Carijo Aceso na Serra registra a II Carijada Kaatártica

Na última lua cheia do verão de 2026, mais especificamente entre os dias 27 de fevereiro e 1 de março, a FLONA (Floresta Nacional) de Canela recebeu a II Carijada Kaatártica. O evento representou um resgate de uma cultura de produção originária da erva-mate em contraste com a industrialização da planta, que é base de bebidas tradicionais do cone sul como o chimarrão, o tererê e o chá-mate. A atividade foi uma realização do Coletivo Catarse com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e das retomadas kaingang Gah Ré, de Porto Alegre, e Kógünh Mág, de Canela e integrou o Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Por conta do ineditismo do encontro – afinal foi a primeira Carijada realizada dentro de uma unidade de conservação e ainda com a participação dos povos originários de que se tem notícia – o vídeo de registro mereceu um aprofundamento maior. No total foram captados depoimentos de nove pessoas, três kaingangs e 6 fógs (não indígenas) por uma equipe multiétnica que teve como entrevistadora a jovem kaingang Roberta Kokoj e os cinegrafistas fóg Luís Gustavo Ruwer e Billy Valdez, além de registros em foto e vídeo da fóg Amallia Brandolff e da jovem kaingang Marcielly Fuá. Vale destacar também a trilha sonora original Carijo Aceso na Serra, composição de Marcelo Cougo que dá nome ao minidoc. Entre momentos marcantes captados estão a história do pilão da Nilda, o ritual de abertura do sapeco pela Kujá (xamã) Gah Té, e as impressões dos participantes sobre a experiência de colheita nos ervais nativos da FLONA em meio a uma exuberante floresta de araucárias. A obra também retrata um pouco da relação do povo kaingang com a kógünh (erva-mate) e reforça que o beneficiamento desta planta é fruto de tecnologia ancestral dos povos originários. Ficha técnica:Imagens de:Amallia BrandolffFuáKokoj (Roberta)Luís GustavoBilly Valdez Edição de:Bruno PedrottiBilly Valdez Trilha sonora original:Marcelo Cougo“Carijo aceso na Serra”Mix Gustavo Türck

