis, além de outros conhecimentos tradicionais. O Coletivo Catarse, parceiro neste projeto, vem desde outubro ministrando oficinas de inclusão digital, com ênfase na produção audiovisual, nas escolas de ensino fundamental Marcílio Dias e Nossa Senhora Aparecida. Foram encontros de leitura audiovisual, reflexão sobre ferramentas digitais e seus usos além de exercícios práticos de produção que geraram por enquanto 3 curtas-metragens de ficção e 2 curtas-documentários. A região de Mostardas é geograficamente muito interessante, pois fica entre o Oceano Atlântico e a Lagoa dos Patos, e, apesar de ser muito desgastada pelo agronegócio, é riquíssima em recursos naturais com uma fauna abundante, parte preservada por conta do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, localizado há 20 km do centro de Mostardas. Além disso, é uma região muito antiga, e os resquícios do período da escravidão são notados a olhos vistos (pelo menos pelos olhos mais sensíveis), atribuindo-se uma atmosfera mística, por conter histórias de um passado ainda recente em suas ruas, construções e práticas culturais. São três as principais comunidades quilombolas no município: Comunidades Quilombolas dos Teixeiras, Beco dos Colodianos e Casca, sendo esta última a única titulada, embora as outras duas também já estejam organizadas a partir de associações e tenham este objetivo de formalização. O Terno de Reis, o Ensaio de Pagamento de Promessa, o arroz quilombola, o feijão sopinha, o cobertor mostardense, entre tantas outras referências, fazem da região de Mostardas – com São Simão, Solidão e Bacopari – e Tavares lugares de uma potência cultural incrível, mas, muitas vezes, ignorada por grande parte da própria população que ali vive. Nota-se muito rapidamente que os mais jovens já estão um tanto desconectados dessas raízes, demonstrando-se, às vezes, até mesmo uma autoestima fragilizada. Por isso a importância de projetos culturais como este promovido pelo Ponto de Cultura STR Mostardas, que coloca luz e fomenta essas manifestações para que não sejam esquecidas. É como pondera Luiza Lemos, funcionária da Casa da Cultura do município: “Conhecer a cultura, né? É como eu sempre digo, a cultura tá ficando pra trás. Um povo sem história é um povo sem cultura. E a história… não podemos deixar morrer. A história de onde veio? De onde veio o povo? De onde veio o negro? A gente tem que saber isso aí. Como é que o negro chegou até aqui. Ele veio como escravo, trabalhar para o seu senhor. Muitos não conseguiram, muitos morreram pelo caminho. Mas a gente tem que saber de onde veio. Mostardas, afroaçoriana. Não é a cor, quem manda é a pessoa, o caráter”. Até abril do ano que vem, o Coletivo Catarse voltará a Mostardas com o objetico de produzir outros audiovisuais através de oficinas, uma delas a ser desenvolvida em uma das comunidades totalmente focada no registro de memória e patrimônio das expressões culturais tradicionais locais. Enquanto isso, assista alguns filmes produzidos nas oficinas:

Planta Somos e A Escola Assombrosa das Artes do Medo encerram as oficinas de Teatro do Ventre Livre

