Comunidade Xokleng Konglui lança livro e filme na UFRGS

Na última quinta feira, a Sala Redenção no Campus Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) recebeu o lançamento o livro “Jug Og Pãn Txi – Na trilha dos nossos antepassados: a retomada do Território Xokleng Konglui” e do documentário “Território Xokleng Konglui: 1° Seminário das Mulheres Indígenas da Floresta”, ambos realizados juntos à comunidade da retomada Xokleng de São Francisco de Paula/RS. Os cantos das crianças da Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Vanheky Veitchá Teie ecoaram pela sala de cinema no Centro de Porto Alegre. E não foi à toa, já que o livro (disponível aqui) organizado pela cacica Xokleng Cunllugn Veitchá Teie, com os pesquisadores Bibiana Harrote Pereira da Silva e Paul Schweizer, teve parte das ilustrações feitas pelos próprios jovens para apresentar a territorialidade da aldeia. “O TRF4 [Tribunal Regional Federal da 4ª Região, órgão responsável pelo julgamento do processo envolvendo a aldeia] pediu um mapa da comunidade. Aí, eu falei para as crianças desenheram aonde seria o território delas, mesmo sabendo que, para uma criança indígena, o território não tem limites. Aí elas foram colocando tudo no papel” – explicou a professora Culá Maiule Teie. Já o documentário apresentou a comunidade e sua luta a partir da perspectiva das mulheres indígenas e do 1° Seminário das Mulheres Indígenas da Floresta. Apesar das diferenças de formato e temática, as duas obras convergem na defesa do direito originário ao território. Ao longo do lançamento, a cacica Cunllugn Veitchá Teie destacou que São Francisco de Paula é território do seu povo e destacou que seu falecido pai viveu no local. “Nós estamos morando ali em São Francisco de Paula, ali no rastro do meu pai. Ali onde ele nasceu”. A luta pelo território foi reforçada justamente por ser a condição fundamental tanto para manter viva a memória dos ancestrais quanto para garantir que a juventude possa vivenciar a sua cultura e seu modo de vida tradicional. Depois de muita luta, a comunidade conseguiu o direito de permanecer no território retomado, na Floresta Nacional de São Francisco de Paula, unidade de conservação ligada ao ICMBio. No entanto, os indígenas reivindicaram que avance o processo de demarcação da sua aldeia e também combateram os ataques aos territórios e ao direito originário em todo o país. Ao final, junto com a força dos cantos ancestrais, ecoaram também na tarde chuvosa daquela quinta feira os gritos de guerra: “Demarcação já!” “Não ao marco temporal!” Texto e fotos: Bruno Pedrotti.