Carijo no Jardim ecoa a tradição artesanal na área urbana de São Lourenço do Sul

Cerca de 20 pessoas se reuniram em São Lourenço do Sul nos dias 18 e 19 de abril , na chamada Costa Doce Gaúcha, para um encontro de feitio artesanal de erva-mate. Utilizando o método do Carijo, produziram coletivamente cerca de 30 quilos da planta para infusão. Ao longo da manhã do sábado, dia 18, foram podadas duas plantas adultas de Ilex paraguariensis da variedade Cambona – conhecida pelas folhas grandes, com algumas chegando ao tamanho de uma mão -, que não recebiam manejo há quase 30 anos. No final da tarde, iniciou-se o sapeco e encarijamento. A atividade reuniu participantes de São Lourenço, Porto Alegre, Jaguarão, Canguçu e até mesmo de Ilópolis, Capital Gaúcha da Erva-Mate. A inciativa reuniu pessoas de todas as faixas etárias, de crianças a idosos, todos com alegria e disposição compartilhando juntos o fazer coletivo. A organização foi da rede que vem produzindo uma série de carijadas na região de São Lourenço desde 2023, com alguns integrantes engajados nesta cultura e facilitando manejos artesanais desde 2018, principalmente na região sul do estado. O espaço que acolheu o evento foi O Jardim – Espaço Cultural, que reúne ações de arte, cuidado e convivência como cerâmica, costura, bordado, beneficiamento e tingimento natural de lã; compostagem; plantas medicinais, socialização e arte juntamente com a AMAFE/SLS – Associação Mães Atípicas Fênix de São Lourenço do Sul, karaokê, cinema e tantos outros. Reunidos no local e contemplando uma madrugada de céu limpo e estrelado típico da lua nova, os viventes secaram a erva por cerca de 15 horas utilizando lenha de Maricá – a árvore nativa conhecida pela excelente brasa havia sido cortada pela companhia elétrica que atua no unicípio (CEE Equatorial) no ano anterior. Por fim, colocaram a erva no soque mecânico e no pilão, para, depois, fazer a partilha. Tudo isso regado a boa prosa, a música de Jerônimo J. R. Silva – que foi da milonga ao reggae em canções combativas e de valorização da sociobiodiversidade – e comida deliciosa, com direito a galeto, carreteiro e até mesmo sushi vegano. Enquanto os presentes se deliciavam com a erva recém produzida, circulou pela roda uma infinidade de ideias. Novos carijos, mateadas, atividades, pessoas e grupos para entregar um pacote da erva novinha . Tudo para seguir divulgando esta cultura carijeira, fomentando encontros, partilhas e manter a roda circulando com a brasa acessa. O encontro ainda teve o importante papel de reafirmar a potência da cultura carijeira ao sul do estado, onde grupos e coletivos seguem divulgando e praticando esta cultura ancestral de origem indígena. Na região, são manejados tanto ervais plantados quanto nativos em áreas de transição com a Mata Atlântica e mesmo em áreas florestais do pampa. De fato, o que se verifica hoje no Rio Grande do Sul é uma forte presença do carijo, de Norte a Sul e ainda no Noroeste e nos Vales do Litoral. Pelo trabalho e dedicação de tantos grupos diferentes de pessoas a esta cultura, tudo indica que a prática só deve crescer, alcançando cada vez mais viventes e resgatando esta prática ancestral em cada vez mais territórios. Que o Carijo siga forte ao sul e no estado como um todo, conectando e acalentando vivências e encontros. Viva a cultura carijeira! Texto: Bruno PedrottiFotos: Giulia SicheleroEdição: Anahi Fros

Mateando vivências: Carijada Kaatártica na FLONA celebra o encontro e a tradição ancestral