O dia 16/12, no Teatro Carlos Carvalho, Casa de Cultura Mário Quintana marcou o encerramento das Oficinas de Teatro Infantil do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre com a apresentação do espetáculo: A Escola Assombrosa das Artes do Medo. A abertura da noite foi marcada pela performance “Plantas Somos”, construída a partir da Oficina de Jogos Teatrais para Adultos do Ponto. Foram 6 meses de encontros que culminaram neste encontro final, onde os oficinandos puderam compartilhar com as famílias suas expressões artísticas e histórias criadas ao longo de todos estes meses. “Durante o primeiro semestre de Oficina, criamos um vinculo entre a pequena turma e começamos a abordar, além de princípios e fundamentos do teatro, a desinibição, a expressão corporal e emocional, a projeção vocal e nossa conexão em cena. Abordando temas sensíveis e extremamente importantes como questões de gênero. A apresentação foi impactante e muito comovente.”, Rê Amorim, oficineiro da turma das adultas. “A oficina, mais do que um resultado final, este trabalho foi a celebração de um processo: semanas de jogos teatrais, criação coletiva, improvisações, experimentações com corpo, voz, objetos e sucatarias, onde cada criança foi protagonista da sua própria invenção cênica.O palco foi ocupado por imaginação, trabalho compartilhado e muitas risadas.”, Lorena Sánchez, oficineira da turma das crianças. Agradecimento especial à Comuna do Arvoredo, pelo espaço, parceria e acolhimento, à Casa de Cultura Mário Quintana, e a todas as famílias que confiaram e caminharam junto nesse processo. Ficha técnica: Artistas (adultas): Anahi Fros, Cristina Pinheiro, Gislaine Almeida, Joana Braun e Temis Nicolaidis. Artistas (crianças): Vicente Maranhão de Oliveira, Alice Tabarkiewicz Machioli, Nina Bueno Noguez, Karim Zortea portaluppi, Bento Finstag Rosa Oliveira, Caetano de Brito Louzada, Ana Líbera Scarrone Neves, Mainô Türck, Nauê Bassi da Silva Fabrício Fros Fortes e Lúcia Miele Professora da oficina, direção do espetáculo e sonoplastia: @loresanchez_apaProfessor da oficina e direção da performance: Rê AmorimAssistência de produção: @temis.nicolaidisFotografia: @billy.valdezTrilha sonora original: Marcelo CougoIluminação: @lua_pasquiEquipe de apoio:@alexxandre_malta , Rê Amorim e @gugaturcknacatarsedalua e @mainoturck Realização: NIA – Núcleo de Investigação Artística do Coletivo Catarse / Ponto de Cultura e Saúde Ventre LivreProdução: Coletivo Catarse 𝘈 𝘢𝘵𝘪𝘷𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘪𝘯𝘵𝘦𝘨𝘳𝘢 𝘰 𝘱𝘳𝘰𝘫𝘦𝘵𝘰 “𝘗𝘰𝘯𝘵𝘰 𝘥𝘦 𝘊𝘶𝘭𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘦 Saúde 𝘝𝘦𝘯𝘵𝘳𝘦 𝘓𝘪𝘷𝘳𝘦 – 𝘜𝘮 𝘢𝘯𝘰 𝘥𝘦 Programação 𝘯𝘢 𝘊𝘰𝘮𝘶𝘯𝘢 𝘥𝘰 𝘈𝘳𝘷𝘰𝘳𝘦𝘥𝘰 (𝘦 𝘮𝘢𝘪𝘴)”, 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘤𝘰𝘯𝘵𝘦𝘮𝘱𝘭𝘢𝘥𝘰 𝘱𝘦𝘭𝘰 𝘌𝘥𝘪𝘵𝘢𝘭 𝘚𝘦𝘥𝘢𝘤 𝘯° 25/2024 Política 𝘕𝘢𝘤𝘪𝘰𝘯𝘢𝘭 𝘈𝘭𝘥𝘪𝘳 𝘉𝘭𝘢𝘯𝘤 (𝘗𝘕𝘈𝘉) – 𝘙𝘚

Vem aí: “A Escola Assombrosa das Artes do Medo”!

Foto: Billy Valdez Onde pequenos monstros treinam para virar grandes assustadores…mas, nessa turma, nada acontece como esperado!Entre sustos desastrados, gargalhadas e muita imaginação, os jovens aprendizes descobrem que o medo também pode ser divertido. O espetáculo é uma mostra de processo, criado coletivamente pelas crianças da Oficina Teatral para Crianças, sob coordenação de Lorena Sanchez. E para deixar o dia ainda mais especial, teremos uma abertura com performance da Oficina de Jogos Teatrais para Adultas, orientada por Rê Amorim. A apresentação integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre — Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, realizado pelo Coletivo Catarse, contemplado pelo Edital Sedac nº 25/2024 — Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS. Serviço:A Escola Assombrosa das Artes do Medo📅 16/12 às 20h📍 Teatro Carlos Carvalho, 2º andar da Casa de Cultura Mário Quintana🎟️ Ingresso único: R$ 20,00 pelo Sympla A atividade integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS

Teatro pra todas, todos e todes!