Grupos na cidade e no campo realizam plantios agroflorestais

No sul do Brasil, do fim do outono até o começo da primavera, se dá a principal janela de plantio do ano. A época é de grande importância tanto para agricultores familiares quanto grupos agroecológicos dos mais diversos, já que a temporada chuvosa é ideal para culturas perenes como frutíferas e árvores no geral. Além de produzir materiais de comunicação sobre agroecologia, o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre vem atuando junto destes grupos na produção de mudas nativas, organização de compras coletivas e também se engajando em ações diretas de plantio. As espécies nativas utilizadas pelo coletivo para ações de reflorestamento e implementação de sistemas agroecológicos (SAFs) geralmente são as de grande importância cultural e ecológica na região sul, como a erva-mate, araucária, butiá, palmeira juçara, araçá, entre tantas outras. Por meio de ações de plantio, doação e aquisição de mudas destas espécies-chave nativas, o Coletivo busca fortalecer os ecossistemas nativos como enfrentamento da crise climática. Outra motivação importante para estas ações é a aproximação das pessoas com as plantas presentes no seu dia-a-dia, como a própria erva-mate. A árvore símbolo do Rio Grande do Sul é um ótimo exemplo do distanciamento entre as pessoas e a natureza. Apesar do grande consumo e produção de chimarrão no estado, a maior parte da população gaúcha não conhece a planta Ilex Paraguariensis nem mesmo suspeita que esta, que dá origem à erva-mate, é, na verdade, uma árvore. Por isso, plantar a Ilex é uma maneira de reaproximar as pessoas desta planta emblemática, conhecendo seus ciclos e possibilitando a médio prazo as folhas para o preparo de um chimarrão artesanal. Pensando nisso, a Catarse já fez o plantio de mais de 30 pés somente em junho e planeja plantar muitas mais. As primeiras mudas foram para a terra nos dias 4 e 5, no limite entre Morro Reuter e Santa Maria do Herval. O ponto de Cultura Vale do Arvoredo recebeu o plantio de 20 mudas no seu espaço de Residência Artística no meio da Mata Atlântica. O plantio foi realizado ao longo das gravações do Talk Exu #6 – Cultura e Agroecologia – e contou com a participação dos parceiros Alexandre Fávero, Matias Köhler e Ethiéne Guerra. Ao longo do encontro, também foram plantadas sementes de juçara germinadas – presente da Karina do Sítio Semente Raiz, em Maquiné/RS -, dentro da mata e transplantadas para vasos, originando mais de 80 mudas. Já na semana seguinte, no dia 11, foi realizada uma doação de 11 mudas e apoio ao plantio no Sítio do Tigre. O assentado da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (COOTAP) estava aumentando sua agrofloresta (que já possui cítricas, goiaba, banana, pitaia, jambolão e outras árvores), no município de Eldorado do Sul, e recebeu mudas de erva-mate, juçara, guabiju e mamão do viveiro do Coletivo. O plantio, que incluiu também mudas de bananeira, foi realizado seguindo o calendário biodinâmico. O último plantio – até agora – foi realizado no sábado, 20 de junho. No solstício de inverno, uma equipe de 4 cooperados da Catarse, 3 deles acompanhados dos seus filhos, fizeram o plantio de 20 mudas – 12 erva-mate, 4 araucárias, 3 juçaras e 4 ipês roxos. Apesar de ter sido o dia mais curto do ano no hemisfério sul, a tarde nublada e fria teve tempo ainda para colheita de laranjas, bergamotas e abacates e para o desfrutar da paz do sítio Walparaíso, em Belém Velho, zona sul de Porto Alegre. No mesmo final de semana, a zona sul da capital recebeu outros plantios de mudas vindas da compra coletiva com o Viveiro Gasparetto (leia aqui). O parceiro Bernardo plantou araucárias, erva-mate, grápias e ipês no quintal da sua casa no bairro Cristal. Em Viamão, a parceira Maíra fez o plantio de erva-mate, grápias, ipês e angicos vermelho na sua casa no bairro Cantagalo. Mais ao sul do estado, no distrito do Boqueirão Velho, muncípio de São Loureço do Sul, o parceiro Filipe fez o plantio de 5 pés de erva-mate, 3 angicos vemelho e 3 grápia. O município na chamada costa doce gaúcha (região às margens da Lagoa dos Patos ) tem recebido uma série de carijos (atividades de feitio artesanal de erva-mate), e o plantio de erva-mate na região também busca garantir a continuidade dessas atividades culturais. Estas ações vem sendo realizadas de maneira autônoma, sem um financiamento ou projeto responsável, buscando fortalecer a biodiversidade nativa no estado e fomentando uma conservação pelo uso e uma relação mais próxima com plantas que moldaram a cultura e o modo de vida no sul do país. De tal forma, seguirão acontecendo ações e encontros de plantio tanto em pequena e média escala quanto outros maiores por meio de mutirões específicos a serem convocados. Eaí? Bora plantar?!