Domingo, 1º de março e última Lua Cheia do Verão. Ao amanhecer, sigo rumo ao carijo. A brasa aquece a estrutura onde estão dispostos os cerca de 80 quilos de ramos da erva-mate, colhidos no dia anterior, e uma chaleira já chiando a água para matear. Dou bom dia aos viventes que resistiram à madrugada, de olho na secagem lenta sobre o calor brando do fogo, que não pode apagar. O colega cuidando da lenha me entrega, de pronto, uma pequena, mas gigante, tarefa: “Faz um mate pra nós? Naquele canto ali já tem umas folhas secas”. Não é qualquer um, mas o primeiro da carijada, iniciada na sexta-feira dia 27 de fevereiro. O evento – em sua segunda edição, esta possível graças ao apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da comunidade kaingang local – também é o primeiro realizado em uma unidade de conservação e, ainda por cima, dentro de uma aldeia kaingang, a Retomada Kógünh Mág (“erva grande“, em português). Busco as folhas que já se quebram ao tocar e as coloco no pilão da Nilda – uma das indígenas que plantou a semente da aldeia em que estamos e, quando ancestralizou, deixou a peça de herança para os filhos e netos. Entalhado com as duas metades kaingang, Kamé (Sol) e Kairu (Lua), o pilão é uma entidade em si. Peço a permissão para a cacica Iracema Gah Té, da Retomada Gãh Ré – localizada no Morro Santana, em Porto Alegre –, que, então, acena com a cabeça. Pilo um pouco e, por conta da mistura do cansaço acumulado com a curiosa expectativa que toma conta do ambiente, me contento com a moída grossa. Cevo, provo para aquecer a erva e passo adiante. Por suposto, o primeiro é da Kujá (xamã), que o saboreia, e segue a roda. Conforme passa de mão em mão, vai tornando-se unânime o veredito: a erva está excelente, com um amargor moderado e um defumado marcante. A impressão vai se reafirmando à medida que surgem novas possibilidades: outra cuia com uma moída fina, seguida de uma pura folha para, depois, seguir pela moídas mecânicas de dois soques distintos, uma fina e outra grossa, com mais galhos. O processo de feitio artesanal começou no dia anterior. Na manhã de sábado, foram podadas cerca de 20 árvores de erva-mate em meio à mata nativa. Já no início da tarde, as equipes finalizaram o manejo de dois pés plantados no pátio do professor Léo e recolheram grimpas de araucária e lenha. Na sequência, seguiu-se o processo de sapeco e encarijamento. Estas duas últimas etapas ocorreram com a adesão massiva da comunidade kaingang, movimento que contagiou os participantes da atividade – afinal, a carijada é um método tradicional de origem indígena, e o interesse da aldeia acabou por demonstrar a potência da ação. A erva foi, em fim, colocada no carijo para receber o calor de um fogo de brasa até próximo das 12h do dia seguinte. Após, foi cancheada, pilada, moída e distribuída. No total, o evento recebeu cerca de 20 inscritos, além de dez pessoas da equipe de produção, bem como a participação da comunidade kaingang e dos servidores do ICMBio, totalizando cerca de 50 participantes. Participaram desde bebês de colo e crianças até anciãs e anciões, cada um contribuindo segundo as suas possibilidades. Graças ao trabalho coletivo, o resultado foi uma carijada histórica. A estrutura do carijo foi mantida na FLONA para fins de educação sociambiental pelo ICMBio. Os galhos mais grossos foram encaminhados para famílias da Kógünh Mág e serão aproveitados como lenha. Os galhos mais finos, que sairam no cancheamento, seguiram a diversas mãos para serem aproveitados ou como chá-mate ou curtidos com cachaça. Os viventes voltaram, então, felizes para suas cidades: Porto Alegre, São Lourenço do Sul, São Francisco de Paula, Passo de Torres e Panambi. Outros permaneceram em Canela. Destes, é provável que alguns devam estar estranhando a calmaria na aldeia e na floresta, mas gerando um certo alívio da equipe da produção, que constantemente pedia por taquaras ou eucaliptos a serem manejados, ou por ferramentas a serem emprestadas. Também, certamente, ficou a saudade dos encontros, das prosas, das reflexões, do alimento compartilhado, feito sobre um fogão campeiro construído em uma clareira, das novas amizades ou reencontros inesperados. Estamos, desde então, relembrando dos bons momentos e saboreando o doce amargo de uma erva carregada de tantas histórias. Fica difícil não se perguntar: quando será a próxima? (em breve!) A atividade integra o Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno PedrottiEdição: Anahi FrosFotos:@coletivocatarseAmallia Brandolff – @amalliabrandolffBilly Valdez – @billy.valdezFuá – @marcielysalvadorKokoj (Roberta)Luís Gustavo – @libredasilva