Desde julho, o teatro está a mil na Comuna do Arvoredo, dentro da programação do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)” contemplado no Edital Sedac nº 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS. São três turmas, incluindo crianças e adultas, que vêm experimentando no corpo a ludicidade da arte teatral, a expressão e a partilha em grupo. As duas turmas das crianças (de 6 a 9 e de 10 a 12 anos) desde antes do projeto PNAB, já vivenciavam esse espaço, experenciado no salão Zé da Terreira e consolidado dentro da Comuna do Arvoredo pela professora de teatro Andressa Corrêa e que, em 2025, está sob a batuta da atriz, arte-educadora e produtora cultural Lorena Sánchez*. Mais uma vez, as crianças estão mergulhando em um percurso de criação cênica que partiu do próprio universo delas: seus jogos, suas histórias, invenções, perguntas, afetos e formas de ver o mundo e acolher as divergências. O trabalho tem como base jogos de aquecimento, improvisações, brincadeiras de corpo e voz, dança e musicalidade. Também foi incorporado à oficina, como fonde de inspiração, o projeto “Sucatadora de Histórias”, idealizado por Lorena, onde práticas de coleta de objetos e memórias se tornam laboratório de transformação narrativa. Os objetos do cotidiano, como tecidos e utensílios de cozinha, assim como sucatas, foram transformados em adereços e bonecos, mas não apenas como recursos cênicos, senão como extensão da imaginação. Cada exercício busca ampliar o olhar para o coleguinha e a capacidade de construir algo em conjunto. Agora, o grupo entra na etapa da tão aguardada de montagem de final de ano. A mostra de todo esse processo, que tomará forma como um espetáculo de criação coletiva, está agendada para o dia 16 de dezembro, no Teatro Carlos Carvalho, da Casa de Cultura Mario Quintana. O que se verá no palco não é uma peça pronta ao molde tradicional, mas o registro de tudo o que está sendo construído, sentido e inventado pelas crianças ao longo da oficina: o teatro como espaço de experiência, e não apenas de resultado. Antes disso, e como parte importante deste percurso, Lorena promove uma atividade de criação entre famílias, onde responsáveis e crianças serão convidados a confeccionarem juntos materiais de cena, figurinos e adereços. Será um momento de colaboração e partilha, fortalecendo vínculos dentro e fora do palco. Já a turma dos adultos foi inaugurada a partir da vontade de algumas mães de aproveitar esse momento da aula dos filhos para, também, fazer teatro. Resultou em um grupo de seis mulheres, com aulas ministradas por Rê Amorim**. Os encontros das adultas tem sido um lugar de trabalho e, ao mesmo tempo, de diversão e prazer. Tem sido desenvolvidas questões de desinibição, expressão corporal e emocional, junto com conexão interpessoal, confortavelmente saindo da zona de conforto de cada uma. E, por fim, criando e desenvolvendo os princípios e técnicas teatrais de estar em cena. O final do ano aponta para apresentações muito especiais das turmas na Casa de Cultura Mário Quintana, incluindo a das adultas, fechando as oficinas com a experiência profunda de estar no palco. Portanto, te agenda, que dezembro está logo ali. *Lorena Sanchez é atriz, arte-educadora e produtora cultural, com formação popular e experiência em processos colaborativos de criação cênica. Atua com pedagogias do objeto e do jogo lúdico como ferramentas de expressão e colheita de memórias. **Rê Amorim, palhaço há 12 anos e educador-social, integrante da Comuna do Arvoredo. Pela ONG Doutorzinhos, em Porto Aalegre, durante oito anos esteve por hospitais e instituições, se envolvendo e sendo tocado pelo mundo. Em Guaíba, pode conhecer o Teatro do Oprimido, método de resistência e transformação social. Além disso, ministrou a oficina “Palhaçaria Popular” para adultos. Cursou dezenas de oficinas com Ésio Magalhães, Pepe Nuñes, Melissa Dorneles, Raquel Sokolowicz, Avner Eisenberg, Ivan Prado entre outres, trocando e aprimorando habilidades nessa longa caminhada da pesquisa artística. Texto: Têmis NicolaidisRevisão: Anahi Fros