Muito aquém da linguiça humana: animação sobre Crimes da Rua do Arvoredo vai lidar com fatos

Por mais que seja interessante e sedutora, a história do canibalismo “forçado” – dita como verídica pelo imaginário urbano de Porto Alegre – não vai estar presente nesta pequena obra, que se inicia produção em mais uma parceria da Cia Teatro Lumbra e do Coletivo Catarse. Este é um trabalho conquistado, que foi ao encontro das necessidades do Memorial do Judiciário do Rio Grande do Sul, em pregão público, numa possibilidade de se atualizar um material didático que este setor do TJRS vem se utilizando há muitos anos no projeto Formando Gerações. Como o produto audiovisual vai servir de ilustração e descrição de caso para a realização de uma simulação de um tribunal composto por jovens estudantes, as interpretações, ilações e teorias conspiratórias sobre a dupla José Ramos e Catharina Palse ficarão de fora, constando, apenas, uma narrativa baseada nos autos de processos que existem sobre o caso. E não é pouco. Em 1864, numa Porto Alegre de 30 mil habitantes, recebendo grande afluxo de imigrantes, foram encontrados restos mortais de 4 vítimas no porão da casa do casal, todos esquartejados (um alemão, dono de um açougue, um português, dono de uma taverna, uma criança de 12 anos e um cachorro). Ali, iniciou-se, portanto, uma grande sequência de eventos que, por um lado, culminaram com processos policiais e jurídicos praticamente inéditos para a época e, por outro, com a abertura de um portal para além da imaginação, que gerou centenas de publicaçõs ao longo dos tempos, desde contos em páginas de jornais até livros, roteiros, programas de TV e filmes em que mais se destacava a hipótese de que Ramos e Catharina usavam a carne de suas vítimas para fabricar linguiças. Neste caso, a equipe de produção, debruçada nos fatos e constantemente brigando com a própria imaginação, vai, mais uma vez, mesclar as técnicas de cinema e teatro de sombras para montar esta animação. Já em etapa de finalização da fase de roteiro, esteve presente no Ponto de Cultura Vale Arvoredo, interior de Morro Reuter, nesse último final de semana, consolidando a narrativa das cenas e montando o storyboard, que serão a base para toda a produção. O local também servirá de locação para as filmagens. “Crimes do Arvoredo” será, portanto, um curta-metragem baseado em fatos reais, de gênero suspense policial, com a duração de 10 a 15 minutos, que deve contar a história daqueles que são considerados os primeiros crimes em série da história do Brasil, ocorridos na Rua do Arvoredo (atual Rua Cel. Fernando Machado, no Centro de Porto Alegre, nos anos de 1863 e 1864. A pesquisa é baseada fundamentalmente no livro homônimo, de publicação do Arquivo Histórico do RS, com enfoque nas mortes de Januário e seu caixeiro e do açougueiro Carlos Claussner, e com fonte nos depoimentos de investigação e pré-julgamento dos crimes. O filme deve se sustentar na linguagem fantástica do teatro de sombras, combinando projeções de sombras corporais, figuras e retroprojeção, formando-se imagens com alguns elementos coloridos presentes nos cenários e detalhes a serem sublinhados na história, mas deve se afastar da incrível estória que comanda o imaginário daqueles que acreditam piamente na maior lenda urbana da cidade de Porto Alegre – que é, inclusive, o caso dos produtores desta obra… Fotos: Alexandre Fávero e Gustavo Türck

Três anos de “Marias”