Mapeando ervais nativos da FLONA

Dentro dos preparativos para a II Carijada Kaatártica, que será realizada nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1° de março, uma equipe do Coletivo Catarse visitou a Floresta Nacional de Canela (FLONA) no último dia 10. Com profissionais das áreas da Geografia e Comunicação e acompanhamento técnico do ICMBio, a equipe percorreu os 3 km da trilha da mata nativa buscando identificar e mapear os pés de erva-mate (Ilex paraguariensis) a serem podados durante a atividade na Unidade de Conservação (UC) federal de uso sustentável. Apenas nesse trecho, foram identificadas e georreferenciadas mais de 40 plantas.  Entre mudas e plantas jovens, características da mata em processo de regeneração, foram encontradas também plantas adultas, inclusive matrizes já com “filhotes” próximas. A matriarca do local, já conhecida do ICMBio, possui 12,7 metros de altura. Para efeito de comparação, as plantas em ervais cultivados tem uma média de 3 metros.  Ao longo da carijada, algumas serão podadas para a produção artesanal da erva-mate. O manejo não prejudicará as plantas, que são extremamente resistentes a podas. Ao contráro, a prática acaba sendo uma forma de renovação benéfica aos indivíduos. Para ajudar na recuperação posterior, será feita uma poda não tão radical, deixando algumas folhas e galhos para que possam seguir captando a luz solar neste final de verão, encaminhamento definido juntamente com Lisandro Signori, chefe da UC.   Estes cuidados extras estão sendo pensados justamente porque a FLONA é um espaço de cuidado com a natureza. Seu diferencial em relação a outras categorias de UCs – que permite que uma atividade como a carijada seja realizada – é justamente o incentivo para o manejo sustentável da biodiversidade nativa. Neste ano, a unidade completa 80 anos. Sua origem está ligada a uma iniciativa governamental de plantio de araucárias buscando incentivar a pesquisa e produção florestal relacionados à espécie, símbolo do planalto sul brasileiro. Presença Kaingang e a Kógünh Desde o ano de 2020, a FLONA é também o lar da comunidade kaingang da Retomada Kógünh Mág, de Canela. O próprio nome da aldeia, que em português significa erva grande, já demonstra a relação deste povo originário com a ilex. De fato, a planta é considerada sagrada pelos kaingang, que cultivam o hábito do chimarrão e também a utilizam para fins medicinais, espirituais e no batismo de pessoas e locais.  A comunidade, juntamente com a Retomada Kaingang Gah Ré, do Morro Santana em Porto Alegre, está apoiando o evento e irá compartilhar com os participantes um pouco da cultura kaingang e da relação deste povo originário com a erva-mate. Além disso, a aldeia também irá oferecer algumas comidas típicas kaingang e uma apresentação do grupo de dança tradicional da comunidade. A vivência está com as últimas inscrições abertas até quarta-feira (25/02). Inscreva-se neste formulário. Serviço O quê: II Carijada KaatárticaQuando: 27/02 a 01/03/2026 – sexta-feira a domingoOnde: Floresta Nacional de Canela (FLONA) – R. Otaviano Amaral Píres, n° 518, Canela/RS.Dúvidas: (51) 99298.7293 (WhatsApp, com Têmis) Inscrições: neste formulário. O que levar: equipamentos para acampar, pratos, copos e talheres, ferramentas para trabalho rural, se tiver (facão, serrote de poda, pilão), itens de higiene pessoal, roupas e sapatos para frio e umidade, repelente e protetor solar. Programação: 27/02 – Sexta-feira – Montagem do carijo e do sapeco13h – Receptivo14h – Construção do carijo utilizando os materiais coletados17h – Montagem do cancheador 28/02 – Sábado – Colheita, sapeco e ronda9h – Manejo dos ervais nativos da Flona13h – Sapeco17h – Encarijamento e ronda 01/03 – Domingo – Moagem e distribuição9h – Retirada da erva do carijo, cancheamento e soque14h – Partilha da erva e despedida A atividade integra o Projeto Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais), contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno PedrottiEdição: Anahi FrosFotos: Billy Valdez

O soque se prepara para mais uma carijada

Na última quinta feira, 5 de fevereiro, uma equipe do Coletivo Catarse esteve em Triunfo, na propriedade do médico veterinário Fábio Haussen – parceiro de longa data, ele tem sido guardião do soque do Coletivo nos últimos anos. Adqurido em 2015 ao longo do Projeto Roda Carijo – que circulou realizando carijadas pelo interior do RS e exibindo o filme Carijo – o soque é um equipamento que facilita muito a produção artesanal de erva-mate. Suas 8 mãos de pilão e motor elétrico são de grande ajuda na moagem, última etapa da produção. Com a II Carijada Kaatártica marcada, a equipe encaminhou o soque ao marceneiro Juca Rocha para mais uma rodada de manutenção e ajustes. No caso do soque do coletivo, além de mais de uma década de uso, o equipamento também sofreu com a grande enchente de 2024. Com a cheia histórica no Rio Taquari, do qual a propriedade é vizinha, o soque ficou debaixo da água, juntamente com boa parte de Triunfo e do estado. Ainda em 2024, Juca conseguiu fazer uma primeira manutenção no equipamento, que participou no final de julho daquele ano da II Carijada Serrana no Caconde. Passados quase dois anos, o soque retornou na semana passada à oficina para novos reparos. Até porque a próxima carijada já tem data marcada. No último final de semana de fevereiro, dias 27 e 28 e 1° de março, será realizada a II Carijada Kaatártica. Esta edição se apresenta como uma oportunidade única, pois acontecerá na Floresta Nacional de Canela (FLONA), uma unidade de conservação voltada ao manejo sustentável dos ecossistemas florestais. Também estão apoiando o evento as retomadas Gah Ré e Kognhun Mag do povo Kaingang, respectivamente do Morro Santana, Porto Alegre, e Canela. Será um bom momento de se desfrutar os 500 hectares de belas paisagens do bioma Mata Atlântica da FLONA e vivenciar um pouco da cultura originária de povos originários como o Kaingang. Além, é claro da possibilidade de se produzir artesanalmente uma erva-mate pura e sem agrotóxicos. Serviço O quê: II Carijada KaatárticaQuando: 27/02 a 01/03/2026 – sexta-feira, sábado e domingoOnde: Floresta Nacional de Canela (FLONA), R. Otaviano Amaral Píres, N° 518, Canela/RS.Dúvidas por whats: (51) 99298.7293 (Têmis) Inscrições: neste formulário. O que levar: equipamentos para acampar, pratos, copos e talheres, ferramentas para trabalho rural, se tiver (facão, serrote de poda, pilão), itens de higiene pessoal, roupas e sapatos para frio e umidade, repelente e protetor solar. Programação: 27/02 – Sexta-feira – Montagem do carijo e do sapeco  13h – Receptivo14h – Construção do carijo utilizando os materiais coletados. 17h – montagem do cancheador 28/02 – Sábado – Colheita, sapeco e ronda 9h – Manejo dos ervais nativos da Flona13h – Sapeco 17h – Encarijamento e ronda 01/03 – Domingo – Moagem e distribuição 9h – Retirada da erva do carijo, cancheamento e soque14h – Partilha da erva e despedida A atividade integra o Projeto Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais), contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno Pedrotti

Carijada Kaatártica histórica ocorre no final de fevereiro na Floresta Nacional de Canela

A Floresta Nacional de Canela (FLONA) recebe nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1° de março a II Carijada Kaatártica. O método artesanal de processamento da erva-mate é uma realização do Coletivo Catarse com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e das retomadas kaingang Gah Ré, de Porto Alegre, e Kógünh Mág, de Canela. O evento representa um resgate de uma cultura original de produção em contraste com a industrialização da planta, que é base de bebidas tradicionais como o chimarrão, o tererê e o chá mate. A FLONA é uma Unidade de Conservação (UC) pública voltada à preservação da natureza por meio do uso sustentável da floresta, através da pesquisa e da educação ambiental, estando dedicada à proteção da Mata Atlântica, com mais de 500 hectares de área. Diferente dos parques, tem como foco estudar e aplicar formas responsáveis de se cuidar da natureza, mantendo os ecossistemas e recursos naturais resguardados. A unidade permitiu a realização do evento justamente pelo caráter sustentável do manejo, pois a poda das árvores de erva-mate não prejudica as plantas, ao contrário, auxilia no seu desenvolvimento. Ao longo da carijada, serão manejados diversos pés que se encontram dentro da área de mata nativa da UC.   A II Carijada Kaatártica ocorrerá no estilo vivência, detalhando cada etapa do processo, com duração de três dias (veja programação abaixo), culminando na manhã do domingo com a moagem e degustação de um mate puro, nativo, forte e originário. Esta é a 12ª segunda carijada que o Coletivo Catarse promove ou co-organiza, tendo também os cooperados do coletivo já participado de mais de 30 encontros do gênero. Com mais de uma década de trabalho no registro, divulgação e manutenção desta cultura, a cooperativa tem diversos materiais informativos sobre o tema. Vale destacar o Projeto Carijo: Herança do Conhecimento Ancestral na Fabricação Artesanal da Erva-Mate, realizado com o IPHAN em parceria com o biólogo Moisés da Luz. Por meio deste projeto, foram produzidos o documentário Carijo, o filme,  o livro Carijo, saber cultural do Rio Grande do Sul, símbolo de resistência e conhecimento indígena e camponês na fabricação artesanal de erva mate e a cartilha contendo o passo a passo para a produção artesanal no Carijo. Essa foi uma iniciativa que tornou possível a sistematização e registro daquilo que é um patrimônio imaterial da cultura brasileira e que corria risco de extinção. Carijada: patrimônio cultural vivo Carijada é um método tradicional indígena e importante patrimônio cultural vivo de secagem e processamento de erva-mate (Ilex paraguariensis) feito com o calor de um braseiro. A erva podada é colocada em uma estrutura chamada carijo, um estrado de taquara ou madeira, e recebe o calor de um fogo de chão, processo que dura um mínimo de 12 horas. Serviço O quê: II Carijada KaatárticaQuando: 27/02 a 01/03/2026 – sexta-feira a domingoOnde: Floresta Nacional de Canela (FLONA), R. Otaviano Amaral Píres, N° 518, Canela/RS.Dúvidas por whats: (51) 99298.7293 (Têmis) Inscrições: neste formulário. O que levar: equipamentos para acampar, pratos, copos e talheres, ferramentas para trabalho rural, se tiver (facão, serrote de poda, pilão), itens de higiene pessoal, roupas e sapatos para frio e umidade, repelente e protetor solar. Programação: 27/02 – Sexta-feira – Montagem do carijo e do sapeco  13h – Receptivo14h – Construção do carijo utilizando os materiais coletados17h – Montagem do cancheador 28/02 – Sábado – Colheita, sapeco e ronda 9h – Manejo dos ervais nativos da Flona13h – Sapeco 17h – Encarijamento e ronda 01/03 – Domingo – Moagem e distribuição 9h – Retirada da erva do carijo, cancheamento e soque14h – Partilha da erva e despedida A atividade integra o Projeto Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais), contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno PedrottiEdição: Anahi Fros

Carijo rebelde em Erval Grande

A fumaça do braseiro subia em direção às folhas e galhos. A água esquentava lentamente no fogo. O galpão protegia o carijo – originária estrutura para secar erva-mate – de eventuais pancadas de chuva ou do sereno da madrugada. Os viventes reunidos proseavam em roda.

Carijada rebelde em Erval Grande

A Seiva Rebelde convida para uma vivência de produção artesanal de erva-mate no carijo na pequena aldeia Ponkry Chaig sítio Pinheiro Preto, localizada em Erval Grande (RS). A atividade ocorre neste final de semana, dias 25 e 26 de janeiro.

26° Carijo da Amizade

Entre 27 de setembro e 1 de outubro foi realizada mais uma carijada na Tekoa Yvyty Porã (Serra Bonita), em Riozinho/RS. O mutirão conjunto entre a rede de apoiadores articulada pelo Sitio da Amizade e a comunidade guarani produziu coletivamente um total de 33 kilos de erva mate nativa das matas da aldeia.

II Carijada Serrana Caconde

No último final de semana de julho, foi realizada mais uma edição da Carijada Serrana no Caconde, distrito rural de São Francisco de Paula/RS. Nesta, além de se manejar os pés de erva-mate nativos em meio à floresta com araucárias da Fazenda das Taipas – propriedade que acolheu o evento mais uma vez – também foram podadas plantas cultivadas em sistema agroflorestal na propriedade do professor, da UERGS, Ricardo Mello.