Porto Novo ganha projeto de comunicação com olhar de jovens estudantes

O ainda adolescente Conjunto Habitacional Porto Novo, no bairro Santa Rosa de Lima – cujo processo de remoção e reassentamento das famílias da Vila Dique teve início em 2009 pela Prefeitura de Porto Alegre – acaba de ganhar um projeto de comunicação e autoestima que conta parte de sua história. Os registros incluem documentário realizado em oficinas com alunos da EMEF Porto Novo, perfil no Instagram, administrado pelos oficinandos e uma série de seis podcasts contando a história da comunidade e as dinâmicas e questões sociais que envolvem o desenvolvimento de uma metrópole como Porto Alegre (confira ao final). O resultado da proposta foi conhecido pela comunidade na tarde da quarta-feira, 1º de outubro, durante sessão de exibição do documentário Porto Novo – Um Lugar Melhor, na sede da escola. As turmas do 9º ano não foram escolhidas ao acaso para comporem este trabalho. Boa parte dos alunos faz parte de uma primeira geração nascida e crescida no conjunto habitacional. Como moradores em apropriação do local, eles indicaram quem seria entrevistado e filmaram boa parte das cenas. O filme foi aclamado ao seu término, com muitas palmas e falas potentes ao final da projeção. Para chegar ao resultado, os jovens participaram de aulas e vivências voltadas à introdução da linguagem audiovisual com foco no fortalecimento da autoestima, do pertencimento e da valorização da identidade territorial. A condução ficou a cargo de Lorena Sánchez e Maria Apollo, oficineiras, produtoras culturais, que fizeram direção geral e de produção do projeto perante as ações na comunidade, também auxiliando nos processos de roteiro e edição do documentário. “Falar sobre a nossa comunidade e a nossa escola é muito top, sentir isso, essa energia. Ninguém vê o que a gente passa aqui, o que vivemos, somente nós que sabemos. Foi muito legal, interessante e muito bom participar disso e saber que vamos ser mostrados para todo mundo. Desde o começo, achei interessante e botei fé, mas não tinha esperança que avançaria tanto. Mas elas (as oficineiras) falavam sempre que iria ter. Ficou perfeito! É bom se enxergar, mesmo que a gente fique com um pouco de vergonha” – comentou, ao final da exibição, a estudante Maria Eduarda Rodrigues de Moraes, 15 anos. “Gostei de participar. Foi tudo novo pra mim, mas bem legal. Não imaginava que iria ficar tão bom. Não tinha antes a ideia da importância da comunidade” – confessou Isabela Baptista Lucas, 15, nascida no conjunto habitacional. A iniciativa foi desenvolvida pelo Coletivo Catarse com o apoio da Unidade de Saúde Santíssima Trindade e da EMEF Porto Novo, por meio de Emenda Parlamentar Impositiva aprovada pela Câmara Municipal de Porto Alegre, através do mandato do então vereador Leonel Radde (PT). A partir de perguntas como “O que significa, para ti, morar neste lugar?” e “Do que você mais gosta em você?”, eles escolheram lideranças comunitárias e escolares para entrevistar, aproximando-se, assim, da história viva de sua comunidade. As oficinas também incentivaram um novo olhar sobre o cotidiano. O trajeto de casa até a escola foi ressignificado por meio de registros fotográficos e textos criativos, instigando uma percepção mais poética do local onde vivem. “Os participantes entraram em contato com diferentes etapas da produção audiovisual, como criação de identidade visual, gerenciamento de conteúdo em nuvem, desenvolvimento de um perfil exclusivo no Instagram e planejamento dos bastidores de comunicação, mergulhando em um processo formativo que vai além da técnica, incorporando organização, expressão e escuta ativa, tornando cada um protagonista da construção de narrativas sobre sua realidade”, explica Lorena. E complementa: “A proposta consolidou a escola e a unidade de saúde como espaços de encontro, expressão e mobilização social”. Solange Medeiros, diretora da EMEF Porto Novo, à qual se refere como “A escola do abraço”, relata que há uma sensação de pertencimento crescente entre os moradores e comunidade escolar e que, por isso, as coisas acabam acontecendo. “Tudo passa pela escola. Desde o início do reassentamento, a comunidade se encontrava uma vez por mês nas nossas dependências para fazer reuniões, porque não existia uma associação comunitária. Dez anos depois, isso permanece. Nós entendemos que este território precisa da ação dessas lideranças”, defende Solange. Para a assistente social da Unidade de Saúde Santíssima Trindade, Tiana Brum, uma das mentoras do projeto e uma das entrevistadas para o documentário e também do podcast, estar no território fazendo o acompanhamento da comunidade é também estar na luta pela promoção da saúde. Ela comenta: “A gente entende a saúde como acesso à casa, ao trabalho, à alimentação, à cultura, ao lazer. É justamente o conceito ampliado de saúde que trabalhamos. Acabamos sendo essa mediação para muitos direitos, fazendo essa articulação com outros equipamentos e políticas públicas. Buscamos construir esse senso, esse sentimento de comum+unidade, com pessoas vindas de diferentes territórios se reconhecendo com essa identidade territorial”. Produtos realizados dentro do projeto::: Documentário com cerca de 40 minutos – “Porto Novo – Um Lugar Melhor”:: “Porto Novo podcasts”, uma série de 6 episódios com conversas que versam sobre parte da história da comunidade e sobre questões inerentes a dinâmicas de espaços urbanos como os da capital dos gaúchos:: Perfil no Instagram: @projetoportonovo_101:: produção de Reels com imagens captadas pelos alunos abordando temas como resiliência, empoderamento, autoestima, território e amizade (publicação no instagram):: Dez fotopoesias (colagens fotoartísticas para publicação no Instagram) Sobre o Conjunto Habitacional Porto NovoÉ o local para onde os moradores da antiga Vila Dique foram realocados após processo de remoção iniciado em 2009 pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre, em função da ampliação da pista do Aeroporto Internacional Salgado Filho, contando também com habitantes da Morada do Sol e remanescentes da Vila Floresta. Fica situado ao lado do complexo cultural do Porto Seco, na Zona Norte de Porto Alegre. A antiga Vila Dique ficou conhecida por esse nome porque acabou se formando em torno de um dique, criado em épocas de chuva, para que as águas do Rio Gravataí não pudessem invadir a pista do aeroporto. Muitos moradores vieram do interior do estado, constituindo, assim, suas famílias e …