O sábado, 7 de março, que antecedeu o importantíssimo e necessário 8M, marcou o aniversário de três anos de existência da Maria Maria Espaço Cultural, que reside de quinta a sábado na Garajona da Comuna do Arvoredo, na Rua Fernando Machado, Centro Histórico de Porto Alegre. A agenda é conduzida pelas irmãs “Tolfo”, Marcia e Daniela, e conta com uma rede de apoio de diversas amigas, incluindo Tiane, irmã das gurias. A Maria Maria é pensada para todes, visando a apoiar e fomentar a cultura, diversidades sonoras e artisticas, desde jantares temáticos, passando por reuniões, grupos de conversa, lançamentos de livros, filmes, trasmissões ao vivo e diversas formas de trabalhos ligados à cultura e aos movimentos sociais. E, na festa de aniversário, não foi diferente. A celebração contou com os brechós O Cata Roupas e Victória brecho e floricultura, junto aos artesanatos da FESPOPE. Entre as atrações artísticas, esteve o rap e a poesia falada de Kainã, além do grupo Versão Brasileira. Na cozinha, além das clássicas pizzas das Marias, foi preparado um saboroso cuscuz pelas mãos da cozinheira Kyzzzy Rodrigues, que sempre se faz presente no já conhecido Jantar Afro. O terceiro ano das Marias também marca um ano de muita programação cultural sendo realizada no espaço, dentro do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Foi uma noite de celebração e fortalecimento da luta e da cultura de rua. Maria Maria, sempre de portas abertas! Fotos e texto: Billy ValdezEdição: Anahi Fros

Podcast do Coletivo Catarse: uma praça naturalizada em Santa Maria

Uma conversa com Gui Blauth – por Jefferson Pinheiro. @gui_blauth tem trabalhado para que as crianças permaneçam conectadas com a natureza. Ele faz isso através de diversas iniciativas e junto a outras e outros ativistas pela causa das infâncias saudáveis e pelo direito do livre brincar em ambientes naturais, como é o caso do @coletivo.taboa, que ele integra. Em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, Gui coordenou a construção de uma praça naturalizada no bairro Nova Santa Marta, em novembro de 2025. Um pouco antes havia passado por Porto Alegre e Estância Velha em projetos similares, embora já tenho ajudado a construir ambientes naturais para as infâncias em diversas cidades e regiões do país. Este podcast é resultado de duas breves conversas com ele enquanto trabalhava na construção da praça em Santa Maria. Ele fala sobre a proposta dos parques naturalizados, do processo e do envolvimento comunitário para a construção desses espaços públicos, das parcerias locais e do impacto que ambientes lúdicos naturais podem ter para o desenvolvimento das crianças, também em contraposição às praças e ambientes artificiais. Em pouco menos de 30 minutos Guilherme nos faz refletir sobre os espaços que oferecemos para as crianças brincarem no meio urbano, a partir também da escassez e da abundância. E, claro, a conversa não é apenas sobre as infâncias, mas também sobre a vida nas cidades para todas e todos nós. Agradeço a @gui.schneider por ter me colocado em contato com seu xará, Gui Blauth. Que todas as crianças possam expressar sua essência e potência, em ambientes naturais que a gente cuide e ofereça pra elas.

Filme, Cooperar é Resistir – Pedal Express

Vamos chegando na linha de chegada de 2025 e antes de encerrarmos esse ciclo conseguimos depois de percorrer um longo percurso disponibilizar de forma pública o filme Cooperar é Resistir – Pedal Express, que conta um pouco sobre a atual equipe que compões o coletivo Pedal Express e os desafios da autogestão em busca de um trabalho digno. Um pouco sobre o filme:Há 15 anos a Pedal vem oferecendo uma alternativa ecologicamente sustentável e socialmente justa para serviços de entrega em Porto Alegre. E nossa parceria é de longa data, tendo na nossa história a formação sobre cooperativismo que fortaleceu este coletivo de ciclo-entregadores no sentido da autogestão como modelo de organização.A campanha “Cooperar é Resistir!” foi construída através do apoio do Labora – Fundo de Apoio ao Trabalho Digno do Fundo Brasil, por meio do edital de apoio a trabalhadores informais na luta por direitos de 2024.A iniciativa busca promover o debate sobre trabalho digno e o cooperativismo de plataforma.Além de registrar a história da Pedal, o documentário aborda questões como a precarização do trabalho de entregas por plataformas digitais e apresentando o cooperativismo de plataforma como uma alternativa viável, justa e sustentável. Pedal Express no ano de 2025 é:Natã Moraes LinkGabriel Vanin EthurMiguel Hexel HerreraSaymon Machado AraújoLucas Escher Speroto Equipe de produção audiovisual: Coletivo Catarse Imagens adicionais: Trilha Sonora: Realização: Pedal ExpressProdução: Coletivo CatarseApoio: Labora – Fundo Brasil

2025 foi ano de Talk Exu!

Este ano foi de consolidação de uma proposta de talk show do Coletivo Catarse. Ainda com bastante espaçamento entre os episódios, estudos estéticos e da técnica a ser utilizada – além de investimentos no espaço onde se grava e transmite ao vivo -, se possibilitou a produção de conteúdos interessantes com os envolvimentos de parceiros e o apoio organizacional de um projeto contemplado nos editais PNAB/SEDAC-RS, na linha Cultura Viva. Foram 3 edições que movimentaram a Comuna do Arvoredo, em dias de Maria Maria Espaço Cultural, sob realização do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, versando sobre cinema de ativismo e produções audiovisuais com diálogo entre as artes; sobre teatro, economia solidária e autonomia; e destacando a cultura do povo negro no Rio Grande do Sul. Todos entremeados com apresentações musicais diversas, que divertiram os presentes e o público online, e finalizando sempre com um filme produzido pelo próprio Coletivo Catarse. A seguir, assista à última edição e às outras duas de 2025: Talk Exu #04 – Cultura Negra em DestaqueTambor de Sopapo, poesias e carnaval. Com Lilian Rocha, Edu do Nascimento e Paulinho do Areal. Atração musical “Meu Black É Rock”, de Matheu Corrêa. Ao final, uma versão reduzida do documentário “O Grande Tambor”. Talk Exu #03 – nós na economia solidária e NÓS em cia de teatroEconomia solidária e autonomia, com Gil Neves e Lisbet dos Santos, e os 18 anos da NÓS CIA DE TEATRO, com Everson Silva e Letícia Virtuoso, intercalado por intervenções musicais do artista Luís Valério e exibição ao final do curta-metragem P A R A L E L O. Talk Exu #02 – os filmes que lançamos no outono passadoAs três últimas produções audiovisuais do Coletivo, todas lançadas na segunda quinzena de junho: os documentários “Nóg kirĩg ãg tĩ / Nós, Guardiões da Mata”, sobre a retomada Kaingang no Morro Santana, e “Cooperar é Resistir”, contando a história da PedalExpress, um coletivo de entregas que se utiliza de bicicletas em Porto Alegre; finalizando com o curta-metragem de ficção “Enquanto a Luz Não Chega”, com bate-papo sobre os desafios de uma produção que mescla o audiovisual e o teatro de sombras, com exibição completa do filme ao final – também como parte do circuito de lançamento do mesmo. As entrevistas sobre as produções foram intercaladas por intervenções musicais da banda “Expresso Livre”, com Jéssica Nucci no vocal, acompanhada dos violões de Vicente Guindani e Nil Tavares. O Talk Exu, uma iniciativa autônoma do Coletivo Catarse, é parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Polem.ize na Rubem Berta

Nós do Coletivo Catarse estivemos ao longo do ano de 2025 apoiando e fazendo parte do projeto Polemi.ze Cohab Rubem Berta realizando registros audiovisuais que compilamos em um curta documental sobre o projeto e a realidade das pessoas envolvidas da comunidade. O projeto Polemi.ze Cohab Rubem Berta teve como objetivo valorizar a comunidade, suas histórias, fazeres e conhecimentos locais, gerando movimentos e diálogos entre a cultura periférica, artes integradas e matrizes ancestrais, nos seguintes espaços públicos: na Escola Estadual de Ensino Fundamental Julio Brunelli, Horta Comunitária e Praça México no bairro Rubem Berta.Para conhecer mais sobre o projeto acesse o site, https://ibiama.com/polemize/ O filme com acessibilidade em libras e legenda você pode conferir abaixo.

Decola Hip Hop RS – LANÇAMENTO do videocast “No Ritmo e Poesia das Vozes Indígenas do Brasil”

O Videocast do Coletivo Catarse inaugura com 2 episódios sobre o entrelaçamento das culturas indígenas e o Movimento Hip Hop. Com representantes de etnias em constante luta, esses artistas se utilizam da música e de outros elementos para também agregarem uma expressão e expandirem seus fazeres e saberes em algo que é considerado contemporâneo, mas transversal à humanidade. Curta atentamente aos 2 episódios! Com o título de “No Ritmo e Poesia das Vozes Indígenas do Brasil“, o projeto tem dois episódios e vai ao ar no início de dezembro, fazendo parte do Programa Decola Hip Hop – uma iniciativa histórica da Secretaria de Cultura Hip Hop do RS e da Ong Suve (confere aqui). Ficha técnica:Apresentação – Gustavo Türck e Marcelo CougoProdução – Marcelo CougoGravação e edição de som – Gustavo TürckDireção de equipe de filmagem, corte ao vivo e edição final – Billy ValdezOperação de câmera – Vherá Xunú

Porto Novo ganha projeto de comunicação com olhar de jovens estudantes

O ainda adolescente Conjunto Habitacional Porto Novo, no bairro Santa Rosa de Lima – cujo processo de remoção e reassentamento das famílias da Vila Dique teve início em 2009 pela Prefeitura de Porto Alegre – acaba de ganhar um projeto de comunicação e autoestima que conta parte de sua história. Os registros incluem documentário realizado em oficinas com alunos da EMEF Porto Novo, perfil no Instagram, administrado pelos oficinandos e uma série de seis podcasts contando a história da comunidade e as dinâmicas e questões sociais que envolvem o desenvolvimento de uma metrópole como Porto Alegre (confira ao final). O resultado da proposta foi conhecido pela comunidade na tarde da quarta-feira, 1º de outubro, durante sessão de exibição do documentário Porto Novo – Um Lugar Melhor, na sede da escola. As turmas do 9º ano não foram escolhidas ao acaso para comporem este trabalho. Boa parte dos alunos faz parte de uma primeira geração nascida e crescida no conjunto habitacional. Como moradores em apropriação do local, eles indicaram quem seria entrevistado e filmaram boa parte das cenas. O filme foi aclamado ao seu término, com muitas palmas e falas potentes ao final da projeção. Para chegar ao resultado, os jovens participaram de aulas e vivências voltadas à introdução da linguagem audiovisual com foco no fortalecimento da autoestima, do pertencimento e da valorização da identidade territorial. A condução ficou a cargo de Lorena Sánchez e Maria Apollo, oficineiras, produtoras culturais, que fizeram direção geral e de produção do projeto perante as ações na comunidade, também auxiliando nos processos de roteiro e edição do documentário. “Falar sobre a nossa comunidade e a nossa escola é muito top, sentir isso, essa energia. Ninguém vê o que a gente passa aqui, o que vivemos, somente nós que sabemos. Foi muito legal, interessante e muito bom participar disso e saber que vamos ser mostrados para todo mundo. Desde o começo, achei interessante e botei fé, mas não tinha esperança que avançaria tanto. Mas elas (as oficineiras) falavam sempre que iria ter. Ficou perfeito! É bom se enxergar, mesmo que a gente fique com um pouco de vergonha” – comentou, ao final da exibição, a estudante Maria Eduarda Rodrigues de Moraes, 15 anos. “Gostei de participar. Foi tudo novo pra mim, mas bem legal. Não imaginava que iria ficar tão bom. Não tinha antes a ideia da importância da comunidade” – confessou Isabela Baptista Lucas, 15, nascida no conjunto habitacional. A iniciativa foi desenvolvida pelo Coletivo Catarse com o apoio da Unidade de Saúde Santíssima Trindade e da EMEF Porto Novo, por meio de Emenda Parlamentar Impositiva aprovada pela Câmara Municipal de Porto Alegre, através do mandato do então vereador Leonel Radde (PT). A partir de perguntas como “O que significa, para ti, morar neste lugar?” e “Do que você mais gosta em você?”, eles escolheram lideranças comunitárias e escolares para entrevistar, aproximando-se, assim, da história viva de sua comunidade. As oficinas também incentivaram um novo olhar sobre o cotidiano. O trajeto de casa até a escola foi ressignificado por meio de registros fotográficos e textos criativos, instigando uma percepção mais poética do local onde vivem. “Os participantes entraram em contato com diferentes etapas da produção audiovisual, como criação de identidade visual, gerenciamento de conteúdo em nuvem, desenvolvimento de um perfil exclusivo no Instagram e planejamento dos bastidores de comunicação, mergulhando em um processo formativo que vai além da técnica, incorporando organização, expressão e escuta ativa, tornando cada um protagonista da construção de narrativas sobre sua realidade”, explica Lorena. E complementa: “A proposta consolidou a escola e a unidade de saúde como espaços de encontro, expressão e mobilização social”. Solange Medeiros, diretora da EMEF Porto Novo, à qual se refere como “A escola do abraço”, relata que há uma sensação de pertencimento crescente entre os moradores e comunidade escolar e que, por isso, as coisas acabam acontecendo. “Tudo passa pela escola. Desde o início do reassentamento, a comunidade se encontrava uma vez por mês nas nossas dependências para fazer reuniões, porque não existia uma associação comunitária. Dez anos depois, isso permanece. Nós entendemos que este território precisa da ação dessas lideranças”, defende Solange. Para a assistente social da Unidade de Saúde Santíssima Trindade, Tiana Brum, uma das mentoras do projeto e uma das entrevistadas para o documentário e também do podcast, estar no território fazendo o acompanhamento da comunidade é também estar na luta pela promoção da saúde. Ela comenta: “A gente entende a saúde como acesso à casa, ao trabalho, à alimentação, à cultura, ao lazer. É justamente o conceito ampliado de saúde que trabalhamos. Acabamos sendo essa mediação para muitos direitos, fazendo essa articulação com outros equipamentos e políticas públicas. Buscamos construir esse senso, esse sentimento de comum+unidade, com pessoas vindas de diferentes territórios se reconhecendo com essa identidade territorial”. Produtos realizados dentro do projeto::: Documentário com cerca de 40 minutos – “Porto Novo – Um Lugar Melhor”:: “Porto Novo podcasts”, uma série de 6 episódios com conversas que versam sobre parte da história da comunidade e sobre questões inerentes a dinâmicas de espaços urbanos como os da capital dos gaúchos:: Perfil no Instagram: @projetoportonovo_101:: produção de Reels com imagens captadas pelos alunos abordando temas como resiliência, empoderamento, autoestima, território e amizade (publicação no instagram):: Dez fotopoesias (colagens fotoartísticas para publicação no Instagram) Sobre o Conjunto Habitacional Porto NovoÉ o local para onde os moradores da antiga Vila Dique foram realocados após processo de remoção iniciado em 2009 pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre, em função da ampliação da pista do Aeroporto Internacional Salgado Filho, contando também com habitantes da Morada do Sol e remanescentes da Vila Floresta. Fica situado ao lado do complexo cultural do Porto Seco, na Zona Norte de Porto Alegre. A antiga Vila Dique ficou conhecida por esse nome porque acabou se formando em torno de um dique, criado em épocas de chuva, para que as águas do Rio Gravataí não pudessem invadir a pista do aeroporto. Muitos moradores vieram do interior do estado, constituindo, assim, suas famílias e …