Dj Piá “in da house” com a Oficina de Hip hop – discotecagem e história

Nesse setembro, completamos mais uma oficina em parceria com o DJ Piá. Durante 2 meses, recebemos semanalmente na Comuna do Arvoredo as aulas da ” Oficina de Hip hop – Discotecagem e História com Dj Piá”, que integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS. Alem de aprenderem, na prática, as técnicas de discotecagem, os oficinandos tiveram momentos de troca de saberes e informações da história da música negra, voltada ao seguimento do hip-hop, trazendo uma linha do tempo do que estava acontecendo no exterior e, ao mesmo tempo, no Rio Grande do Sul e Brasil. Os alunos também contaram com uma aula sobre acessibilidade, com a nossa parceira Simone Dornelles. E a grande surpresa estava no final. Ao término da oficina, quem se sentiu seguro pôde colocar em prática o aprendizado de discotecagem numa festa de enceramento, que aconteceu em 19 de setembro, uma sexta-feira, durante dia de Maria Maria Espaço Cultural, que transformou a nossa Garajona em uma grande pista de dança. * Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)” tem ainda na sua proposta a previsão (já em execução) de pelo menos 40 atividades culturais diversas na Comuna do Arvoredo, em coprodução com a Maria Maria Espaço Cultural até maio de 2026. Fiquem ligados nas nossas redes! Seguem alguns registros feitos durante a oficina e da festa de encerramento. Oficina Festa de Encerramento Fotos: Billy Valdez

Oficina de Hip Hop – História e Discotecagem com DJ Piá

Curso básico de discotecagem com toca-discos, controladores, software de DJ e formação teórica para oficineiros no elemento conhecido. Esta oficina serve para qualquer estilo musical como RAP, Original Funk, Rock, Trap, Funk Carioca, POP Music ou Música Brasileira, para iniciantes e para quem já tem experiência. A ideia é deixar o oficinando preparado para trabalhos de DJ como: animandor de festas (Open format), discotecagem artística, trabalho em grupo ou bandas, produção musical e DJ de competição. – Ensino de instalação de equipamentos específicos;– Técnicas básicas de mixagens;– Como fazer scratches, colagens musicais, noção básica dos equipamentos de DJ;– Teoria musical para iniciantes;– Mapeamento musical;– Divisões rítmicas;– Contagem de BPM’s;– Características de mixagem em diferentes estilos musicais;– Organização repertório;– Gravação de set musical e operação de software para DJ. Abordagem de questões históricas do Hip Hop: o Movimento, seu surgimento, desenvolvimento, suas características no Brasil e sobre a trajetória da música negra no Rio Grande do Sul, além da representatividade de diversidade existente no movimento do Hip Hop atual. Inscrições gratuitas aquiVAGAS LIMITADAS!*idade mínima de 16 anos A Oficina de Hip Hop – História e Discotecagem com DJ Piá integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS.